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Fibrations de modèles et la correspondence de Grothendieck ([8],[9])

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La théorie de l’homotopie et les catégories supérieures

4.2. Fibrations de modèles et la correspondence de Grothendieck ([8],[9])

Vinte e quatro horas após a entrada de um utente na Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Murça, quer na tipologia de UMDR ou ULDM, é avaliado pela psicóloga clínica do serviço. Numa primeira abordagem a técnica vai avaliar a orientação auto psíquica (capacidade de falar do próprio/a), alo psíquica (tempo/espaço), o tipo de discurso quanto à contextualização, fluência e organização, alterações de humor (hipotímico, hipertímico, normotímico), a compreensão (se realiza ordens simples e/ou complexas); através da entrevista clínica e observação. Sendo que os dados obtidos são registados num impresso próprio da instituição, designado por avaliação psicológica (ver anexo XI).

De seguida são passados testes no sentido de analisar a componente cognitiva, a dependência nas atividades da vida diária e existência ou não de perturbação de humor. Primeiramente é efetuado o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), elaborado por Folsteinet et al. (1975), um dos testes mais utilizados e estudado em todo o mundo para avaliação do funcionamento cognitivo. É usado isoladamente ou incorporado em instrumentos mais amplos, permite a avaliação da função cognitiva e rastreio de quadros demenciais (Apóstolo, 2012). O MEEM foi desenvolvido para ser utilizado na prática clínica na avaliação da mudança do estado cognitivo de pacientes geriátricos. Examina a orientação temporal e espacial, memória de curto prazo (imediata ou atenção) e evocação, cálculo, coordenação dos movimentos, habilidades de linguagem e viso-espaciais. Pode ser usado como teste de rastreio para perda cognitiva. Não pode ser usado para diagnosticar demência (Apóstolo, 2012). Exceto os itens de linguagem e coordenação motora, o conteúdo do MEEM foi derivado de instrumentos que já existiam. Foi denominado “mini” porque concentra apenas os aspetos cognitivos da função mental e exclui humor e funções mentais anormais que são detetadas, por exemplo, pela Escala de Demência de Blesse. Inclui onze itens, divididos em duas secções. A primeira exige respostas verbais a questões de orientação, memória e atenção; a segunda, leitura e escrita cobre habilidades de nomeação, a seguir comandos verbais e escritos, escrever uma frase e copiar um desenho (polígonos). Todas as questões são realizadas na ordem listada e podem receber um valor imediato somando os pontos atribuídos a cada tarefa completada com sucesso. Em termos de validade de conteúdo, o MMSE avalia oito de 11 principais aspetos do estado cognitivo, omitindo abstração, julgamento e expressão (Apóstolo, 2012). De acordo com Sequeira (2007) citado por Apóstolo (2012), o MEEM foi traduzido e adaptado para a população portuguesa por Guerreiro e col. (1994). Relativamente à classificação, o valor pode variar de 0 a 30. As pontuações de limiar diagnóstico para defeito cognitivo, em função do nível de escolaridade obtidos no processo de validação para português (Portugal) (Apóstolo, 2012).

37 Será obtido um resultado deste teste, que permite verificar se existem ou não alterações nas funções executivas (ver anexo XII).

Neste procedimento é ainda utilizada escala Índice de Katz ou Índice de Atividades de Vida Diária, com o intuito de verificar o grau de dependência do utente nas AVD’s (ver anexo XIII).

Este instrumento tem como objetivo avaliar o funcionamento físico de doentes com doença crónica (Apóstolo, 2012). Várias foram as teorias e instrumentos de medida desenvolvidos a partir de então. Segundo Apóstolo (2012), Katz e colaboradores demonstraram, por exemplo, que a recuperação do desempenho funcional de seis atividades consideradas básicas da vida quotidiana de idosos incapacitados (tomar banho, vestir-se, ir à casa de banho, transferir-se, ser continente e alimentar-se) era semelhante à sequência observada no processo de desenvolvimento da criança. Verificaram, através de estudos antropológicos, a existência de semelhança entre essas seis funções e o comportamento das pessoas nas sociedades primitivas. O que sugeria que as funções citadas eram biológica e psicossocialmente primárias, refletindo uma hierarquização das respostas neurológicas e locomotoras (Apóstolo, 2012). Contudo, para Apóstolo (2012) estes autores desenvolveram um estudo tendo por objetivo descrever o desenvolvimento histórico, a evolução e a correta utilização do Índice de Independência nas Atividades de Vida Diária de Katz, bem como as modificações e adaptações desenvolvidas.

Ainda é realizado o Índice Lawton-Brody, para avaliar atividades mais complexas como as operacionais da vida diária tendo como objetivo averiguar se o utente é independente, se necessita de ajuda ou é dependente de terceiros nestas tarefas (ver anexo XIII).

Mediante Apóstolo (2012) Lawton e Brody em 1969 desenvolveram uma escala que pretendia medir a incapacidade e servir para planear e avaliar intervenções em idosos. Este instrumento avalia o nível de independência da pessoa idosa no que se refere à realização das atividades instrumentais que compreendem oito tarefas: como usar telefone, fazer compras, preparação da alimentação, lida da casa, lavagem da roupa, uso de transportes, preparar medicação e gerir o dinheiro, mediante a atribuição de uma pontuação, segundo a capacidade do sujeito avaliado para realizar essas atividades (Apóstolo, 2012). Para Araújo et al. (2008) citado por Apóstolo (2012) analisaram a qualidade da escala pontuada na forma original (0 ou 1) e na versão alternativa, obtendo os valores de α = 0,91 e α = 0,94, respetivamente. A escala (de 0 a 16) apresenta gradientes cujos extremos são total independência e total dependência (Apóstolo, 2012). Estes autores converteram a escala em três grupos na mesma proporção em que apresenta cada item e consideraram os

38 seguintes pontos de corte: 0-5 significa dependência grave ou total; de 6-11 moderada dependência; de 12-16 ligeira dependência ou independente.

A avaliação psicológica contempla ainda a avaliação do estado afetivo-emocional através de escalas de sintomas, as quais passo a citar de seguida. Com o objetivo de medir o grau de severidade da depressão e quando o utente tem mais de 65 anos e baixo nível de escolaridade, é passada a escala de Escala de Depressão Geriátrica (GDS-30, ver anexo XIV) – Geriatric Depression Scale (GDS). Segundo Apóstolo (2012) esta escala foi traduzida, aferida e adaptada à população portuguesa por Veríssimo em 1988, na “Avaliação Diagnóstica dos Síndromes Demenciais”, proposta no serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital S. João do Porto. Esta escala construída inicialmente por Brink, Yesavage, Lum, Heersema, Adeye e Rose, em 1982, é segundo os autores, o único instrumento que se conhece que terá sido elaborado com o objetivo de ser utilizado, especificamente, para pessoas idosas. Para além disso, elimina a confusão, geralmente presente em outros instrumentos de avaliação da depressão, entre indicadores somáticos da depressão e manifestações físicas normais da velhice (Apóstolo, 2012). Trata-se de uma escala de hetero-avaliação, composta por vinte e oito itens, com duas alternativas de resposta (sim ou não), consoante o modo como o idoso se tem sentido ultimamente, em especial na semana transata (Apóstolo, 2012).

Apóstolo (2012) sugere que, para a quantificação dos resultados se proceda à seguinte classificação: valores de 0-10 pontos – idosos normais; pontuações iguais ou superiores a 11-20 são indicativas de depressão em severidade crescente; uma pontuação média 21-20 é indicadora de idosos gravemente deprimidos.

Para avaliar o grau de severidade da depressão nos utentes mais novos e com habilitações académicas superiores, neste caso é utilizada a escala de Depressão de Hamilton (ver anexo XV).

Calil e Pires (1998) identificou originalmente 21 itens, mas concluiu que a avaliação da depressão deveria incluir somente 17 deles, cuja gravidade é anotada em escalas de 3 ou 5 pontos. E isso porque os outros quatro itens (variação diurna do humor, desrealização, sintomas paranóides e sintomas obsessivos), embora sejam de interesse para a pesquisa, são sintomas que ocorrem com menor frequência e nem sempre correspondem a uma maior gravidade do quadro depressivo. Assim, a variação diurna do humor, ou seja, o agravamento dos sintomas depressivos pela manhã, é uma caraterística que pode auxiliar na realização do diagnóstico de depressão, tipo melancólica. De acordo com Calil e Pires (1998) nas últimas décadas, a escala de Hamilton tem sido amplamente utilizada em diversas traduções. Uma dessas versões contém 24 itens, incluindo também desesperança,

39 desamparo e auto desvalorização. Segundo Calil e Pires (1998) outra versão, mais recente, incorporou itens adicionais para avaliação de sintomas "atípicos" (tais como hipersonia; aumento de apetite, de ingestão de carbohidratos e de peso; isolamento social; fadiga; variação diurna reversa, e pior no fim do dia). Esses sintomas atípicos têm sido frequentemente observados em pacientes que apresentam um padrão sazonal na recorrência dos episódios. Essa inclusão de itens acompanhou-se da elaboração de um guia para entrevista estruturada com a finalidade de obter informações e preencher a Escala de Hamilton para Depressão (Calil & Pires, 1998).

Tem havido um consenso de que valores maiores do que 25 identificam depressão grave, valores de 18 a 24 representam a faixa de depressão moderada, valores de 7 a 17 indicam depressão leve, e valores menores que 7 definem ausência de depressão (Calil & Pires, 1998).

Quando os utentes manifestam comportamentos ansiosos ainda é aplicada outra escala, com a finalidade de medir o grau de severidade da ansiedade, é designada por Inventário de Ansiedade de Beck (BAI, ver anexo XVI). Foi criada por Beck, Epstein, Brown e Steer, em 1988, traduzida e adaptada para português por Cunha em 2001 e citada por Bartholomeu et. al em 2010.

Para Bartholomeu et. al (2010) a BAI consiste em 21 questões sobre como o indivíduo se tem sentido na última semana, expressas em sintomas comuns de ansiedade (como sudorese, batimentos cardíacos acelerados, medo, sentimentos de angústia). Conforme Bartholomeu et. al (2010 cada questão apresenta quatro possíveis respostas, e a que se parece mais com o estado mental do indivíduo deve ser sinalizada. As possíveis respostas são:

 Não

 Levemente: não me incomodou muito

 Moderadamente: foi desagradável, mas pude suportar  Severamente: quase não suportei

A BAI pode ter um resultado máximo de 63 e as categorias são: 0-7: grau mínimo de ansiedade; 8-15: ansiedade leve; 16-25 ansiedade moderada e 26-63: ansiedade severa (Bartholomeu et. al, 2010).

Concluída a avaliação, são registados os problemas manifestados pelo utente, as metas que se pretendem alcançar e ainda é elaborado um relatório com os resultados obtidos nos testes aplicados e colocado no processo do utente, na parte da psicologia clínica. Planeiam- se as estratégias de intervenção a realizar tais como: aconselhamento psicológico (counselling), estilos de coping, estimulação sensorial, terapia de orientação para a

40 realidade, treino das capacidades cognitivas, técnicas de controlo das emoções, exercícios de relaxamento, psicodrama, entre outras. Tendo em conta as problemáticas e personalidade apresentadas pelo doente.

Os utentes são reavaliados individualmente todas as semanas pela psicóloga clínica e é efetuado um registo dessas sessões num impresso adequado, designado por registo semanal de psicologia (ver anexo XVII).

A família não é descorada, por isso aquando do regresso a casa são facultadas informações por todos os membros da equipa multidisciplinar à família que exerce a função de cuidador no sentido de os preparar para os cuidados que irão ser necessários manter no regresso à sua residência. A psicóloga clínica não é exceção, quando os utentes regressam aos domicílios com limitações nas funções executivas e alterações de humor significativas. Esta profissional tal como todos os outros, demonstra algumas técnicas aos familiares ou cuidadores dos utentes internados, para lidarem melhor com eles e com as mudanças físicas e alterações de humor ocorridas nas suas vidas. No caso das alterações cognitivas, os familiares poderão ajudar os seus familiares através de exercícios de memória e orientação (por exemplo perguntar qual do dia da semana, mês, ano, nome dos familiares, entre outros). Relativamente ao estado de ânimo, os familiares poderão utilizar os elogios relativamente à sua imagem corporal e mencionando os ganhos adquiridos na sua reabilitação, no sentido de aumentar a auto estima, Existe igualmente um impresso para registar, que tipos de instruções são praticados, designado por educação ao utente, cuidador e família (ver anexo XVIII).

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