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A viagem realizada, talvez longa, por territórios ibero-americanas permite um retorno aos diálogos Brasil-Portugal em uma perspectiva distinta. Eles agora podem redescobrir a história compartilhada sob olhares mais contemporâneos, tentar equacionar as descompassadas visões temporais que perpassam esses países, repensar dilemas ereavivar interesses comuns.

Brasil e Portugal já não estão mais integrados, ao estilo do antigo império colonial constituído pelos navegadores portugueses, ou esgarçados como nos momentos pós-independência brasileira. Eles se inscrevem na comunidade ibero-americana de nações. Comunidade recente que conjuga, a partir de meados do século XX, as culturas ibérica e americana, hispânica e lusa. Uma comunidade cultural nova, com

desconhecimentos e descobrimentos, recuos e avanços, ambiguidades e clarezas. Comunidade ampla e não hegemônica, possível alternativa às dominantes articulações atlânticas. Comunidade ainda em construção com passos andados e muitos a serem dados.

Nela novas tessituras podem ser engendradas. Brasil e Portugal se tornam membros entre muitos e aparecem como potenciais nós de rede latina da conexão euro- americana. A história e a cultura comuns podem costurar laços compartilhados da aventura conjunta vivida no passado, no inquietante desafio do presente e no potencial de futuro. Um espaço cultural não para se isolar no mundo contemporâneo, mas para se inscrever na contemporaneidade com base em suas peculiaridades assumidas e respeitadas.

Brasil e Portugal podem ser elos de uma conexão alternativa euro-americana. Para transitar nesse horizonte, Brasil e Portugal, devem se exercitar não apenas como membros atuantes da Ibero-América, mas o Brasil precisa assumir papel ativo na conformação da América de fala hispano-portuguesa e Portugal necessita ser ativo participante ibérico da União Europeia. Conectores integrados culturalmente em suas regiões e também entre si. Dessa maneira, as atuais inserções territoriais de Brasil e Portugal não atuam como forças dilacerantes, mas agem potencializando as trocas culturais Brasil-Portugal.

O maior obstáculo a esse enlace euro-americano, através da rota ibero- americana, deriva da própria construção dessa rota. Mas com Antonio Machado se aprendeu que o caminho se faz caminhando. As iniciativas culturais listadas acima, talvez exaustivamente, apontam o esforço empreendido. Hoje, entretanto, elas se encontram em cheque.

Portugal, inscrito vivamente na União Europeia, precisa assumir em plenitude sua inserção ibero-americana e, em especial, hoje o Brasil necessita confirmar sua inserção mais autônoma no mundo. O chamado país do futuro, paradoxalmente, tende repetidas vezes a interditar o futuro. Todas as vezes em que ele é vislumbrado de modo mais consistente e nítido, em que o futuro começa a ser traduzido em presente, surgem enormes empecilhos a bloquear a realização do futuro, a exemplo do que ocorreu com o golpe militar de 1964 e hoje com o golpe midiático-jurídico-parlamentar de 2016. Ele representa, com bem notou o jornalista Mino Carta, uma ponte para o passado e não para o futuro como querem fazer crer o governo ilegítimo que impõe ao país um projeto neoliberal não legitimado pelas urnas, que rebaixa mais uma vez o Brasil a um lugar

secundário no mundo das nações. As primeiras políticas pós-golpe apontam, mais uma vez, no retorno pendular da política externa de submissão internacional aos interesses das grandes potencias e da ausência de um projeto nacional. Tais opções comprometem os diálogos culturais do Brasil com os países vizinhos, geográfica e historicamente, pois, desconhecendo as singularidades culturais brasileiras, assumem uma visão profundamente colonizada de transformar o país em mero consumidor da cultura do chamado “primeiro mundo”.

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A GEOGRAFIA POLÍTICA LINGUÍSTICA NOS NEGÓCIOS DA

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