B. Quelques actions marquantes 1
8.4. Exploitation cartographique d'images RADAR
Localizado no Médio Tapajós, nas proximidades da Latitude 4°34'12.24"S com a Longitude 56°15'45.35"O, a pouco mais de 40 km de distância de Itaituba (PA)4, Pimental possui 10.899,47 km² dos pouco mais de 5 milhões de km² da Amazônia no Brasil.
Presente no imaginário de muitos brasileiros como um imenso reservatório de recursos naturais e, ao mesmo tempo, região do vazio demográfico, o território da Amazônia corresponde a 54% do Brasil. A região é vista como a última fronteira brasileira, onde a natureza estaria intocada. Ao mesmo tempo, por causa da questão climática, há uma preocupação mundial para que a floresta amazônica seja preservada dos “males da civilização”, sendo mantida como um santuário, expressão de uma ideologia ecológica conservadora.
“Além destas visões, há também aquela vivenciada por suas populações. Uma realidade dura, de miséria e violência, que desafia essa ecologia conservadora a pensar a questão social junto com a questão ecológica. Há milhões de famílias de trabalhadores rurais; as diferentes culturas dos povos da floresta; centenas de milhares de garimpeiros; milhões de habitantes nas suas cidades, onde está a maior parte dos amazônidas, que precisam ser alimentados. Há vários e poderosos interesses por disputa de seus subsolos, pela sua enorme riqueza em biodiversidade, por sua riqueza em metros cúbicos de madeira ou megawatts de energia” (GONÇALVES, 2001, p. 16).
Com essa diversidade de visões e culturas, não se pode afirmar, como analisa Gonçalves, que haja apenas uma Amazônia, mas várias. Assim, são diversas as perspectivas, conflitos e interesses que filtram o olhar para a região.
“A verdade do colonizador não é a mesma que a do colonizado; a verdade do minerador, do fazendeiro-pecuarista ou do madeireiro não é a mesma dos índios, dos caboclos ribeirinhos e/ou extrativistas ou dos produtores familiares; a verdade dos militares ou a das grandes empresas estatais nacionais e internacionais não é a mesma necessariamente dos garimpeiros, seringueiros, castanheiros açaizeiros, balateiros, retireiros ou dos trabalhadores rurais agroextrativistas.
Assim, quando se fala de Amazônia é preciso estar atento para sabermos de que Amazônia estamos falando, tendo em conta que os diferentes agentes que atuam na região, ou por ela se interessam, tentam propor/impor a sua visão do que seja a verdade da região como sendo a verdade da região. Esse jogo de verdades é parte do jogo de poder que se trava sobre ela” (GONÇALVES, 2001, p. 16-17).
Nesta pesquisa, as Amazônias a serem analisadas delimitam-se às que se relacionam com Pimental, seus moradores e os conflitos daí construídos a partir da chegada da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, cuja construção promete colocar toda a sua área abaixo d´água.
Como afirma Gonçalves (2001), desde os primórdios de sua incorporação à ordem moderna desencadeada pelo colonialismo, a região amazônica tem sido vista mais pela ótica dos colonizadores do que de seus próprios habitantes. Daí se explica a fala de Geizy Azevedo dos Santos, que inicia este capítulo. “(...) É até bonito quando os jornais falam que o Brasil é a 5ª potencial mundial. O doído é quando quem tem que fazer o sacrifício é a gente. A gente que tem que deixar a casa, o lugar onde viveu há anos (...)”, ao abordar o impasse que estava
vivendo, ou seja, ser a favor do desenvolvimento e, ao mesmo tempo, ser contra a construção da UHE de São Luiz do Tapajós.
Ter de pagar o preço do desenvolvimento do Brasil não é apenas uma questão de Pimental, ela decorre de toda a história das Amazônias, desde sua colonização.
O mesmo imaginário considera a sua população primitiva, indolente e preguiçosa, incapaz de ser portadora de um projeto civilizatório que a redima da situação de subdesenvolvimento à qual se acha secularmente submetida.
“A Amazônia é assim uma região nunca vista a partir de sua própria realidade, do ponto de vista dos seus próprios habitantes. É uma região subordinada na hierarquia de poder no interior do seu próprio país. Ela é sempre vista a partir dos interesses nacionais e estes são definidos nos centros hegemônicos do poder nacional” (GONÇALVES, 2001, p. 25).
E do mesmo modo como vem ocorrendo em outras áreas da Amazônia, o governo federal anunciou, sem qualquer conversa prévia com os moradores de Pimental, a construção da Usina Hidrelétrica de São Luís do Tapajós, colocando a cidade no mapa da destruição já que toda sua área será alagada, para servir de barragem para o empreendimento. É essa destruição, como analisa Martins (2009), que se encontra na fronteira.
A história do recente deslocamento da fronteira é uma história de destruição. Mas também é uma história de resistência, de revolta, de protesto, de esperança.
(...) A história contemporânea da fronteira, no Brasil, é uma história de lutas étnicas e sociais. Entre 1968 e 1987, diferentes tribos da Amazônia sofreram pelo menos 92 ataques organizados, principalmente por grandes proprietários de terra, com a participação de seus pistoleiros, usando as armas de fogo. (...) Não só os índios foram envolvidos na luta violenta pela terra. Também os camponeses da região, moradores antigos ou recentemente migrados, foram alcançados pela violência dos grandes proprietários de terra, pelos assassinatos, pelas expulsões, pela destruição de casas e povoados. (...) o que há de sociologicamente mais relevante para caracterizar e definir a fronteira no Brasil é, justamente, a situação de conflito social (MARTINS, 2009, p. 132-133).
Então, o conflito entre o Governo Federal, que busca construir a UHE de São Luiz do Tapajós para trazer desenvolvimento ao país, e os moradores de Pimental, que serão desalojados para que a represa inunde toda a área, é, em si, uma situação de fronteira.
Buscando analisar a situação de fronteira em Pimental, por meio dos diferentes conflitos, mobilizados a partir da vinda da hidrelétrica desde seu anúncio em 2009, este capítulo busca colocar Pimental no mapa das Amazônias e, consequentemente, do Brasil, tomando como referência a pesquisa bibliográfica e as vozes dos cinquenta moradores que foram entrevistados durante a pesquisa de campo. Deste modo, busca analisar de que forma os agentes externos, agentes da frente pioneira – ciclo da borracha, do ouro, a Ditadura Militar, etc. – produziram Pimental, transformando o seu cotidiano e o de seus moradores até a chegada da hidrelétrica.