6. Analyse et interprétation
6.4. Facteurs externes qui provoquent les peurs
Os formadores de professores da UFU são oriundos de três regiões próximas geograficamente (Sudeste, Centro-oeste e Sul), estando concentrados, em sua maioria, nos estados de Minas Gerais (Uberlândia e outras cidades do Triângulo Mineiro), São Paulo (Capital e cidades do interior), Goiás (Joviânia) e Paraná (Maringá). (TAB. 40).
TABELA 40 – Cidades de origem dos formadores de professores da UFU (UFU, 2010).
Cidade-Estado N° %
Uberlândia-MG 6 33,34
Cidades do Triângulo Mineiro (Araguari, Santa Vitória e Tupaciguara) 3 16,67
São Paulo-SP 2 11,11
Cidades do Interior de São Paulo (Campinas, Franca, Itápolis, Jaboticabal
e Sertãozinho) 5 27,78
Joviânia-GO 1 5,55
Maringá-PR 1 5,55
Total 18 100
Fonte: Entrevista realizada com os formadores de professores da UFU no ano de 2010.
Da mesma forma que os participantes, seus pais também, em sua maioria, são naturais de Uberlândia e/ou da região do Triângulo Mineiro (Araguari, Nova Ponte, Santa Vitória, Tupaciguara e Uberaba), e de cidades do interior de São Paulo (Campinas, Franca, Jaboticabal, Pitangueiras, Pontal, Rio Claro e Tabatinga). Somente três (um pai e um pai e uma mãe) são naturais de cidades do Paraná (Marialva, Marechal Rondon e Ribeirão do Pinhal). Um terço deles morava em fazendas da zona rural, conforme relato dos professores apresentados a seguir: “Família de origem rural, avós de origem rural, imigrantes de italianos, enfim, pessoas muito simples.” (DI02)./ “A origem dos meus pais é mais de fazenda [...]. Meu pai [...] foi criado numa fazendinha, na verdade numa família de fazendeiro.” (PE10).
O processo migratório dos familiares dos professores relaciona-se com o fluxo de imigrantes que, já há alguns anos, vem se mantendo constante em Uberlândia-MG. Segundo
pesquisa45 realizada pelo Centro de Pesquisas Econômico-Sociais (Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 2001 31,7% da população da cidade veio de outros municípios mineiros, principalmente aqueles localizados na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O percentual de imigrantes por região de origem seria assim distribuído: 44% Triângulo e Alto Paranaíba, 21% Goiás, 13% Nordeste, 9% São Paulo, 5% Norte; 3% Centro- Oeste Goiás; 2% Sul, 2% outros; e 1% Espírito Santo e Goiás.
O principal motivo apontado pelos pais dos entrevistados para a mudança para Uberlândia-MG se refere à busca por melhores condições de vida já que essa cidade lhes ofereceu mais oportunidades de trabalho que as suas de origem. Veja relato de DI03: “Mas eles vieram para a cidade [...] com a perspectiva de ter emprego, de ter melhores condições de vida” e também de MP08: “Meu pai nasceu em Rio Claro, mas depois veio para a faculdade, para dar aula aqui”. Esse dado confirma a pesquisa do Cepes (2001), citada acima, que nos revela que os principais motivos mencionados pelos imigrantes para a vinda a Uberlândia seriam: o trabalho (65, 6 %), (como o mais apontado pela maioria deles), 21,5% parentes, 7,4% educação, 3,4% outros e 3,2% saúde.
Além da origem rural, os formadores de professores apresentaram suas famílias como de pessoas simples, de baixa renda, que tinham muitas dificuldades para sobreviver, sem muitas oportunidades, que precisavam do apoio de familiares.
uma família pobre mesmo, humilde, com muitas dificuldades para sobreviver, sempre precisando de ajuda, tanto que nós na infância viemos morar com os avôs; na casa deles a gente tinha uma casa no fundo, sempre moramos com eles. Então, é uma história como a maioria dos brasileiros mesmo, de quem não teve muitas oportunidades. (DI03).
Os progenitores 46 dos professores possuem idades entre 55 e 81 anos, sendo a média de 74 anos para os pais e de 66 anos para as mães. Em relação à escolaridade, somente três possuem Ensino Superior nos cursos de Matemática, Odontologia e Direito. Destes, os dois primeiros atuam/atuaram dentro do contexto educacional, já que um é professor de Matemática no nível acadêmico há 30 anos e o outro, de acordo com a filha:
tem formação superior, ele já é aposentado, dentista aposentado [...]. Naquela época, ele trabalhava em grupo escolar, que se dizia, hoje não, é escola de Educação Básica. Mas naquela época existia esse cargo do dentista de grupo escolar, e ele cansou de me levar para tratar dos meus dentes nas escolas lá. (PI16).
45 Fonte: Pesquisa Condições Sócio-econômicas das Famílias de Uberlândia. (CEPES/IEUFU, 2001).
46 Dois pais e uma mãe de três professores já são falecidos. Dessa forma, algumas informações sobre esses parentes não foram apresentadas neste texto.
O terceiro pai, formado em Direito, nunca exerceu a profissão e fez a opção de prestar concurso público e atuar como bancário de acordo com a seguinte justificativa:
como ele perdeu o pai muito cedo, ele acabou sendo responsável pela família, porque era o filho mais velho. Ele achava que precisava ter um emprego, onde tivesse estabilidade, onde desse conta de ajudar, porque ele já trabalhava nessa época, mas estudar é uma forma também de se manter, coisa que hoje não é mais, né? (PE12).
O ingresso das mulheres no Ensino Superior ocorreu tardiamente em nosso país, pois somente a partir do século XIX que muitas elas romperam barreiras e conseguiram ter acesso a esse espaço tradicionalmente masculino. (QUEIROZ, 2011). Em nosso estudo, duas mães dos participantes concluíram os cursos de Direito e Pedagogia, possuindo histórias diferentes em relação à escolha acadêmica e profissional: a primeira nunca exerceu a profissão e a explicação para isso está muito presente na cultura da sociedade de seu tempo, já que isso está relacionado ao fato de que a escolarização era um “passatempo” para mulheres com boas condições socioeconômicas enquanto aguardavam o casamento. Veja o depoimento de PE12:
A história dela é bem comprida. Meu tio a levou para fazer vestibular, ela nem sabia que ia fazer vestibular. Mas ela tinha curso Normal. Ela conta que foi fazer faculdade para arrumar marido. É mas eles brincam assim, mas na verdade ela passou no vestibular em nono lugar. Uma pessoa que ia para arrumar marido, numa colocação tão boa!
Após o término do curso de graduação, a mãe dessa entrevistada optou por atuar na empresa da família no ramo de vestuário, tendo como principal função fazer viagens para realizar compras do que seria posteriormente vendido em sua loja. Poderia ser considerada uma pessoa à frente de seu tempo, já que naquele momento, décadas de 1950 e 1960, as mulheres ainda possuíam o papel de ser apenas esposa, mãe e dona do lar, fato este que somente começou a se modificar a partir da década de 1970.
A segunda mãe cursou Pedagogia, o que nos remete à condição da mulher de frequentar cursos considerados assistenciais (aqueles ligados, por exemplo, à educação e à saúde), mais aceitos e incentivados por seus familiares e pela sociedade de maneira geral. Nesse caso, ela sempre trabalhou na área da educação como docente e em funções administrativas na escola até a sua aposentadoria e, ainda hoje, colabora com o marido na empresa que possuem na cidade em que residem.
Minha mãe é professora. Fez o magistério, sempre foi professora primária, mas também hoje é aposentada. Mas ela trabalhou durante 16 ou 17 anos como diretora de escola. Ela está aposentada há 4 anos. Atualmente, ela se dedica à nossa casa e à firma do meu pai. Ela trabalha junto com meu pai,
com toda parte administrativa. Minha mãe tem o superior completo, ela também é pedagoga, fez Pedagogia. (DI01).
Um fator que nos chamou atenção é que somente um formador de professores possui ambos os pais com Ensino Superior (fizeram o curso de Direito), mas que, em contrapartida, nunca atuaram diretamente na sua área acadêmica de formação (o pai foi bancário e a mãe empresária).
É pequeno o número de pais que possuem o Ensino Médio completo (um pai e uma mãe) ou incompleto (duas mães). Um pai fez o Curso Técnico em Eletrotécnico já em idade adulta com o intuito de garantir sua permanência no mercado de trabalho, pois já atuava nessa área. É o que nos conta PI18:
Meu pai é eletricista, ele trabalhava na Companhia de Eletricidade de lá. A formação dele, ele é Técnico em Eletrotécnico, algo assim. É um curso também que ele terminou, que ele fez já bastante adulto, quando eu era já adulta. Então quando eu nasci meu pai era semi-analfabeto. [Ele fez o curso] por causa do trabalho, porque ele fez concurso na COPEL, que é a Companhia de Energia Elétrica lá do Paraná e começou trabalhando, aí ele viu nisso a chance dele melhorar. Foi estudando para isso, terminou o 1º grau, o 2º e terminou, ficou decidindo se ia fazer faculdade ou não, resolveu fazer um curso que tinha a ver com o trabalho dele.
Esse caso nos remete a uma dúvida que podemos observar, ainda hoje, nos indivíduos adultos que desejam voltar a estudar: se fazem um curso técnico que lhes garanta a vaga que já possuem no mercado de trabalho, que pode ser feito em menos tempo e, muitas vezes, com menos custo; ou fazem um curso superior que demoraria o dobro do tempo e sem a garantia de que conseguirá se sobressair no mercado em função de sua idade e por estar concorrendo com pessoas mais jovens, apesar de possuírem mais experiência.
Ferrari (2000, p. 46) comenta sobre o que acredita ser o motivo do retorno desses profissionais aos bancos escolares. Para ela,
A necessidade da educação escolar se torna mais exigente no momento atual, onde a busca da qualidade no campo da produtividade e competitividade, leva novamente à escola milhares de operários que um dia, por necessidade de sobrevivência, a abandonaram.
No entanto, esse não é o caso do nosso público, pois o que observamos é que a maioria dos progenitores dos formadores de professores estudou somente até as antigas 5ª ou 6ª séries do Ensino Fundamental e possui somente noções básicas de leitura e escrita. Ou seja, os participantes são provenientes de um universo familiar com pequeno grau de escolarização. Alguns depoimentos comprovam isso:
Meus pais tinham uma formação do primário, o antigo primário! Então, eram alfabetizados num nível de quarta série primária. E como dizem os antigos, eles tinham lá o domínio desse conteúdo das primeiras séries. (PG15). Eles não conseguiram nem terminar a primeira à quarta [série]. Eles sabem ler e escrever, mas infelizmente naquela época que eles viveram, o acesso à Educação não era lá muita... (PI17).
Ainda em relação à escolarização, é importante informar que alguns pais não frequentaram a escola. Um professor relata que seus pais somente passaram por esse ambiente em diferentes períodos da infância, influenciados principalmente pelos trabalhos que exerciam na fazenda, que eram o principal meio de subsistência deles na época.
Em termos de escolarização eles não têm praticamente nenhuma. [...] O meu pai sempre fala que nunca “tomou uma bomba”, porque ele nunca fez uma prova. [...] No caso do meu pai, eu acho que ele teve professor, daquela época de professores que iam nas casas. [...] Minha mãe chegou a freqüentar a escola, não sei te dizer que tipo de escola que era, mas de forma muito intermitente. Não tinha uma regularidade na freqüência, isso era também muito modulado pelas próprias lidas que eles tinham que fazer, se tinham que colher café eles não iam para a escola, essas coisas que a gente ouve até hoje. Então, era isso. Não têm nenhuma formação escolar regular e sim passagens pelo mundo escolar. (PG14).
Sobre os sentimentos vivenciados por eles frente a essa impossibilidade de estar, como as outras crianças, em um ambiente escolar apesar de terem o desejo de fazê-lo, o docente esclarece que os pais parecem possuir uma boa aceitação do fato. Segundo PG14: “Não sinto que eles falem com pesar, com mágoa, com rancor assim não. Mas é alguma coisa que passou, era aquilo, o contexto que eles viviam era aquele”.
Por outro lado, tiveram pais que apesar da oportunidade de frequentar o espaço escolar, não o fizeram por motivos como “não ter muita paciência” e/ou mesmo por “não gostar de escola”, como demonstra o depoimento a seguir.
Eles estudaram muito pouco, meu pai conta sempre que ele nunca conseguiu freqüentar escola, apesar de o pai dele insistir muito. Mas ele não teve muita paciência, então ele fez até a quarta série primária. Meu pai [...] não tinha muita formação, mas era muito inteligente, gostava de ler jornal. Ele não gostava de escola. [...] ele é uma pessoa dinâmica, conhecia muitas coisas, ele lia jornal, ele discutia política, mas ele não gostava de escola e estudou até a 5º série. (ES06).
Chamou-nos a atenção o depoimento de dois docentes que descreveram as conquistas de seus pais que, mesmo sem terem a oportunidade de estudar, montaram seus próprios negócios e tiveram prosperidade, dessa forma são considerados pelos filhos como vencedores.
Meu pai tem 4ª série do grupo, é um vencedor! É uma pessoa que deu certo! Então, ele só tem até a 4ª série, depois ele fez alguns cursos técnicos porque a gente é de uma região do interior de São Paulo que o forte é a cana de açúcar. [...] Ele fez alguns cursos técnicos, domina a área dele, mas não tem essa formação escolar, vamos dizer assim, formal não. (DI01).
Meu pai é autodidata, nunca estudou e eu acho que ele é meu, como se diz, meu idealizador de todo esse processo da educação. [...] Eu admiro muito uma pessoa que não tinha estudo, como é que dava conta de ter Casa de Carne, depois ele chegou até a ter cinco [...] Tinha umas contas de nove, fora que até hoje eu não sei e que ele dá de dez a zero em nós! Então ele escreve as coisas, mensagens, eu acho que é um verdadeiro poeta se deixar, viu! Se tivesse estudo eu não sei para onde ele iria não! (PE11).
Mesmo com esses exemplos citados acima, de pais que conseguiram “se sair bem na vida” apesar da pouca escolarização, consideramos este um dado que merece atenção. Uma pesquisa realizada pela Unesco em 2004 com professores da Educação Básica apontou que vem crescendo o número de docentes que são oriundos das classes menos favorecidas da população e que possuem pais com pouca escolaridade. Farias et. al (2009, p. 64) consideram essa situação “problemática, pois os professores são os responsáveis pela formação cultural das novas gerações, entretanto, é crescente o reconhecimento do restrito universo cultural desses profissionais e de suas famílias.” Nessa mesma perspectiva, Nogueira (1991, p. 106) afirma que “quanto maior o capital cultural dos pais, maior será sua propensão a investir na escolaridade dos filhos, e nas práticas culturais de um modo em geral.”
Outro aspecto é que os formadores de professores dessa pesquisa corroboram com um dado encontrado em um estudo apresentado por Chequer (2011), que identificou que houve nos últimos anos um aumento no número de jovens de famílias da chamada classe C no Brasil (68%) que apresentam um nível escolar mais alto do que o de seus familiares.
Há uma diferença significativa entre as profissões desempenhadas pelos pais e pelas mães dos professores entrevistados. Os primeiros atuaram ou ainda atuam em funções relacionadas aos seguintes setores: pequena empresa: comerciante e empresário; educação: professor universitário; financeiro: bancário; construção civil: pedreiro, chefe de expedição e carpinteiro; transporte: caminhoneiro e ferroviário; rural: produtor rural e catireiro de gado;
serviços: eletricista e alfaiate; saúde: dentista e artístico: músico. Percebemos que, em sua
maioria, são profissões que exigem baixo nível de escolaridade, sendo consideradas de menor prestígio e que são aprendidas, muitas vezes, no exercício do próprio ofício.
Entretanto, metade das mães não possuía uma profissão, sendo consideradas pelos docentes como “do lar”. A elas cabia o papel de cuidar dos filhos e da casa enquanto o progenitor trabalhava fora.
minha mãe, dona de casa, nunca trabalhou fora porque nós somos cinco irmãos, então a mãe ficou por conta de cuidar dessas crianças. (MP07). E a minha mãe sempre ficou em casa cuidando da gente, cuidando de mais seis filhos. Ela sempre foi aquela pessoa que ficou em casa tomando conta enquanto o marido viajava. (DI03).
Esse cenário se modificou na atualidade visto que muitas mulheres saíram da esfera doméstica e ocuparam diferentes funções na sociedade moderna. Mas, ainda assim, elas não são tratadas em condições de igualdade em relação aos homens, pois normalmente ocupam cargos de menor poder e prestígio, além disso, ainda são vistas como principais responsáveis pelos cuidados com a casa e com a família.
Três mães atuaram como professoras e possuem histórias diferentes em seu percurso profissional: uma trabalhou como docente e diretora de escola até se aposentar (já foi citada acima no texto), outra, apesar de estar aposentada atualmente, já havia parado de lecionar para cuidar dos filhos: “minha mãe deu aulas para crianças muitos anos, depois teve filhos, e por forças maiores, parou de lecionar, é aposentada atualmente. Depois que meu irmão nasceu, acho que pouco tempo, ela parou. Ficou mais complicado e ela parou.” (MP08).
Chamou a atenção uma mãe que atuou como professora mesmo sem formação específica para o desempenho dessa função. A história dela foi contada por sua filha:
As mulheres, no caso minha mãe, minhas tias, elas moravam em fazendas de proprietário dessas terras para alfabetizar os filhos desses fazendeiros. E, nesse caso, era quase que uma troca de funções, porque ao mesmo tempo que ela morava na casa em troca de sobrevivência, de sustento, ela fazia serviços domésticos, era babá de criança e, ao mesmo tempo, alfabetizava essas crianças. Então, acho uma história muito bonita. [...] ela foi professora mesmo que ela não tivesse formação de professor. (PG15).
Esse dado nos remete a uma situação que ocorre em várias regiões do Brasil: a atuação no magistério de professoras leigas que, muitas vezes, alfabetizavam os filhos dos patrões e dos camponeses sem terem passado por um processo de formação para tal e lecionavam para crianças de diferentes idades ao mesmo tempo (classes multiseriadas), além de não serem tratadas com os mesmos direitos e deveres que os demais trabalhadores. Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, havia a intenção do MEC de incentivar a formação inicial e continuada dessas pessoas, extinguindo assim essa categoria de trabalho docente, a qual, na realidade, era negada a sua identidade profissional.
A partir dos depoimentos dos participantes, verificamos que eles não pertencem a famílias numerosas já que possuem, em média, 2 irmãos. Percebemos, ainda, que metade
deles (9) são os primogênitos, cinco são caçulas e dos três docentes restantes, um é o 2°, o outro é o 3° e o último é o 4° filho. Somente um dos entrevistados é filho único.
Os participantes que são os caçulas de suas respectivas famílias apontam para uma diferença significativa de idades entre eles e os demais irmãos.
Eu sou a caçula da família, quando eu nasci só tinha dois irmãos em casa, os outros todos já trabalhavam e dois deles se casaram quando eu era bem pequena. Eu convivi mais com a irmã próxima da minha idade, mas eu brincava era com os primos e não com os irmãos. (MP07).
Duas irmãs que são mais velhas do que eu. Eu sou o caçula. A nossa diferença de idade é bastante significativa. Quando eu nasci a minha irmã mais velha tinha quinze anos e a outra tinha sete, então era uma diferença bem grande. A minha irmã mais velha chegou a ser minha professora nos meus primeiros anos de escolarização. (PG14).
Alguns episódios relacionados aos seus irmãos foram lembrados pelos docentes como marcas em suas trajetórias pessoais. Dois deles tiveram irmãos falecidos na infância: um com 5 anos de idade, devido a uma meningite47 e outro com 10 anos de idade, por causa de leucemia.
Eu perdi uma irmã ela tinha 5 anos de idade. Ela teve um problema sério, ela veio a falecer e só veio descobrir a doença depois, mas acho que ela teve meningite. Ela morreu com 5 anos, se não me engano. (DI03).
Eu tava com doze e ele tinha dez. Ele teve leucemia. [...] era o segundo, era depois de mim, antes da minha irmã. [...] Ele era uma criança muito inteligente, tanto é que, no último ano, ele estava na quarta série, ele perdeu muitas aulas por causa do tratamento, e ainda assim foi aprovado, porque tinha chances, a segunda chamada de prova. Ele era, apesar de eu ser a mais velha, ele era o mais inteligente! [...] agora estou recordando do piano, ele fazia coisas mais difíceis que eu... Mas isso nunca me incomodou não. (PI16).
Um incidente ocorrido com MP07 ao brincar com sua irmã no quintal de casa resultou em um ferimento devido a uma arma de fogo que um vizinho da família, que também era criança, estava segurando naquele momento.
... eu tinha 5 anos, brincava no quintal e o vizinho, um menino também de 9 anos pegou a arma do pai dele para brincar de matar passarinho e aí brincando minha irmã começou a tirar sarro dele, que aquilo lá não matava nada, que era de mentira, que a gente não entendia que a arma era de