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3. Mail Transport-Level Protocol

3.3. Extended Mailbox Address Syntax

Categorizar públicos e atribuir terminologias a eles é uma constante na ciência. Até então, optou-se por abordar a perspectiva das Gerações, que considera a época de nascimento de cada um. Porém, a relação entre crianças, jovens e

adultos com as tecnologias resulta em novas terminologias: nativos e imigrantes digitais. Prensky (2010) foi um dos primeiros a cunhar esses termos, afirmando que atualmente a tecnologia digital é parte integrante do cotidiano das crianças desde o seu nascimento. A essa geração ele chama de nativos digitais, enquanto os pais são denominados imigrantes digitais, uma vez que nasceram em uma época mais analógica e ao longo de suas vidas puderam se adaptar às inovações tecnológicas.

Ao desenvolver seus estudos sobre os Nativos Digitais, Prensky (2001) apresenta algumas características que teriam transformado a sociedade e que já seriam irreversíveis. O autor estabelece a década de 1980 como marco divisor entre duas gerações, uma anterior à propagação das novas tecnologias e outra que já cresceu em um mundo tecnológico, utilizando o computador, os videogames e a Internet.

Eles [Nativos Digitais] passaram a vida inteira cercados por e usando computadores, vídeo games, tocadores de música digital, câmera de vídeo, celulares, e todos os outros brinquedos e ferramentas da era digital. [...] Os Nativos Digitais estão acostumados a receber informação muito rápido. Eles gostam de realizar paralelamente processos e tarefas múltiplas. Eles preferem seus gráficos antes de seus textos mais do que o oposto. Eles preferem acessos aleatórios - como hipertexto (PRENSKY, 2001, p. 2).

A mesma perspectiva é encontrada em Tapscott (2009), ao indicar que uma das características definidoras desta geração é o fato de ser a primeira a ter crescido em um mundo digital, cercada por mídias digitais. Ao comparar a Geração

Net com os Baby Boomers e as anteriores, o autor cita que “as crianças de hoje

estão tão mergulhadas em bits que elas acreditam ser tudo parte de uma paisagem natural” (TAPSCOTT, 2009, p. 2). O pesquisador pontua que a mudança para um cenário global – favorecido pela Internet - tornou esse público mais inteligente, mais rápido e mais tolerante à diversidade que os seus predecessores.

Apesar dos questionamentos, os termos Nativos Digitais, elaborado por Prensky (2001) e Geração Net, de Tapscott (1997 e 2009), apresentam contribuições para o recorte de faixa etária analisado com profundidade neste trabalho.

Segundo Buckingham (2007, p. 71), as pessoas costumam projetar a imagem de que as crianças são “possuidoras de uma criatividade natural e espontânea que seria (talvez paradoxalmente) liberada pela máquina; ao mesmo tempo que elas são vistas como vulneráveis, inocentes”. Porém, elas precisam de

orientação sobre os danos que os dispositivos digitais podem causar nas suas vidas.

Ainda, para Buckingham (2011), os usos das crianças consideradas nativos digitais estão mais voltados para a comunicação, assim como nos hábitos dos adultos. Portanto, pode-se afirmar que as crianças consomem as mesmas redes sociais digitais que os adultos, assistem aos vídeos no YouTube e tiram selfies. Aqui, o termo nativos e imigrantes deve ser ponderado.

Nascer com disponibilidade tecnológica não significa dominá-la plenamente, faz-se necessário um processo contínuo de aprendizagem. Seguindo esse raciocínio, Boyd (2014) ressalta que ao dizer que a juventude é nativamente digital, promove-se um retrato impreciso do acesso à tecnologia, como se todos os jovens estivessem prontos para a era digital, e ignora o privilégio que é ter tamanha intimidade com as novas tecnologias.

Considerar uma criança ou um pré-adolescente pronto para o atual momento tecnológico é um risco e desconsidera características próprias desta etapa da vida, permeada pela educação que acontece dentro e fora das escolas. “Na Internet, as crianças têm de procurar informações, em vez de simplesmente observá-las. Isso as obriga a desenvolver seu raciocínio e habilidades investigativas. E muito mais – elas precisam se tornar críticas.” (TAPSCOTT, 2010, p. 33).

No entanto, na contramão da aquisição de competências e educação para as mídias digitais, Palfrey e Gasser (2011) indicam a habilidade, quase intuitiva, desses nativos em avaliar notícias e outras formas culturais, assim como estabelecer rotinas para navegar na mídia digital e escolher entre as possibilidades que ela oferece. Uma necessidade, segundo os autores, que está desafiando as demais gerações e é indispensável aos nativos.

Os nativos digitais estão constantemente conectados. Eles têm muitos amigos, tanto no espaço real quanto nos mundos virtuais – uma coleção crescente de amigos que eles computam, para o resto do mundo ver, em seus sites de contato social online. Mesmo enquanto dormem, - conexões são realizadas online e ficam arquivadas para eles as encontrarem a cada novo dia quando despertam. Às vezes, estas conexões são com as pessoas que os Nativos Digitais jamais teriam a chance de conhecer no mundo offline. Através dos sites de contato social, os Nativos Digitais se conectam, conversam pelo Messenger e trocam fotos com amigos do mundo todo. Eles podem também colaborar criativa ou politicamente de maneira que teria sido impossível 30 anos atrás. (PALFREY; GASSER, 2011, p. 14-15).

Livingstone (2011, p. 12) alerta que “a criança que maneja a tela nos parece tão habilidosa que podemos concluir confortavelmente que já sabe tudo o que precisa”, leva o segundo grupo, de imigrantes digitais, a ter a tendência de observar, com ênfase, as consequências relativas ao contato com conteúdos que podem a submeter a riscos online e offline.

Essa geração aprendeu acessar, selecionar e categorizar as informações, ao mesmo tempo em que transforma a Internet “de um lugar no qual você encontra informações em um lugar no qual você compartilha informações, colabora em projetos de interesse mútuo e cria novas maneiras para resolver alguns de nossos problemas mais urgentes” (TAPSCOTT, 2010, p. 54). A grande quantidade de dados pode ser vista como uma sobrecarga com a qual elas poderiam não saber lidar, porém, Palfrey e Gasser (2011, p. 187) destacam que:

crianças que passam mais tempo online – os Nativos Digitais – têm uma probabilidade maior de estarem mais bem equipados para fazer julgamentos sobre a qualidade das informações [...] têm uma maior probabilidade de ter uma visão cética dos tipos de informações que extraem das fontes.

Palfrey e Gasser (2011) ressaltam que os nativos digitais, na maioria, são compostos por uma elite independente da sociedade, formando uma cultura global pela maneira como se relacionam com as informações, com as novas tecnologias e com os demais indivíduos. Eles, a partir das conversas, das mensagens, dos perfis e do compartilhamento, transcendem fronteiras em nível global, ao mesmo tempo em que partilham costumes e valores regionais e locais. Ainda, “esses jovens não são consumidores passivos daquilo que a mídia apresenta, mas participantes ativos da criação de significado na sua cultura” (GASSER; PALFREY, 2011, p. 151), portanto, percebe-se uma cultura própria em nível individual.

Buckingham (2011) traz a ideia de que uma geração relacionada diretamente a uma tecnologia ou meio de comunicação não é algo novo. Ao retornar as análises para os anos de 1960, apresenta-se o termo geração da televisão, utilizado como um resumo para descrever as mudanças culturais e sociais da época. O problema dessa abordagem, para o autor, não são os nativos digitais, mas os mais velhos, os imigrantes digitais, que permanecem estabelecendo vínculos às mídias antigas e falham em acompanhar os novos tempos (BUCKINGHAM, 2011, p. 9).

Tais terminologias surgiram quando os adultos de países desenvolvidos perceberam que estavam perdidos quanto às tecnologias digitais, enquanto seus filhos respondiam da melhor forma. A diferença entre os Nativos e Imigrantes é de que os jovens convivem com os dispositivos desde o nascimento, convivem com naturalidade e cada vez com menos medo e receio (PRENSKY, 2011). Isto é, “tendo crescido com a tecnologia digital como brinquedos, os nativos digitais sentem-se muito mais à vontade com o seu uso do que a geração que não cresceu assim. Mas isso certamente não significa que eles sabem tudo, ou mesmo que querem saber tudo sobre a tecnologia digital” (PRENSKY, 2011, p. 17).

O que podemos afirmar é que existe uma tendência dos jovens à tecnologia e um grande uso, porém, isso não significa que suas habilidades sejam inerentes, como aponta Boyd (2014, p. 176). Nem todos os nascidos nesse período são Nativos Digitais e estão vivendo da mesma maneira.

Há um grande abismo de participação entre aqueles que são Nativos Digitais e aqueles que têm a mesma idade, mas que não estão aprendendo nem vivendo da mesma maneira. Há bilhões de pessoas no mundo para as quais os problemas que os Nativos Digitais estão enfrentando são meras abstrações. (PALFREY; GASSER, 2011, p. 24)

Outro aspecto considerado na obra, refere-se à qualidade da informação. Para as crianças, os processos de avaliação do que é considerado uma informação correta ou não, são ainda mais difíceis do que para os adultos, especialmente pelo fato de não terem suas habilidades cognitivas plenamente desenvolvidas e possuírem grau atenção mais curto do que os adultos. “Jovens enfrentam o desafio tendo menos experiências próprias com as quais podem comparar informações que estão avaliando” (PALFREY; GASSER, 2011, p. 186). Segundo os autores, a internet está mudando a maneira com que as crianças coletam e processam informações em todos os aspectos de suas vidas.

Para os Nativos Digitais, "pesquisa", muito provavelmente, significa uma busca no Google mais do que uma ida até a biblioteca. É mais provável que eles chequem as coisas com a comunidade da Wikipédia ou recorra a um amigo online antes de pedir ajuda a um bibliotecário de referência. Eles raramente, se é que alguma vez, compram jornal em papel; em vez disso, surfam por enormes quantidades de notícias e outras informações online. (PALFREY; GASSER, 2011, p. 269)

Boyd (2014) também traz essa reflexão. O fato de os adolescentes conviverem naturalmente com as mídias sociais, não significa que eles sejam fluentes com tecnologia ou efetivamente Nativos Digitais. A autora entrevistou

jovens que sabiam procurar assuntos no Google, entretanto, demonstraram dificuldade em obter informações de qualidade, com valor científico. Constata, ainda, o uso frequente do Facebook, mas o desconhecimento das configurações de privacidade da rede social. “Narrativas da mídia geralmente sugerem que as crianças de hoje em dia – aquelas que cresceram com tecnologia – estão equipados com novos superpoderes maravilhosos” (BOYD, 2014, p. 36). Na verdade, essa definição, por vezes, libera os pais de acompanharem e observarem os hábitos de seus filhos, deixando-os vulneráveis a novos perigos.

Conforme Palfrey e Gasser (2011, p. 63) pontuam, o mundo virtual passa a fazer parte da vida dessa geração, modificando a forma como localizam informações: “a pesquisa de qualquer tipo, significa, para a maioria dos Nativos Digitais, uma busca no Google. O Google tornou-se um modo de vida para esse grupo geracional, sendo considerado uma das principais fontes por crianças, adolescentes e pais (BOYD, 2014), e, muitas vezes, não tem sua confiabilidade questionada por eles. Nessa perspectiva, Strasburger, Wilson e Jordan (2011) afirmam que as crianças não são totalmente passivas e nem totalmente perspicazes em relação às mídias. Portanto, existe uma dicotomia entre esse “nativo digital” e a criança como não entendedora de todos os riscos de estar online.

A percepção dos adultos quanto ao vício dos adolescentes com as mídias sociais também é analisada. De acordo com Boyd, historicamente os adolescentes são entusiastas de novas tecnologias. Foi assim com a televisão e com o próprio telefone, que despertaram preocupações aos pais das gerações anteriores, quando os filhos ocupavam a linha telefônica por muito tempo ou passavam longos períodos em frente ao televisor de casa. Uma das justificativas para esse comportamento envolvendo tecnologias sociais é que “o entretenimento e a sociabilidade são as principais razões pelas quais os adolescentes investem tanta energia em suas atividades online” (BOYD, 2014, p. 93). Ao contrário do que acredita o senso comum, os adolescentes não são menos sociais quando estão envolvidos profundamente com as mídias sociais. Pelo contrário. Por isso, toda análise dos impactos das tecnologias nas suas vidas deve ser ponderada e contextualizada.

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