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Quel retour pour les aidants et les aidés ?

VI. Le vieillissement chez nos enquêtés

6.3 Les différentes figures de l’aidant proche dans le voisinage

sempre com pressa, mesmo sem saber ao certo aonde vai, tentando esboçar as características próprias do espírito de época que ora vivemos.

2.5. O sujeito pós-moderno

Um dos temas em voga entre aqueles que estão refletindo sobre questões emergentes relativas à pós-modernidade é a noção do sujeito pós-moderno. Tornou- se assunto de intensa discussão a partir do momento em que os metarrelatos, nos quais se inspiravam a civilização ocidental, desde a sua origem, e dos quais constantemente se alimentavam em seu admirável desenvolvimento, começaram a se ofuscar e a desaparecer do horizonte da cultura e da vida social contemporânea.

Nas sociedades tradicionais, a identidade era fixa, sólida e estável. Era função de papéis predeterminados e de um sistema tradicional de mitos, fonte de orientação e sanções religiosas capazes de definir o lugar de cada um no mundo ao mesmo tempo e de circunscrever rigorosamente os campos de pensamento e comportamento. A identidade não era uma questão problemática e nem sujeita à reflexão ou discussão. Os indivíduos não passavam por crises de identidade, e esta nunca era modificada. Porém, na modernidade, a identidade torna-se mais móvel, múltipla, pessoal reflexiva e sujeita a mudanças e inovações. Apesar disso, também é social e caracteriza-se pelo reconhecimento mútuo. No entanto, as formas de identidade na modernidade ainda têm origem num conjunto circunscrito de papéis e normas sociais, substanciais e fixas, embora os limites para novas identidades estejam em contínua expansão, ou seja, criar e recriar nova identidade à medida que as possibilidades de vida mudam (KELLNER, 2001, p. 295).

Nesse contexto, ocorre o aumento da ingerência do outro, pois, há uma estrutura de interação com papéis, normas, costumes e expectativas socialmente definidos e disponíveis; precisamos escolhê-los e reproduzi-los para obtermos identidade num processo complexo de reconhecimento mútuo, ou seja, dependemos do reconhecimento do outro para o estabelecimento de nossa identidade pessoal. Por outro lado, a identidade transforma-se em problema pessoal e teórico; perpassa questões da intimidade do indivíduo, do existencialismo, processo de inovação, renovação e novidade. Segundo Berman, modernidade significa a destruição de formas passadas de vida, valor e identidade, com a produção constante de formas novas (BERMAN, 2007, pp. 21-22).

A individualidade também exerce um papel de supremacia na construção do sujeito moderno, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, em que a sociedade de consumo e o predomínio da mídia favorecem a construção de uma identidade cada vez mais vinculada ao modo de ser, à produção de uma imagem, à aparência pessoal, ou seja, a criação da individualidade passa por grande mediação. Assim, na modernidade, o problema da identidade consiste no modo como nos constituímos, percebemo-nos, interpretamo-nos e nos apresentamos a nós mesmos e aos outros. Como notamos, para alguns teóricos, a identidade é uma descoberta e a afirmação de uma essência inata que determina o que somos, enquanto para outros a identidade é um constructo e uma criação a partir dos papéis e dos materiais sociais disponíveis.

Na contemporaneidade, o pensamento pós-moderno tem rejeitado a noção essencialista e racionalista de identidade, portanto, como compreender o sujeito pós-moderno, de identidade fragmentada inserido na virtualidade, onde tem a possibilidade de assumir múltiplas identidades, escondendo-se sob máscaras, expondo-se globalmente, construindo assim, sua própria realidade?

Pós-modernidade, globalização, sociedade do espetáculo, sociedade da informação e do consumo, desterritorialização, sociedade em rede, tecnologias digitais - muito já foi debatido sobre o século XX ter sido marcado por profundas mudanças sociais que permeiam todas as áreas, do social às ciências, da filosofia à literatura, das artes ao folclore, da linguagem à comunicação, das teologias às ciências das religiões, que estruturam o mundo contemporâneo. E em meio a tantas transformações, também o sujeito social foi sendo alterado, moldado pelos acontecimentos. O rosto do homem contemporâneo já não é o mesmo de 50 anos atrás (QUEIROZ, 1996). O sujeito pós-moderno precisou rever sua identidade, rever conceitos, rever acima de tudo sua posição e adaptar-se ao novo momento histórico, pois as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e provocando fragmentação desse indivíduo, que até agora era visto como um sujeito unificado e estável.

Pela perspectiva pós-moderna, à medida que o ritmo, as dimensões e a complexidade das sociedades contemporâneas aumentam, a identidade subjetiva vai se tornando cada vez mais frágil e instável, em um fluxo de euforia intensa, fragmentada e desconexa no qual o sujeito se desintegrou (KELLNER, 2001, p. 298). Tendo perdido sua razão de ser essencialista, substancial, unitária, fixa e imutável, a identidade passou para o extremo oposto, ficando atada à aparência pessoal sempre renovável, à produção de imagens do eu mediadas por modelos efêmeros de estilos provenientes da cultura de consumo. Nesse contexto, Hall avalia que não podemos mais falar em identidade, mas sim em “identificações” momentâneas e seriadas, rostos montados e remontados ao longo dos infinitos corredores do supermercado de referências culturais:

Esse processo produz o sujeito pós-moderno, conceitualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. A identidade torna-se uma “celebração móvel”: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos

diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas. [...] na medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente (HALL, 2004, pp.12-13).

Nesse sentido, Hall destaca que, na pós-modernidade, a identidade torna-se fragmentada, contraditória, multiplicada, ou seja, a realidade do sujeito social pós- moderno é uma pluralidade de significados construídos para um único eu, pois é assim que ele se adapta à vida cotidiana e se vê inserido no mundo contemporâneo, globalizado em simultaneidade com o novo conceito de espaço-tempo e sua relação com a nova sociedade virtual.

No fim dos anos 60 do século XX, as tecnologias digitais invadiram nosso cotidiano. A Internet aparece como ícone dessas tecnologias, segundo Santaella, a rede das redes, capaz de trocar informações e atravessar oceanos e continentes, ligando instituições em todo o mundo. Por meio dessas redes, amplia-se a cada dia, um espaço mundial no qual todo elemento de informação encontra-se em contato virtual com todos e com cada um (SANTAELLA, 2003, p.85). Não é apenas mais uma tecnologia, mas é responsável por um processo de profundas mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais dessa sociedade em expansão.

Com o advento da Internet, o sujeito social exerce atividades inerentes ao ser humano, ou seja, comunicar-se e relacionar-se com outros indivíduos. A rede representa um ideal de democratização diminuindo, utopicamente, hierarquias e possibilitando um sentimento de liberdade, por meio do anonimato, em diversos níveis, seja emocional, relacional, cultural ou mesmo profissional. As novas tecnologias vêm ao encontro do profundo movimento de individualização de nossa sociedade e oferecem autonomia, domínio e velocidade, fazendo com que as

relações sociais inseridas no ciberespaço, sofram uma significativa transformação, possibilitando ao sujeito pós-moderno construir suas novas e múltiplas identidades.

Quando se reflete sobre a construção da identidade virtual do homem pós- moderno, entende-se que o mundo contemporâneo em que ele se insere não deixa de ser uma realidade própria, construída individual ou mesmo coletivamente, podendo ou não se relacionar com a realidade física do sujeito.

Quanto à visão sobre o domínio do virtual Baudrillard nos diz:

Hoje, não pensamos o virtual; somos pensados pelo virtual. Essa transparência inapreensível, que nos separa definitivamente do real, nos é tão ininteligível quanto pode ser para a mosca o vidro contra o qual se bate sem compreender o que a separa do mundo exterior. Ela não pode nem sequer imaginar o que põe fim ao seu espaço. Assim não podemos nem imaginar o quanto o virtual já transformou, como que por antecipação, todas as representações que temos do mundo. Não podemos imaginá-lo, pois o virtual caracteriza-se por não somente eliminar a realidade, mas também a imaginação do real, do político, do social – não somente a realidade de tempo, mas a imaginação do passado e do futuro (a isso chamamos, em função de uma espécie de humor negro, de “tempo real”). Estamos, assim, muito longe de ter compreendido a ocorrência do fim do desenrolar da história com a entrada em cena da informação, do fim do pensamento com a entrada em cena da inteligência artificial, etc. A ilusão que temos ainda de todas essas categorias tradicionais – inclusive a ilusão de nos “abrimos ao virtual” como a uma extensão real de todos os possíveis – é a ilusão da mosca que recua incansavelmente para melhor chocar-se de novo contra o vidro. Porque cremos ainda na realidade virtual, enquanto

este já virtualmente eliminou todas as pistas do pensamento (BAUDRILLARD, 2002, P. 57).

Enquanto Baudrillard afirma que o virtual elimina a realidade e todas as representações que temos de mundo, outros autores contrapõem, como demonstra o pensamento de Levy, que o principal significado do espaço virtual é a interconexão geral de tudo em tempo real, na qual as formas culturais e linguísticas estão vivas. Para o autor, o virtual trata-se de um modo de ser fecundo e poderoso, que põe em jogo processos de criação, abre futuros, perfura poços de sentido sob a platitude da presença física imediata, com um desprendimento do aqui e agora. A sincronização substitui a unidade de lugar, e a interconexão, a unidade de tempo.

Desse modo, o ambiente virtual nos proporciona a liberdade de estar presentes, não física, mas virtualmente, em lugares distintos e distantes. Entretanto,

na sociedade pós-moderna da informação e da mídia, argumenta-se que somos, no máximo, um “termo no terminal” ou um efeito cibernetizado de “fantásticos sistemas de controle” Baudrillard destaca que:

Internet apenas simula um espaço de liberdade e de descoberta. Não oferece, em verdade, mais do que um espaço fragmentado, mas convencional, onde o operador interage com elementos conhecidos, sites estabelecidos, códigos instituídos. Nada existe para além desses parâmetros de busca. Toda pergunta encontra-se atrelada a uma resposta preestabelecida. Encarnamos, ao mesmo tempo, a interrogação automática e a resposta automática da máquina. Codificadores e decodificadores – nosso próprio terminal, nosso próprio correspondente. Eis a ênfase da comunicação. Não mais outro em face, e nada mais de destino final. O sistema gira desse modo, sem fim e sem finalidade. Resta-lhe a reprodução e a involução ao infinito (BAUDRILLARD, 2002, P. 132).

Nesse contexto, a realidade virtual atesta a força das novas mídias na constituição de uma cultura da simulação. As camadas de mediações tornaram-se tão múltiplas e intensas que tudo o que é mediado não pode fingir não estar afetado. A cultura é crescentemente simulacional no sentido de que a mídia sempre transforma aquilo de que ela trata, embaralhando identidades e referencialidades. O efeito das novas mídias, tais como internet e realidade virtual, entre outras, é

potencializar as comunicações descentralizadas e multiplicar os tipos de realidade que encontramos na sociedade. Toda a variedade de práticas inclusas na comunicação via redes, ou seja, correio eletrônico, serviços de

mensagens, videoconferência, etc. constitui um sujeito múltiplo, instável, mutável, difuso e fragmentado; uma constituição inacabada, sempre em projeto,

sempre em construção.

Porém, enquanto para alguns autores parecem exageradas as afirmações pós-modernas referentes à completa dissolução do sujeito na cultura contemporânea, Baudrillard afirma que a nova sociedade pós-moderna é organizada em torno da simulação, cuja ruptura radical com as sociedades modernas tem como demiurgos os modelos, os códigos, a comunicação, a informação e a mídia. Nesse delirante circo contemporâneo, as subjetividades estão fragmentadas e perdidas,

enquanto surge um novo domínio da experiência, tornando obsoletas e irrelevantes as teorias sociais e políticas anteriores. Para Baudrillard, o mundo implodiu dramaticamente. Nele, as classes, os sexos, as diferenças políticas e os reinos outrora autônomos da sociedade e da cultura implodem uns sobre os outros, apagando as fronteiras e as diferenças num caleidoscópio pós-moderno, ou seja, a hiper-realidade, nesse universo os modelos e códigos determinam pensamentos e comportamento, onde o entretenimento, a informação e a comunicação midiática

fornecem uma experiência mais intensa e envolvente do que as cenas banais da vida cotidiana. A sociedade contemporânea não é composta por sujeitos sociais diferenciados, mas pela massa homogênea e indiferenciada, incapaz de

distinguir o real do imaginário.

Quanto mais a sociedade se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares, imagens da mídia, pelos grandes espetáculos dos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam

desvinculadas, desalojadas de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem flutuar livremente. Confrontamo-nos com uma gama de diferentes

identidades, cada qual fazendo apelos a diferentes partes de nós, dentre as quais parece possível fazer uma escolha. Certamente a difusão do consumismo,

seja como realidade ou como simulacro, é que contribuiu para esse supermercado cultural.

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