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Complementary reference fields based on the POD approach

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J- integral: a path independent integral

2.3 Protocol for the kinematic basis

2.3.5 Complementary reference fields based on the POD approach

O tempo médio dedicado às preliminares na prática sexual com homens, no primeiro grupo foi de 30 a 40 minutos para 77 mulheres e de 5 a

10 minutos para 233. No grupo 2, foi de 30 a 40 minutos para quatro e de 5 a 10 minutos para 6.

“Mal dá tempo de tirar a roupa... é sempre a mesma rotina...beijo na boca de língua já nem me lembro mais como é...é penetração e só” (Hibisco, 24 anos).

“Quase não existem preliminares, é penetração e pronto! Isso muitas vezes me faz me sentir um objeto” (Safira, 25 anos).

No grupo das mulheres com relato de prática homossexual, o tempo dedicado às preliminares é de 30 a 40 minutos para 31 e 5 a 10 minutos para 6.

“Esta pra mim é a grande vantagem de se relacionar com mulheres... não há pressa...mulher conhece mulher e sabe que precisa de tempo” (Iris, 18 anos).

“Até hoje tive quatro namorados e todos eles levavam aproximadamente 5 minutos nas preliminares e logo iam para penetração até gozarem e deu. Sempre tive a sensação de que se me tocassem em outros lugares ou fizessem diferente, com mais tempo, talvez eu chegasse lá, mas nunca falei – tenho vergonha e medo de que pensem mal de mim” (Tulipa, 22 anos).

Tanto no grupo 1 como no grupo 3, para maioria das mulheres casadas o tempo médio investido nas preliminares é de 5 a 10 minutos e para uma minoria é de 30 a 40.

Saliente-se que em todas as falas a necessidade de estimulação clitoriana e de maior tempo de preliminares foi marcante. Tal fato parece indicar um conflito entre o script sexual e o desejo latente de um “algo a mais” que parece faltar e que as mulheres têm dificuldade de encontrar, uma vez que parecem não ouvir o próprio corpo ou a si mesmas. A reflexão de Swain corrobora com esta visão:

Quando se fala em sexualidade feminina a palavra usada é “vagina”, como se fosse a essência e a totalidade do sexo da mulher. Clitóris, pequenos lábios, grandes lábios, pouco se menciona, pouco se conhece destas zonas erógenas por excelência do corpo feminino. (2000, p.84)

Heilborn et al (2006) constataram também, a hegemonia do sexo vaginal. Tal fato levou estes autores à hipótese de que “há um código restrito em termos de conduta sexual, que não apresenta qualquer variação além do sexo vaginal, definidor de uma heterossexualidade estruturada em termos tradicionais. [...] Existe uma associação entre repertório restrito e visão mais tradicional da sexualidade”. (2006b, p.251)

Talvez este seja um dos motivos pelos quais os homens invistam tão pouco tempo nas preliminares e privilegiem a penetração durante a prática sexual, pois esta última, só é possível, no imaginário masculino e também no de muitas mulheres, onde existe um pênis, ratificando, o que diz Swain (2000:81): “o sexo a serviço da reprodução ou do prazer masculino”. Assim é construída uma visão genitalizada da mulher que, para muitos, não passa de uma vagina. Isso que pode ser ilustrado pela fala de Opala, 23 anos: “Você sabe a piadinha que meu namorado me contou? É assim: o que é uma mulher? É aquele pedaço de carne que envolve a vagina”.

Na atividade sexual com mulheres o tempo médio de preliminares é de 30 a 40 minutos para quase a totalidade das entrevistadas deste grupo, sendo que a totalidade das respondentes afirmou não haver necessidade de penetração vaginal na prática sexual com mulheres.

“Com mulher é só sexo oral e estimulação clitoriana. Pra que mais, se é isso que dá prazer?” (Opala, 23 anos);

“Quem acha que mulher gosta de pau é homem. Mulher que é mulher sabe que o que dá prazer é o clitóris” (Turquesa, 31 anos).

Estes depoimentos nos levam a refletir sobre as diferenças de gênero socialmente construídas e vividas como “verdades” nas relações entre homens e mulheres, como bem explica Bourdieu:

As diferenças que são socialmente construídas são corporificadas de modo a codificar simbolicamente o próprio ato sexual. O ato sexual é assim representado como um ato de dominação, um ato de possessão, uma “tomada” da mulher pelo homem [...] O ato sexual é ele próprio concebido através do princípio da primazia do masculino. (1998, p. 21).

Swain (2000) acrescenta que esta visão da primazia do masculino no ato sexual é estendida às relações homoeróticas, na medida em que o senso comum constrói um “modo de fazer” como padrão de comportamento homoerótico feminino, uma postura única. Sendo assim, pressupõe fantasiosamente, o uso de artefatos para penetração vaginal, o que acaba por se constituir em apenas mais uma imagem que procura, no sexo entre mulheres, colocar a inevitabilidade da penetração através de um “pseudo- pênis”, pois para o imaginário social seria impossível conceber a sexualidade

sem o falo, uma vez que o sexo masculino é o detentor da sexualidade. A autora ainda acrescenta que:

O ponto G, nova descoberta “científica”, seria mais uma justificativa para a falta de orgasmo feminino na relação heterossexual: muito escondido, inexistente, mal colocado, a culpa da ausência de prazer seria mais uma vez da própria mulher, de sua constituição defeituosa. Não de uma relação precariamente vivida, em que a penetração é o signo da realização sexual. Por que o obscurecimento do clitóris? Por que a ênfase à vagina? A resposta a estas questões é quase ociosa: o prazer que se contempla é o masculino (SWAIN, 2000:85)

Importante salientar que esta visão do sexo masculino como detentor da sexualidade foi culturalmente construída e que ao longo dos anos as mulheres silenciaram permitindo que esta visão tomasse corpo. O tempo e o sexo foram reinventados e agora, em tempos de diálogos, começam a aparecer novas demandas de satisfação sexual.

Ressalto que, apesar da hegemonia da penetração vaginal, como visto, muitas mulheres, principalmente as dos grupos 2 e 3, se referem à práticas de sexo oral e estimulação clitoriana.

Gagnon e Simon (1987) afirmam que o sexo oral deixou de ser uma especialidade da prostituição, passando a ser incorporado no repertório da sexualidade conjugal e pré-marital.

Lauman et al (1994) corroboram com esta idéia ao afirmarem que a disseminação da prática do sexo oral é indício das mudanças no script sexual de homens e mulheres, no último século, estando na vanguarda da revolução sexual ocorrida na sociedade ocidental moderna.

Em relação à prática do sexo oral, como já mencionado, em sua pesquisa Heilborn et al (2006b) constataram que existem discrepâncias. O

sexo oral feito pela mulher no parceiro homem (fellatio) é proporcionalmente maior do que feito pelo homem na mulher (cunnilingus) retratando uma ausência de mutualidade de carícias orais entre os parceiros. Destacam, porém, que as respostas masculinas e femininas aproximam-se quando considerado o nível superior de escolaridade. Ainda em seu estudo, constataram os autores que a declaração sobre diversas modalidades de prática sexual não é equânime: existe a hegemonia da penetração vaginal, sendo o sexo oral o segundo mais praticado, seguido pela masturbação entre parceiros e, por último, sexo anal, sendo as respostas femininas em relação a estas práticas sempre inferiores às masculinas.

O acentuado contraste entre as declarações de mulheres e homens pode ser interpretado de diferentes maneiras. Em primeiro lugar, o baixo nível de respostas femininas pode indicar certo pudor em falar sobre sexualidade, comportamento socialmente esperado para esse gênero. Em segundo, as maiores proporções nas respostas masculinas podem ser relativizadas a partir das prescrições em torno da masculinidade no Brasil, que consideram como símbolo de virilidade uma permanente disponibilidade para o que envolve o sexual. De toda forma, a constância da diferença de declaração entre os sexos é reveladora de ausência de mutualidade no exercício dessas práticas. As expectativas bastante discrepantes que indivíduos de cada um dos sexos têm em relação aos contatos sexuais tornam assim a arena da sexualidade sujeita a um jogo de permanente negociação (2006b, p. 238-9)

Acrescento ainda, à reflexão até aqui elaborada, a de que, como abordado na fisiologia da resposta sexual humana (fundamentação teórica), por questões anatômicas, o tempo fisiológico para excitação da mulher é maior do que o do homem uma vez que esta precisa irrigar de sangue toda cavidade pélvica para obtenção da lubrificação vaginal, diferentemente do homem que para uma ereção só necessita irrigar os corpos cavernosos do pênis. Este fato explica aquilo que muitas mulheres anseiam e nem sempre entendem ou interpretam como uma limitação pessoal para o

desencadeamento da excitação, ou seja, a necessidade de um tempo dedicado às preliminares de minimamente 15 minutos ou mais, uma vez que este é o tempo que o organismo feminino demanda para irrigar de sangue a cavidade pélvica. Neste sentido, é importante salientar a necessidade de uma educação sexual onde os indivíduos conheçam a sua anatomia e fisiologia como de importância vital para o exercício de uma sexualidade satisfatória.

A análise geral dos dados relativos às preliminares demonstra que duas condições parecem estar relacionadas ao pouco tempo dedicado às mesmas: a prática heterossexual e/ou a conjugalidade. Na prática heterossexual como visto, uma das causas seria a tendência à vivência da sexualidade como domínio do masculino. Este quadro tende a se agravar na conjugalidade heterossexual, à medida que, no senso comum, não há mais a necessidade de conquista e, portanto, na qualidade de objeto, resta à mulher ser possuída, tendo ela a obrigação de estar disponível.

A realidade vivida por mulheres atendidas, aqui categorizadas como “com relatos de práticas bissexuais”, talvez possa criar um contra-imaginário na obscuridade capaz de renovar estas representações estereotipadas.

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