1.4 Conclusion
2.1.5 Factorisation d'image [Hoppe]
Fundamentalmente, o conceito de sistema decorre da Teoria Geral dos Sistemas, explicada por Bertalanffy (1975, p. 61), que tem como objeto de estudo “a formulação de princípios válidos para os sistemas em geral, qualquer que seja a natureza dos elementos que compõem e as relações ou forças existentes entre eles”.
Ainda conforme Bertalanffy (1975, p. 128),
A teoria geral dos sistemas em seu sentido restrito (TRS) procura derivar da definição geral do “sistema” como complexo de componentes em interação, soma, mecanização, centralização, competição, finalidade etc. e aplicá-los a fenômenos concretos.
Bio (1991, p. 18) considera sistema “um conjunto de elementos interdependentes, ou um todo organizado, ou partes que interagem formando um todo unitário e complexo”. Essa formação unitária, no entanto, deve possuir objetivos e funções determinadas, como acrescenta Oliveira (2008).
Na compreensão e ensinamentos de Gil, Biancolino e Borges (2010, p.8), o sistema pode ser entendido como
[...] todo organizado ou complexo; conjunto ou combinação de coisas ou partes que formam uma entidade complexa ou unitária; conjunto de objetos unidos entre si por alguma forma de interação ou interdependência, desde que a relação entre as partes e o comportamento do todo seja o foco da atenção.
De forma genérica, pode-se conceituar sistema como um grupo de componentes inter-relacionados que trabalham rumo a uma meta comum, recebendo insumos e produzindo resultados em um processo organizado de transformação (O´BRIEN, 2009).
Corroborando com o que foi externado pelos autores antes mencionados, pode-se conceituar sistema como conjunto de itens que, ao interagirem com outros, formam um todo organizado, voltados para atingir determinado objetivo.
Os sistemas podem ser classificados como abertos e fechados. Os fechados não possuem interação com o ambiente externo, enquanto os sistemas abertos têm como característica básica a interação com o ambiente externo (PADOVEZE, 2009).
O Quadro 3, contém de forma sucinta, as diferenças entre os sistemas abertos e fechados segundo a visão de Gil, Biancolino e Borges (2010).
Quadro 3 – Diferenças entre os sistemas abertos e fechados
Sistemas Abertos Sistemas Fechados
Apresentam relações de intercâmbio com o ambiente, através de entradas e saídas.
Não apresentam intercâmbio com o ambiente que os circundam, ou seja, não recebem qualquer influência ambiental ou externa. Trocam regularmente matéria e energia com o
meio ambiente, ajustando-se às condições impostas a eles.
Não influenciam o ambiente e não produzem nada que seja enviado para fora.
Possuem como característica um contínuo
processo de aprendizagem e de auto-
organização, não podendo para isso, viverem em isolamento.
Estão isolados do seu meio ambiente com a tendência de crescer indefinidamente, ou seja, a aumentar a um máximo.
Fonte: Adaptado de Gil, Biancolino e Borges (2010)
Os autores esclarecem que os sistemas abertos são mantidos em um fluxo contínuo de entrada e saída, por meio da manutenção e sustentação dos componentes, regulados por dois mecanismos: feedback negativo e feedback positivo. No primeiro, o sistema tende a anular as variações do ambiente através da recusa de informações que comprometam o seu equilíbrio. No segundo, existe uma tendência de ampliação do fluxo vindo do meio ambiente, levando o sistema a um novo estado de equilíbrio.
Contextualizados os tipos de sistemas e suas diferenças, são expressos a seguir os componentes de um sistema, mostrando suas interações e características.
Padoveze (2009) esclarece que, como o sistema traz a noção de conjunto, normalmente será composto de elementos. Além disso, o sistema existe para produzir algo tendo como base as funções a que se destina, existindo, portanto, a necessidade de decompor o sistema em elementos ou componentes. A Figura 1 traz os componentes de um sistema.
Figura 1 – Componentes do sistema
Fonte: Adaptado de Oliveira (2008, p. 8)
Como se pode observar na Figura 1, os componentes do sistema são: objetivos, entradas do sistema, processo de transformação do sistema, as saídas do sistema, os controles e avaliações do sistema e retroalimentação. A seguir são explicados, de forma resumida, esses componentes, segundo a visão de Oliveira (2008).
a) Os objetivos referem-se tanto aos objetivos do usuário quanto do sistema. Ou seja, é a finalidade para o qual o sistema foi criado.
b) As entradas do sistema têm a função de receber os insumos que ao serem processados pelo sistema geram saídas alinhadas aos objetivos anteriormente estabelecidos.
c) O processo de transformação do sistema tem a função de transformar um insumo de entrada em um produto, serviço ou resultado na saída.
d) As saídas do sistema representam os resultados do processo de transformação de forma coerente com os objetivos, atributos e relações do sistema.
e) Os controles e as avaliações do sistema têm como principal função verificar se as saídas estão alinhadas com os objetivos estabelecidos. Essa verificação normalmente é feita com a utilização de indicadores de medidas de desempenho do sistema, denominada padrão.
f) A retroalimentação, ou realimentação, ou feedback do sistema, é um instrumento de controle que, ao perceber as informações de saída em desacordo com os parâmetros estabelecidos, envia para a entrada informações objetivando reduzir as divergências ao mínimo, propiciando, assim, uma situação em que o sistema se torne auto regulador.
O´Brien (2009) esclarece que um sistema não existe no vácuo, ou seja, há e funciona em um ambiente relacionando-se com outros sistemas. Acentua também, que, se um
sistema for um dos componentes de outro sistema, esse será um subsistema, e o sistema maior será seu ambiente. O exemplo a seguir contextualiza essa afirmação:
Organizações como empresas e órgãos governamentais são bons exemplos dos sistemas na sociedade, que é seu ambiente. A sociedade contém uma multiplicidade de tais sistemas, incluindo os indivíduos e suas funções sociais, políticas e econômicas. As próprias organizações consistem em muitos subsistemas, tais como departamentos, divisões, equipes de processo e outros grupos de trabalho. As organizações são exemplos de sistemas abertos porque fazem interface e interagem com outros sistemas em seu ambiente. Finalmente, as organizações são exemplos de sistemas adaptativos, já que podem se modificar para atender as demandas de um ambiente em transformação. (O´BRAIEN, 2009, p. 9).
O exemplo oferecido resume, de forma objetiva, o conceito de um sistema, pois, por intermédio da empresa, é possível materializar todos os seus elementos e interações internas e externas, como também os controles e ajustes necessários para se alcançar os objetivos traçados.