4.1 Cultura do pepino
Através da análise conjunta observa-se que não houve interação significativa entre os experimentos (Tabela 13) e tratamentos (Tabela 1) para todas as características avaliadas. Foi observado efeito isolado somente dos experimentos, ou seja, a ausência de efeito do fator tratamento nas características avaliadas significa que os resultados obtidos em cultivo consorciado com alface não diferem dos obtidos em monocultura (Tabelas 14 e 15).
Tabela 14. Valores de F, significâncias e coeficientes de variação (C.V.) para produtividade total (PT), comercial (PC) e de frutos tortos (PFT), número de frutos totais (NFT), comerciais (NFC) e tortos (NFTOR) de plantas de pepino ‘Hokushin’, em função dos experimentos e tratamentos.
Causas de Variação PT PC PFT NFT NFC NFTOR
Experimentos (E) 138,58** 187,79** 31,08** 225,62** 520,80** 24,78** Tratamentos (T) 0,33ns 0,41ns 0,78ns 0,22ns 1,04ns 0,08ns
E x T 0,63ns 0,56ns 0,74ns 0,33ns 0,40ns 0,49ns
C.V. (%) 10,88 12,71 41,81 8,93 7,67 36,98
** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F; ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F.
As produtividades e número total, comercial (classe 15+20) e de frutos tortos de pepino não foram influenciadas significativamente pelos sistemas de cultivo, independentemente dos experimentos realizados (Tabela 16), ou seja, as produtividades total, comercial e de frutos tortos de pepino obtidas em monocultura não diferiram das obtidas em cultivo consorciado, independente da cultivar. Consorciando as culturas do tomate e alface, CECÍLIO FILHO (2005) e REZENDE et al. (2005d) também não constataram influência da alface na produtividade da cultura do tomate e classificação dos frutos. Quando avaliaram a viabilidade da consorciação de pimentão com repolho, rúcula, alface e rabanete, REZENDE et al. (2006) também observaram
que a planta de pimentão, com rápido estabelecimento de seu dossel fotossintético acima das demais culturas em associação, não teve a produtividade e classificação dos frutos influenciada significativamente pelo sistema de cultivo (consórcio e monocultura). Tabela 15. Valores de F, significâncias e coeficientes de variação para classificação
percentual de frutos de pepino na classe 15+20 (C15+20), classe 25 (C25) e de frutos tortos (CFT) de pepino ‘Hokushin’, em função dos experimentos e tratamentos. Causas de Variação C15+20 C25 CFT Experimentos (E) 95,34** 5,40** 63,72** Tratamentos (T) 0,23ns 1,07ns 0,76ns E x T 1,90ns 1,50ns 0,65ns C.V. (%) 6,13 43,70 35,65
** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F; ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F. Tabela 16. Produtividade total, comercial (classe 15+20 e 25) e de frutos tortos, e
número de frutos totais, comerciais e de frutos tortos de pepino ‘Hokushin’, em função dos sistemas de cultivo.
Produtividade (kg m-2) Número de frutos planta-1 Tratamentos
Total Comercial Tortos Total Comercial Tortos Consórcio – 0 DAT 8,562 A* 7,115 A 0,962 A 25,71 A 22,00 A 0,79 A Consórcio – 10 DAT 8,532 A 7,396 A 0,861 A 25,49 A 21,83 A 0,78 A Consórcio – 20 DAT 8,329 A 7,212 A 0,806 A 25,38 A 21,49 A 0,78 A Consórcio – 30 DAT 8,530 A 7,305 A 0,874 A 25,23 A 21,33 A 0,79 A Monocultura de pepino 8,510 A 7,248 A 0,905 A 25,30 A 21,36 A 0,79 A Média 8,493 7,255 0,882 24,42 21,60 0,79 * Médias na mesma coluna, seguidas por letras iguais, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pelo teste Tukey.
As classificações percentuais de frutos de pepino na classe 15+20, classe 25 e tortos não foram influenciadas pelos sistemas de cultivo, como também observado para produtividade e número de frutos (Tabela 17).
De acordo com os resultados observados, verifica-se ausência de interferência das plantas de alface crespa e americana sobre as de pepino, provavelmente seja pela diferença entre as espécies quanto à arquitetura, porte, velocidade de crescimento e ocupação do terreno. O crescimento muito lento das plantas de alface, tanto nos planos
vertical quanto horizontal, nos primeiros 15 dias após o transplante, e ciclo curto, comparativamente ao crescimento predominantemente na vertical das plantas de pepino, contribuíram para que não houvesse competição por luminosidade, hídrica e nutricional entre as espécies.
Tabela 17. Classificação percentual de frutos de pepino na classe 15+20, classe 25 e tortos de pepino ‘Hokushin’, em função dos sistemas de cultivo.
Classificação (%) Tratamentos
Classe 15+20 Classe 25 Tortos
Consórcio – 0 DAT 76,12 A* 7,10 A 12,79 A Consórcio – 10 DAT 76,66 A 8,07 A 11,81 A Consórcio – 20 DAT 76,57 A 7,56 A 11,07 A Consórcio – 30 DAT 76,90 A 6,69 A 11,75 A Monocultura de pepino 75,94 A 6,76 A 12,04 A Média 76,44 7,24 11,89
* Médias na mesma coluna, seguidas por letras iguais, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pelo teste Tukey.
De acordo com FLESCH (2002), em um sistema de cultivo consorciado, as espécies normalmente diferem em altura e em distribuição das folhas no espaço, entre outras características morfológicas, que podem levar as plantas a competir por energia luminosa, água e nutrientes. Entretanto, o maior crescimento e posição do dossel da cultura do pepino superior ao da alface foram determinantes para ausência de interferência por parte da alface; haja vista que a produtividade da cultura do pepino em consórcio não diferiu da obtida em monocultura, o que leva a crer que o fornecimento de água e de fertilizantes não foram fatores limitantes para o seu desenvolvimento.
Entre os experimentos, as maiores produtividades totais e comerciais foram obtidas no experimento 3, 4 e 8 que não diferem entre si (Tabela 18). A produtividade total, média destes três experimentos, foi de 10,522 kg m-2, sendo superior a 5,780 kg
m-2 (2,890 kg planta-1) e 9,070 kg m-2 (4,535 kg planta-1), obtida por CARDOSO &
SILVA (2003), respectivamente, no verão e outono-inverno, para o pepino ‘Hokushin’ cultivado em ambiente protegido, em monocultura.
Tabela 18. Produtividade total, comercial (classes 15+20 e 25) e de frutos tortos de pepino ‘Hokushin’, em função dos experimentos.
Produtividade (kg m-2)
Experimentos
Total Comercial Tortos
Exp1: C2L05 8,706 C* 6,353 C 1,611 A Exp2: C1L05 4,789 D 3,485 D 0,942 B Exp3: C2L06 10,983 A 10,353 A 0,547 C Exp4: C1L06 10,352 A 9,738 A 0,553 C Exp5: A2L05 8,268 C 5,751 C 1,472 A Exp6: A1L05 4,926 D 3,566 D 1,002 B Exp7: A2L06 9,687 B 9,210 B 0,398 C Exp8: A1L06 10,231 A 10,795 A 0,528 C
* Médias na mesma coluna, seguidas por letras iguais, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pelo teste Tukey.
Os experimentos 2 e 6, estabelecidos com o plantio de uma linha de plantas de pepino consorciado com alface americana, na primeira época de cultivo, foram os que obtiveram menores produtividades, respectivamente, de 4,789 e 4,926 kg m-2 (Tabela 18). Esses mesmos experimentos, na segunda época de cultivo (4 e 8) produziram, respectivamente, 10,352 e 10,231 kg m-2, refletindo melhores condições do ambiente
para expressão do potencial produtivo do pepino. Efeito positivo das melhores condições da segunda época de cultivo também foi percebido nos experimentos 1 para 3; 2 para 4; 5 para 7 e 6 para 8, ou seja, independente da cultivar de alface em consórcio e da população de plantas de pepino, a segunda época de cultivo proporcionou melhores produtividades.
Por outro lado, o efeito da população de plantas sobre o aumento da produtividade do pepino demonstrou ser dependente da época de cultivo. Quando elevou-se a população de plantas de pepino, consórcios, seja com alface crespa ou americana, apresentaram incremento na produtividade total e comercial de pepino, enquanto na segunda época não foi constatada diferença entre produtividade total e comercial de consórcios de 1 e 2 linhas de pepino com alface crespa e houve redução de produtividade total e comercial em consórcios com alface americana e pepino menos adensado para o mais adensado (Tabela 18).
As maiores produções por planta observadas nos consórcios estabelecidos com o plantio de uma linha de pepino, além do maior número de frutos por planta, provavelmente seja pela menor competição intraespecífica, o que proporcionou maior produção de fotoassimilados e, conseqüentemente, favoreceu maior crescimento dos frutos, o que possivelmente ocorreu em menor intensidade nos consórcios com maior densidade populacional. Segundo LARCHER (2000), quando as plantas estão muito próximas uma das outras, maior densidade populacional, há um intenso auto- sombreamento das superfícies de assimilação e a radiação que atravessa a folhagem em muitos pontos não é mais suficiente, tendo como conseqüência a produção diminuída.
De acordo com FONTES & SILVA (2005), o efeito de baixos valores da radiação fotossinteticamente ativa, pode ser fator limitante não somente na produção da estrutura vegetativa da planta, mas, principalmente, no direcionamento de reduzida quantidade de fotoassimilados para a formação de frutos, uma vez que a maior parte destes são gastos na respiração.
Por outro lado, de um modo geral, as menores produtividades de plantas de pepino cultivadas na primeira época de cultivo, seja em consórcio com alface crespa ou com americana, deve-se, também, à elevada incidência de oídio no final do ciclo da cultura.
A alta incidência de oídio, Sphaerotheca fuliginea, nas folhas das plantas de pepino, é determinante na redução da área fotossiteticamente ativa do dossel. Isto provavelmente favoreceu a redução da produção de fotoassimilados destinados ao desenvolvimento do fruto. Segundo RÊGO & CARRIJO (2000), em função do grande potencial de colonização, o fungo reduz a superfície funcional das folhas, causando perdas na produtividade. O oídio tem sido considerado a doença mais problemática da cultura do pepino sob cultivo protegido no Brasil e, em outros países, tem causado desfolha de até 75% (DAMICONE & SUTHERLAND, 1999) e perdas de até 40% na produção de frutos (Daubeze et al., 1995 citado por BLAT et al., 2005).
A doença diminuiu o período de colheita na primeira época em relação à da segunda época (54 dias) em 7 dias, o que resultou em menos três colheitas de pepino na primeira época de cultivo.
Em relação à temperatura, provavelmente as plantas de pepino cultivadas na segunda época foram também favorecidas pela ocorrência de temperaturas máximas próximas a 30ºC, na maior parte do período de desenvolvimento da cultura, situado a níveis mais próximos às faixas de 20 a 25ºC durante o dia e 18 a 22ºC durante a noite, por SGANZERLA (1990), consideradas como ideais para o pepino. Segundo CANѹIZARES (1998), a temperatura ótima para o desenvolvimento do pepino está entre 18 e 24ºC. Na primeira época, a maioria das temperaturas máximas foram superiores a 35ºC. Temperaturas acima de 30oC a planta não se desenvolve adequadamente e há
redução significativa do número de flores femininas e, consequentemente, na produção de frutos (FONTES & PUIATTI, 2005)
Os experimentos 4 e 8 obtiveram maiores números de frutos totais e comerciais (Tabela 19), o que explica as maiores produtividades total e comercial destes junto ao experimento 3, que não deferiram entre si (Tabela 18). Os experimentos 4 e 8 tiveram quantidades intermediárias de frutos tortos na amplitude observada (Tabela 19) que, por terem apresentado elevado número total de frutos, foram os de maior número de frutos comerciais e, conseqüentemente, os mais produtivos.
Tabela 19. Número de frutos totais, comerciais e tortos de pepino ‘Hokushin’, em função dos experimentos.
Número de frutos planta-1
Experimentos Total Comercial Tortos
Exp1: C2L05 20,55 C* 14,83 DC 3,78 AB Exp2: C1L05 21,71 CB 16,33 C 3,97 A Exp3: C2L06 22,96 B 21,67 B 1,13 D Exp4: C1L06 37,48 A 34,33 A 2,80 BC Exp5: A2L05 19,57 C 14,34 D 3,45 AB Exp6: A1L05 21,53 CB 16,01 C 3,99 A Exp7: A2L06 21,71 CB 20,33 B 1,23 D Exp8: A1L06 37,85 A 35,01 A 2,41 C
* Médias na mesma coluna, seguidas por letras iguais, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pelo teste Tukey.
Os números de frutos totais obtidos nos diferentes experimentos (Tabela 19) foram superiores ao encontrado por CARDOSO & SILVA (2003), 19,42 frutos planta-1
com ‘Hokushin’, cultivado no verão, em ambiente protegido, embora o período de colheita deste (45 dias) tenha sido menor do que os 54 dias observados no cultivo de verão-outono e muito próximo aos 47 dias constatados no inverno-primavera.
A maior incidência de frutos tortos observados nos Experimentos 1, 2, 5 e 6 (Tabela 19), cultivados na primeira época de cultivo, possivelmente foi favorecida pela ocorrência de oídio nas folhas de pepino e altas temperaturas, e auxilia na explicação do motivo pelo qual na segunda época de cultivo foram obtidas maiores produtividades total e comercial.
O impedimento físico, ocasionado pelas folhas, caule e tutor, algum tipo de estresse como picada de inseto em um lado do fruto jovem, temperaturas extremas, umidade excessiva, adubação desbalanceada e polinização irregular dos óvulos, são outros fatores relatados por FONTES & PUIATTI (2005) como promotores de entortamento de frutos de pepino.
Kanahama & Saito (1985a) citado por NOMURA & CARDOSO (2000) observaram que a quantidade de frutos tortos aumentava, assim como reduzia o crescimento dos frutos, quando havia insuficiência no suprimento de fotoassimilados devido à redução de área foliar e ao sombreamento. Isto foi constatado por NOMURA & CARDOSO (2000) quando avaliaram a redução da área foliar e o rendimento do pepino Japonês. Os autores verificaram que a desfolha de 25% da planta de pepino não afetou significativamente a produção e a qualidade dos frutos comparativamente ao tratamento padrão (sem desfolha). Segundo os autores este resultado talvez seja porque as folhas remanescentes sejam estimuladas a aumentar a taxa fotossintética e compensam uma pequena perda de área foliar. Em contrapartida, quando fizeram uma desfolha drástica, redução de 75% das folhas, observaram maior percentagem de frutos tortos, mostrando a importância da área foliar não só na produção de frutos como também na qualidade dos mesmos.
Semelhante ao verificado para a produtividade, as maiores percentagens de frutos na classe 15+20, considerado padrão de comercialização, foram observadas que
os experimentos 3, 4, 7 e 8, ou seja, relativos aos cultivos da segunda época, não diferiram entre si e apresentaram (Tabela 20), em média, 85,92% dos frutos. Nestes experimentos em que houve elevada percentagem de frutos na classe 15+20, foram observadas as menores percentagens de frutos tortos, que também não diferiram entre si e corresponderam, em média, a 4,83% da produtividade total (Tabela 20). O contrário foi observado para os experimentos 1, 2, 5 e 6, que não diferiram entre si, média de 66,96% de frutos na classe 15+20 e apresentaram maior percentagem de frutos tortos, média de 18,84% (Tabela 20).
Tabela 20. Classificação percentual de frutos de pepino na classe 15+20, classe 25 e tortos de pepino ‘Hokushin’, em função dos experimentos.
Classificação (%) Experimentos
Classe 15+20 Classe 25 Tortos
Exp1: C2L05 66,38 B* 6,65 BC 18,41 A Exp2: C1L05 66,31 B 6,62 BC 19,49 A Exp3: C2L06 86,15 A 8,16 AB 4,92 B Exp4: C1L06 85,06 A 9,03 AB 5,34 B Exp5: A2L05 68,28 B 4,90 C 17,55 A Exp6: A1L05 66,85 B 6,02 BC 19,89 A Exp7: A2L06 88,48 A 6,65 BC 4,06 B Exp8: A1L06 83,99 A 9,86 A 5,00 B
* Médias na mesma coluna, seguidas por letras iguais, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pelo teste Tukey.
A baixa percentagem de frutos na classe 25 observada em todos os experimentos, Tabela 20, deve-se à periodicidade de três colheitas na semana. Isto proporcionou a colheita da maioria dos frutos com comprimento inferior a 25 cm, sendo este o comprimento preferencial do mercado consumidor de pepino japonês.
4.2 Cultura da alface
De acordo com a análise conjunta, houve diferença significativa (P<0,01) entre os experimentos, sistemas de cultivo (consórcio e monocultura) e épocas de transplante da alface em relação ao transplante do pepino, sobre a massa fresca total, de plantas
internas e externas, massa seca total, de plantas internas e externas do canteiro e diâmetro da parte aérea de alface (Tabela 21). Por este motivo, realizou-se a análise de variância para cada experimento, separadamente, para as características avaliadas na cultura da alface.
Tabela 21. Valores de F, significância e coeficientes de variação (C.V.) para massa fresca total (MFT), de plantas internas (MFPI) e externas (MFPE); massa seca total (MST), de plantas internas (MSPI) e externas (MSPE) do canteiro e diâmetro da parte aérea de plantas de alface, em função dos experimentos (E), sistemas de cultivo (SC) e épocas de transplante da alface (ET) em relação ao transplante do pepino ‘Hokushin’.
Causas de
Variação MFT MFPI MFPE MST MSPI MSPE D E 200,73** 178,44** 90,29** 260,32** 162,26** 146,13** 90,78** SC 4453,52** 3903,71** 1798,82** 2874,63** 2053,29** 1325,77** 527,49** ET 209,24** 122,95** 130,80** 74,88** 31,19** 59,31** 136,24** SC x ET 66,65** 29,97** 54,04** 43,84** 16,19** 40,28** 9,68** E x SC 19,68** 9,27** 20,44** 10,68** 4,51** 15,03** 75,34** E x ET 11,79** 10,11** 7,38** 4,24** 3,00** 3,34** 13,45** E x SC x ET 3,70** 3,71** 3,19** 3,20** 2,85** 3,16** 2,55** C.V. (%) 10,49 13,43 13,51 11,82 16,57 14,45 4,44 ** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F.
Para o experimento 1, consórcio de alface crespa com duas linhas de pepino, na primeira época de cultivo (27/08 a 22/11/05), foi verificado que a interação dos fatores sistema de cultivo e época de transplante da alface em relação ao transplante do pepino influenciaram significativamente a massa fresca total (MFT) e de plantas de alface crespa localizadas nas linhas internas (MFPI) e externas (MFPE) do canteiro. Também, a interação sistemas de cultivo e épocas de transplante da alface foi significativo para estas características (Tabela 22).
Enfim, constatou-se que MFT, MFPI e MFPE responderam diferentemente à combinação de sistemas de cultivo e épocas de transplante da alface em relação ao pepino. As diferenças de respostas das características foram maiores principalmente entre os sistemas de cultivo, mas também foram observadas dentro de cada sistema de cultivo (Figura 7). Com o atraso no transplante da alface houve redução na MFT, MFPI e MFPE até 30 DAT do pepino.
Tabela 22. Valores de F, significância e coeficientes de variação (C.V.) para massa fresca total (MFT) e de plantas de alface crespa ‘Verônica’ localizadas nas linhas internas (MFPI) e externas (MFPE) do canteiro, em função do sistema de cultivo e época de transplante da alface em relação ao do pepino ‘Hokushin’ (Experimento 1).
Causas de Variação MFT MFPI MFPE
Sistema de cultivo (SC) 390,81** 342,72** 83,15**
Época de transplante (ET) 78,24** 66,38** 18,01**
SC x ET 22,57** 15,35** 6,44**
C.V. (%) 10,27 12,47 19,35
** significativo a 1% de probabilidade pelo teste F.
Em monocultura, as plantas sofreram influência significativa da época de transplante da alface, atingindo valores máximos de MFT e MFPI de alface 0 DAT do pepino, decrescendo até atingir o valor mínimo quando as plantas de alface foram transplantadas 18 DAT do pepino, em ambas as características (Figura 7). A partir deste ponto, as alfaces aumentaram de massa, atingindo aos 30 DAT, praticamente as mesmas massas (MFT e MFPI) obtidas com 10 DAT do pepino. Para MFPE não houve diferença significativa entre as épocas e ajuste de equação polinomial, talvez por situar- se nas laterais do canteiro e não sofrer, tanto quanto as plantas centrais do canteiro, pelo sombreamento.
A redução na MFT e MFPI de alface transplantadas até 18 DAT do pepino, em condições de monocultura, provavelmente seja pela maior freqüência de dias com picos de temperaturas máximas acima de 30ºC, no interior da casa de vegetação. Segundo CERMENѹO (1996), temperaturas acima de 30ºC interrompem o crescimento da alface e KNOTT (1962) considera as temperaturas do ar entre 15 e 24ºC com as mais favoráveis
ao crescimento e produção de plantas de alface de boa qualidade.
A MFT obtida pela alface, em monocultura, 0 DAT do pepino (3.772 g m-2), média de 235,75 g planta-1, foi inferior a 5.039 g m-2 obtida por LIMA et al. (2004), para alface ‘Verônica’ cultivada no espaçamento 0,20 x 0,30 m, em condições de campo e no período de março a abril de 2002, em Ribeirão Preto, SP. No entanto, foi superior à obtida em consórcio, também ao 0 DAT, que possibilitou a melhor produtividade neste sistema, que foi de 2.856 g m-2.
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 0 10 20 30
Dias após o transplante (DAT)
M as sa f res ca ( g m -² ) MFTCon y = 2855,6 - 139,2525x + 1,978750x² R² = 0,99** MFTMon y = 3772,325 - 129,7675x + 3,62125x² R² = 0,96** MFPECon y = 2806,975 - 80,0775x R² = 0,98** MFPEMon y = 3062 MFPICon y = 2799,813 - 167,0688x + 2,911875x² R² = 0,99** MFPIMon y = 3936,45 - 162,1550x + 4,6275x² R² = 0,96**
Figura 7. Massa fresca total (MFT) e de plantas de alface crespa ‘Verônica’ localizadas nas linhas internas (MFPI) e externas (MFPE) do canteiro, cultivada em consórcio (Con) e monocultura (Mon), em função da época de transplante da alface em relação ao transplante do pepino ’Hokushin’ (Experimento 1).
Em consórcio, o atraso no transplante da alface em relação ao pepino teve efeito negativo na MFPI, MFPE e MFT, que tiveram valores máximos quando a alface foi transplantada no mesmo dia que o pepino, 2.800, 2.807 e 2.856 g m-2, respectivamente
para MFPI, MFPE e MFT (Figura 7). O atraso em apenas 10 dias no transplante da alface em relação ao pepino acarretou em redução de 49,3; 28,5 e 41,8%, respectivamente, na MFPI, MFPE e MFT. Com 30 DAT do pepino, as MFPI, MFPE e MFT corresponderam a somente 14,6; 14,4 e 16,1%.
Essa elevada redução na produtividade de plantas de alface em cultivo consorciado, seja MFPI, seja MFPE, à medida que se atrasou o transplante da alface em relação ao transplante do pepino é resultado do grau de competição das plantas de pepino sobre as de alface, principalmente por luz. O crescimento rápido do pepino, conduzido verticalmente (tutorado) e, conseqüentemente, rápida formação de área foliar e interceptação da radiação solar demonstrou intensidades distintas de
sombreamento às alfaces de diferentes épocas de estabelecimento do consórcio com interferência na complementaridade temporal das espécies consorciadas. À medida que se atrasou o transplante da alface, menor foi o grau de complementaridade temporal, pois a alface teve desde o início de seu desenvolvimento menor intensidade de radiação solar disponível. Conseqüentemente, a assimilação líquida (produção e consumo de fotoassimilados) foi continuamente decrescente com transplantes da alface realizados mais atrasados em relação ao pepino.
De acordo com LARCHER (2000), nas florestas e nas densas copas das árvores, somente a fotossíntese das folhas situadas nas porções mais externas são saturadas algumas vezes pela radiação. No interior e abaixo da cobertura da copa (onde a radiação difusa penetra melhor que a radiação direta dos raios solares), a intensidade do trabalho fotossintético diminui proporcionalmente ao decaimento da intensidade luminosa, consequentemente a produção de fotoassimilados. Desta forma, de acordo com WILLEY (1979b), quando as diferenças temporais entre duas culturas são reduzidas, as vantagens de rendimento para as culturas diminuem dada a reduzida complementaridade temporal entre elas. Assim, prejuízos de uma cultura sobre outra sob ponto de vista de interceptação da radiação podem determinar o fracasso de cultivos consorciados.
A perda de 68,81 e 83,93% na MFT de plantas de alface transplantadas, respectivamente, 20 e 30 DAT do pepino, em relação ao transplante realizado no mesmo dia (0 DAT), refletiu negativamente na produtividade comercial da alface (Figura 7). As plantas de alface produzidas nos consórcios estabelecidos aos 20 e 30 DAT do pepino apresentaram-se estioladas, com látex e limbo foliar estreito e alongado, sem características comerciais. Esta desordem fisiológica também foi observada por CECÍLIO FILHO (2005) e REZENDE et al. (2005d), quando a alface ‘Vera’ foi consorciada com tomate, respectivamente, aos 30 e a partir dos 28 DAT do tomate. Quando uma planta está sob outras a quantidade de luz que alcança suas folhas pode tornar-se limitante, tendo o crescimento de caules e folhas severamente limitados (GLIESSMAN, 2005)
Somente foram obtidas plantas de alface com características comerciais quando foram transplantadas 0 e 10 DAT do pepino, apresentando MFT em média de 178,48 e 103,81 g planta-1, respectivamente. REZENDE et al. (2005d), consorciando alface
crespa ‘Vera’ com tomate, no período julho a novembro de 2001, semelhante à época de cultivo em análise (27/08 a 22/11), obtiveram plantas comerciais localizadas nas laterais do canteiro com 112,51 e 98,33 g planta-1, respectivamente, aos 0 e 14 DAT do
tomate.
Para massa seca total (MST) e de plantas de alface crespa localizadas nas linhas internas (MSPI) e externas (MSPE) do canteiro, verificou-se efeito significativo da interação dos fatores sistema de cultivo e época de transplante da alface somente para MST e MSPI de alface, enquanto para MSPE houve efeito isolado dos fatores (Tabela 23).
Tabela 23. Valores de F, significâncias e coeficientes de variação (C.V.) para massa seca total (MST) e de plantas de alface crespa ‘Verônica’ localizadas nas linhas internas (MSPI) e externas (MSPE) do canteiro, em função do sistema de cultivo e época de transplante da alface em relação ao do pepino ‘Hokushin’ (Experimento 1).
Causas de Variação MST MSPI MSPE
Sistema de cultivo (SC) 157,56** 140,18** 74,11**
Época de transplante (ET) 9,55** 4,87** 7,47**
SC x ET 5,05** 5,52** 1,87ns