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Exp´erience d’´echange de solvants

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3.3 Localisation de la zone de fermeture de porosit´e

3.3.3 Exp´erience d’´echange de solvants

«eu tive uma relação com a escrita bastante engraçada» (A4)

A animadora A1 começou a cultivar o gosto pela escrita, por volta dos dezoito

anos e fê-lo através das leituras poéticas1. Desde essa altura sentiu a

necessidade de mostrar a alguém o que produzia e acabou por mostrar os seus textos as suas amigas e à professora de Português. Apesar de o ter feito, sente que nem essa professora nem qualquer outro professor a sensibilizaram para gostar de escrever, por isso o facto que marcou verdadeiramente a sua relação com a escrita foi a selecção de um trabalho seu para uma rádio:

(10) «eu enviei para (…) uma rádio nacional e dois dos meus textos foram

acolhidos para recensão crítica. (…) Apostaram naqueles textos para falar para um público geral» (12) «não sei se foi ou não foi mas a verdade é que a partir daí a minha relação com a escrita modificou-se completamente»

Os textos que escreveu na juventude fariam, mais tarde, parte dos primeiros livros de poesia desta animadora que se define como alguém muito próxima da escrita, onde alia a sua intuição à pesquisa de processos e técnicas que desencadeiam a escrita poética.

Também a animadora A2 faz referência ao seu percurso como escrevente,

dizendo que desde sempre gostou muito de escrever, apesar de dar muitos erros ortográficos, o que para ela era algo de muito estranho2. Mais tarde deixou de dar erros e continuou sempre a gostar de escrever. Este gosto pela escrita perpetua- se até aos dias de hoje. Tal como aconteceu com a animadora A1, a leitura teve bastante influência para A2:

(7) «lia muito (…) é engraçado porque eu às vezes acho que não há assim

uma ligação tão directa entre não dar erros e ler muito» (9) «lia imenso

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cf. Anexo 3 – Entrevista com a animadora A1

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quando era miúda e dava imensos erros à mesma, portanto acho que havia ali um acumulado mais psicológico»

E deste modo, alia o seu gosto pela escrita à leitura no seu percurso profissional. A animadora A2 começou por tirar o curso de educação especial e posteriormente concluiu o Conservatório de Teatro o que a levou, neste percurso, a utilizar a escrita nestas duas áreas. A razão pela qual faz esta ligação entre a escrita e o teatro é, essencialmente, porque na maior parte das vezes o teatro assenta num texto.

Tal como aconteceu com as animadoras A1 e A2, o animador A4 diz que desde pequeno que se relacionava bem com a escrita, isto é, gostava muito de escrever e achava que escrevia bem. A primeira pessoa que se interessou e que, de certo modo, influenciou a sua relação com a escrita foi uma professora do antigo quinto ano (hoje nono ano de escolaridade). Esta professora foi o seu primeiro público, pois durante muito tempo escrevia para ela porque, por um lado, tinha que fazer trabalhos escolares para a sua disciplina e, por outro, era a única pessoa que o apoiava. Ainda no liceu começou a fazer teatro e, quando frequentou o curso do Magistério Primário, o seu grupo de teatro apercebeu-se que as peças que faziam não eram exactamente aquelas com que mais se identificavam. Assim, tiveram a necessidade de encontrar outro tipo de peças e este animador começou a escrever textos dramáticos para colmatar essa falha. Lentamente substituiu o prazer que tinha em representar pelo prazer de escrever. O animador A4 define, então, esse seu prazer pela escrita como uma obsessão3:

(42) «substituiu-se uma coisa pela outra e para mim (…) foi muito

importante e foi muito satisfatório. A partir daí é que se fez o percurso de frente, que é trabalhar textos (…) e depois aquilo é um bocado obsessivo, uma pessoa vai ficando obcecada por aquelas coisas e vai procurando saber mais coisas»

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Um pouco diferente foi o percurso da animadora A3que tem uma formação inicial em música. Esta animadora nunca se interessou pela escrita quando era nova, apesar de considerar que não tinha dificuldades em escrever.

Aos 33 anos, quando nasceram os seus filhos, começou a escrever diariamente histórias. Escrevia por passatempo, sem nunca ter pensado em publicar as histórias, até que, numas férias passadas com uma amiga, professora do 1º ciclo, esta aprecia muito a sua escrita e sugere-lhe que as publique. Depois, essa sua amiga levou as histórias para a escola para serem vistas pelas colegas que a convidaram para ir falar com os alunos. Foi a partir desse momento que decidiu publicar as suas histórias e só mais tarde é que começou a escrever peças para teatro, apesar de confessar que sempre gostou de escrever textos dramáticos. Começou por escrever pequenas peças de teatro para escolas e, no ano de 1998, escreveu uma peça, a qual classifica como um guião de uma peça musical, pois era a montagem de uma peça musical em palco. A primeira vez que construiu uma peça de teatro, foi no ano da matemática, em 2000, no Teatro da Trindade. Posteriormente, escreveu mais três peças sobre a matemática, cada uma para ciclos de escolaridade diferentes.

Mais tarde escreveu a peça “O Navio dos Rebeldes”. A construção desta peça foi para a animadora A3 a melhor escola de escrita de texto dramático e de teatro que teve, muito por causa do encenador e de toda a experiência que ele tem. Neste momento, a escrita faz parte da sua actividade diária:

(124) «aquilo era um hobbie era uma coisa que eu gostava muito de fazer e

não tive a noção de que me estava a empenhar tanto» (130); «então aí passou a fazer parte [de mim] diariamente praticamente. Eu (…) sinto imensa falta se tenho um dia que não estou a escrever ou que não estou a ah estruturar histórias. Faz-me imensa falta»4

A descrição que cada animador faz da relação com a escrita, das pessoas que influenciaram essa relação, bem como o momento da vida em que aconteceu

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foram marcos importantes nos seus percursos pessoais, daí terem-no expressado nas entrevistas realizadas. São experiências de vida, de leitura e de escrita, que os marcaram e que influenciam o seu modo de dirigir oficinas de escrita.

De seguida apresentamos um quadro síntese do percurso pessoal de cada animador e uma breve reflexão.

A1 A2 A3 A4 Definição/ relação com a escrita (6) «sensibilidade» (1) «gostava imenso de escrever» (8) «a escrita tropecei nela»

(6) «eu tive uma

relação com a escrita bastante engraçada» Que pessoas influenciaram Professora e amigas --- Amiga professora do 1º CEB A professora do 5º ano Acontecimento “marcante” Envio de um trabalho para a rádio --- Nascimento dos filhos Necessidade do grupo de teatro do magistério ter textos próprios Altura da vida Aos 18 anos Desde sempre Aos 33 anos Aos 15 anos

Profissão Professora e poetisa Professora de ensino especial e drama Professora e escritora de livros infanto-juvenis e peças de teatro Professor do primeiro ciclo e dramaturgo

Tabela 2 – Relação dos animadores com a escrita.

Perante este quadro síntese podemos verificar que todos os animadores entrevistados são professores e todos, com excepção de A2, sofreram uma certa

influência de professores no seu percurso como escreventes. A animadora A3

destaca-se por só ter descoberto o seu gosto pela escrita já em adulta, talvez pela sua formação de base ser em música. Os outros três, desde cedo, estabeleceram uma relação positiva com a escrita. De notar que todos, com excepção de A2,

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estão ligados à escrita também a nível profissional, pois publicam ou já publicaram livros ou tiveram peças representadas.

Podemos, deste modo, inferir que a escola, e mais especificamente, os professores podem ter um papel importante no percurso de escrita dos seus alunos, por várias razões. Em primeiro lugar são eles as primeiras pessoas a fazerem a iniciação à leitura e à escrita e depois são eles que fazem as propostas e, principalmente, são eles que corrigem os textos elaborados pelos alunos. Neste processo comum a todos os professores, o que poderá fazer a diferença serão as estratégias utilizadas: o tipo de iniciação à leitura e à escrita que propõem; os pontos de partida para a escrita, os destinatários e os textos que são lidos na aula; os critérios de correcção e o destino a dar aos textos produzidos são algumas das muitas estratégias que podem influenciar uma imagem positiva da escrita e do sujeito enquanto escrevente.

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