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No que concerne à adequação do modelo explicativo proposto para a área da saúde (figura 4), os resultados obtidos revelaram que este apresenta um nível de adequação fraco, especialmente em alguns dos índices (cf. quadro 30 – etapa 1).

Figura 4. Modelo inicialmente proposto para as variáveis relacionadas com a área da saúde

113 No entanto, a análise do LM test mostrou que a introdução de ligações entre variáveis, maioritariamente entre algumas das variáveis dependentes, conduziriam a diminuições significativas no valor do qui-quadrado. Dado que estas ligações surgem frequentemente referidas na literatura, optou-se por introduzi-las e reestimar o modelo (quadro 30 – etapas 2 a 9). Após a introdução destes parâmetros, os resultados obtidos indicam que os níveis de adequação do modelo surgem mais ajustados. Por último, analisaram-se os resultados obtidos no Wald test, que mostraram a existência de onze ligações não significativas que foram retiradas do modelo gráfico final.

Quadro 30: Índices de ajustamento do modelo explicativo proposto para a área da saúde

X² (g.l.)¹ CFI² NNFI² RMSEA (90% I.C.)² SRMR

Etapa 1 603.281***(63) .582 .204 .186 (.173-.200) .157 Etapa 2 479.676***(62) .677 .375 .165 (.151-.179) .144 Etapa 3 356.044***(61) .772 .551 .140 (.126-.154) .126 Etapa 4 244.444***(60) .857 .715 .112 (.097-.126) .098 Etapa 5 181.030***(59) .906 .808 .092 (.076-.107) .081 Etapa 6 143.034***(58) .934 .864 .077 (.061-.093) .075 Etapa 7 120.592***(57) .951 .896 .067 (.050-.084) .071 Etapa 8 99.976***(56) .966 .927 .056 (.038-.074) .056 Etapa 9 87.426**(53) .973 .940 .051 (.031-.070) .049

1 – Satorra-Bentler Chi-Square; 2 – Robust; * p<.05; ** p<.01; *** p<.001.

Etapa 1 – Modelo proposto; Etapa 2 – Introdução de parâmetros: ligação depressão-ira; Etapa 3 – Introdução de

parâmetros: ligação ira-comportamento disruptivo; Etapa 4 – Introdução de parâmetros: ligação ansiedade-

depressão; Etapa 5 – Introdução de parâmetros: ligação depressão-bem-estar global; Etapa 6 – Introdução de

parâmetros: ligação bem-estar global-auto-conceito; Etapa 7 – Introdução de parâmetros: ligação recursos externos

na família-satisfação com a vida; Etapa 8 – Introdução de parâmetros: ligação satisfação com a vida-depressão;

Etapa 9 – Introdução de parâmetros: ligações acontecimentos de vida negativos-ansiedade, acontecimentos de vida

negativos-ira e acontecimentos de vida negativos-bem-estar global/Modelo final

A análise do quadro 30 mostra, mais uma vez, que os procedimentos realizados nas diversas etapas conduziram a melhores índices de ajustamento do modelo. Concretamente, verificou-se que na última etapa (modelo final), os índices de ajustamento são aceitáveis: o NNFI e o CFI são superiores a .90; a

114 RMSEA e a SRMR são menores que .08 e; o rácio 2/gl é inferior a 2.0. Estes valores indicam que o modelo apresenta uma adequação aceitável.

A solução estandardizada obtida (ver coeficientes beta apresentados na figura 5) permite verificar que a variável com maior impacto ao nível dos recursos internos é a variável recursos no contexto de pares ( =.32) seguindo- se a família ( =.25). Estes factores surgem com coeficientes beta positivos, o que indica que quanto mais fortes são os recursos nestes contextos de vida significativos, mais fortes são os recursos internos. Em relação ao impacto dos recursos internos, bem como do género e da idade, nas variáveis relativas à saúde, verificou-se que os recursos internos têm um impacto significativo ao nível do bem-estar global ( =.43) e do auto-conceito ( =.24). É possível verificar que os recursos externos na família constituem o factor com maior impacto ao nível da satisfação com a vida ( =.41). Em relação ao bem-estar global, observa-se que a depressão tem um impacto negativo a este nível de =-.43, o que permite afirmar que quanto mais fracos forem os sintomas de depressão, mais elevados serão os índices de bem-estar. O coeficiente beta positivo de .43 associado à ligação entre o bem-estar global e o auto-conceito indica que quanto mais elevado for o bem-estar, mais altos serão os valores ao nível do auto-conceito. No que concerne à depressão, verifica-se o impacto significativo da ansiedade ( =.65) e da satisfação com a vida ( =-.24). Os resultados indicam ainda um impacto significativo da depressão na ira ( =.80) e da ira ao nível do comportamento disruptivo ( =.71).

115 Figura 5. Modelo final proposto para as variáveis relacionadas com a área da saúde

Nota. As ligações apresentadas a tracejado representam relações não significativas (eliminadas no modelo final).

As relações que se acabaram de mencionar constituem as relações com maior impacto. No entanto, foram observadas outras relações significativas, apesar de apresentarem um menor impacto nos factores em estudo. É, por exemplo, o caso do impacto dos acontecimentos de vida positivos ( =-.11), da escola ( =.18) e da comunidade ( =.18) ao nível dos recursos internos. No que se refere às variáveis relativas à saúde, salienta-se o impacto dos acontecimentos de vida negativos no bem-estar global ( =-.15), na ansiedade ( =.14) e na ira ( =-.09). O coeficiente beta negativo associado à ligação entre os recursos internos e a depressão ( =-.11) e comportamento disruptivo

116 ( =-.12) permite afirmar que quanto mais elevados forem estes recursos, menores serão os índices ao nível da depressão e comportamento disruptivo. Por último, no caso do género e da idade, salienta-se o impacto positivo da idade ao nível do bem-estar global ( =.15) e do auto-conceito ( =.13), assim como o impacto negativo do género ao nível do bem-estar global ( =-.11), da satisfação com a vida ( =-.14), do auto-conceito ( =-.11) e do comportamento disruptivo ( =-.14).

O quadro 31 apresenta a variância explicada e o valor dos residuais (disturbance). Em relação à variância explicada, verifica-se que os acontecimentos de vida negativos, os recursos internos, a idade, o género e a depressão explicam cerca de 51% da variância ao nível do bem-estar global. No que diz respeito à satisfação com a vida, as variáveis com um impacto significativo a este nível (género e família) explicam cerca de 20% da variância. Relativamente ao auto-conceito, o nível de variância explicada pelos recursos internos, pela idade, pelo género e pelo bem-estar global é de cerca de 36%. Os acontecimentos de vida negativos explicam cerca de 3% da variância ao nível da ansiedade. Pode igualmente verificar-se que os recursos internos, a satisfação com a vida e a ansiedade explicam aproximadamente 54% da variância na depressão. No que diz respeito à ira, os acontecimentos de vida negativos e a depressão explicam cerca de 65% da variância. O valor da variância explicada ao nível do comportamento disruptivo, e através dos recursos internos, do género e da ira, é de aproximadamente 58%. Por último, verifica-se que a família, a escola, a comunidade e os pares, assim como os

117 acontecimentos de vida positivos, explicam cerca de 56% da variância ao nível dos recursos internos.

Quadro 31: Variância explicada e disturbance dos factores dependentes (Modelo proposto para a área da saúde)

FACTOR Disturbance

Recursos Internos .559 .664

Bem-Estar Global .509 .701

Satisfação com a Vida .201 .894

Auto-Conceito .359 .801

Ansiedade .033 .983

Depressão .542 .677

Ira .647 .594

Comportamento Disruptivo .575 .652

R², Variância explicada; Disturbance, Erro residual

Em relação às correlações entre os factores independentes (cf. quadro 32), é possível verificar a existência de diversas correlações significativas (positivas e negativas) entre os diferentes factores. De uma forma geral, pode afirmar-se que quanto mais elevados são os recursos num contexto de vida significativo, mais elevados são também nos restantes contextos.

Quadro 32: Correlações entre os factores independentes (Modelo proposto para a área da saúde)

Família Escola Comunidade Pares AVN AVP Género Idade

Família Escola .552* Comunidade .636* .488* Pares .518* .374* .423* AVN -.087 .080 -.060* .031 AVP -.003 .084 .059 .054 .336 Género .070 -.074* .028 .295* .170* .115 Idade -.087* -.076 -.038 .071 -.035 .048 .176* *p<.05

118 Estes resultados sugerem que este modelo é adequado para explicar os processos em análise, sustentando a hipótese de que a influência dos recursos ambientais nos resultados que dizem respeito à saúde é mediada por recursos internos.

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