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Chapitre III : Evaluation des organigrammes des apprenants en algorithmique

III. Expérimentation

Essa subcategoria foi revelada a partir dos discursos das mães sobre a gravidez e o acompanhamento pré-natal. Oito mães (M2, M3, M5, M9, M10, M11, M12 e M13) optaram por iniciar sua narrativa no período pré-natal para explicar a história do filho e sua condição de saúde. Essas mães falaram sobre a gravidez e o atendimento recebido no pré-natal, destacando a relação estabelecida com os profissionais de saúde.

Em seus discursos, as mães abordaram as intercorrências durante a gravidez e a assistência recebida dos profissionais de saúde que acompanharam o pré-natal. As mães expressaram sua percepção sobre o atendimento realizado pelos profissionais, evidenciando,

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em alguns casos, que consideraram adequadas as condutas adotadas e, em outros, que desaprovaram a assistência prestada, por acreditarem que o profissional foi descuidado ou desumano.

O pré-natal de qualidade e humanizado é fundamental para a gravidez e o nascimento saudáveis, possibilitando a diminuição da morbimortalidade materna e fetal, a vivência segura do processo de nascimento e a preparação para a maternidade (ZAMPIERI; ALACOQUE, 2010). Essa assistência deve abranger tanto medidas de prevenção de agravos e promoção da saúde quanto a detecção e o tratamento precoce de intercorrências que prejudiquem a mãe ou o feto (BRASIL, 2000).

O discurso da mãe M5 revelou a identificação de intercorrências durante a gravidez e a realização das condutas necessárias. A mãe relatou a identificação de crescimento intrauterino restrito pelo médico responsável por seu atendimento pré-natal. Ela narrou que, na 27ª semana de gestação, o médico a encaminhou para a maternidade de referência (Hospital A), onde foi identificado o desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Ela permaneceu internada em acompanhamento durante 14 dias no hospital; após esse período foi necessário realizar o parto.

Entretanto, quatro mães (M2, M3, M10 e M13) revelaram, em seus relatos, a percepção de que as alterações apresentadas durante a gravidez não foram identificadas precocemente pelos profissionais de saúde ou, quando foram identificadas, não foi realizada a intervenção apropriada oportunamente.

Em seus discursos sobre a gravidez, M2 e M13 abordaram o não reconhecimento durante o pré-natal da mielomeningocele e da síndrome de Down, respectivamente:

Fiz os exames, ultrassom [...]. Não identificou nenhuma [alteração]... Assim era pequenininho realmente [mielomeningocele], tamanho assim, mas não sei se dá pra ver... M2-91

O pré-natal, eu fiz dois ultrassom dele, só que o médico nunca me pediu o morfológico. Diz que é o morfológico que dá pra ver [se tem síndrome de Down]. Quando eu quis fazer o morfológico já tinha passado da época [...]. Se eu tivesse conseguido, eu ia saber na gravidez que ele tinha. (M13-14)

Sobre seu acompanhamento pré-natal, M10 relatou que foi acompanhada pela enfermeira do seu Centro de Saúde de referência, ressaltando que o Serviço estava sem médico. A mãe descreveu que aproximadamente no quinto mês de gestação sua pressão arterial começou a oscilar e que a enfermeira a encaminhou para avaliação com o obstetra responsável pelo pré-natal de risco no município. Entretanto, a mãe narrou que, no momento da avaliação com o obstetra, sua pressão arterial não estava alta e como tinha menos de 45

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anos, o obstetra falou que não poderia acompanhá-la, pois ela não se encaixava no critério de alto risco.

A mãe (M10) passou a ir ao Centro de Saúde três vezes por semana para aferir a pressão arterial, quando foi novamente identificado que o valor estava elevado, ela recebeu medicação e ficou em observação, um dia no Centro de Saúde e outro no hospital municipal. No terceiro dia consecutivo com a pressão elevada, a mãe foi encaminhada novamente para o hospital municipal e, após dois dias, foi transferida para o Hospital A, onde ficou internada por dez dias, até que foi preciso realizar o parto. A respeito de seu acompanhamento pré-natal M10 questionou:

[...] Se ele [obstetra responsável pelo pré-natal de alto risco] tivesse aceitado me acompanhar quem sabe não teria acontecido isso? Quem sabe a minha filha hoje não teria esse problema de displasia pulmonar? (M10-13)

O relato de M3, por sua vez, evidenciou a compreensão da mãe de que a identificação da intercorrência em sua gravidez e o estabelecimento da conduta adequada foi tardia:

Eu tive descolamento de placenta, fui pro hospital aqui do município. Dava tempo dela ser retirada sem sequelas nenhuma, eu cheguei 10:20h no Hospital Municipal, só que o médico que tava de plantão falou que não tava na hora deu ganhar, me deixou lá. Quando ele viu eu já tava sangrando, quando ele viu que não ia ter jeito ele foi e me transferiu. Chegou lá no Hospital A eu fiz de emergência a cesárea, fui já direto pro bloco e ela nasceu parada... (M3-2)

O relato de M9 também revelou a insatisfação com a conduta do profissional que realizou seu pré-natal. A mãe considerou que a médica poderia tê-la encaminhado para a Maternidade anteriormente, ao constatar na última consulta de pré-natal que, próximo da 42ª semana de gestação, ela ainda estava sem dilatação. A mãe narrou que foi para a Maternidade por conta própria; posteriormente, ela abordou dificuldades durante o trabalho de parto.

Eu fui assim por conta própria, que ela pediu pra esperar ‘M9 você pode esperar’, eu

falei com mãe ‘Eu não vou esperar não porque já me falaram que é até 42 semanas

que o neném pode ficar e já tô entrando nisso [...]’. (M9-54)

Os discursos revelaram que essas mães (M2, M3, M9, M10 e M13) têm dúvidas a respeito da qualidade do cuidado recebido no pré-natal, o que permite questionamentos sobre a possibilidade de a trajetória dos filhos ter sido diferente caso tivessem recebido o atendimento adequado. Os relatos das mães a respeito do pré-natal evidenciaram o sentimento de descuido com elas e, em consequência, com seus filhos, pois as alterações em sua saúde durante a gravidez representavam risco para eles, podendo afetar a condição de nascimento.

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Revelou-se a percepção das mães de não reconhecimento de suas necessidades pelos profissionais, evidenciando uma falta de disponibilidade para o cuidado.

Em estudo a respeito do cuidado no pré-natal foi identificado que as gestantes consideram desumanizado o cuidado rotineiro, mecânico e centrado em procedimentos, no qual o profissional atua com falta de disponibilidade, de interesse e de comunicação. O pré- natal humanizado, para elas, deve compreender as dimensões sociais, físicas e psicológicas, além de proporcionar acesso à assistência de forma precoce e prioritária, abrangendo consultas, exames, encaminhamentos aos níveis de atenção à saúde e continuidade da atenção nas instituições hospitalares. As mães consideram importante a relação dialógica horizontal com os profissionais, com confiança, respeito à dignidade e reconhecimento mútuo. Isso implica que os profissionais reconheçam e valorizem as necessidades, queixas e sentimentos da gestante (ZAMPIERI; ALACOQUE, 2010).

Victora et al. (2011) ressaltaram, em relação à saúde das mães e crianças no Brasil que, embora o acesso à contracepção, à atenção pré-natal e aos cuidados durante o parto tenha aumentado desde a década de 1980, a qualidade da atenção ainda não é consistentemente alta. Os autores apontam um paradoxo no país, caracterizado pela medicalização abusiva e pelo uso insuficiente de medidas simples e com valor preventivo comprovado, como o exame físico de mamas e pelve e aferição da pressão arterial. Além disso, foi abordado que os cuidados à saúde no atendimento do pré-natal e do parto são mal integrados.

Mesmo com a elevada cobertura do atendimento pré-natal na atualidade, foram identificadas, no estudo, situações em que as mães não realizaram o pré-natal (M7) ou que o iniciaram tardiamente (M12). A mãe M12 relatou que realizou apenas duas consultas de pré- natal, pois descobriu a gravidez com seis meses de gestação e, em seguida, entrou em trabalho de parto.

Quando eu descobri que tava grávida eu tava com seis meses, eu fui fazer exame, na hora que eu dei entrada nos exames ele nasceu. (M12-1)

Uma das mães, M11, não abordou aspectos da assistência pré-natal, enfatizando seus sentimentos em relação à gravidez. Ressaltaram-se, em seu relato, as dificuldades do período da gravidez devido a não querer outro filho. Disse que, com aproximadamente 30 semanas de gestação, sentiu dores e contrações e foi para o hospital do município de onde foi encaminhada para o Hospital A onde foi realizado o parto.

A minha gravidez foi consecutiva, uma em cima da outra [...] E minha gravidez foi uma gravidez muito depressiva porque eu não aceitava ela não, não aceitava ela de forma alguma [...] eu não queria mais filho, sabe? Então eu chorava muito, negava

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muito, falava que eu ia tirar e eu passava muito mal, tipo sentia umas dores no pé da barriga, aquelas colicazinhas fraquinhas, e tomava remédio, passava. (M11-1)

Os discursos permitiram apreender que a experiência dessas mães na gravidez e assistência pré-natal foi marcada pelo rompimento do esperado e planejado, associado a intercorrências como eclâmpsia, crescimento intrauterino restrito e descolamento prematuro de placenta. Os relatos das mães evidenciaram preocupação sobre a evolução da gravidez, devido à compreensão de que essas intercorrências colocavam em risco tanto a vida delas quanto a dos filhos. Diante disso, as mães demonstraram esperar a identificação e a definição de condutas de forma rápida e efetiva pelos profissionais de saúde para minimizar os riscos para os filhos. Entretanto, o atendimento pelos profissionais de saúde no pré-natal não correspondeu às necessidades e expectativas dessas mães.

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