Chapitre 7 - Expérimentations
7.3. Résultats des expérimentations
7.3.4. Expérimentation annoteur avec des étudiants de Psycho
Em um contexto geral, pode-se afirmar que as florestas deciduais possuem menor riqueza e biodiversidade em relação às florestas semideciduais e são compostas por espécies típicas de ambientes secos e adaptadas à alta fertilidade dos solos, como algumas dos gêneros citados por Prado & Gibbs (1993): Anadenanthera, Aspidosperma, Astronium, Brunfelsia,
Carica, Celtis, Combretum, Commiphora, Enterolobium, Hymenaea, Machaerium, Myracrodruon, Patagonula, Pelthophorum, Piptadenia, Pouteria, Schinus, Senna, Solanum, Sterculia, Tabebuia, entre outros.
A espécie que melhor descreve o arco das formações secas no Brasil, conforme Prado & Gibbs (1993) é Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan var. cebil (Griseb.). Os autores caracterizam essa espécie de ampla distribuição geográfica, com três grandes núcleos de origem, sendo a região Nordeste do Brasil (Caatinga), o principal deles. Os demais núcleos são: o núcleo de Missiones, que inclui os sistemas dos rios Paraguai e Paraná, no norte da Argentina, o leste do Paraguai e o sudeste do estado de Mato Grosso do Sul no Brasil e; o núcleo Piedmont localizado entre os Andes no sudoeste da Bolívia e noroeste da Argentina (Prado & Gibbs 1993). Ou seja, a espécie ocorre em ambientes estacionais tropicais e subtropicais.
Conforme Ratter et al. (1978) as florestas estacionais deciduais possuem grande afinidade florística com a Caatinga, principalmente quando essa ocorre em sua forma de floresta,
sendo considerada como “Caatinga arbórea”. Na descrição de Andrade-Lima (1982), essas formações florestais da Caatinga, têm como gêneros principais: Aspidosperma, Astronium,
Cavanilesia, Tabebuia e Schinopsis, que são comuns em florestas estacionais de outras
regiões brasileiras (Nascimento et al. 2004, Silva et al. 2004, Scariot & Sevilha, 2005). Por outro lado, as florestas estacionais semideciduais, que em geral são mais ricas e biodiversas, são compostas por espécies típicas das florestas estacionais deciduais e em proporção equivalente por espécies dependentes da umidade do solo, como aquelas que se distribuem nas Florestas Ombrófilas do bioma Atlântico e em menor proporção com as do bioma Amazônico (Oliveira-Filho & Fontes 2000), coincidindo com as espécies que habitam as formações florestais associadas aos sistemas ripários do Cerrado, que cruzam o bioma formando um arco noroeste-sudeste pela rede dendrítica (Oliveira-Filho & Ratter 1995, 2002) ao longo dos cursos d´água.
Em investigação sobre a diferenciação florística das formações florestais do sudoeste do Brasil, Oliveira-Filho & Fontes (2000) comentam que a flora arbórea das florestas semideciduais da região é, em boa medida, um sub-conjunto da flora das florestas ombrófilas, provavelmente excluindo aquelas espécies incapazes de suportar uma estação seca mais prolongada. Os autores propõem que existe maior similaridade florística, no nível de espécie, entre floresta atlântica ombrófila e florestas estacional semidecídua do que entre qualquer destas com a floresta amazônica, ou mesmo com o cerrado sensu
stricto.
A utilização de amostragem padronizada é um dos pontos críticos para obtenção de dados confiáveis, objetivando o manejo e manutenção da biodiversidade das florestas estacionais, como qualquer outro ecossistema tropical (Pennington et al. 2006). A padronização do limite e formas de vida a serem incluídas na amostragem, tamanho, forma de unidades amostrais e tamanho total da amostra, são os principais passos para que possam ser feitas comparações consistentes (Felfili et al. 2005a). A correlação da composição e estrutura de vegetações com variáveis ambientais permitem que sejam feitas inferências sobre manejo, estratégias de conservação da biodiversidade e recuperação de áreas degradadas (Rodrigues & Gandolfi 1998).
Com relação às florestas estacionais decíduas alguns dos estudos florísticos e estruturais realizados no Centro-Oeste são os de Ratter et al. (1978), Pereira et al. (1996), Araújo et
al. (1997a), Werneck et al. (2000), Marimon et al. (2001a, b), Silva & Scariot (2003, 2004
a, b), Nascimento et al. (2004), Nascimento (2005), Scariot & Sevilha (2005). Já para as florestas estacionais semideciduais a maioria dos estudos foram realizados na região Sudeste, muitos deles no bioma Atlântico, principalmente em Minas Gerais e São Paulo, como os de Oliveira-Filho et al. (1994), Ivanauskas et al. (1999), Botrel et al. (2002), Souza et al. (2003) e Silva et al. (2004). Os principais estudos em florestas estacionais semideciduais do bioma Cerrado são os de Ramos (1989), Araújo & Haridasan (1997) e Cardoso & Schiavini (2002).
Para a região Nordeste, Rodal & Andrade (2004) desenvolveram estudos fitossociológicos em remanescente de floresta estacional semidecidual em terras baixas do Pernambuco, enquanto Cestaro & Soares (2004) estudaram as variações florísticas e estruturais em um fragmento de floresta estacional decidual no Rio Grande do Norte. Informações quantitativas de diversos estudos realizados em florestas estacionais brasileiras são apresentadas na Tabela 3.1, na qual nota-se a utilização de um DAP mínimo de inclusão nas amostragens a partir de 5 cm para a maioria dos estudos.
Tabela 3.1 – Características estruturais e florísticas da comunidade de árvores em florestas estacionais do Brasil. Tipo de floresta estacional, local de realização do estudo e autores estão agrupados, com * para áreas onde foram registrados sinais de exploração madeireira. O limite de inclusão do estudo é representado como diâmetro mínimo (cm), D = densidade, G = área basal, H’ = Índice de diversidade de Shannon-Wienner e J’ = Índice de equabilidade de Pielou. O número total de espécies, gêneros e famílias estão representados pelo total dos respectivos. Os estudos estão ordenados pela deciduidade predominante das florestas e em seguida por região onde foram realizados.
Tipo de formação/ Local/ Autores Diâmetro mínimo (cm) D (ind. ha-1) G (m². ha-1) H’ (nats.ind-1) J’ Total de espécies Total de gêneros Total de famílias Decidual (Monte Alegre - GO) -
Nascimento et al.(2004) 5 663 19,36 2,99 0,83 52 40 21
Decidual (São Domingos - GO) -
Silva & Scariot (2003) 5 588 8,45 2,99 0,83 36 31 21
Decidual (São Domingos - GO) -
Silva & Scariot (2004a) 5 924 9,92 3,18 0,81 48 38 24
Decidual (São Domingos - GO) -
Silva & Scariot (2004b) 5 896 18,63 2,99 0,77 51 41 25
Decidual (São Domingos - GO) –
Scariot & Sevilha (2005) 5 688 28,34 2,99 0,77 48 - -
Decidual (São Domingos - GO) –
Scariot & Sevilha (2005) 5 674 24,54 3,04 0,78 48 - -
Decidual (São Domingos - GO) –
Scariot & Sevilha (2005) 5 591 23,18 2,99 0,79 44 - -
Decidual* (São Domingos - GO) –
Scariot & Sevilha (2005) 5 470 9,21 2,99 0,78 46 - -
Decidual* (São Domingos - GO) –
Scariot & Sevilha (2005) 5 659 18,19 2,99 0,77 50 - -
Decidual* (São Domingos - GO) –
Scariot & Sevilha (2005) 5 470 9,21 2,99 0,78 46 - -
Decídua (Macaíba - RN) -
Cestaro & Soarez (2004) 3,18 1755 15,87 3,26 0,86 66 52 28
Decidual (Jaguari - RS) – Hack et al. (2005) 9,54 422 20.50 3,63 - 54 45 29 Semidecidual (Itatinga - SP) - Ivanauskas et al. (1999) 4,80 2176 29,70 3,77 0,82 97 73 42 Semidecidual (Viçosa - MG) - Silva et al.(2004) 4,80 2786 28,70 3,56 0,73 124 80 41 Semidecidual (Viçosa - MG) - Souza et al. (2003) 5 1487 31,03 4,25 0,83 140 99 45 Semidecidua (Ingaí - MG) - Botrel et al. (2002) 5 2683 29,30 3,73 0,75 140 90 41
Semidecidual (Piracuruca – PI) -
Este estudo (2008) 5 1501 18,84 3,57 0,82 78 64 29
Semidecidua (São Lourenço - PE)
- Andrade & Rodal (2004) 5 1145 23,90 3,40 0,75 99 71 39
Semidecidual (Serra - RS) -
Jurinitz & Jarenkow (2003) 5 2236 37,56 3,20 0,75 69 55 43
Decidual (Jaguari - RS) – Hack et
Verificando-se a densidade e a área basal, dos trabalhos citados na Tabela 3.1, as densidades variando entre 422 a 1.755 indivíduos.ha-1 e as áreas basais (dominância) de 8,45 a 20,50 m².ha-1. Para amostras com limite de inclusão a partir de 5 cm essa variação é menor em densidade (588 a 924 ind.ha-1) e quase a mesma em dominância (8,45 a 19,36 m².ha-1). Na floresta estacional decidual de Macaíba (RN) a densidade pode ter sido maior em função do menor limite de inclusão e, ao contrário, em Jaragui (RS) possivelmente foi menor em função do maior limite de inclusão adotado. Percebe-se ainda que em florestas onde são encontrados vestígios de exploração seletiva, como no Vale do Paranã (Silva & Scariot 2003) estão os menores valores de área basal.
Nas florestas semideciduais a densidade variou de 1.145 a 2.786 indivíduos.ha-1 e a dominância variou entre 23,90 a 40,80 m².ha-1. Tais parâmetros possuem uma estreita relação com a quantidade de afloramentos rochosos, como descrito por Silva & Scariot (2004 b), já que áreas onde a ocupação do substrato por afloramentos de rocha é alta, como na maioria das florestas estacionais deciduais, os parâmetros de abundância são menores do que em áreas onde a ocorrência de afloramentos é baixa ou inexistente, como na maioria das florestas estacionais semideciduais.
Sintetizando as informações destes estudos observa-se que nas florestas estacionais deciduais as famílias botânicas que se destacam pelo número de indivíduos e de espécies são: Anacardiaceae, Apocynaceae, Bignoniaceae, Combretaceae, Euphorbiaceae, Leguminosae e Rubiaceae que são famílias importantes em formações da Caatinga (Andrade-Lima 1982). Para as florestas semideciduais as famílias em destaque são: Annonaceae, Euphorbiaceae, Salicaceae, Lauraceae, Leguminosae, Myrtaceae e Rubiaceae, que em geral são famílias bem representadas em florestas ombrófilas (Oliveira- Filho & Fontes 2002), formações ribeirinhas do Planalto Central (Silva Júnior et al. 2001). Para as foramações de cerrado sensu strito as três últimas famílias também apresentam destaque em riqueza (Mendonça et al. 1998).
Para as florestas estacionais deciduais descritas na Tabela 3.1, localizadas em três regiões brasileiras Centro-Oeste, Nordeste e Sul, destacam-se conforme o Índice de Valor de Importância (IVI) os gêneros (ordem alfabética): Acacia, Allophylus, Alseis, Apuleia,
Aspidosperma, Astronium, Byrsonima, Cabralea, Casearia, Cedrella, Cavanillesia, Chamaecrista, Ceiba (= Chorisia), Combretum, Commiphora, Cupania, Cordia, Dilodendron, Fícus, Guapira, Guazuma, Jacaranda, Lithrea, Luehea, Luetzelburgia, Machaerium, Myracrodruon, Patagonula, Piptadenia, Pseudobombax, Rhamnidium, Spondias, Tabebuia e Trichilia, que em geral são gêneros típicos de formações secas da
região Neotropical (Prado & Gibbs 1993). Dentre esses gêneros, aqueles com destaque em pelo menos duas das três regiões analisadas são: Acacia, Casearia, Luehea, Machaerium e
Tabebuia.
Nos estudos em florestas estacionais semideciduais, descritos na Tabela 3.1, para quatro regiões brasileiras, Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul, os seguintes gêneros se destacam, baseando-se no IVI (ordem alfabética): Acacia, Actinosternon, Albizia,
Anadenanthera, Apuleia, Brosimun, Caesalpinia, Calycorectes, Calythranthes, Casearia, Chamaecrista, Copaifera, Cupania, Dendropanax, Dialium, Dilodendron, Endlicheria, Esenbeckia, Guazuma, Gustavia, Gymnanthes, Hymenaea, Inga, Lacistema, Lithraea, Luehea, Mabea, Machaerium, Maprounea, Matayba, Miconia, Myracrodruon, Myrcia, Myrsine, Nectandra, Ocotea, Pera, Piptadenia, Platycyamus, Protium, Pseudopiptadenia, Psychotria, Pterocarpus, Qualea, Rapanea, Sebastiana, Simira, Sloanea, Sorocea, Tabebuia, Tapirira, Trichilia e Xylopia. Dentre estes gêneros são típicos as florestas
ombrófilas e formações ribeirinhas do bioma Cerrado Copaifera, Cupania, Hymenaea,
Inga, Lacistema, Mabea, Maprounea, Matayba, Myrcia, Nectandra, Ocotea, Platycyamus, Protium, Pterocarpus, Sloanea, Sorocea e Tapirira.
Abrangendo as duas formas de classificação que se sugere às florestas estacionais (decidual e semidecidual), descritas na Tabela 3.1, se destacam pelo IVI os seguintes gêneros (ordem alfabética): Acacia, Casearia, Chamaecrista, Cupania, Dilodendron,
Guazuma, Lithrea, Luehea, Machaerium, Myracrodruon, Piptadenia, Tabebuia e Trichilia
que são gêneros pouco representativos em florestas ombrófilas e matas de galeria, podendo ser considerados restritos a florestas sobre clima sazonal e sem influência da umidade gerada pela proximidade à cursos de água.
Nota-se, portanto, que mesmo através de análises indiretas, sem padronização direta de amostragem, existem semelhanças florísticas entre as florestas estacionais brasileiras. Tal análise, como as realizadas por Prado & Gibbs (1993) e Oliveira-Filho & Fontes (2000), aliada a padronização de futuras amostragens pelas florestas estacionais brasileiras e sul americanas, como proposta neste estudo, podem gerar resultados que corroborem a proposta de Prado (2000) e se enfatize e priorize a conservação das florestas estacionais neotropicais.
3.4 - VARIÁVEIS AMBIENTAIS NAS FLORESTAS ESTACIONAIS DO BRASIL