Six SDG Transformations for the EU
Part 3. Six SDG Transformations for the EU
3.2 External action and development cooperation for the SDGs
Pelotas (RS): EDUCAT, 1995. – (Temática Universitária 4) (p. 23):
“Essa concepção dual não implica uma separação desses dois mundos, uma vez que para se atingir o mundo inteligível (ou das idéias) é preciso passar pelo mundo sensível (ou das Sombras). O mundo das Idéias seria o mundo do verdadeiro conhecimento (epistême), da essência, do Ser; ao passo que o mundo das Sombras constaria de uma mera cópia do mundo ideal, uma sombra, um reflexo, algo que se dá apenas como aparência, opinião: é o mundo da ilusão."
"A teoria platônica fundamenta-se, pois, na apresentação de uma dialética que faça a passagem do mundo da mera opinião, mundo sensível em que vivemos, para o mundo do saber essencial, o mundo inteligível. Encontra-se aqui uma das tarefas da concepção de Belo, ou seja, uma participação nesta dialética.”
mundo da luz. A beleza expressa o que é percebido sensivelmente enquanto fruto do inteligível e a arte é pura recriação do que é visível (ela é reprodução).
O belo não é um valor de uso, mas uma procura pela perfeição harmônica do plano ideal.21 Ele representa a elevação moral do homem registrada nas obras de arte que demonstram o fato do artista, ou do sábio, ter atingido via razão22, um nível de elevação espiritual que se encontra no que foi produzido, enquanto símbolo da perfeição. Concluímos que a idéia antecede a obra que é pura representação da idéia (que é obra de arte enquanto perfeição acabada e divina que inspira o artista). Assim não existe uma subjetividade humana documentada na arte, mas uma inspiração divina que entusiasma o artista (há uma determinação para que o mundo das idéias venha ao dos mortais sensíveis).
O belo é o veículo de registro do mundo lapidado. Em grego a palavra entusiasmo significa loucura, mania e delírio. Assim, o homem na imaginação, como delírio, cria a arte que existe no patamar do visualizável, e vinda por meio do elemento Eros, e finalizamos dizendo que o belo não pode ser atrelado só ao mundo da arte, já que, nos "delírio" e no "imaginário" implícitos
21 Neste sentido há um estudo com a abordagem de Marx, pois ele entende que são
as propriedades físicas e químicas do bem material que, via a contradição capital/trabalho, lhe tornam prestável socialmente e lhe conferem um valor de uso geograficamente determinado. Abre uma vertical pesquisa com Arendt. ARENDT, Hannah. A Condição Humana. São Paulo: Ed. Universidade de São
Paulo, 1981. ( p.177):
" Pois é somente no mercado de trocas, onde todas as coisas podem ser trocadas por outras , que todas elas se tornam valores , quer sejam produtos do labor ou do trabalho , quer sejam objetos de uso ou de consumo, necessários à vida do corpo, ao conforto da existência ou à vida mental . Este valor consiste unicamente na estima da esfera pública na qual as coisas surgem como mercadorias; e o que confere esse valor a um objeto não é o labor nem o trabalho,..."
22 PENHA, João da. Períodos filosóficos. São Paulo: Ática, 1989. (p. 37):
"...Existirá mesmo esse modelo absoluto/Sim, responde Platão. É a ìdéia .Como , então, apreendê-la/ Só através da razão, diz ele."
nas relações sociais comunitárias de parentesco, afetividade, ... dos moradores do lugar culturalmente criam o labirinto de caminhos só por eles percoridos e explicitamente documentam nas opções de cores, desenhos, estruturas, ... o plano ideal que só é, e existe, enquanto lugar. Entendendo-se que este conceito social não pode ser reduzido a interpretação da repetição diária dos mesmos hábitos do ser social, inclusive dos artesãos que estão de forma constante e secular confeccionando redes, elaborando a mesma estrutura para as embarcações, priorizando as já determinadas cores, opinando pelo mesmo desenho interno da casa, pescando,...23
No momento atual a humanidade pensa que a arte é fruto da subjetividade do ser objetivado na arte, isto é, a criação não se encontra acabada na natureza pronta para ser trabalhada pelo pescador e adquirir forma e estrutura via mãos do trabalhador artesanal ou do artista propriamente dito.24
Na Marambaia, o belo manifestado no nascer do sol, no seu declínio, na lua cheia, na criança sorridente e saudável ("cuidado com o mau olhado"), nas rosas primaveris, no peixe pesado e grande ("graças a Deus") e, até, depois da casa limpa e arrumada e do barco saindo terminado do estaleiro é fruto das mãos do mundo dos espíritos (do perfeito ideal perfeito). Deus é o grande artista. Tudo que é belo, muitas vezes colocado como sendo o bom, o motivo de alegria, o bonito e a razão da felicidade é relacionado a Deus, aos santos e aos orixás. O bom, a alegria, o bonito e a felicidade simbolizam a perfeição, isto é, o belo. Platão diz que o belo é o belo em si, atemporal, acabado, lapidado, absoluto e perfeito.
23MARTINS, José de Souza. A sociabilidade do homem simples: cotidiano e
história na modernidade anômala. São Paulo: Hucitec,2000.(p.93 e 94): "Duby empobrece enormemente a concepção de vida cotidiana ao reduzi-la a
usos e costumes e ao confiná-la à casa e ao quarto, conforme as citações de Vainfas, ao supor enfim que o lugar e o modo da vida cotidiana dizem respeito ao rotineiro e ao repetitivo."
24 SILVA, Úrsula Rosa da ; LORETO, Mari Lúcie da Silva. Elementos de estética.
Pelotas (RS): EDUCAT, 1995. – (Temática Universitária 4) (p. 29):
“Destarte, o belo não se limita à arte, ao contrário, para tornar-se uma atividade superior à arte, deve buscar a perfeição, buscar o belo, a harmonia”.
A estética enquanto saber referente ao conhecimento do mundo visível (aesthesis é sinônimo de sensação) é o belo, o bom, o bonito, o alegre e o feliz olhados e sentidos pelos moradores da praieira. Mas, para Platão, o belo é uma ponte entre o mundo ideal e o mundo sensível, caracterizado por ser a “parte do agradável que alcançamos via visão. Ele é relacionado com o sensível por meio dos sentidos”. A beleza (inclusive do lugar Marambaia) é que permite o contato do mundo do conhecimento com a visão.
Na filosofia de Platão, o mundo dos espíritos e o dos sentidos impõe uma condição e um resultado comum que cria o belo aos sentidos de uma forma e estrutura semelhante. Mas, o nível das aparências não possui a essência do belo em si. Alguém, algo, ou alguma coisa utilizada para o bem ou para fazer o bem a alguém, algo ou a alguma coisa é belo. Só que, a potencialidade visada para o bem é bela, mas, não é o belo, que é a eterna procura de lapidar a capacidade e a utilidade de algo para atingir a perfeição inerente ao nível das idéias. A beleza que há no nível dos sentidos é condição primária para o afloramento do Eros, que é a necessidade básica de se encontrar o eterno, que só procuramos quando estamos erotizados, já que o homem quer conquistar, deseja, procura só quando se encontra interessado. O Eros nos direciona para o estudo da peculiar relação de parentesco existente no lugar, registrada no modo de vida dos pescadores artesanais “eternos”.
Platão coloca no mesmo plano as idéias de belo, uno, bem e ser porque o Bem maior é que promove a unidade da multiplicidade dos seres (é a essência do ser das coisas) que só é atingida quando se busca a perfeição, isto é, o belo inerente em cada ser e em cada ação.
O lugar, enquanto traço cultural, conteúdo e forma do trabalho, e do imaginário (todos são símbolos), presentes na subjetividade objetivada, de um
jeito de vida impar caracterizado pelo "tempo cíclico"25 dos caminhos de areia
25JASPERS, karl. Introdução ao Pensamento Filosófico. São Paulo: Cultrix, 1999.(
p. :130):
“Nietzsche acreditava que a crença no eterno retôrno é a mais enérgica afirmação da vida.”
“Como imagens dêsse eterno retôrno absoluto, podem ser lembradas repetições particulares, como a dos dias e a das estações. O tempo é absoluto. Tudo é temporal e, por isso mesmo, eterno, graças ao retôrno.”
RICOEUR, P. et al. As Culturas e o Tempo. Estudos reunidos pela UNESCO. Petrópolis/RJ: Vozes, 1975. ( p.: 267, 268, 281 e 282):
"O passado sempre dura, e por isso em nada perde para o presente, por sua realidade. É sobre essa representação que se fundamentam o culto dos antepassados e todos os arquétipos que se renovam quando se realizam o mito e os ritos, nos períodos de festas. As tradições piamente observadas são o passado materializado e perpetuado que domina no presente. Mas o futuro também participa do presente: podemos olhá-lo, exercer sobre ele uma influência mágica; daí as predições, a divinação, os sonhos proféticos e, igualmente , a crença no destino."
"As séries cronológicas nas quais se organiza a vida prática dos homens são separadas, em sua consciência , do tempo mítico e os antepassados e seus descendentes vivos existem em temporalidades diferentes. Todavia , as festas e os rituais formam o elo que liga essas duas percepções do tempo, esses dois níveis de apreensão da realidade. Assim, o tempo linear não predomina na consciência humana; ele está subordinado a uma percepção cíclica dos fenômenos da vida, a uma imagem mítica do mundo."
"Se nas épocas anteriores as diferenças entre os tempos passado, presente e futuro eram relativas e se o limite que os separa era móvel ( no ritual religioso e mágico, no momento da realização do mito, o passado e o futuro se baseavam no presente , num instante eterno cheio de um sentimento supremo), com o triunfo do tempo linear, essas diferenças se tornaram muito precisas, e o tempo presente ficou <comprimido> e chegou a ser apenas um ponto continuamente fugidio sobre a linha que vai do passado ao futuro e que transforma o futuro em passado. O tempo presente se tornou efêmero, irreversível e inapreensível."
AUERBACH. E, Mimesis. A Representação da Realidade na Literatura Ocidental. São Paulo: Perspectiva, 1971.
do labirinto, dos mitos, dos mortos, dos vivos e dos que irão nascer e que se encontram conjuntamente na predição, divinação, sonho profético, cura, oferenda, entre outras distinções da linguagem comunitária entre eles e para eles, nos faz pensar como a questão do belo platônico (não kantiano) pode ser verticalizada no debate do conceito geográfico lugar na praia da Marambaia. O belo presente na subjetividade do homem enquanto espírito, entendido como idéia, ou dimensão universal e cósmica do ser. Platão nos reza que o mundo real é o das abstrações. Eis o seu pensamento: “Esses astros verdadeiros e inteligíveis são, de acordo com Platão, as idéias ...”.26
Platão determina que o conteúdo do conceito lugar deve ter como princípio histórico o entendimento de que a dimensão social humana/natural se realiza através da relação trabalho/imaginário, ou seja, por meio de uma observação materialista sensível da relação comunitária, que somente existe enquanto lugar geográfico. Platão é a continuidade do pensamento de Marx ! .