Após vinte meses de incubação, o C variou entre os locais e camadas. As adições crescentes de C-resíduo promoveram aumentos crescentes de C, em todas as frações. Em PG, as frações mais lábeis na camada de 0-20 cm, tiveram elevada queda no C, cujas perdas, considerando a média das adições foram de 35,3, 50,4 e 14,0 % nas frações de cPOM, LF e iPOM, respectivamente (Fig. 3.1). Nesse cenário, a variação de C foi negativa mesmo com a maior adição de C-resíduo (48 Mg ha-1). Em contraste, na fração H-dMin-C a variação foi em direção ao ganho no C, mesmo no tratamento sem adição de C-resíduo. O estoque de C nessa fração aumentou em 6,1 % (1,1 g kg-1), com ganhos de 0,70 a 1,73 g kg-1 de C nas adições de 0 e 48 Mg ha-1 de C-resíduo, respectivamente. Nas demais frações, a variação de C foi menor, variando da queda de 0,13 g kg-1 na fração NH-dMin-C até o ganho de 0,19 g kg-1 na fração H- µMin-C. Nas profundidades de 20-40 e 40-100 cm o C da fração cPOM teve elevado ganho após 20 meses de incubação. Os acréscimos, na média das adições foram de 72,8 % (0,34 g kg- 1) e 42,2 % (0,20 g kg-1) nas camadas de 20-40 e 40-100 cm, respectivamente. A fração H- dMin-C teve o maior incremento cujo acréscimo de C considerando a média das adições, foi de 6,5 % (0,90 g kg-1) e 3,8 % (0,46 g kg-1) nas profundidades de 20-40 e 40-100 cm, respectivamente.
Em LDN, o C nas três frações lábeis teve pequenas variações nas três profundidades incubadas (Fig. 3.2). Em contraste, o ∆ C da fração cPOM foi expressivo na camada 0-20 cm, variando de -0,19 a 0,60 g kg-1 para adições de 0 e 48 Mg ha-1 de C-resíduo, respectivamente. A variação de -0,19 g kg-1 representou a perda de 27,7 % de C no tratamento sem adição e a variação de 0,60 g kg-1, resultou no ganho de 86,0 % na maior adição de C-resíduo. O C na fração H-dMin-C aumentou em todas as adições de C-resíduo, nas três profundidades. Esses ganhos foram de 11,1 % (0,97 g kg-1), 23,4 % (1,20 g kg-1) e 43,3 % (1,42 g kg-1) na média das adições, para as profundidades de 0-20, 20-40 e 40-100 cm, respectivamente. O C na fração NH-dMin-C decresceu em todas as camadas na ordem de 10,3 % (0,51 g kg-1), 14,1 % (0,40 g kg-1) e 9,4 % (0,24 g kg-1) na média das adições, nas profundidades de 0-20, 20-40 e 40-100 cm. Adicionalmente, o C nas frações H-µMin-C e NH-µMin-C também apresentaram queda nas três camadas do solo em LDN.
FIGURA 3.1. Variação do C nas frações da MOS: cPOM – matéria orgânica particulada grossa; LF – matéria orgânica particulada leve; iPOM – matéria orgânica particulada intramicroagregado; H-dMin-C – carbono associado aos minerais facilmente dispersos, hidrolisável; NH-dMin-C – carbono associado aos minerais facilmente dispersos, não hidrolisável; H-µMin-C – carbono associado aos minerais derivado de microagregado, hidrolisável; NH-µMin-C - carbono associado aos minerais derivado de microagregado, não hidrolisável) após 20 meses de incubação em resposta as adições de C-resíduo de 0, 12, 24 e 48 Mg ha-1, nas profundidades de 0-20, 20-
40 e 40-100 cm, em Ponta Grossa. As barras verticais representam o desvio padrão; n=3.
V aria ção do C , g kg -1
FIGURA 3.2. Variação do C nas frações da MOS: cPOM – matéria orgânica particulada grossa; LF – matéria orgânica particulada leve; iPOM – matéria orgânica particulada intramicroagregado; H-dMin-C – carbono associado aos minerais facilmente dispersos, hidrolisável; NH-dMin-C – carbono associado aos minerais facilmente dispersos, não hidrolisável; H-µMin-C – carbono associado aos minerais derivado de microagregado, hidrolisável; NH-µMin-C - carbono associado aos minerais derivado de microagregado, não hidrolisável) após 20 meses de incubação em resposta as adições de C-resíduo de 0, 12, 24 e 48 Mg ha-1, nas profundidades de 0-20, 20-
40 e 40-100 cm, em Londrina. As barras verticais representam o desvio padrão; n=3.
V aria ção do C , g kg -1
As alterações de C nas frações da MOS em LRV foram superiores na profundidade de 0-20 cm comparada as demais. As adições de C-resíduo proporcionaram acúmulo de C nas frações LF, H-dMin-C, NH-dMin-C e H-µMin-C na camada de 0-20 de profundidade (Fig. 3.3). Por outro lado, constatou-se queda de C nas frações iPOM e NH-µMin-C, mesmo com a maior adição de C-resíduo. A fração H-dMin-C apresentou o maior ganho comparado às demais frações e ocorreu nas três camadas incubadas. O acúmulo de C nessa fração foi na média das adições, de 13,5 % (0,77 g kg-1), 22,7 % (0,89 g kg-1) e 15,4 % (0,46 g kg-1), para as profundidades de 0-20, 20-40 e 40-100 cm, respectivamente. Na profundidade de 20-40 cm, a fração com maior alteração foi a cPOM, uma vez que o C nessa fração diminuiu em 37,0 % (0,26 g kg-1) para o tratamento sem adição de C-resíduo e aumentou em 3,2 % (0,02 g kg-1) na adição de 48 Mg ha-1 de C-resíduo (Fig. 3.3). Na profundidade de 40-100 cm, constatou-se queda no C nas frações cPOM e NH-dMin-C, e foi mais evidente na taxa zero de adição de C- resíduo. Nesse tratamento a diminuição de C foi de 31,1 % (0,19 g kg-1) e 28,2 % (0,38 g kg-1) nas frações cPOM e NH-dMin-C, respectivamente.
Em todos os locais e camadas constatou-se ampla resposta às adições de resíduo e grande capacidade de estabilização de C através da relação linear entre a adição de C-resíduo e o ganho de C tanto no C-lábil (soma das frações cPOM, LF e iPOM) quanto na fração associada aos minerais – C-min (soma das frações H-dMin-C, NH-dMin-C, H-µMin-C e NH-µMin-C) (Fig. 3.4). Os coeficientes angulares foram superiores na fração C-min (exceto na profundidade de 0-20 cm de LDN e LRV), indicando que nessa fração ocorreu a maior migração de C oriundas das adições de C-resíduo. Além disso, a relação C-min/C-lábil dos coeficientes angulares obtidos através da relação entre a adição de C-resíduos e a variação de C aumentou com em direção as camadas mais profundas (20-40 e 40-100 cm de profundidade). A relação C-min/C-lábil dos coeficientes angulares foi conforme a ordem a seguir: Em PG foi de 1,48, 2,12 e 3,15; em LDN foi de 1,00, 3,42 e 3,33 e para LRV foi de 0,95, 3,85 e 5,10 nas camadas de 0-20, 20-40 e 40-100 cm de profundidade, respectivamente.
FIGURA 3.3. Variação do C nas frações da MOS: cPOM – matéria orgânica particulada grossa; LF – matéria orgânica particulada leve; iPOM – matéria orgânica particulada intramicroagregado; H-dMin-C – carbono associado aos minerais facilmente dispersos, hidrolisável; NH-dMin-C – carbono associado aos minerais facilmente dispersos, não hidrolisável; H-µMin-C – carbono associado aos minerais derivado de microagregado, hidrolisável; NH-µMin-C - carbono associado aos minerais derivado de microagregado, não hidrolisável) após 20 meses de incubação em resposta as adições de C-resíduo de 0, 12, 24 e 48 Mg ha-1, nas profundidades de 0-20, 20-
40 e 40-100 cm, em Lucas do Rio Verde. As barras verticais representam o desvio padrão; n=3.
V aria ção do C , g kg -1
FIGURA 3.4. Relação das adições de C-resíduo com a variação do C nas frações lábil (C-lábil) e associada aos minerais (C-min) após 20 meses de incubação, nas profundidades de 0-20, 20-40 e 40-100 cm, em Ponta Grossa (PG), Londrina (LDN) e Lucas do Rio Verde (LRV).
3.5.2. Estabilização do C derivado da adição de resíduos culturais nas frações da MOS