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Facteurs de risques liés aux marchés financiers

5. Facteurs de risque

5.2. Facteurs de risques liés aux marchés financiers

Segundo Amaral [Amaral 1994], o desenvolvimento do sistema de informação de uma organização deve resultar de uma reflexão sobre o papel que ele deve desempenhar na

organização, bem como sobre o processo e os recursos envolvidos na sua construção. Para o planeamento de um sistema de informação (SI), o autor apresenta três aspectos nucleares: ƒ Utilização - Aspectos funcionais do SI. Papel do SI na concepção e

suporte da actividade da organização.

ƒ Recursos - Aspectos tecnológicos, fundamentalmente relacionados com Tecnologias de Informação (TI) e operacionais do SI. Papel das TI na concepção e suporte do SI.

ƒ Arquitectura - Aspectos estruturais, tecnológicos e funcionais do SI. O SI tem um papel fundamental no suporte à organização ao passo que as TI complementam o sistema colocando a tecnologia ao serviço da organização. Segundo Pires, o SI enfatiza a noção de processo ao passo que as TI referem a vertente tecnológica [Pires 2001].

A arquitectura de uma Intranet é uma peça nuclear que condiciona também a utilização e os recursos do sistema de informação. Existem diversas definições para arquitectura de software. Booch [Booch, et al. 1999] define arquitectura como um conjunto de decisões significativas acerca da organização de sistemas de software. Para Bass [Bass e Kazman 1997]., uma arquitectura de software é uma organização das estruturas do sistema, a qual é constituída por componentes de software, indicando as propriedades desses elementos e a relação entre eles.

Deste modo, uma arquitectura de uma Intranet indica a regras e os procedimentos para o seu desenho e implementação, incluindo um conjunto de requisitos de desenvolvimento. A arquitectura deve ser composta por vários pontos de vista tais como: análise de requisitos, desenho, implementação e testes.

Os principais requisitos de uma Intranet, que incluem a usabilidade, o desempenho, a fiabilidade, a segurança, o hardware e a implementação, foram abordados no inicio do capítulo. Estes requisitos devem ser definidos no processo inicial de especificação da arquitectura, devido a estes condicionarem o seu desenho.

Conallen [Conallen 2002] refere que o desenho de uma arquitectura descreve o sistema e os diversos processos, assim como as diversas componentes internas e externas que a compõe. Para desenhar a arquitectura é necessário identificar as diversas actividades que constituem o processo de desenho, das quais o autor destaca:

ƒ definir e documentar a arquitectura candidata, e implementar e avaliar protótipos que validem a arquitectura;

ƒ definir uma estratégia de reutilização.

Os diagramas de casos de uso da linguagem UML permitem identificar as actividades, representando o comportamento dinâmico da Intranet. Através dos casos de uso é possível identificar os requisitos da Intranet e avaliar heuristicamente algumas das soluções que se pretendem implementar.

Após a identificação das funcionalidades da Intranet, o passo seguinte consiste em validar na prática algumas das funcionalidades desenhadas nos diagramas de casos de usos, para verificar se são exequíveis. A melhor forma de validar essas funcionalidades é através do desenvolvimento de protótipos que implementam determinada componente da Intranet. Através da avaliação do protótipo, com utilizadores reais, é possível verificar se determinada funcionalidade é viável de ser implementada.

Finalmente deve ser definida uma estratégia de reutilização do código, de forma a reduzir o tempo de desenvolvimento e tornar mais efectiva a manutenção e a evolução futura da Intranet.

A escolha do tipo de arquitectura é uma missão muito importante, porque no caso de esta não ser robusta e consensual, é um grande motivo para que o projecto falhe. Segundo Booch [Booch 2001], uma arquitectura é um conjunto de decisões acerca da organização do sistema de software, que inclui a selecção dos elementos estruturais que compõe o sistema e das respectivas interfaces, o comportamento e a colaboração entre esses elementos e a definição de uma arquitectura que sirva a organização.

As primeiras Intranets assentavam numa arquitectura típica cliente/servidor, também designada de duas camadas. Neste tipo de arquitectura, a interface com o sistema está localizada no computador do utilizador e os dados encontram-se armazenados no servidor.

Tendo em consideração a diversidade de aplicações de uma organização, uma arquitectura de duas camadas apresenta a grande desvantagem de não facilitar a interoperabilidade entre as diversas aplicações. Para resolver este problema surgiu a arquitectura de três camadas em que existe uma separação entre o processamento e os dados (Figura 4.11).

Figura 4.11 - Arquitectura de três camadas

Numa arquitectura de três camadas, o desempenho do sistema aumenta devido a uma separação entre o processamento de páginas Web e a gestão dos dados, o que permite ao servidor Web atender mais pedidos em simultâneo.

Apesar da arquitectura de três camadas permitir um acesso aos dados independente do fornecedor das aplicações, a interoperabilidade entre as diversas aplicações não é normalmente considerada pelos diversos fornecedores.

A mudança do paradigma baseado nas aplicações, em que existe uma vinculação da camada de apresentação com a camada de negócio, para um paradigma baseado em serviços, veio ultrapassar muitos dos problemas de integração das aplicações.

As arquitecturas orientadas a serviços (SOA) são actualmente reconhecidas pela sua importância em projectos de tecnologias de informação. O paradigma do desenvolvimento orientado a serviços aumenta a reutilização, diminui custos e permite uma resposta mais rápida às necessidades de evolução constante das tecnologias e dos sistemas de informação de uma organização.

As principais vantagens que as arquitecturas SOA apresentam são [Newcomer e Lomow 2004]:

ƒ rapidez na integração de aplicações; ƒ processos de negócio automatizados;

ƒ múltiplos canais de acesso a aplicações, incluindo fixos e móveis. Uma arquitectura orientada a serviços é baseada normalmente na tecnologia de Web Services, podendo no entanto usar outras tecnologias como por exemplo o CORBA (Common Object Request Broker Architecture). Os Web Services são componentes que

permitem enviar e receber dados no formato XML. Os dados transferidos no formato XML, são encapsulados pelo protocolo SOAP (Simple Object Access Protocol) que funciona sobre o protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol).

Para a descrição dos serviços Web é usada a linguagem WSDL (Web Service

Definition Language), também baseada em XML, que permite a descrição das operações,

mensagens e parâmetros.

Os Web Services, tal como os sítios Web, necessitam de ser localizados para poderem ser utilizados. Para a localização de Web Services existe o protocolo UDDI (Universal Description, Discovery and Integration) que permite a organização e o seu registo, possibilitando aos consumidores de Web Services encontrar os respectivos fornecedores.

No contexto de uma arquitectura SOA, um serviço consiste num contrato que contém os termos em que é prestado, constituído por uma ou mais interfaces e na sua implementação. Uma arquitectura SOA é constituída pela interface da aplicação (front-

end), o serviço, o repositório de serviços e o canal de comunicação.

Os princípios orientadores de uma arquitectura SOA são [Balzer 2004]:

ƒ reutilização, granularidade, modularidade, facilidade de agregação e de organização em componentes;

ƒ em conformidade com as normas;

ƒ identificação e categorização de serviços, disponibilização, monitorização e localização.

A partir destes princípios Balzer [Balzer 2004] considera que o encapsulamento, a separação da lógica de negócio da tecnologia que está subjacente, a implementação única e acesso universal potencia os recursos existentes numa organização criando novas oportunidades de negócio.

Segundo Krafzig [Krafzig, et al. 2005], as principais componentes de uma arquitectura SOA (Figura 4.12) são a interface das aplicações, o repositório de serviços, o conector de serviços, o contrato para fornecer o serviço, a interface do serviço, a camada de negócio e os dados.

Figura 4.12 - Elementos de uma arquitectura SOA [Krafzig, et al. 2005]

As arquitecturas orientadas a serviços apresentam, assim, diversas vantagens para o desenvolvimento de Intranets, possibilitando a autonomia, distribuição de serviços, partilha de recursos e independência tecnológica. Estes princípios são também alguns dos objectivos da Intranets que incluem o acesso à informação, a descentralização e a comunicação.