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O estudo mostrou que a propensão socioeconômica à desertificação se manifesta de forma diferenciada entre os municípios do semiárido, o que sugere a implementação de ações específicas e voltadas para áreas prioritárias, conforme a tendência já observada nos PAEs (Programas de Ação Estadual de Combate à Desertificação). Contudo, a configuração apresentada no mapa temático apontou que mesmo dentro dos grupos avaliados existe heterogeneidade.

A heterogeneidade dos municípios quanto à propensão à desertificação pode ser entendida a partir de características locais de uso do solo, mais especificamente o uso para fins agrícolas e pecuária, quando praticado de forma inadequada. Considerando-se que a desertificação avança mais rapidamente nas áreas rurais do Semiárido Brasileiro, as ações de combate ao fenômeno devem contemplar a agropecuária praticada na região. O estudo mostrou que as áreas mais propensas à desertificação já apresentam menores níveis de produtividade. Da mesma forma, municípios com maior carga animal por hectare também estão mais vulneráveis.

Na perspectiva observada, que ressalta as especificidades locais, nota-se que as práticas agrícolas sustentáveis, adotadas em escala individual ou em comunidades, podem ser uma estratégia eficaz no combate à desertificação, de modo a reverter a degradação pelo uso inconsciente da terra, mostrando que é possível produzir culturas, criar animais e extrair lenhas e carvão vegetal para consumo de modo sustentável sem agredir o ambiente, podendo reverter processos danosos e preveni-los futuramente.

As especificidades locais observadas tornam aceitável a pressuposição de que o poder municipal tem papel importante no combate à desertificação. Para tanto, precisa de instrumentos que favoreçam a sua atuação. No entanto, no âmbito de sua capacidade administrativa, mais especificamente da implementação de instrumentos de gestão ambiental observou-se, por meio do Índice de Gestão Ambiental (IGA), que a realidade das prefeituras reflete descaso diante das questões ambientais. O sinal negativo observado entre a propensão socioeconômica à desertificação e a gestão ambiental confirmou que os municípios podem auxiliar no combate ao fenômeno. No entanto, no caso do semiárido, os baixos níveis de implementação dos instrumentos de gestão ambiental não permitiram que essa relação seja significativa.

Como todo índice agregado, o IPSD e o IGA apresentam limitações. O IPSD não capta a existência de processos de desertificação, mas a propensão (risco) ao problema. Da mesma forma, o IGA não agregou todos os instrumentos de gestão ambiental e não conseguiu captar aspectos qualitativos da gestão. No entanto, a análise de ambos teve o mérito de alertar para a possibilidade de implementação de pequenas ações locais e para a omissão do governo municipal no que diz respeito ao emprego de mecanismos úteis no combate à desertificação.

É imprescindível considerar que a desertificação é questão interdisciplinar e, portanto, deve ser enfrentada como tal. Somente com a união entre governo e sociedade serão viabilizados o controle e a reversão do cenário caótico que hoje assola o semiárido brasileiro. Porém, foi possível perceber que a população é pouco participativa nos processos de tomada de decisão quanto à definição de políticas ambientais, considerando-se os percentuais de Conselhos Municipais de Meio Ambiente e Comitês de Bacias Hidrográficas.

Por fim, considerando-se o caráter diferenciado com que a propensão à desertificação se manifestou no território semiárido, são sugeridos estudos que adotem modelos que permitam analisar como as diferenças espaciais ou a localização dos municípios interferem na sua exposição ao fenômeno.

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