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PTOX ET STRESS, ROLE DANS L’ADAPTATION DES PLANTES A L’ALTITUDE

1) Expression de PTOX chez les plantes alpines

Estabelecido este enquadramento geral, parece-nos importante iniciar agora uma caracterização sumária dessas propostas autónomas – a que podemos chamar da modernidade cultural, literária e artística – e

compreender de que modo a transição de 1929 para 1930 também neste aspecto se distinguiu.

Para o fazer, optámos por isolar um dado que, em nossa opinião, nos ajuda a autonomizar esta char- neira. O ano de 1930 marca uma ruptura importante no panorama cultural e artístico português, uma

vez que é o data da cisão entre os colaboradores da revista Presença, opondo, a partir da edição nº

27, de Junho-Julho, o núcleo formado por José Régio e João Gaspar Simões ao grupo de dissidentes

que incluía Miguel Torga, Edmundo de Bettencourt e Branquinho da Fonseca. 34

Coincidentemente, a edição 27 encerrou o Tomo I da 1.ª Série da publicação e, com o número 28, de

Agosto – Outubro de 1930, se iniciou o Tomo II. Pouco depois, o lugar que Branquinho deixara vago no corpo directivo foi ocupado por Adolfo Casais Monteiro. 35 Como veremos, a acção deste último será

também de grande relevância para o evoluir dos acontecimentos e dos projectos sobre os quais nos

debruçamos (Figura 19).

Apesar de não querermos estabelecer comparações abusivas e desproporcionadas – acima de tudo, injustas –, não podemos deixar de referir que esta substituição na Presença pode ter significado para

a modernidade nacional algo de parecido com o que a confirmação de Salazar representou para a

política do país.

Depois da primeira vanguarda artística e literária, protagonizada pela geração de Orpheu, e do período de pulverização de orientações que a sucedeu, a Presença, ao assumir-se como sendo tanto “de arte” como “de crítica”, procurou estabelecer uma normativa matricial: um padrão de referência

que aglutinasse, interpretasse e axializasse não só as tendências precedentes, mas também as suas

contemporâneas e, em certa medida, ainda mesmo algumas das futuras.

Terá sido esta missão axial – expressão que traduziríamos por “colocar nos eixos”, ou seja, propor uma ordem para o caos instaurado pela geração de Orpheu – que mais repugnou aos dissidentes.

Terá sido ela também que, manifestamente, atraiu Casais Monteiro. Julgamos que é através desta

leitura que podemos entender a lapidar expressão de Eduardo Lourenço (2003, p. 131), cunhada em 1958, para quem a Presença representou uma “contra-revolução”, ou seja, uma manifestação da fase “bonapartista” da modernidade portuguesa.

34 José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira: 1901 – 1969, Vila do Conde. João Gaspar

Simões: 1903, Figueira da Foz – 1987, Lisboa. Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha: 1907, São Martinho de Anta – 1995, Coimbra. Edmundo Bettencourt: 1889, Funchal – 1973, Lisboa.

António José Branquinho da Fonseca: 1905, Mortágua – 1974, Cascais.

Figura 19: Capa do número 28, de Agosto – Outubro de 1930, da Presença, o primeiro do Volume II (Ferreira D. M., 1993).

De acordo com a nossa interpretação, a Presença foi bonapartista e contra-revolucionária por contin-

gência ética, intelectual e geracional. Num texto dirigido a Lourenço em 1960, e por ele integralmente

transcrito (Lourenço, p. 228), Adolfo Casais Monteiro equacionou:

Pergunto-me se era possível continuar a revolução se não houvesse essa contra-revolução.

Quer dizer, é através desta, graças a esta, talvez, que continua o que de outro modo seria

apenas epigonismo, prolongamento desvitalizado.

Esta frase constitui, em si, um manifesto geracional, e poderia ilustrar várias manifestações literárias,

artísticas e arquitectónicas da época. Arriscamos dizer que poderia ser a epígrafe póstuma daquilo a

que se convencionou chamar o Segundo Modernismo português. O seu alcance pode visualizar-se deste modo: depois do desmoronamento e perante os escombros, seguiu-se a obrigação crítica de organizar e reconstruir.

No entanto, sublinhemos, só compreenderemos totalmente a comparação com a acção de Napoleão se soubermos encontrar, no lado mais moderno e iluminado deste labor, o carácter progressivo – isto

é, nem regressivo nem cíclico – da reforma proposta. Para justificar as nossas interpretações, parece-

nos importante reler aqui outras palavras de Casais Monteiro (1933, p. 10), estas redigidas em 1931,

e incluídas num texto significativamente chamado “A arte contra a ordem”:

O homem do nosso tempo veio encontrar um mundo de destroços; mas de tais destroços a lição a tirar não foi a que se repusesse pedra sobre pedra, tentando tornar as coisas tais como eram antes da derrocada, mas que só valeria a criação livre, a criação autónoma; porque só ela permitiria uma obra que, repousando sobre alicerces só para ela mergulhados na terra, fosse a imagem e a semelhança daquele que a erguesse.

Para juízo da importância que atribuímos à tarefa que Régio, Gaspar Simões e Casais Monteiro, afir-

maremos que, sem o seu labor quase administrativo de amanuense metódico – “coimbrão”, diríamos nós, forçando a ironia – talvez a posterioridade de Orpheu e dos seus protagonistas tivesse sido muito menor, para não dizer quase inexistente. 36

É este esforço aglutinador e estruturador que nos permite compreender a participação directa dos colaboradores da Presença na organização do I Salão dos Independentes, em 1930. É significativo

que a capa do catálogo refira que inclui uma “breve resenha do movimento moderno em Portugal”

(Figura 20).

Ostentar esta expressão num título de uma publicação equivalia a admitir, em primeiro lugar, que existia algo a que se pudesse chamar “movimento moderno em Portugal” e, em segundo, que esse algo se poderia sintetizar numa “breve resenha”. Estas duas conjecturas, não totalmente isentas de

ilusão, mas também de alguma ironia, são caracteristicamente tributárias da acção da Presença.

36 Sentimo-nos autorizados a usar o termo “amanuense” de modo não depreciativo, tendo em conta a

relevância que, na Presença, foi dada à obra La trahison des clercs (TLP: A traição dos amanuenses) de Julien Benda, em especial no texto de João Gaspar Simões intitulado “Realidade e humanidade na arte”, publicado na edição n.º 16, de Novembro de 1928.

Figura 20: Capa do catálogo do I Salão dos Independentes, realizado em Maio de 1930. Ostenta a ambição de apresentar uma “breve resenha do movimento moderno em Portugal” (Aa. Vv., 1930).

De um modo relevante para o nosso estudo, a vontade de aglutinar individualidades e de estruturar

tendências – quase um patrocínio, ou uma curadoria – parece também estar patente na comparência

de Casais Monteiro, em 28 de Janeiro de 1931, na inauguração da 2.ª Exposição de Alunos de Belas Artes do Porto.

Tal como detalhadamente trataremos mais à frente, Casais Monteiro esteve neste evento – em que os três elementos dos futuros “Ars” activamente participaram – não só para proferir uma conferência,

mas também para recolher elementos para um texto crítico que publicará na Presença, na edição de

Março-Junho desse ano.

A conclusão de um ciclo que a Presença traçou na vida cultural e artística portuguesa é justamente o

que encontramos na outra extremidade do arco temporal que definimos para o nosso trabalho. Este desfecho começou a vislumbrar-se com o fim do segundo tomo da publicação, na edição n.º 54, de

Novembro de 1938.

Aquela que até aí modestamente se chamara “folha” ainda reapareceu, numa segunda série iniciada

em Novembro de 1939, com a designação de “revista”, condicente com uma ambição patente no

novo formato e no maior número de páginas. Desta nova série publicaram-se apenas dois números,

correspondentes aos meses de Novembro de 1939 e de Fevereiro de 1940. Após este último número, a publicação desapareceu.

Em 23 de Junho de 1940, alguns meses após a derradeira edição da Presença, foi inaugurada a Exposição do Mundo Português (Figura 21). Na madrugada desse mesmo dia, a cerca de um milhar

e meio de quilómetros, Adolf Hitler passeava-se pela primeira vez em Paris, tendo o arquitecto Albert

Speer e o escultor Arno Breker 37 como seus cicerones na cidade ocupada e rendida: menos de 24 horas antes, a França havia assinado um armistício com a Alemanha.

37 Berthold Konrad Hermann Albert Speer: 1905, Mannheim, Alemanha – 1985, Londres, RU. Arno

Figura 21: Imagem da Exposição do Mundo Português, de 1940. Em primeiro plano, silhueta da Nau Portugal. Ao fundo, Padrão dos Descobrimentos, de Cottinelli Telmo e Leopoldo de Almeida (Vieira, p. 211).

2.2. 1940: apogeu ou queda?

O fim da Presença, a inauguração da Exposição do Mundo Português, a capitulação de França. São

então estes os três eventos que escolhemos para ilustrar o início de um novo período anímico e

histórico, em Portugal e no mundo. São, por isso, também as marcas do limite cronológico do nosso

trabalho. Tal como tentámos para o limiar inicial, encetemos então a caracterização deste marco (Ramos, et al, 2009, p. 662):

Em 1940, Salazar parecia ter o país a seus pés. Além de presidente do Conselho de Ministros,

era ministro das Finanças, dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. A oposição estava desman-

telada. A Exposição do Mundo Português […] registou três milhões de visitantes entre Junho e

Dezembro de 1940.

O ano de 1940 poderia ter sido o ano em que o regime entrava em estado de equilíbrio quase total, numa situação de harmonia que fosse equivalente à síntese que, como adiante veremos, parece ter sido operada pelos arquitectos e artistas da Exposição, e que tão eloquentemente surge modelada no Padrão dos Descobrimentos, de Cottinelli Telmo e Leopoldo de Almeida 38.

O monumento parece querer comemorar, entre outras coisas, a ratificação do Acordo Missionário entre Portugal e a Santa Sé, a qual, tal como a da Concordata, ocorreu em Roma em Maio de 1940.

Se a Concordata funcionou para Salazar como instrumento de consolidação do apoio político inter- nacional do regime, já o alcance do Acordo Missionário foi um pouco maior, uma vez que assegurava um reconhecimento, ao mais alto nível da diplomacia internacional, da soberania portuguesa sobre as possessões coloniais (Varela, 2008, p. 35).