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Jerome Bruner (1976) salienta que o desenvolvimento mental não é um crescimento gradual, seja de associações ou conexões estímu- lo-reação, assemelhando-se mais a uma escada com degraus pronuncia- dos, algo como uma sucessão de lances, de subidas e patamares.

Referenciando o pressuposto do “andaime”, que considera que os alunos possuem conhecimentos prévios e, ao entrar em contato com novas ideias e conceitos, eles selecionam as novas informações, trans-

formam e acrescentam a sua estrutura cognitiva, Fleer (1990) apresenta a teoria do construtivismo proposta por Jean Piaget. A teoria supracita- da pauta que a construção do conhecimento ocorre por meio da ação do sujeito sobre o meio, como limitada e individualista, e baseado nisso, compara-a com teorias mais amplas que apresentam a aprendizagem como um processo socialmente construído. Nessa perspectiva, a auto- ra apresenta como importante pesquisador, lev S. Vygotsky, psicólo- go soviétivo que escreveu sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), definida como a relação entre o nível de desenvolvimento real - resolução de um problema realizada sem auxílio de objeto e/ou pes- soa? - e potencial - resolução de um problema orientada por um adulto. Fleer (1990) também traz Jerome S. Bruner, psicólogo americano, que desenvolveu o processo educativo denominado “Andaime”, em que as crianças passam de um nível de compreensão para outro mais elevado. De acordo com a autora, essa passagem ocorre com a ajuda do professor, que demanda, em sua prática, compartilhar com o aluno a proposta de conclusão de tarefas por meio da responsabilidade mútua, em que os educandos se apropriam progressivamente dessas responsabilidades.

O artigo de Marilyn Fleer apresenta os princípios básicos do construtivismo e os contrastam com as teorias desenvolvidas dentro do paradigma proposto por Vygotsky e Bruner, por meio de análise das relações e dos discursos entre professor-aluno em duas salas de aula, com alunos da educação infantil, em uma perspectiva de ensino intera- tivo voltado à ciência.

Cem horas de discursos foram registrados em fitas de áudio e vídeo, durante um período de seis meses. As crianças foram filmadas e entrevistadas no início, durante e após a conclusão dos conteúdos de ciências propostos. Ambos os professores trabalharam em uma perspec- tiva de educação interativa, desenvolvendo, assim, múltiplas relações.

Diante disso, a autora concluiu que o processo educativo denominado “Andaime”, proposto por Bruner, pode ser útil para a identificação de estruturas e técnicas utilizadas pelos professores para desenvolver a compreensão das crianças sobre fenômenos científicos,

além de explicitar a importância do papel do professor como mediador do processo, o que vai ao encontro da teoria de Vygotsky em relação à ZDP.

O professor possui o papel relevante de fomentar o raciocínio do aluno, de despertar a sua curiosidade e de fazê-lo pensar em alternativas e soluções para determinados problemas e situações apresentadas pela sociedade da qual ele faz parte.

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO: CONTRIbUI- çõES DA PSICOLOGIA CULTURAL E DO PROCESSO EDUCATIVO DO “ANDAIME” NA PRODUçãO DE SIGNI- FICADOS

A teoria de Bruner defende a ideia de que a criança organiza a sua representação da realidade de acordo com a experiência vivida por ela em seu meio cultural. Enfim, a organização do pensamento, a expressão e a forma de aprendizagem dependem do contexto a que está exposta (BRUNER, 1976).

O ser humano constrói sentimentos ao longo da convivência com os seus pares, nos mais diversos espaços em que atua. Esses sentimentos vão influenciar na produção de significados, que é singular e característica de cada povo ou nação.

Ao lançar as bases da Psicologia Cultural, em que a realidade externa só pode ser conhecida pelas propriedades da mente e pelos sistemas de símbolos nos quais a mente se baseia, Bruner defende que a cognição não descarta emoção e sentimento, mas os representa nos processos de produção de significados e nas construções da realidade.

No que se refere à contribuição dos aspectos emocionais nesses processos de produção de significados, Esteban et al. (2010) sugerem ser possível melhorar as habilidades de compreensão social de crianças pré-escolares em um programa educativo por meio da técnica do conto de histórias com livros ilustrados. Nesse estudo, os autores apresentam os procedimentos e os resultados de um programa educativo destinado às crianças em idade pré-escolar, aplicado em duas escolas da comuni- dade autônoma da Catalunha (ESPANhA).

Esteban et al. (2010) acreditavam na melhoria da capacidade de compreensão dos educadores para entender o comportamento da cri- ança baseado nas intenções, crenças e emoções envolvidas em suas narrativas e partilhadas em seus discursos mentais. Fundamentados nas concepções da Psicologia Cultural de Bruner e suas teorizações inerentes ao desenvolvimento cognitivo, os autores se embasaram na “Metáfora do Andaime”, que propõe a retirada gradual da mediação oferecida pelo adulto à criança, de forma a aumentar o domínio dela em uma determinada tarefa.

Submeteram-se ao estudo 96 crianças do jardim de infância, com idade entre três e quatro anos e meio. Elas foram distribuídas em duas salas e formaram dois grupos, a saber: a) o grupo de intervenção, que ouviu uma versão adaptada do conto de Chapeuzinho Vermelho com o auxílio de livros ilustrados; b) o grupo controle, em que nenhum materi- al foi usado ou qualquer intervenção foi previamente realizada. Em am- bos os grupos, três testes de compreensão social foram administrados junto às crianças, antes e após o treinamento dos professores de jardim de infância. Os dois educadores do grupo de intervenção receberam treinamento para explicar o conto, ao passo que os educadores do grupo controle não receberam tal treinamento.

Os resultados alcançados pelo teste mostraram que somente as crianças do grupo de intervenção melhoraram significativamente suas pontuações na compreensão social. Os dois educadores que passaram pelo prévio treinamento de intervenção educativa praticaram, portanto, a “Metáfora do Andaime” para incorporar alguma compreensão social nas narrativas partilhadas nos discursos mentais, no decorrer de interação junto às crianças. Trata-se de uma relevante contribuição da Psicologia Cultural para estimular a interação das crianças com o professor e produzir resultados nos contextos sociais e emocionais desses sujeitos.

A NARRATIVA: UM INSTRUMENTO NO PROCES-

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