• Aucun résultat trouvé

Feuilletages transverses et vecteurs de rotation

II. Applications du théorème d’existence de feuilletage trans- trans-verse

8. Feuilletages transverses et vecteurs de rotation

O componente "Curso – Turno e Currículo" é integrado pelas causas indicadas na Tabela 10. Essas causas visam proporcionar informações acerca de possíveis razões vinculadas diretamente ao curso escolhido.

Tabela 10 – Componente: Curso − Turno e Currículo

Componente Causas (1) NI (2) PI (3) AI (4) BI (5) MI Impacto Médio

Curso – Turno e Currículo

Curso ofertado em período

integral 148 7 8 10 51 2,15

As disciplinas do Curso não correspondiam às necessidades do mercado de trabalho 133 35 24 16 16 1,87 Inexistência/insuficiência de aulas práticas 138 35 27 12 12 1,77 Falta de atendimento fora

da sala de aula por parte

dos docentes 135 47 22 11 9 1,71

Legenda: NI = nenhuma influência; PI = pouca influência; AI = alguma influência; BI = bastante influência; MI = muita influência.

Fonte: Elaborada pela autora com base nos dados do questionário.

Nesse componente, a causa que alcançou maior índice de indicação à desistência, com 23% e impacto médio de 2,15, foi “curso ofertado em período integral”. No caso, de acordo com a metodologia aplicada nesta pesquisa, os percentuais e o impacto médio, são elaborados considerando o total de respondentes, portanto, estão incluídos neste percentual, os evadidos oriundos

de todos os cursos, sejam de tempo integral ou não. Além disto, o percentual de 23% informa, somente, os que indicaram o peso de influência máxima para esta causa, ou seja, o peso 5 da escala Likert (muita influência). Se considerarmos

os demais pesos de influência – de 2 a 4 − chega-se ao percentual de 34% de influência na decisão.

Com relação ao turno integral, dos 18 cursos de graduação, na modalidade presencial, ofertados pelo Campus de Cascavel, 9 deles são

ofertados em período integral. Identificou-se que 72% dos evadidos dos cursos integrais apontou o fato de o curso ser integral como uma das razões que os influenciou em algum nível. Para 49% deles essa causa foi a mais decisiva para a desistência, conforme pode ser visualizado no Gráfico 16. O maior impacto médio, com 4,83, foi em relação ao Curso de Engenharia Agrícola, seguido do Curso de Engenharia Civil. Para os Cursos de Medicina e de Odontologia esta causa não influenciou a decisão.

Gráfico 16 - Influência do turno integral na evasão discente

Fonte: Elaborada pela autora com base no questionário.

Pelo exposto se percebe que o fator econômico está relacionado com essa causa, pois o aluno trabalhador cuja família não tem condições de propiciar seu sustento durante o período de estudo muito provavelmente não conseguirá

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Ciência da Computação Ciências Biológicas B. Enfermagem Engenharia Agrícola Engenharia Civil Farmácia Fisioterapia Medicina Odontologia

Nenhuma Influência (0) Pouca Influência (1) Alguma Influência (2) Bastante Influência (3) Muita Influência (4)

concluir um curso de oferta integral, levando-o, como neste caso empírico, à evasão.

Vale lembrar uma afirmação de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron (2014) de que a origem social é aquela que mais influencia o meio estudantil: “[...] a consciência de que os estudos (e, sobretudo, alguns) custam caro e de que há profissões nas quais não se pode entrar sem algum patrimônio” (2014, p. 29).

A seguir se transcrevem alguns comentários47 dos evadidos respondentes

com relação à desistência do curso integral por insuficiência de renda para se manterem na instituição, bem como pela ausência de políticas de assistência estudantil que visem o sustento desses alunos para conseguirem concluir o curso de sua escolha. Há que lembrar que a instituição pesquisada não disponibilizava, no período de recorte desta pesquisa, de restaurante universitário (RU) e, até o momento do fechamento desta pesquisa – em 2019 −, não disponibiliza casa do estudante ou qualquer tipo de auxílio financeiro, como, por exemplo, bolsa permanência.

“Mudança de cidade, curso integral sem possibilidade de trabalhar e me sustentar sozinho, dificuldade com o ensino superior/educação pública muito desigual” (Evadido 2).

“O motivo maior realmente foram problemas financeiros, o curso era integral e não consegui emprego no período noturno. Além disso, tive que me mudar de cidade para poder estudar e meus pais não conseguiam manter meus gastos com aluguel e alimentação. Também tinha dificuldades de aprendizado, visto que era aluno oriundo de escola pública e não fiz nenhum curso preparatório antes e não havia (não sei se hoje há) um programa de nivelamento antes do início do curso” (Evadido 3).

“Se o curso de [...] fosse em período noturno, possibilitando estágio em horário comercial e facilitando a empregabilidade futura, provavelmente eu o teria concluído” (Evadido 4).

47 No questionário aplicado aos evadidos constou uma pergunta em aberto para que relatassem a causa de sua evasão se, por ventura, não estivesse contemplada no rol de causas do instrumento e, também, para que pudessem se expressar mais livremente, caso o desejassem, acrescendo algum comentário. A pergunta era: Gostaria de fazer algum desabafo sobre a sua experiência de evasão na Unioeste? Escolheu-se a palavra “desabafo” no questionário para lhes chamar a atenção e provocá-los para participar um pouco mais da pesquisa.

“O formulário cobriu bem, mas no geral não quis continuar porque o curso era em tempo integral e eu não tenho paciência pra simultaneamente participar em todas as aulas e ainda tirar bastante tempo do meu dia para estudar todos os conteúdos. Se o curso durasse mais um ano eu não me importaria, desde que deixasse de ser em tempo integral “ (Evadido 5).

“Eu morava no interior e em casa própria, quando passei no vestibular. Mudamos para Cascavel, eu e minha mãe. Aqui tivemos algumas dificuldades financeiras, e como o curso era horário integral, tive que desistir para trabalhar. Com relação à universidade, estava bem feliz e com o curso também” (Evadido 38).

“Como uma instituição pública, é predominantemente elitizada; os cursos integrais voltados totalmente a filhos de pais ricos; com alta ausência de melanina” (Evadido 100).

Do total de respondentes que indicou o fato de o curso ser integral como causa da evasão, 71% deles tinha a idade máxima de 23 anos quando decidiram pela evasão, sendo que todos eram egressos da escola pública. Com relação ao sexo, 56,76% eram do masculino e 43,24% do feminino. Quanto à renda da família, os dados apontaram que 51,35% se enquadraram na opção de um a três salários mínimos e 47,29%, mais de três salários mínimos.

O desabafo do Evadido 100 nos chama a atenção com relação ao baixo percentual de alunos de cor parda ou negra na instituição − ver Gráfico 9 −, bem como a ligação que o respondente faz com o elitismo existente. Na opinião do Evadido 100), a “[...] instituição pública é predominantemente elitizada; os cursos integrais voltados totalmente a filhos de pais ricos; com alta ausência de melanina”.

O curso integral está intrinsecamente ligado à questão financeira do estudante, porém se torna uma responsabilidade da instituição pública quando não propicia condições para que o aluno com o perfil citado consiga concluir o curso escolhido, restando para ele cursar outro que não seja ofertado em período integral ou não concluir o ensino superior.

Com relação às demais causas ligadas a esse componente, no que tange à estrutura curricular, também de acordo com os evadidos, houve alguma influência na decisão de desistir. Os cursos que mais foram citados com relação à ausência de aulas práticas foram: Administração, Ciências Econômicas,

Engenharia Agrícola, Engenharia Civil e as licenciaturas, porém estas últimas, com índice menor.

A causa “disciplinas do Curso não correspondiam às necessidades do mercado de trabalho” foi indicada por 40% dos respondentes com algum grau de influência na desistência, sendo que um dos respondentes fez o seguinte desabafo:

“Acho que foi a melhor decisão que tomei, pois após o abandono do curso consegui ver o mercado de trabalho de outra perspectiva. O problema maior das universidades em geral é que os professores querem te preparar para o mestrado e doutorado, e a maioria dos alunos quer terminar o curso e entrar no mercado de trabalho, e caso um dia pretenda, dê continuidade nos estudos, mestrado e doutorado. Por ter a maioria dos cursos de forma integral impossibilita que o acadêmico adquira experiências profissionais, dificultando assim seu aprendizado profissional. O relato que tive de vários colegas que se formaram foi de que ao entrar no mercado de trabalho tiveram que aprender tudo de novo, ou seja, a universidade não o deixou preparado para a realidade”. (Evadido 124).

O desabafo indica a existência de conflito de interesses entre o aluno, que deseja uma formação profissional adequada às demandas do mercado de trabalho e o que a universidade oferta. A universidade forma profissionais cidadãos, mas, também, oferta pós-graduação, mestrados e doutorados, realiza pesquisa, extensão e tem preocupação com a produtividade cientifica.

Uma das razões principais está no fato de que os milhares de indivíduos que procuram a educação superior, todos os anos, não enxergam a educação superior com o objetivo de promover o avanço da arte e da ciência, e tampouco lhes passa pela cabeça que possam estar a serviço de um Plano Nacional de Desenvolvimento. Os indivíduos procuram as IES em função do que estas podem lhes oferecer em termos de melhorar. (RISTOFF; SEVEGNANI, 2006, p. 13).

Assim, portanto, o conflito é causado em função de que os indivíduos procuram pela universidade para obterem um diploma para exercer uma profissão que lhes proporcionará “[...] as suas condições de empregabilidade, competitividade, mobilidade social e, se possível, sucesso profissional” (RISTOFF; SEVEGNANI, 2006, p. 13). E, para atingir esse objetivo, os alunos querem que a universidade ofereça maior carga horária possível em aulas práticas e com máxima sintonia com o mercado de trabalho e, tudo isso, em curto

espaço de tempo. Por sua vez, a universidade “[...] concebe a educação como pequena e catedrática”.

Nesse cenário, resta ao sistema educacional, neste caso à universidade, se reinventar continuamente para contemplar as necessidades da sociedade e, em específico, do aluno, porém sem perder a sua a identidade.