ÉLECTROCHIMIQUES SÉVÈRES
IV. E FFET DE L ’ HYDROGÈNE SUR LE PHÉNOMÈNE D ’ ACTIVATION
Plantas bioativas são aquelas que possuem alguma ação sobre outros seres vivos e cujo efeito pode se manifestar tanto pela sua presença em um ambiente quanto pelo uso direto de substancias delas extraídas, contanto que seja mediante uma intenção ou consciência humana deste efeito. Dentro deste conceito, enquadram-se as plantas medicinais, aromáticas, condimentares, inseticidas, repelentes, tóxicas e inclusive as de cunho místico religioso (REUNIAO TÉCNICA ESTADUAL SOBRE PLANTAS BIOATIVAS, 2010).
Nesse sentido, convém ressaltar que desde a pré-história o homem procurou aproveitar os princípios ativos existentes nos vegetais, embora de modo totalmente empírico ou intuitivo, baseado em descobertas ao acaso. Antigos textos caldeus, babilônicos e egípcios já traziam referências a certas espécies vegetais usadas em rituais religiosos, por exemplo, (BERG, 1993). O fato é que ao longo da existência a civilização humana tem feito uso do meio botânico para a sua sobrevivência, manipulando-a não somente para suprir as necessidades mais urgentes, mas também na magia e medicina, no uso empírico ou simbólico, nos ritos gerenciadores da vida e mantenedores da ordem social (ALBUQUERQUE, 2005).
Conforme Silva (2013), as comunidades quilombolas por serem constituídas de descendentes africanos, preserva e conserva um valioso conhecimento sobre plantas bioativas. Uma das causas da intensa relação entre estas comunidades e o meio em que estão inseridas é o fornecimento de inúmeros recursos que a natureza dispõe a elas e que são fundamentais para a sua sobrevivência e reprodução. O autor chama atenção para o fato de que, um dos fatores que contribui para a continuação dos quilombos, garantindo a sobrevivência dessa população é o grande conhecimento e domínio sobre os recursos naturais das áreas onde estão localizados.
De acordo com Amoroso (1996), este conhecimento vem ao longo dos anos se constituindo em um importante fator socioeconômico das comunidades, sendo repassado de geração em geração, porém sofre ameaça constante devido à influência direta da medicina ocidental moderna e pelo desinteresse dos jovens das comunidades, interrompendo assim o processo de transmissão do saber entre as gerações.
Os bens naturais são essenciais para o desenvolvimento econômico, social e cultural das comunidades tradicionais. A variedade de plantas, usos, cultura tradicional e os elementos a ela associados merecem ser pesquisados, protegidos e valorizados, para que
se possa sugerir um manejo ambiental capaz de garantir a sustentabilidade, conservação da cobertura vegetal e a melhoria da qualidade de vida destas comunidades (DIEGUES, 2000; ALBUQUERQUE;ANDRADE, 2002).
Com intuito de resgatar o conhecimento sobre as plantas e seus usos por comunidades tradicionais, um dos campos de estudo que vem se destacando nas últimas décadas é a Etnobotânica, ciência que apesar de nova em teorias é antiga em práticas, possibilitando a reconciliação entre homem e natureza, combinando o saber cientifico com o saber local, proporcionando o planejamento de estratégias para o desenvolvimento endógeno das comunidades tradicionais.
De acordo com Cotton (1996), o estudo etnobotânico apresenta como característica básica o contato direto com as populações tradicionais, procurando uma aproximação e vivência que permita conquistar a confiança das mesmas, resgatando assim, todo conhecimento possível sobre a relação de afinidade entre o ser humano e as plantas de uma comunidade.
Para Albuquerque (2005), o termo etnobotânica foi formalmente cunhado em 1895 pelo americano J. Harsberger, que apresentou uma definição aceitável para a época: “estudo das plantas usadas pelos povos primitivos ou aborígenes”. O mesmo autor compreende que a etnobotânica insere-se no domínio mais amplo da etnobiologia, e esta compreende essencialmente o estudo do conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da biologia, ou ainda, é o papel da natureza no sistema de crenças e de adaptação do homem a determinados ambientes.
Para Shultes (1978), o conceito de etnobotânica foi definido como: “o estudo das relações entre o homem e seu ambiente vegetal”. Ford (1980) ampliou essa definição para: “a totalidade das pessoas e plantas em uma cultura e a inter-relação das pessoas com as plantas” (STENBOCK, 2006).
A conceituação de Etnobotânica foi evoluindo ao longo do século XX, onde pesquisadores de diferentes áreas apresentavam novas conceituações de acordo com as pesquisas realizadas, buscando fazer o registro do uso da flora, assim como as formas de manejo que as comunidades realizavam para obter e manter os recursos que necessitavam (COTTON, 1996; ALBUQUERQUE, 1999).
No Brasil a Etnobotânica tem a sua importância baseada no fato de que o país é detentor da maior biodiversidade vegetal do planeta, cuja combinação com a diversidade cultural, o grande número de comunidades indígenas e a presença de populações europeias, africanas, asiáticas, que se instalaram no Brasil em diferentes momentos de
nossa colonização, permitiram o desenvolvimento de uma infinidade de vegetais cultivados e manejados em diferentes tipos de sistemas e em regiões edafoclimáticas diversas (MING, 2009). Nesse âmbito, a Etnobotânica surge como mediadora dos diversos discursos culturais, como uma tentativa de compreensão do modo de vida, códigos e costumes que racionalizam as relações entre o homem e a natureza, fazendo a complementaridade entre o saber tradicional e o saber acadêmico (ALBUQUERQUE, 2000).
Contudo, diversos trabalhos etnobotânicos têm sido realizados no país buscando conhecer a medicina indígena e quilombola, principalmente na região Norte do país (SILVA, 1997), sendo que na região Sul é praticamente inexistentes trabalhos nesta área, principalmente em comunidades quilombolas.
Conforme Ribeiro (2004), atualmente, trilhamos o caminho da volta, buscandosalvar do esquecimento esse valioso patrimônio existencial. A partir das considerações assinaladas, o presente trabalho pretende contribuir para o conhecimento sobre o uso e conservação de plantas bioativas em comunidades quilombolas da Mesorregião do Sudeste Rio - Grandense através de levantamento etnobotânico, cuja identificação das espécies e formas de uso permitirá traçar relações entre o conhecimento tradicional e a organização social, cultural e de vida, contribuindo para o resgate e a manutenção deste saber tão importante para a sobrevivência e fortalecimento destas comunidades que lutam incansavelmente para serem reconhecidas e respeitadas pela sociedade.
2. Objetivos
2.1. Objetivo geral
Contribuir para o conhecimento do uso e conservação de plantas bioativas em comunidades quilombolas da mesorregião do Sudeste Rio-grandense.
2.2. Objetivos específicos
✓ Realizar levantamento etnobotânico de plantas bioativas utilizadas em três comunidades quilombolas da mesorregião do Sudeste Rio-grandense;
✓ Descrever e sistematizar o conhecimento tradicional das comunidades sobre plantas bioativas a fim de conhecer suas finalidades de uso, modo de preparo e partes botânicas utilizadas;
✓ Organizar herbário com as espécies botânicas utilizadas pelas comunidades; ✓ Estabelecer relações socioambientais entre a preservação das espécies
identificadas e a importância da manutenção cultural deste conhecimento nas comunidades quilombolas estudados.