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Finition des créations et réflexions sur leur mise en valeur

As pessoas entrevistadas abordaram em seus discursos sobre a experiência pessoal de combate ao câncer, alguns elementos que nos permite indicar a importância das interações para o enfrentamento da doença. Esta interação pode ser com um profissional, como afirma um paciente:

O psicólogo foi muito importante, conversou comigo, e disse que a vida continuava, que não é isto que tinha de mudar de vida. Realmente tem que mudar de vida, de aceitar e cumprir aquilo que deve fazer, às vezes a gente foge um pouco do ritmo, na área da alimentação, mais é normal, é só botar na cabeça o que você tem e deve fazer. (*s_07 *sex_mas)

A comunidade religiosa da qual o (a) entrevistado(a) faz parte, além de uma comunidade com foco na religião, pode também ser indicada como um espaço de trocas e de apoio às diferentes demandas apresentadas pelos(as) pacientes acometidos com o câncer.

A gente tem uma vez por mês uma rodada de experiência, e nesta rodada a gente põem todos os problemas familiares, tudo que está acontecendo, (...), então a gente pode falar os nossos segredos ali dentro, as nossas duvidas, as mágoas, as nossas paixões tudo ali, a gente chora, a gente ri, a gente se auxilia mutuamente. (*s_02 *sex_fem)

São doze comunidades na minha paróquia. Essas pessoas da minha comunidade (nenhuma pessoa, nenhuma criança pode passar necessidade), tudo que essas pessoas precisam da minha comunidade ou de qualquer outra comunidade. Se é reforma de uma casa, se é remédio para comprar para atender uma doença, se é uma criança ou por qualquer

coisa, se é alimentação, seja o que for, a Comunidade está ali para ajudar.

(*s_02 *sex_fem)

Por fim, não apenas as interações entre as pessoas podem ser consideradas importantes no enfrentamento da doença, mas também a interação com a natureza, conforme ressalta a paciente:

Jardineira assim, lutar com as flores, floricultura, meu maior prazer é ver o jeito das flores na estufa. Tenho prazer de ver, eu enxergo muita vida, é tão bonito quando está abrindo o botão, né? É muito, quando tem uma flor diferente que compro assim, cada dia eu vou olhar se ela vai floresceu, que jeito que vai ser, tenho muitas espécies. Gosto muito de orquídeas, hortênsias, gosto demais. (*s_17 *sex_fem)

Deste modo, com base nos discursos analisados, embora a Classe 1 apresente conteúdos abordados pela questão cinco do roteiro de entrevista, esta parece estar relacionada, principalmente, à pergunta três que questiona se “a religião e a oração podem ajudar o paciente no momento da doença”.

Nesse sentido, os discursos trazidos pela classe podem ser pensados como um retrato das percepções dos sujeitos acometidos pelo câncer. Nesta os (as) participantes apresentaram relatos de como se sentiram e do modo como agiram para compreender e enfrentar a doença.

Além da oração que se apresenta como um importante instrumento para o enfrentamento do câncer, outro dado interessante, é que as diferentes formas de interações com outros sujeitos (ou mesmo com a natureza) também são de extrema relevância para esse processo.

5.3.2.3 Classe 2 – Práticas religiosas, atividades e rede de apoio

Com assuntos relacionados à classe anterior e compondo o eixo enfrentamento do câncer, a Classe 2 explica 23% da variância do corpus total analisado. Por meio da análise das palavras com presença significativa nesta Classe, dispostas na Tabela 7, poderemos apreender o sentido dos discursos expressos por ela.

Tabela 7. Palavras significativas da Classe 2. PRESENÇA SIGNIFICATIVA χ² Faço 30 Peço 26 Casa 16 Visitas 16 Igreja 16 Netos 14 Amizade 14 Frequentar 14 Gosto 13 Agradeço 13 Participo 13 Atividade(s) 13 Andava 10 Oração 10 Sair 10 Grupo(s) 10 Momento 10 Reflexão 10 Liga 8 Ajuda 9 Terço 9

*Escolaridade 4 (de 8 a 10 anos) 33

*Trabalho 1 (sim) 26

*Sujeito 12 21

Com base nas palavras significativas para esta classe, a primeira observação a ser sublinhada seria a presença de verbos, sobretudo no tempo presente e infinitivo, indicando ações realizadas, com frequência, no momento atual. As demais palavras indicam a realização de orações pelos (as) pacientes, em que pedem pela sua família, prática de atividades e a interação com pessoas nas visitas em casa e participação em grupos.

Conforme apresentado na Tabela 8, esta classe não aborda questões relacionadas ao pai e ao tratamento da doença e sua duração, como médicos, exames e ano.

Tabela 8. Ausências significativas da Classe 2.

PALAVRAS AUSENTES χ² Falou / Falei -12 Médica -12 Pai -8 Exame -8 Ano -7 Câncer -7

Nesse sentido, podemos indicar que a Classe 2 está relacionada aos temas das práticas religiosas, atividades e rede de apoio. Sobre esses temas, as análises das UCE classificadas como significativas para a classe podem nos fornecer as especificidades discutidas pelos (as) pacientes entrevistados(as). São elas:

5.3.2.3.1 Práticas religiosas

A prática religiosa é comum entre as pessoas com problemas de saúde, porque fornece uma visão otimista e esperançosa numa situação adversa vivida, para tal otimismo usam-se os modelos bíblicos, pois facilita a aceitação do sofrimento com resignação, oferecendo uma gama de relatos e acontecimentos de apoio, estes transfere parte do sofrimento pessoal a Deus, reduzindo o controle pessoal, isto implica na diminuição do isolamento e solidão (KOENIG, 2004).

A vinculação a uma denominação religiosa pode trazer benefícios tanto físico, quanto psíquico, pois além da convicção de uma fé fundamentada em bases de amor e de esperança em um ser superior, denominado pelos cristãos Deus, o ajudador, bondoso e justo, tem todo o sentido de pertencimento a uma comunidade religiosa, isto pontuam para o enfrentamento da doença.

O mais importante é crer em Deus, muito importante isso. Eu todas as noites faço as minhas orações, agradeço a Deus pelo dia, para todo, para mim, para família. A igreja eu vou duas vezes ao mês, tem mês que viajo e relaxo um pouco, mais sempre procuro ir à missa ou na igreja evangélica da minha esposa. (*s_07 *sex_mas)

A fé religiosa pode fornecer a essas pessoas um sentimento de esperança, que as coisas vão dar certo, independentemente dos seus problemas e, assim, promover uma maior motivação para conseguir a equilibrio emocional.

... Frequento a missa. Isto ajuda muito. Quando a gente tem um divertimento, qualquer coisa saio para divertir. Para dizer que sou uma pessoa que pensa em besteira não sou, sou caseiro. (*s_14 *sex_mas)

[A religião / a oração] ajuda, ajuda e muito, porque eu converso, eu peço, eu imploro, naquele momento, tanto para mim, como para alguém da minha família, ou algum conhecido, que está doente ou está muito mal.

(*s_11 *sex_fem)

De acordo com os relatos, a pertença e frequência a alguma instituição religiosa pode proporcionar o contato com pessoas que passam a fazer parte da rede de apoio dos (as) participantes:

Ajuda, ajuda sim. Quando eu sinto qualquer coisa eles [amigos] vem bater aqui ou então liga para saber como estou, faz oração comigo, me ajuda demais. É uma irmandade, uma família, participo do grupo de reflexão, hoje mesmo vamos para casa da vizinha, aqui nesta rua. (*s_09

*sex_fem)

Embora apresentem relatos sobre a participação e pertença a instituições e grupos religiosos, a religiosidade dos (as) pacientes entrevistados (as) não está, necessariamente, vinculada à prática ou crença religiosa específica (seja por opção ou por impossibilidade). Algumas pessoas relatam a importância de frequentar um templo de oração, mesmo que não frequentem ou tenham crenças partilhadas por instituições religiosas determinadas.

Não importa qual religião, no entanto que eu me sinta bem, que eu me sinta à vontade de ir até lá, sem ser por obrigação, ser de livre e espontânea vontade de frequentar o local que me dê uma paz, que me faça melhorar, que faça mudar a maneira de ser. (*s_08 *sex_fem)

Eu tenho vez que vou à igreja, mas não é muito. Mas em casa eu faço as minhas orações. Terço eu não rezo não. É porque oração não é demorado, mas eu peço a Deus cedo mais é de noite que tô quietinha, de dia os netos estão para lá é para cá. (*s_13 *sex_fem)

5.3.2.3.2 Atividades promotoras de satisfação

Além de atividades relacionadas à religiosidade, os (as) pacientes oncológicos (as) entrevistados (as) relatam outras atividades que os(as) auxiliam no enfrentamento da doença.

Ao expressar sobre atividades que promovem bem-estar, isto é indicativo de busca de um lugar restaurador, ou um momento no qual a pessoa fique em paz, se libertando ou recuperando das pressões ou preocupações da vida diária.

Para Macedo et al. (2008) o ambiente promotor de bem-estar pode ser tanto na natureza, quanto em ambientes construídos, e pode induz mudanças fisiológicas ao proporcionar alterações de humor no sentido positivo, equilibrar a capacidade de atenção e possibilitar maior contemplação dos próprios sentimentos.

Dobbert (2010) em uma pesquisa sobre a percepção e conforto em áreas verdes hospitalares, sugere que o contato com a natureza pode ter influenciar positivamente e reverter em efeitos terapêuticos.

Tenho, além da oração, o prazer em cuidar das plantinhas, as criações. não posso, a gente mora na cidade, mas sempre gostei de uma criaçãozinha. Gosto muito dos meus netos e bisnetos também. Eles divertem a gente. (*s_13 *sex_fem)

Outra atividade desenvolvida que promove satisfação é relatada pela participante 06, é a de ser dona-de-casa e cozinhar, é sentir-se útil na estrutura

familiar. Como podemos perceber na fala, há um lamento pela perda da saúde e de sentir-se impossibilitado de prosseguir em sua atividade de salgadeira.

Gosto de ficar em casa, fazer a minha comidinha. Eu me seguro nisto. Ajudar a minha filha a fazer comida, ela trabalha e eu faço de coração. Gosto da cozinha. Quando eu tinha mais um pouco de saúde, eu fazia salgadinho para vender para fora, mas agora não tô podendo. (*s_06

*sex_fem)

A aposentadoria é caracterizada pela saída da produtividade, do mundo laboral, quer seja de empresas privadas ou públicas, para a entrada do mundo doméstico (STRUCCHI, 2007).

Para Dantas (2007) a aposentadoria quando planejada pode ser um momento de reestruturação de identidade pessoal e estabelecimento de novos pontos de referencia.

Para alguns trabalhadores a aposentadoria é sinônimo de incapacidade, de improdutividade e perdas sociais. Esta transição é sentida pelos entrevistados como transtorno e desconforto por sentirem-se ociosos e inativos.

Leitura, televisão e esporte. Estou aposentado, mas senti muito com a aposentadoria. Não pode parar, tem que fazer uma atividade. Eu tenho dois amigos que mexem com escritório, eu vou ajudá-los pela parte da manhã, eles me pegam, ajuda passar o tempo. (*s_07 *sex_mas)

No momento eu só trabalho. Uns servicinhos para não ficar parado, não pertenço a nenhum grupo, somente o serviço. Tenho amizade da igreja católica daqui do bairro. Tenho que ir a igreja evangélica, agradecer o que fizeram por mim para eu ficar bom, o milagre a pedido deles. (*s_12

*sex_mas )

5.3.2.3.3 Rede de apoio

Para Brito e Koller (1999, p. 115) rede de apoio social é “[...]o conjunto de sistemas e de pessoas significativas que compõe os elos de relacionamento recebidos e percebidos do indivíduo.

Ainda para estas autoras, a rede de apoio social contribui para o desenvolvimento emocional e social, proporcionando satisfação, bem-estar subjetivo e saúde mental, emitindo respostas positivas e diminuindo os sintomas de desamparo, tornando-se eficaz e efetivo na prevenção de doença e uma estratégia para lidar em situações de risco.

Para o enfrentamento da doença, os(as) pacientes entrevistados(as) ressaltam a importância de presença de pessoas e/ou grupos que lhes forneçam algum tipo de amparo, seja com a presença, orações, atividades ou visitas.

A família e a minha religião, meus amigos. A gente também depende das pessoas de fora, não só da família. Bons amigos também fazem parte.

(*s_11 *sex_fem)

Eu tenho amigos que frequentam igreja católica, vão à missa. Tenho amigos evangélicos que me levam para igreja deles, eu aceito tudo. Me visitam, a gente conversa, saio, entende? Acabou a época da cervejinha, uso refrigerante, um suco, é válido também. Esse é o meu final de semana ao lado da minha esposa, porque ela trabalha, agora estou esperando ela chegar para jantar e depois a gente assistir televisão. (*s_07 *sex_mas) Porque aqueles que vão na sua casa, aqueles que você vê que são os amigos que a gente tem. Que vai na sua casa (…), que vão te visitar enquanto você ta la é não pode sair de casa. (*s_16 *sex_fem)

Além da família, os (as) amigos (as) são apontados como importantes influências no que tange ao percurso religioso dos (as) pacientes entrevistados (as).

Eu morei muito tempo ao lado da Igreja Assembleia de Deus. Os filhos dos pastores estudavam no Duque de Caxias, onde eu estudava. Estudavam comigo. Eu frequentava lá. Faziam festa na casa dos amigos, dos irmãos e eu ia. Às vezes até culto de oração, não sei se ainda é desse jeito. (*s_11

*sex_fem)

Eu conto com duas grandes amigas, falei antes que não, mas eu conto com duas grandes amigas. Inclusive ela é muito religiosa crê muito em Deus, ela é uma pessoa, assim, que perdeu uma filha com câncer, está com o segundo filho com câncer e ela reage muito bem com muita fé. Essa pessoa que está me dando esta força é uma colega de trabalho. (*s_08

Assim, como pode ser observado, esta classe aborda questões relacionadas às práticas religiosas, atividades e rede de apoio dos (as) pacientes oncológicos(as) entrevistados (as). A partir da análise de suas especificidades, é possível indicar que esta classe representa as respostas dadas, principalmente, às questões quarto e cinco do roteiro de entrevista que se referem, respectivamente, à frequência das práticas religiosas e ao auxílio de amigos (as) e membros da igreja ou associação das quais os(as) entrevistados(as) participam. Nesse sentido, juntamente com a Classe 1 (“experiência pessoal”), esta compõe o eixo que retrata do enfrentamento do câncer.

Após a análise de cada uma das classes, outro dado relevante para a compreensão dos dados da pesquisa são as relações que as quatro classes mantém entre si. Essa informação pode ser obtida por meio das Análises fatoriais, apresentada a seguir.

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