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Para Fortin (2009) o método de recolha de dados a utilizar é determinado pela natureza do problema de investigação em estudo. O instrumento utilizado para conhecer a propensão do empreendedorismo presente nos alunos da UCP – PV foi o questionário, o qual se apresenta no Anexo I. O questionário é um instrumento de investigação que tem como objetivo recolher informação. Por norma, baseia-se na inquirição de um grupo representativo da população que se está a estudar. O questionário “é um dos métodos de colheita de dados que necessita das respostas escritas a um conjunto de questões por parte dos sujeitos” (Fortin, 2009). O tipo de questionário utilizado neste estudo é do tipo fechado, já que na sua construção estão inseridas questões de resposta fechada. Optou-se por este instrumento uma vez que desta forma, é possível obter respostas que se podem comparar com outros instrumentos de recolha de dados e o tratamento e análise de dados é mais fácil (Sousa & Baptista, 2011). Segundo Azevedo e Azevedo (2003) o questionário permite uma maior cobertura da população a inquirir. Neste instrumento não existe interação pessoal com o entrevistador.

Para Sousa e Baptista (2011) o questionário apresenta algumas vantagens e desvantagens. Quanto às vantagens salienta-se a celeridade e a facilidade de resposta; há uma maior uniformidade, rapidez e simplificação na análise das respostas; a categorização das respostas para subsequente análise é mais fácil; e possibilita ainda contextualizar melhor a questão. Por sua vez, nas desvantagens encontra-se a dificuldade em elaborar as possíveis respostas a uma dada questão; não promove a originalidade e a diversidade de respostas; não necessita da concentração do respondente sobre o tema em estudo; e por fim,

o respondente pode escolher uma resposta que se avizinha mais da sua opinião, mas esta, por vezes não é uma representação precisa da realidade.

O questionário utilizado foi baseado e adaptado do questionário utilizado na dissertação de Manuela Marques, de 2011, intitulada Atitudes Empreendedoras dos Estudantes de Economia e Gestão:

uma comparação entre países e na dissertação de André Rosário, de 2007, intitulada Propensão ao empreendedorismo dos alunos finalistas da Universidade do Porto. Posteriormente, foram selecionadas

nestes dois questionários as questões que iam de encontro aos objetivos pretendidos com este estudo. O questionário foi constituído em quatro grupos: o primeiro grupo pretendia conhecer os dados sociodemográficos dos alunos; o segundo grupo pretendia conhecer os dados socioprofissionais dos alunos; o terceiro grupo pretendia testar a imagem que os alunos tinham acerca do empreendedorismo; e o quarto grupo visava averiguar qual o interesse que os alunos tinham em criar uma nova empresa. Seguidamente, apresenta-se cada um destes grupos.

1.4.1. Dados sociodemográficos

A primeira parte do questionário tinha como objetivo caracterizar a amostra em estudo. Analisaram-se, por isso os dados sociodemográficos da amostra, nomeadamente o sexo, a idade, o grau de ensino frequentado, o ano frequentado e o ano de início de estudos na UCP – PV.

1.4.2. Dados socioprofissionais

A segunda parte do questionário pretendia conhecer os dados socioprofissionais da amostra em estudo. Desta forma, analisaram-se o estatuto trabalhador-estudante, a experiência profissional, o desempenho de atividades em associações/organizações da UCP, a frequência de programas de mobilidade internacional de estudantes, o exercício de atividades profissionais remuneradas e a presença de um familiar próximo empresário. Estas questões foram retiradas e posteriormente adaptadas da dissertação de Rosário (2007), intitulada Propensão ao empreendedorismo dos alunos finalistas da

Universidade do Porto.

1.4.3. Imagem do empreendedorismo

A terceira parte do questionário era constituída por uma escala de Likert que pretendia analisar os conceitos de empreendedorismo e de empreendedor. Esta escala foi retirada da dissertação de Manuela Marques, de 2011, intitulada Atitudes Empreendedoras dos Estudantes de Economia e Gestão: uma

comparação entre países e posteriormente adaptada. Pretendia-se que os respondentes indicassem o seu

grau de concordância ou discordância com as afirmações e para isso, utilizou-se uma escala de cinco pontos que avaliava cada uma das afirmações, em que o número um corresponde a “discordo totalmente”, o dois “discordo”, o três “nem concordo nem discordo”, o quatro “concordo” e o cinco “concordo totalmente”. O objetivo era conhecer a opinião dos respondentes acerca do conceito de empreendedorismo, através da análise de cinco afirmações e também visava conhecer a opinião dos respondentes acerca do conceito de empreendedor, através da análise de dez afirmações. Esta parte era de extrema importância já que permitia conhecer a opinião que os respondentes tinham acerca dos referidos conceitos.

1.4.4. Interesse na criação de uma nova empresa

A quarta parte era constituída por dez questões e pretendia analisar e quantificar os respondentes que desejavam criar uma nova empresa, tal como conhecer os seus principais receios, dificuldade e ainda os fatores que mais condicionavam o sucesso de uma nova empresa. Por fim, pretendia também averiguar se o interesse dos respondentes era condicionado pelas atividades desenvolvidas pela universidade.

Rosário (2007) para avaliar a propensão dos alunos em relação ao empreendedorismo, formulou a questão 13 “Suponha que poderia escolher entre diferentes tipos de emprego, qual preferia?”. Esta questão tinha três opções de resposta: um “Exclusivamente trabalhador por conta de outrem (TCO)”; dois “Exclusivamente trabalhador por conta própria (TCP)”; e três “Combinar TCO e TCP”. Para o citado autor a propensão ao empreendedorismo dos alunos era vista somente pela opção número dois, ou seja ser apenas TCP.

As questões 13.1., 13,2. e 19 pretendiam testar o interesse dos respondentes em criar uma nova empresa. A questão 19 ainda tinha em conta se o interesse dos respondentes era condicionado pelas atividades desenvolvidas pela universidade. O respondente avaliava cada uma das afirmações e seguidamente, numa escala de cinco pontos, segundo o modelo de Escala de Likert, assinalava a opção que mais se identificava com a sua perspetiva, tendo em consideração a seguinte chave: o número um corresponde a “discordo totalmente”, o dois “discordo”, o três “nem concordo nem discordo”, o quatro “concordo” e o cinco “concordo totalmente”. Esta escala foi retirada e posteriormente adaptada da dissertação de Marques (2011) intitulada Atitudes Empreendedoras dos Estudantes de Economia e

Gestão: uma comparação entre países.

A questão 14 foi retirada da dissertação de Rosário (2007) intitulada Propensão ao

preferência dos respondentes acerca de um negócio, através de duas possibilidades de resposta: “Iniciar um negócio” e “Investir num negócio já existente”.

Com a questão 15 e 20 Marques (2011) pretendia conhecer a intenção dos respondentes em constituir novas empresas. Na questão 15 existiam seis hipóteses de resposta: “Não e não tenho interesse em fazê-lo”; “Não, mas imagino-me a criar uma empresa”; “Não, mas tenho uma ideia que acredito que poderia ser bem-sucedida”; “Atualmente, estou a pensar nisso”; “Tenho tomado medidas para iniciar uma empresa”; e “Sim, tenho empresa/s criada/s”. Face a estas opções de resposta, Marques (2011) considerava que a propensão empreendedora dos respondentes apenas se verificava quando era escolhida a opção “Sim, tenho empresa/s criada/s” ou a opção “Tenho tomado medidas para iniciar uma empresa”. Na questão 20 era utilizada uma escala de Likert de cinco pontos, em que o número um representava “ser um empregado” e o número cinco o “ter o meu próprio negócio”. Nesta questão, o autor considerava que só quando o respondente escolhia a opção 4 ou 5 tinha predisposição a empreender no futuro.

Com o objetivo de verificar quais os fatores que causam maiores receios, dificuldades e a conhecer os fatores que interferem com o sucesso da criação de uma nova empresa efetuaram-se as questões 16, 17 e 18. Estas questões foram retiradas da dissertação de Rosário (2007) já mencionada atrás, e foram posteriormente adaptadas. As questões eram constituídas por uma escala de Likert de cinco pontos. Na questão 16 pretendia-se que os respondentes indicassem o seu grau de receio no desenvolvimento de um negócio, em que o número um representava “nenhum receio”, o dois “muito pouco receio”, o três “algum receio”, o quatro “bastante receio” e o cinco “muito receio”. Na questão 17 pretendia-se que os respondentes indicassem o seu grau de concordância ou discordância com as dificuldades inerentes ao início de um negócio, em que o número um representava o “discordo totalmente, o dois “discordo, o três “nem concordo nem discordo”, o quatro “concordo” e o cinco “concordo totalmente”. Por fim, na questão 18 pretendia-se que os respondentes indicassem o seu grau de importância em relação a alguns fatores que interferem com o sucesso de uma empresa, em que o número um representava “nada importante”, o dois “pouco importante”, o três “importante”, o quatro “muito importante” e o cinco “extremamente importante”.