ETUDES DE CAS : LES SOLUTIONS DES RÉSEAUX RENAG ET TAIWAN
4.2 La solution Réseau GPS du Taiwan
4.2.2 Expression des solutions libres dans l’ITRF2008
No contexto musical também é possível perceber o movimento migratório dos ciganos, pois como afirma o autor Ruy Blanes "tal como acontecera na produção histórica e memória ciganas, a música também pode ser vista à luz da diasporização" (Blanes, 2008: 55), ou seja, recorre-se a noções de passado e identidades ciganas para configurar continuidades musicais. A noção de diáspora encontra-se assim implícita nas dinâmicas de classificação de práticas musicais e culturais, contribuindo com elementos de definição de discursos identitários (Blanes, 2008: 55).
A música e dança ciganas são uma manifestação da sua identidade e da sua história, em que a «dor» e a «precaridade» de um povo se libertava através da arte de cantar, tocar e dançar. Como afirma Claire Auzias "os Roms são músicos, é a aria que respiram e por vezes nos oferecem. É aí que com efeito, vibra a alma romani, a sua virtuosidade transcendente" (Auzias, 2001: 80).
A música cigana na Europa permite também perceber momentos de transição da sociedade, demarcando políticas de mudança e políticas culturais de uma época que moldou padrões de identidades nacionais, correspondendo aos seus ideais políticos e socioculturais.
Importa destacar que, no passado, a música constituía o motivo pelo qual os ciganos eram solicitados para eventos da realeza. Desde as referências mais antigas até à sua presença na Europa no século XV, os ciganos eram tidos como "instrumentistas, cantores ou bailarinos" (Fraser, 1997: 195) e muitas vezes esse talento musical servia para conquistar admiração e serem socialmente aceites. O "mundo" dos ciganos dependia do contacto com os não-ciganos e, sendo a música
43 uma forma de subsistência, era frequente a adaptação das suas composições aos diferentes meios envolventes, uma vez que a música e os instrumentos utilizados eram característicos da localidade23, já que " (...) tal como nos contos folclóricos iam muitas
vezes buscar motivos ao folclore dos diferentes países que atravessavam, dando-lhes colorido cigano" (Fraser, 1997: 195).
Desde as referências mais antigas até à sua presença na Europa no século XV, os ciganos eram tidos como "instrumentistas, cantores ou bailarinos" (Fraser, 1997: 195) e muitas vezes esse talento musical servia para conquistar admiração e serem socialmente aceites.
Os ciganos foram solicitados, enquanto músicos, para eventos da nobreza e realeza (Fraser, 1997), encontrando-se, também, presentes em “grandes bailes, festas campestres, cabarés residências de magnatas” (Nunes, 1996: 321).
A partir do século XV, a música cigana começa a ter mais visibilidade, principalmente nos países da Europa Central e Oriental e no século XIX destacam-se a Hungria, Rússia e Espanha, onde os ciganos alcançaram grande prestígio como músicos profissionais contribuindo, em parte, para a construção da identidade musical nacional (Fraser, 1997: 195).
Na Hungria, com a sedentarização das populações ciganas, a sua música sofreu algumas transformações e foi influenciada pela música dos otomanos e magiares, tendo como consequência a perda do vocabulário romani (Fraser, 1997; Nunes, 1996)
Nos séculos XVII e XVIII, a «música cigana» teve grandes requisições, “estava na moda”. Os músicos eram solicitados para importantes eventos e, mesmo nas guerras napoleónicas, na Áustria e na Hungria, tocava-se música cigana nas praças públicas durante o recrutamento das tropas (Nunes, 1996: 321).
23 De acordo com Fraser, o autor B. Leblon, em Musiques Tsiganes et Flamenco (Paris,1990),
identifica a preferência dos ciganos no uso de instrumentos que apresentam alguma afinidade com o padrão instrumental da Índia e afirma que existem características comuns na música cigana ligada ao Oriente, apesar da variedade da música em diferentes países (Fraser, 1997).
44 No século XIX algumas orquestras ciganas apareceram no ocidente europeu, em países como a França ou Inglaterra e na Hungria, Polónia, Moldávia e Valáquia24,
onde eram muito apreciadas. A música cigana era requerida para as festas e continuava tão popular que “o hino nacional da Hungria era em música cigana (marcha de Rakoczi)” (Nunes, 1996: 321).
Os temas ciganos inspiraram e influenciaram compositores de música clássica, tais como Schubert e Beethoven (Nunes, 1996: 321). Franz Liszt foi um dos grandes divulgadores da «música húngara», integrando melodias populares romani no seu livro Rapsódias Húngaras (Nunes 1996; Fraser 1997). Nesta obra, Liszt tentou “reproduzir o estilo, o fulgor técnico e o encanto dos mais famosos compositores e violinistas ciganos do seu tempo, como János Bihary e Antal Csermák (...) o papel criativo dos compositores ciganos - para além de criarem melodias e escreverem canções plenas de emoção - o que os convertia em artistas era, e continua a ser, o seu extraordinário virtuosismo como interpretes" (Senz in Fernandes, n.d.: 69).
Na Rússia, a música cigana também era muito apreciada e solicitada para as festividades e as famílias aristocratas possuíam os seus coros ciganos (Nunes, 1996: 322). Aqui, predominava sobretudo o canto improvisado em coros, com diversas vozes, datando o primeiro registo destes coros da segunda metade do século XVIII, quando cantores ciganos foram levados da Moldávia para Moscovo pelo conde Aleskey Orlov" (Fraser, 1997: 197).
Em Espanha, desde o final do século XV, os ciganos espanhóis tiveram uma forte relação com a música espanhola, interpretando canções e danças. As formas vocais foram-se alterando e, pouco a pouco, a «arte flamenca» foi-se impondo, de tal forma que "a cultura andaluza sofreu o pleno impacto do estilo cigano" (Fraser, 1997:
24 A Valáquia é uma província da Roménia, que por diversas vezes esteve em luta contra as
forças do Império Otomano. A Roménia era formada, desde a Idade Média, pelos principados da Valáquia, da Moldávia e da Transilvânia. A Valáquia e a Moldávia foram conquistadas pelo Império Otomano nos séculos XV e XVI.
45 199). O flamenco tem, de facto, como base o cante jondo («canto fundo»), fundindo com elementos bizantinos litúrgicos, árabes e ciganos.
Alguns nomes da música clássica queriam captar o «ambiente de liberdade» e a «grandeza da alma cigana», tal como se pode verificar no universo musical de Manuel Falla, no qual o flamenco foi a sua inspiração. Como refere Senz a propósito deste compositor espanhol, "os territórios do encontro flamenco com a música clássica são infinitos e neles têm inquestionavelmente relevância a identidade cigana, que forjou, claramente, grande parte da pureza flamenca" (Senz in Fernandes, n.d.: 72).
No caso da Espanha, a candidatura feita à UNESCO pelos governos das comunidades autónomas da Andaluzia e Estremadura apresenta uma abordagem sobre o flamenco como uma tradição cultural Andaluz sem qualquer influência étnica, negando a identidade cigana e a sua importância no flamenco. O Instituto de Cultura Gitana proclama, através do manifesto "Somos Gitanos, Somos Flamencos", um maior reconhecimento dos ciganos na criação do flamenco e afirma a identificação do flamenco como música do povo cigano espanhol (Castro, 2011: 7).