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Considera-se trabalho em grupo nesta pesquisa a atividade desenvolvida pela equipe de trabalhadores do setor operacional, que trabalha em regime de turno, em cada área específica, podendo variar o tamanho dos grupos conforme as complexidades das áreas.

Na empresa CAPIXABA são cinco turnos de operação. Cada turno é formado por uma quantidade igual de trabalhadores do setor operacional. Por dia, são três turnos de trabalho, sendo a equipe formada por operadores de painel e área.

Há a figura do facilitador nos turnos, conforme já explanado anteriormente, que se responsabiliza por determinados assuntos, normalmente indicado pelo coordenador da área. Porém, os facilitadores não atuam como líderes, havendo sempre rotatividade nessas funções, em que a grande maioria dos operadores está apta a assumir. Não há pagamento de adicionais por estas atividades. Praticamente todos os operadores possuem uma atividade ao qual é responsável, e que tem algum impacto sobre o resultado do grupo.

Grande parte dessas atividades é exercida nos horários de trabalho em turno, em paralelo com a função operacional exercida, facilitado pela automatização do processo. O ritmo desses trabalhos adicionais à operação depende das condições do processo, sendo que quanto mais estável, mais favorável será para tratar das atividades extras operacionais. Em caso de desvios, panes ou distúrbios, os SDCD`s e PLC`s, e demais instrumentos indicadores, controladores e de proteção, efetuam as primeiras correções automaticamente, e acionam alarmes alertando sobre problemas. Isso permite que o operador não tenha que ficar a todo o momento olhando e monitorando o processo, pela tela do computador operacional.

Normalmente não há a formação de grupos específicos de trabalho para as soluções diversas, pois uma reunião com todos os operadores dos turnos é inviável. A troca de informações entre operadores e a gestão da área fica facilitada pelo uso do correio eletrônico, pelo registro das ocorrências em livro eletrônico e pelo acompanhamento dos trabalhos por meio de relatórios, disponibilizados em arquivos de rede de computadores, com acesso liberado.

Várias são as possibilidades de uso do sistema informatizado: registro de incidentes do trabalho14 e comunicação de situações de risco para a segurança do grupo, comunicação de acidentes do trabalho, desvios de processo, desvios ambientais, pedidos de material para almoxarifado, normalização de freqüência de trabalho, regularização da freqüência ao trabalho e cobrança de horas extras, solicitação de programação para manutenção de equipamentos, consulta a normas de trabalho,

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Incidentes do trabalho são situações com potencial de causar alguma lesão ao trabalhador, porém, sem que isso tenha acontecido. Por exemplo: queda de uma peça de metal próximo a um trabalhador, não chegando a atingi- lo. Neste caso, para as normas da indústria, não se considera que houve acidente, pois não houve lesão, mas houve potencial de lesão, por isso, é um incidente e deve ser analisado para evitar situações semelhantes.

acesso a arquivos com especificações técnicas dos equipamentos, manuais de trabalho, leitura de relatórios diversos, entre outras.

Esta característica do trabalho em grupo, considerando a gestão no chão da fábrica na empresa CAPIXABA, em que há aumento na taxa de ocupação da mão-de-obra, está claramente de acordo com a idéia de perda por espera, solucionada pelo modelo toyota e apresentado por Antunes Júnior (1999, p. 42):

Durante o tempo de execução da operação, o trabalhador ficará simplesmente observando a máquina funcionar. Isto pode ser analiticamente considerado como uma perda por espera. [...] Em termos microeconômicos a questão torna-se: como aumentar a taxa de ocupação da mão-de-obra?

Como visto anteriormente, as medidas adotadas na empresa CAPIXABA dão respostas mais aperfeiçoadas às primeiras argumentações do modelo toyota, principalmente por possuir, na atualidade, mão-de-obra no setor operacional com maior capacidade técnica e intelectual.

Esta forma de trabalho estrutura-se como um processo produtivo flexível, que possibilita ao trabalhador do setor operacional operar simultaneamente várias máquinas e executar diversas atividades, tendo como princípio o just in time, quando faz o melhor aproveitamento possível do tempo de produção.

Esta capacidade para exercer tais atividades, por parte dos trabalhadores do setor operacional, com características de supervisor e de gestor de suas próprias ações, está de acordo com o perfil desenhado na reestruturação interna da empresa. Antes, os operadores eram considerados trabalhadores “com poucas habilidades e que eram direcionados continuamente até nos mínimos detalhes de sua atividade [...]” (AMBRÓZIO, 2005, p. 113).

Na visão de Ambrózio (2005, p. 113), esse novo perfil dos trabalhadores do setor operacional só se tornou possível a partir das ações tomadas pelas gerências, na fase da reestruturação interna que ocorreu na empresa CAPIXABA, principalmente

pelo “uso dos recursos das disciplinas (exame, sanção normalizadora e vigilância hierárquica)15”. Entre os recursos das disciplinas:

O exame parece ter sido o que iniciou todo o processo na medida em que foi utilizado para classificar e hierarquizar as características apresentadas pela força de trabalho, ao iniciar-se o período de transição e também explicar os posicionamentos políticos da força de trabalho em relação às modificações do cotidiano de trabalho.

[...] Com a sanção normalizadora procurou-se dosar as ações sobre a força de trabalho conforme a sua referida capacidade e também conforme o seu posicionamento político em relação à reestruturação. [...] O uso da sanção normalizadora, neste sentido de inibir as visões contrárias às mudanças na base produtiva, passou a direcionar os comportamentos para a aceitação sem questionamentos das modificações introduzidas pelo projeto de reestruturação.

[...] Completando e realimentando o funcionamento do aparelho disciplinar posto em movimento pela reestruturação produtiva, tem-se o recurso da vigilância hierárquica que, com sua pirâmide de olhares, vasculha os mínimos detalhes das operações e também os espaços mais recônditos do aparelho produtivo. [...] O olhar disciplinar caracteriza-se por ver ininterruptamente sem ser visto, por tornar visíveis as mínimas instâncias das localizações onde se presta a observar – portanto indiscrição ao ver – sem que nenhum dos corpos que estejam encerrados percebam a localização desta vigilância – portanto discrição quanto a localização do olhar. (AMBRÓZIO, 2005, p. 115).

Contudo, esta capacidade dos trabalhadores do setor operacional de absorver tão rapidamente as novas formas de gestão do trabalho no chão da fábrica pode ser explicada, também, a partir dos novos conhecimentos que vêm adquirindo no ensino superior. O entrevistado OP6 acredita nessa possibilidade, afirmando que

[...] a pessoa vai ter a oportunidade de se expressar melhor, escrever melhor, poder demonstrar melhor suas idéias, ter idéias novas.

Coincidindo com o pensamento do entrevistado G1:

Qualquer aumento de graduação trás como conseqüência um aumento de cultura geral, de conhecimento. As pessoas se tornam mais ativas, mais participativas, é um desenvolvimento pessoal que se reflete no desenvolvimento profissional da pessoa.

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Ambrózio (2005) se baseou nos conceitos de Foucault, para afirmar que os recursos das disciplinas foram utilizados pela gerência da empresa CAPIXABA, com o objetivo de garantir a transformação do antigo operador, ao estilo taylorista-fordista, para o operador atual, ao estilo toyotista, sem que houvesse resistências.

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