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1.3 Analyses en Séries Temporelles

2.1.2 Génération des interférogrammes et déroulement

2.1.2.3 Fenêtrage, filtrage spatial et déroulement

Nos meses de setembro, outubro e novembro de 2015, foram realizadas diversas atividades com a nova turma, que tem um perfil bastante diferenciado: uma turma menor (12 alunos), porém com mais demandas relacionadas à violência escolar, tais como brigas, roubos, xingamentos e ofensas2.

No decorrer do mês de setembro, houve a necessidade de realizar um novo diagnóstico, pois todo o cenário tinha mudado, assim como um novo plano de ação, sem perder o foco da pesquisa e respeitando o tempo de cada um dos envolvidos. Ao planejar quais atividades seriam desenvolvidas com a turma, a professora Tatiana e eu pensamos que seria interessante se fosse escolhido um personagem como símbolo da turma, já que os alunos apresentavam certa dificuldade em expressar seus sentimentos. Durante a hora de jogo com finalidade diagnóstica (realizado em outubro), foi proposta para a turma a nossa ideia. As crianças ficaram bastante empolgadas. Vários personagens foram listados no quadro pela professora Tatiana, a fim de verificar com qual delas os alunos, como grupo, se identificariam: foram unânimes em escolher o Minion atrapalhado (Figura 8).

2 Neste trabalho, esta é a turma que se configura como “o grupo” que participa da pesquisa-ação. É

Figura 8 – Minion atrapalhado

Fonte: Minion (2015).

Ao questionar o motivo da escolha desse personagem, os alunos disseram que o Minion era muito semelhante a eles, já que várias vezes se atrapalhavam nas aulas e nas brincadeiras. No mesmo dia, escolhemos juntos o nome do espaço em que as atividades ocorreriam, com um pequeno auxílio da professora Tatiana, que disse: “Que nome vocês dariam a este espaço? Neste espaço vamos conversar sobre assuntos do nosso dia a dia”.

Como eles demoraram a responder, a professora sugeriu um nome, e eles aceitaram. Assim, dessa forma “democrática”, o nome escolhido foi Espaço Cidadania (novamente me senti impotente – seria importante que o nome viesse deles, mas naquele momento hesitei em interferir).

Quando foi solicitado que pensassem no nome de um projeto com o qual eles se identificassem, pedi que lembrassem tudo o que já havíamos trabalhado e discutido sobre violência, pensando em alguns nomes que pudessem simbolizar nossas metas. Eles disseram: paz. Então, fui ao quadro e listei algumas alternativas: Paz na Escola; Paz e Alegria; e Fim de violência e muita paz.

O aluno Carlos, certamente lembrando a situação do tráfico, falou: “Podemos colocar o nome ‘Sorriso na cara’.” Questionei o motivo desse nome, e a resposta foi imediata: “Professora Adri, aqui na vila o grupo ‘Bala na Cara’ tem assustado todo mundo, então pensei que poderia ter o nome ‘Sorriso na cara’.”.

Todos do grupo falaram sobre o terror que os “Bala na Cara” estavam fazendo na comunidade. Pensei rapidamente e sugeri que seria melhor “Sorriso no Rosto”, pois nosso objetivo não era fazer confronto com o tráfico, mas aprender a lidar com situações de conflito sem o uso de violência.

Por meio dessa escolha simbólica (desenho do Minion), comecei a conhecer mais a turma, conversando com eles sobre o que é ser atrapalhado e como

poderíamos mudar esse comportamento. Dentre as várias temáticas que foram trabalhadas, uma chamou minha atenção em especial: o tema do roubo.

A turma entendia que “achar” algo no chão da sala de aula e pegar para si não era roubo, pois muitos amigos “pegavam” à noite salgadinho no pátio da empresa Y, situada próxima à comunidade: como os salgadinhos não estavam dentro do pavilhão, isso também não era considerado roubo. Além disso, o grupo fez inúmeros relatos sobre comprar coisas mais baratas dos traficantes, mencionando que não considerava esse fato como algo ilegal.

A professora Tatiana aproveitou todas essas oportunidades para trabalhar também conceitos de ética. Confesso que, ante os relatos, em muitos momentos ficávamos meio perdidas, pois a maioria das famílias daquela comunidade tinha os melhores televisores, videogames de última geração, celulares, tabletes, rede elétrica “gato” e televisão a cabo conquistados de forma ilícita. Tínhamos de ter muito cuidado para não julgar; por isso, muitas vezes, utilizamos o boneco Minion para expressar os nossos posicionamentos.

No mês de novembro, já começávamos a perceber, de forma bastante lenta, uma postura diferenciada do grupo, que iniciou a escutar e discutir ações que levavam à violência. A aluna Maria, por exemplo, fez a seguinte colocação:

“Sabe professora, meu irmão comprou um celular IPhone 6 de um amigo dele. À noite chegou a polícia lá em casa, reviraram tudo e levaram ele; eu fiquei com muito medo (seus olhos se encheram de lágrimas).”

Perguntei o que o Minion faria naquele momento, e ela disse: “Isso não aconteceria com ele, pois o nosso Minion sabe que é errado e a mentira sempre se descobre...”.

Automaticamente, veio à tona o tema da mentira, e o aluno André relatou que na escola, muitas vezes, um colega provoca o outro e não assume o que fez, mentindo e prejudicado esse outro.

Dessa forma, o trabalho foi ganhando forma, e a turma resolveu fazer um painel sobre situações que aconteciam no dia a dia da escola para discutirmos nas quartas- feiras (Figura 9).

Figura 9 – Painel

Coisas boas

− Não houve empurrões

− Não brigamos com a prô de Artes

Coisas ruins

− Sumiu um lápis do colega

− Colega Henry não entregou um trabalho e mentiu que perdeu

Fonte: elaboração da autora.

Já no mês de dezembro de 2015, providenciei a confecção de jalecos com o nome do grupo e seu símbolo e entreguei-os à turma, que ficou muito feliz com a novidade. Com a proximidade do final do ano letivo, pensando na continuidade do projeto com essa mesma turma, resolvemos fazer um ritual de passagem, tentando desde já integrar os alunos com a equipe diretiva e com a professora indicada como titular para o ano seguinte.

No penúltimo encontro de 2015, sugerimos que os alunos convidassem a equipe diretiva, juntamente com a futura professora, para relatar as atividades realizadas durante nossos encontros nas quartas-feiras. Nessa ocasião, mencionaram que os assuntos discutidos estiveram relacionados ao cotidiano dentro e fora da escola e que o assunto mais trabalhado tinha sido a violência e a busca da paz no ambiente escolar (Figura 10).

A equipe diretiva ficou emocionada e também recebeu, assim como a professora sucessora, um jaleco. No final, os alunos fizeram uma espécie de juramento: “Eu, Henry, aluno da escola Pedro I, me comprometo com o projeto “Sorriso no Rosto”, a combater a violência na escola”.

Esse juramento também foi pronunciado pela pesquisadora, pela professora de 2015, pela professora sucessora de 2016 e pela equipe diretiva (Figura 11). Juramentos e pactos fazem parte do mundo infantil, configurando uma atividade que

visava fortalecer os alunos como grupo, além de buscar maior envolvimento da equipe diretiva para com o projeto.

Figura 10 – Crianças explicando o projeto para a equipe diretiva

Fonte: acervo da autora.

Figura 11 – Pacto com a turma 41

Fonte: acervo da autora.