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4.3 Algorithme de vérification des expressions

4.3.4 Extensions

As concentrações dos metais nos tecidos, brânquias e fígado, foram calculadas a partir dos reais teores determinados para cada cuba experimental, e foram expressas em µg/g.

Segundo Zagatto e Bertoletti (2008), as substâncias químicas encontradas nos sistemas aquáticos em geral, podem acumular-se nos organismos até níveis maiores daqueles encontrados no mesmo.

Linde, Inácio e Viana em 2004, determinaram em seus estudos, que os metais são absorvidos preferencialmente pelo fígado seguido dos rins e intestino (viceras), este fato ocorre, pois estes órgãos são responsáveis pelos processos metabólicos de eliminação destes agentes tóxicos.

No ano de 1995, Heath observou que a absorção dos metais ocorre na forma iônica destes elementos, onde os organismos aquáticos podem absorver através da pele, das brânquias e da alimentação. Os metais absorvidos ligam-se as proteínas e são transportados através do sangue, acumulando-se principalmente no fígado, no entanto podem ser acumulados em outros órgãos e tecidos.

O presente trabalho mostra que, para as soluções testadas para os ensaios preliminar (Figuras 10, 11 e 12) e agudo (Figuras13, 14 e 15), houve uma absorção dos metais nas brânquias e fígados dos peixes testados.

Figura 10. Concentração de cobre (µg/L) em brânquias e fígados, para o teste preliminar, em funçãodas concentrações 0,0; 0,1; 1,0; 10,0; 100,0 mg/L.

0 50 100 150 200 250 0 20 40 60 80 100 µg /g mg/L cobre branquia cobre figado

Figura 11.Concentração de cádmio (µg/L) em brânquias e fígados, para o teste

preliminar, em funçãodas concentrações 0,0; 0,1; 1,0; 10,0; 100,0 mg/L.

Figura 12. Concentração de cobre e cádmio (µg/L) em brânquias e fígados, para o teste preliminar, em função das concentrações 0,0; 0,1; 1,0; 10,0; 100,0 mg/L.

Para o teste preliminar apenas com cloreto de cobre, observa-se na Figura 10, um maior acúmulo do metal cobre nos fígados do que nas brânquias. Ao se analisar as concentrações de cobre nas brânquias para o teste na concentração de 100,0 mg/L, observa- semenor acúmulo do que o teste na concentração de 10,0 mg/L, para o tratamento com cobre.Isto ocorreu devido ao tempo de exposição dos indivíduos, que foi de 24 horas. A alta

0 50 100 150 200 250 0 20 40 60 80 100 µg /g mg/L cadmio branquia cadmio figado 0 50 100 150 200 250 300 350 0 20 40 60 80 100 µg /g mg/L cadmio branquia cobre branquia cadmio figado cobre figado

concentração deste teste ocasionou 100 % de óbitos,antes do término do experimento (48 horas), resultado em um menor tempo de exposição para os indivíduos testados, que por consequência, acumularam menos metal nos tecidos.

Já para o teste preliminar com cádmio, ocorreu o inverso, houve maior acúmulo de metal nas brânquias do que no fígado (Figura 11.). Para os ensaios preliminares com a combinação de cloreto de cobre e cloreto de cádmio, pôde-se observar o mesmo ocorrido para o fígado, nos testes preliminares apenas com o cobre, pois causou 100% de óbitos ao final de 24 horas, para os indivíduos que foram expostos á maior concentração 100,0 mg/L, ficando menos tempo expostos daqueles das concentrações mais baixas (figura 12).

Observa-setambém para o teste preliminar com a combinação dos cloretos de cobre e de cádmio, maior acúmulo de cobre no fígado do na brânquia, para a concentração 10,0 mg/L, no entanto, a brânquia acumulou mais cádmio do que o fígado, para todas as concentrações testadas (Figura 12).

Como visto anteriormente, o acúmulo de metais ocorre preferencialmente nos fígados seguido das brânquias, onde o primeiro é responsável pelo processo de eliminação dos metais e o segundo por ser a principal via de absorção destas espécies químicas estudadas.Çoğun e Kargin (2003) observaram maior acúmulo de cobre e cádmio no fígado, do que nas brânquias, ao expor tilápias á soluções de sulfato de cobre e sulfato de cádmio, fato tal que ressalta os dados apresentados neste estudo.

Para o teste preliminar é evidente um maior acúmulo dos metais no fígado do que nas brânquias, no entanto, a cinética de absorção mostrou-se distinta para as espécies estudas, tendo em vista que a espécie química cobre atingiu elevados teores de metais nos tecidos, com mais rapidez em comparação com o cádmio (Figuras 10, 11 e 12).

Figura 13. Concentração de cobre (µg/g) em brânquias e fígados do ensaio agudo para cada concentração testada 0,0, 0,5, 1,0, 2,5, 5,0 e 10,0 mg/L.

Figura 14. Concentração de cádmio (µg/g) em brânquias e fígados do ensaio agudo para cada concentração testada 0,0, 1,0, 5,0, 10,0, 25,0 e 50,0 mg/L.

0 50 100 150 200 250 300 350 0 2 4 6 8 10 µg /g mg/L brânquia fígado 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 0 10 20 30 40 50 µg /g mg/L brânquia fígado

Figura 15. Concentração de cobre e cádmio (µg/g) em brânquias e fígados do ensaio agudo com a adição dos dois metais, para cada concentração testada 0,0, 0,5, 1,0, 2,5, 5,0 e 10,0 mg/L.

Para o ensaio agudo, as concentrações amostradas de cobre e de cádmio nos tecidos estudados, correspondem em linhas gerais,às concentrações determinadas no ensaio preliminar, porém apresentando algumas exceções, conforme discutido anteriormente neste trabalho.

Durante a amostragem de tecidos, para alguns tratamentos do ensaio agudo apenas com cloreto de cobre (1,0 e 5,0 mg/L), não foi possível amostrar fígados, devido a grande deterioração do mesmo, que pode ter ocorrido pela exposição dos espécimes aos agentes tóxicos bem como o processo de armazenamento dos indivíduos no refrigerador, antes da retirada dos tecidos (figura 13).

O ensaio agudo para cádmio (Figura14) mostra que o metal foi mais absorvido pelo fígado do que pela brânquia, nas concentrações 1,0, 5,0 e 10,0 mg/L, já na segunda maior concentração testada para este ensaio, os valores de concentração tanto no fígado como nas brânquias são próximos, porem na maior concentração testada, como ocorrido também para o teste com cobre (Figura13), não foi possível amostrar fígados.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 2 4 6 8 10 µg /g mg/L Cd brânquia Cu brânquia Cd fígado Cu fígado

Observa-se uma grande diferença no acúmulo de cobre em brânquias, ao se comparar as concentrações de 5,0 e 10,0 mg/L, testadas com o cobre isolado (Figura 13). Isto pode ter ocorrido devido ao acúmulo de hidróxido de cobre, precipitadono muco, que foi produzido em excesso pelas brânquias. Como visto anteriormente (Tabela08), a faixa de pH das cubas de 10,0 mg/l, pode ter ocasionado a precipitação do cobre.

O mesmo pode ter ocorrido para o teste com a combinação dos cloretos para a concentração de 10,0 mg/l, onde o teor de cobre encontrado nasbrânquias é superior do encontrado paracádmio. Este órgão também acumulou maiores concentrações dos metais em comparação com os fígados para o mesmo ensaio (Figura15), com exceção para a concentração de 1,0 mg/l, que apresentou maior acúmulo de cádmio no fígado do que na brânquia, e um altíssimo acúmulo de cobre no fígado em comparação com a brânquia. Essa diferença marcante pode ter sido causada por contaminação durante o preparo das amostras dos tecidos.

Cinieret al. (1997) Ao estudar carpa, concluíram que o rim e o fígado apresentam limites de armazenamento, para o cadmio. Mazon e Fernandes no ano de 1999, ao estudar a toxicidade de cobre na espécie Prochilodus scrofa, também encontrou maior acúmulo do metal no fígado do que nos outros órgãos, porem a brânquia, como citada anteriormente, é uma importante via de absorção dos metais por possuir uma grande superfície de contato com meio aquático, podendo também, armazenar elevados teores de metais.

De uma forma geral para os tecidos analisados, brânquias e fígados, o que apresentou maior concentração dos metais foi o fígado. No entanto, os processos de absorção para os metais estudados mostram-se diferentes, uma vez que os teores determinados para o cobre foram superiores aos determinados para cádmio, para as mesmas concentrações testadas, evidenciando que o cobre é absorvido com mais facilidade pelas tilápias, do que o cádmio.

O organismo do estudo Oreochromis niloticus, pode ser utilizado como um bioindicador para testes toxicológicos, com exposição ao cobre e com exposição ao cobre e ao cádmio em conjunto. A espécie se mostrou sensível ao cobre e mais sensível ainda para o cobre na presença do cádmio, já para testes com o cádmio, a tilápia pode fornecer importantes dados a respeito dos processos toxicológicos, causados por este metal,em organismos aquáticos.

Os dados levantados por este estudo mostram que o para todos os tratamentos testados, o mais tóxico foi o teste que combinava cobre e cádmio, seguido dos tratamentos apenas com cobre e o menos tóxico o tratamento apenas com o cádmio.

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