Designer: “Deixa eu ver. Acho que no segmento do lojista, bastante. Dependendo disso aplico uma comunicação visual completamente diferente. E também no tamanho dos projetos, mas não é uma variação tão grande. E aí outro fator que para mim impacta bastante é a quantidade de ajustes necessários. Isso depende do tipo de cliente e da nossa capacidade de leitura das vontades dele. Não adianta querermos entregar o melhor para o segmento do lojista, no final do dia ele sempre vai ter suas visões próprias que gostaria de realizar. E dependendo do tamanho desse gap, eu passo mais tempo com ajustes ou não. Principalmente quando ele aparece com algo completamente novo que passou na hora de fechar o contrato com o escopo e decidimos fazer - aí isso pode impactar nos prazos.”
Luise: “Você vê alguma possibilidade de diminuir esse gap? De entender o lojista melhor e economizar trabalho?”
Designer: “Eu acho que isso poderia ser mais bem conversado no Kickoff. Ou talvez mais bem passado para a gente. Quanto mais material, mais input eu tiver para a criação, mais assertiva consigo ser. Isso pode ser um brand book, no melhor caso, mas também qualquer material de banner, site institucional ou landing page existente, ou até mesmo as próprias explicações do lojista. Claro que não podemos dar demais margem para ele também. Se eu perguntar para um multivarejista ‘o que você quer para seu site’ ele vai me dizer que quer o da Americanas, e claro que em primeiro momento, dependendo do tamanho de sua marca e tudo, isso não é possível, nem recomendável. Mas eu prefiro que ele me diga que quer a loja das Americanas e eu poder pelo menos me orientar nela, do que ele continuar querendo e eu não entregar
porque não sei. O alinhamento das expectativas para mim é o mais importante no sucesso do cliente.”
8. Quais desafios você vê nos projetos nesta empresa? Você considera estes desafios problemas?
Designer: “Como eu disse, eu acho o alinhamento entre os designers, o desenvolvimento e a gestão de projetos aí no meio algo fundamental. Todos deveriam ter o mesmo conhecimento sobre um projeto. Algo menor, mas que me impacta no meu dia a dia é a organização da pauta
no jobber. Às vezes fico sabendo só no dia que eu tenho um projeto para começar, quando já poderia ter pesquisado sobre ele antes. Ou, isso é pior, é para vir um projeto, mas eu já liberei a pauta para outra atividade, por exemplo do atendimento, porque estava livre. E tem também alguns pontos específicos, mas que se repetem de projeto a projeto, onde os devs
implementam alguns detalhes diferentes do apresentado e aprovado em Layout. Eu não culpo eles, porque realmente o trabalho do design não é tão o foco para um desenvolvedor, mas se eu pudesse pontuar isso melhor para eles, aos poucos esses detalhes seriam corrigidos.” Luise: “Como é passado esse feedback hoje?”
Designer: “Muitas vezes eu só vejo quando a loja já está no ar, mas aí eu mando uma mensagem no Slack, porque também não quero incomodar os devs que já estão focados em outro projeto. Mas é ruim porque tem que tirar uns prints, e as pessoas veem na pressa, e no final ninguém sabe mais quem foi o responsável. (pausa) De desafios você diz também coisas que acho que deveriam ser melhorados?”
Luise: “Com certeza, pode citar o que vier na sua mente.”
Designer: “Então acho que uma necessidade que temos é cuidar mais com o tempo dos projetos. Tem projetos que preciso fazer o Layout muito na correria, até o ponto de eu não estar satisfeito com meu próprio trabalho.”
Luise: “Entendi. Quais são as atividades que você deixa de fazer por ter que entregar mais rápido?”
Designer: “Eu não posso reservar horas para pesquisa, por exemplo. É importante eu
conhecer o mercado de cada cliente, buscar por inspiração, conhecer a marca, como eu disse antes. E não consigo fazer testes quando estou apressado, preciso tomar as decisões muito rápidas, quando o trabalho criativo normalmente é algo que necessita dos testes visuais para validação.”
Luise: “Você tem a impressão que existe uma relação entre um tempo curto de criação e muitas solicitações de ajuste depois?”
Designer: “Olha, com certeza. Se não na própria implementação, vem no contrato de evolução depois. E como vamos fazer esses testes depois e mostrar que realmente está ineficiente se nos mesmos desenvolvemos, sabe? Muito complicado isso.”
Luise: “Com certeza, entendi.”
Perguntas sobre as áreas de conhecimento da GP baseados em modelo do Guia PMBOK e resultados das pesquisas sobre razões do fracasso de projetos
9. (Integração) Vamos falar um pouco mais específico sobre cada parte dos projetos? Primeiramente eu queria saber como você avaliaria o seu Gestor de Projetos no quesito de ter uma visão do todo dos projetos. Até o ponto que souber avaliar, claro.
Designer: “Até onde eu sei, sim. Ele tem bastante experiência na área e sabe de tudo um pouco.”
Luise: “E você diria que seus gestores sabem sempre em qual ponto do desenvolvimento está um projeto? Por exemplo para saber quando ele corre o risco de atrasar.”
Designer: “Olha, acho que a etapa geral, com certeza. Mas o momento específico não. Pelo menos não aqui na parte do Design. Mas aí ele pergunta pra gente. São bastante projetos em
paralelo para acompanhar. Acho que ele ter que perguntar ainda funciona. O que me preocupa é quando outro alguém, um cliente ou algum dos diretores precisar saber disso. Ou quiser um panorama geral. Sei que existem alguns documentos que pretendem resumir isso, mas ainda não está tão desenvolvido, e muitas vezes desatualizado.”
10. (Escopo) Entendi. Eu ia fazer algumas perguntas sobre o escopo agora, mas estou vendo que já adiantamos muita coisa nos outros tópicos. Mas restou uma: Você sente que ao longo do projeto são desenvolvidas atividades que não contribuem às entregas finais? E caso sim, porque?
Designer: “Eu acho que em geral não. Mas muitas vezes as atividades que começamos não são tão bem aproveitadas quanto deviam, se tivéssemos mais tempo.”
Luise: “Consegue me dar um exemplo?”
Designer: “As análises e testes no início da criação. No final das contas a decisão da gestão ou do cliente é outra do que indicado pelos testes. Simplesmente porque nem sempre tenho a chance de apresentar os dados para eles, ou às vezes não consigo nem terminar a análise.”
11. (Tempo) Como você percebe o tempo para o desenvolvimento dos projetos? Há muitas variações de duração entre eles?
Designer: “Deveria. Mas acaba que muitas vezes fazemos um projeto grande e complexo em quase tanto tempo quanto um padrão. Isso pode prejudicar a qualidade ou nos estressar bastante. Claro que eu não culpo só a gestão por isso, muitas vezes o próprio cliente tem pressa com a entrega e todo o projeto acaba sendo meio corrido.”
Luise: “E o tempo estimado normalmente bate com o realizado? Há atrasos ou sobras de tempo?”
Designer: “Necessariamente (ri). Bate porque fazemos bater. Se eu conhecer o tempo disponível desde o início, consigo distribuir minhas atividades de acordo. Não digo que é o caso ideal, mas entrego o Layout no tempo previsto. E sobras de tempo é mais comum haver nos períodos entre projetos ou entre as suas etapas - quando por exemplo um feedback está demorando para voltar para nós, por questões lá do cliente. Mas nunca ficamos ociosos, sempre tenho bastante coisa para estudar, testar, ajustar etc.”
12. (Custos - Não avaliados por não se tratar de função de liderança). 13. (Qualidade - respondido em cima.)
14. (Recursos Humanos) Você acredita que sua equipe é grande o suficiente? Designer: “A princípio sim, acho que sim.”
15. Como você avalia as competências de sua equipe? Em geral, se sentem capaz