Le commerce équitable : dans et contre le marché
3. Dans le marché
3.1. Les filières du commerce équitable
Tendo em conta que o contexto de estágio diz respeito a um bairro social que, como se sabe, são caracterizados como espaços socialmente excluídos, parece pertinente reflectir sobre este tema, sobretudo, como forma de questionar se esta realidade é justificativa da relação que as crianças mantêm com a escola, baseada no descrédito, no descontentamento, insucesso e abandono.
Neste sentido, Boaventura Sousa Santos (1999) refere a existência de uma diferença entre desigualdade e exclusão, sendo que, enquanto que “exclusão vai sendo construída através do estabelecimento de limites e regras que não poderão ser transgredidas e a partir das quais, arbitrariamente, será estabelecido o que é normal e o que é aceitável” (Stoer; Cortesão, 1999: 15), a desigualdade permite a convivência de um grupo dominado com um grupo dominante, sendo que o primeiro se integra e se submete ao segundo.
Neste sentido, importa referir que a população deste bairro se encontra em situação de exclusão face à cidade e ao “mundo lá fora”, não se adaptando às exigências profissionais e sociais da sociedade, por serem vistos/as como excluídos/as ou simplesmente, por eles/as próprios/as possuírem baixas expectativas em relação à sua participação na sociedade.
A exclusão social tornou-se num tema demasiadamente discutido quando relacionado com contextos deste tipo e, assim sendo, revela-se importante discutir que tipo de exclusão estamos aqui a falar e quais as características inerentes a este processo. Segundo Alfredo Bruto da Costa (2005) “a exclusão social apresenta-se, na prática, como um fenómeno de tal modo complexo e heterogéneo, que pode, com razão, falar-se em diversos tipos de exclusão” (Costa, 2005: 21). Deste modo, a noção de exclusão implica imediatamente a pergunta
excluído/a de quê?, uma vez que, um indivíduo pode estar sujeito a diferentes tipos de
exclusão simultaneamente, daí que seja necessário identificar previamente qual o tipo de exclusão subjacente a determinada realidade e/ou indivíduo para, posteriormente, ser possível elaborar projectos e pensar em estratégias eficazes para solucionar a referida situação.
Por outro lado, o termo exclusão está intimamente ligado ao conceito de cidadania, pois, os/as excluídos/as são tratados/as como pertencentes às margens e privados/as de um conjunto de sistemas sociais básicos. De acordo com Bruto da Costa (2005), uma pessoa excluída socialmente estará privada de pelo menos um dos sistemas sociais básicos, que o próprio define como sendo o domínio social, económico, institucional, territorial e o das
referências simbólicas.
Relativamente aos/às residentes de bairros sociais, importa perceber que tipo/s de exclusão sofrem, quais as suas causas, bem como as suas consequências para, assim, ser
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possível actuar e pensar conjuntamente com os/as próprios/as em estratégias eficazes que possam modificar a situação em que se encontram e, sobretudo, transformar as suas vidas.
Pensando no domínio territorial que anteriormente referi, e apesar do bairro da Estrela não se encontrar numa situação de degradação acentuada, considera-se que são territórios socialmente excluídos os “bairros de lata e outros tipos de bairros degradados [que] (…) dificilmente podem melhorar se não se tomarem medidas que promovam o progresso de todo o espaço, nos domínios da habitação, dos equipamentos sociais, das acessibilidades, e até de actividades económicas” (Costa, 2005: 16), sendo por este motivo que surgem os inúmeros projectos de intervenção e desenvolvimento local, que terminam com bons resultados, atingindo objectivos propostos, no entanto, sem a componente mais importante que é a de sustentação futura.
Na mesma esteira, “a imagem que estas zonas projectam de si mesmas (…) é a de pobreza e de marginalidade, associada a alguma insegurança provocada pelo consumo e tráfico de drogas que em certos lugares, assume níveis preocupantes” (Projecto Trampolim, 2006:8). As crianças residentes no bairro, mesmo as mais novas, já demonstram o conhecimento que têm acerca das actividades ilegais que aí se desenvolvem, caracterizando-a como algo mau. Quando se questiona os/as alunos/as sobre o que pensam sobre o bairro, destacam um aspecto negativo que é o consumo de drogas, revelando assim, o descontentamento face a esta situação:
“R –O acham do sítio onde moram?
P- Há uma coisa má…porque há aqui muitas drogas”. (FGD – ALPM)
Tendo em conta que a importância do contexto assume grande relevância na determinação das condições de vida dos indivíduos, importa perceber se o facto de a escola que as crianças desta intervenção frequentam se situar no centro do próprio bairro, constitui por si só motivo de exclusão, insucesso e desmotivação.
Assim, a importância do contexto é destacada, neste caso, essencialmente, por dois motivos. Em primeiro lugar, novamente as expectativas dos/as “outros/as” ganham demasiada centralidade, pois, os bairros sociais não são vistos de uma forma positiva e estão sempre associados a marginalidade e exclusão, mesmo que assim não o seja. Por esta razão, uma escola situada no centro de um bairro social irá ser igualmente alvo dos mesmos preconceitos, identificando os/as alunos/as que a frequentam como pequenos marginais, cujo futuro não fugirá muito à regra dos/as demais companheiros/as e residentes. Em segundo lugar, sendo que a escola se encontra no centro do bairro, retira algumas possibilidades de contacto com o
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espaço exterior ao bairro e, assim, consequentemente, limita muito as possibilidades educativas e culturais a que estes/as alunos/as têm acesso.
Neste sentido, a falta de maiores oportunidades culturais, sociais e educativas pode ser um dos factores responsáveis pelo desencanto em relação à escola e, consequentemente, factor de insucesso escolar, uma vez que, se acredita que, ampliando a gama de opções e dando a conhecer aos/às alunos/as as ofertas existentes a nível educativo, poderá despertar o interesse e a dedicação dos/as mesmos/as a uma área que até então desconheciam. Segundo Pedro Abrantes, “ainda que minoritário, existe (…) um conjunto significativo de professores[as] e alunos[as] muito empenhados[as] em desenvolver novas iniciativas e ofertas educativas, que vão rompendo com obstáculos e imobilismos, gerando novos recursos e competências, em cooperação com agentes exteriores” (Abrantes, 2003: 112), demonstrando assim, que o desenvolvimento de novas ofertas educativas pode proporcionar a motivação e o empenho dos/as alunos/as
Da mesma forma e, segundo o mesmo autor, “as disposições [das crianças e] dos[as] jovens[as] face à escola não estão cristalizadas, nem são homogéneas perante todas as actividades, actores[as] e instituições dos quotidianos escolares [sendo] bastante mais abertas, dinâmicas e interaccionais, isto é, dependem das experiências escolares que se vão desenrolando” (Abrantes, 2003: 117), ou seja, as relações das crianças e jovens com a instituição educativa e com os/as actores/as que fazem parte deste espaço, podem ser modificadas de acordo com as experiências que forem proporcionadas aos/às mesmos/as.
Relativamente à valorização de experiências fora do contexto escolar, o contexto onde vivem assume grande importância, pois é aí onde muitas das suas experiências ocorrem e, neste sentido, a visão dos/as alunos/as relativamente ao bairro revela-se importante, pois, ainda que detectem aspectos negativos e compreendam a ocorrência de fenómenos marginais, como é o caso do consumo e tráfico de droga e da violência, é um lugar onde se sentem bem, com o qual aprenderam a lidar e no qual se sentem integrados:
“A certa altura perguntei à B. pela M., pois hoje tinha faltado às aulas. A B. disse-me que a colega tinha faltado, pois a mãe tinha-se envolvido numa discussão e num episódio de
agressão física. Ultimamente estes episódios têm sido mais frequentes e imagino que
tenha a ver com o facto de já não terem a polícia no centro do bairro. Isto começa a ser preocupante, pois, o nível de insegurança volta a aumentar”. (NTR30)
“Da entrevista, a ideia geral que ficou foi que gostam muito da escola onde andam e do
bairro em si, no entanto, as piores reclamações dizem respeito ao barulho, aos casos de violência e à falta de segurança”. (NTR49)
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Mais uma vez, as influências externas são determinantes na vida dos indivíduos, e neste caso específico, não só as expectativas mas também a limitação de oportunidades se constituem como obstáculos ao sucesso escolar como também reforçam a imagem negativa que se possui acerca dos bairros sociais.
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