5.3 Séchage du bois selon les directions transversales
5.3.2 Distribution dans l’échantillon
1.2.2.2 Feuillus
No primeiro encontro, objetivamos fazer um contrato com o grupo e trabalharmos sua dinâmica, expectativas e demandas. Estiveram presentes sete participantes. Trabalhamos as técnicas de história do nome e Cosme e Damião (Fritzen, 1990)34, na qual exploramos a origem do nome de cada participante, de forma já a investigar um pouco do romance familiar e da história de vida de cada jovem (Carreteiro, 2001). Surgiram estórias muito interessantes sobre a escolha dos nomes: desde uma homenagem aos avós, continuação de uma identidade familiar pela primeira letra do nome do pai, até mesmo brigas entre pai e mãe pela escolha de um nome que referia a uma das amantes do pai. Uma história bastante tocante referiu à escolha do nome de um dos participantes, cuja primeira letra a mãe colocou em homenagem a um pai que ele desconhece, segredo esse revelado com vergonha e raiva para o grupo. Já nesse momento detectamos a emergência da intimidade e a disponibilidade dos jovens em conversar sobre suas estórias.
34 Nessas técnicas nós pedimos aos jovens que, em duplas, contassem a história do seu nome para o companheiro, sua origem, significado, quem escolheu. Depois pedimos que os jovens contassem a história do companheiro como se fosse sua. Essas dinâmicas objetivam a socialização, a escuta e o sentimento de empatia.
Depois trabalhamos uma técnica de viagem da fantasia, seguida de um desenho (Stevens, 1991)35 na qual discutimos com o grupo as expectativas para com o trabalho e para com o grupo – sentimentos de respeito, confiança, acolhimento e empatia foram reforçados nas falas dos participantes a partir da discussão dos desenhos. Eles discutiram a necessidade de sigilo e abertura de cada pessoa para que o grupo pudesse se desenvolver. Percebemos a expressão de emoção nos jovens, que relataram nunca se sentirem tão bem acolhidos, tanto a nível pessoal quanto ambiental, referindo-se às dificuldades de ter pessoas atentas em escutar o que eles realmente têm a dizer.
O segundo encontro aconteceu com duas semanas depois, porque na semana seguinte ao primeiro encontro os jovens tinham reunião mensal de articuladores e, na outra semana, a data prevista para o encontro coincidiu com um feriado. Estiveram presentes no grupo sete jovens, alguns novos e outros que haviam participado do encontro passado faltaram. Retomamos o contrato com o grupo e a dinâmica da história do nome, na qual novamente surgiram algumas estórias muito difíceis, advindas das famílias dos participantes. Iniciamos as discussões sobre o conceito de família com os jovens, o que resultou, num determinado momento, em um depoimento bastante emotivo por parte de uma das participantes, que tinha discutido com a mãe na noite anterior ao encontro. Paramos com a gravação e trabalhamos com o grupo no sentido de dar um apoio afetivo a sua dor. Os jovens relataram sentir-se muito bem em ajudar uma colega num momento de dificuldade, como também a importância que o espaço estava tendo para eles naquele momento, no qual estavam podendo ser escutados em suas opiniões. É importante aqui explicitar a preocupação constante em não nos
35 Realizamos uma reflexão, com os jovens de olhos fechados, de forma que eles pudessem pensar sobre as seguintes questões: qual a experiência que vivo e já vivi em grupos na minha vida? Qual as expectativas que eu tenho para com esse grupo? O que eu posso dar e o que quero receber desse grupo? Que tipo de papéis eu assumo nos grupos? Após essas questões, pedimos que os jovens desenhassem, em uma folha em branco, o que eles querem receber do grupo. No verso, pedimos que desenhassem o que poderiam dar para o grupo. Posteriormente discutimos todos os desenhos.
desvirtuarmos dos limites que os objetivos de um grupo focal em um contexto de pesquisa nos impõe. Não tivemos a intenção de realizar intervenções psicoterapêuticas com o grupo, investigando dinâmicas inconscientes, ou interpretações. Dessa forma, privilegiamos a dimensão ética e os propósitos de nossa intervenção enquanto processo de constituição de corpus (Gondim, 2002). Nesse momento em que a jovem mobilizou- se emocionalmente tomamos o procedimento de utilizar os participantes do próprio grupo a fornecerem feedbacks para a jovem e atuamos como apoio, suporte afetivo para que ela pudesse sair do encontro mais calma. Acreditamos que o clima de acolhimento do grupo propiciou um espaço adequado para o desabafo de uma situação conflitiva advinda da intimidade familiar, tema esse central na nossa discussão.
O terceiro encontro realizou-se uma semana depois, com a participação de oito participantes. Foi-nos avisado que uma das participantes não iria mais estar conosco porque a mãe impediu a sua ida para o grupo já que ela estava faltando muito na escola, perdendo muitas aulas para estar nos encontros do Engenho. Esse momento suscitou nos jovens uma discussão sobre a falta de investimento dos pais nas atividades desenvolvidas pelo Engenho, consideradas como “perda de tempo”, em contraposição a uma discussão sobre a transgressão dos jovens em faltar aulas para participarem das ações do Engenho, o que foi avaliado como incorreto. Nesse encontro retomamos a discussão do encontro anterior para as pessoas que faltaram e discutimos a temática das relações familiares, papéis e a justificativa da família para a sociedade. Questões diversas surgiram, tais como: gênero, sexualidade, trabalho, relações de autoridade, falta de diálogo e compreensão dos pais para com os filhos, cujos discursos serão analisados no próximo capítulo. Esse foi um encontro em que conduzimos as discussões para um âmbito mais social, ou seja, as estórias particulares dos jovens foram consideradas, mas
tomamos o cuidado em direcionar a discussão para a apreensão imaginária das questões da família de um modo mais generalizante.
O quarto encontro teve a presença de somente cinco jovens. Retomamos alguns pontos de discussão do encontro passado, aprofundando questões sobre como cada um se posiciona nas relações familiares, como é ser jovem nas famílias e as especificidades do grupo família enquanto instituição em nossa sociedade e em outras das quais eles poderiam ter conhecimento. Foi um encontro muito divertido, os jovens estavam soltos e bastante envolvidos. Surgiu uma polêmica muito interessante sobre a família sonhada versus a família vivida e sobre as diferentes configurações familiares que podem existir no contexto da realidade social na qual eles vivem.
No encontro de devolução, a ser realizado após a conclusão da dissertação, temos a intenção de retomar as discussões realizadas no decorrer do grupo, centrando a atenção nos porquês que as famílias passam por algumas dificuldades levantadas por eles, tais como: a falta de diálogo e compreensão e conflitos que podem culminar com a violência, como também pretendemos explorar o projeto de família que esses jovens têm para o futuro. Será uma espécie de devolução das elaborações do conteúdo advindas de nosso trabalho de Mestrado. Faremos também uma avaliação do processo e uma confraternização.
Como fase de conclusão de nosso trabalho, pretendemos realizar uma devolução aos diferentes atores constituintes do Engenho de Sonhos como um todo, de maneira a mobilizar a discussão mais generalizada sobre as problemáticas e vivências familiares dos jovens atendidos pelo Projeto, de maneira a pensar novas formas de ver o fenômeno e intervir em trabalhos e elaborações de políticas públicas de apoio das bases familiares e comunitárias.