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Expériences en glaces "pures"

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dans des analogues de glaces interstel- interstel-laires

6.3. Expériences en glaces "pures"

Na divisa do núcleo Celso Ramos havia uma comunidade rural, habitada principalmente por descendentes de alemães, criada na década de 1950 com objetivo de produzir trigo, por isso, a aldeia fora denominada de núcleo Tritícola. Naqueles anos, a importação desse cereal pesava nos encargos e contas do governo federal, e pela peculiaridade climática do Estado e também das condições geográficas da micro-região, implantou-se uma vila de produtores de trigo. Aliás, observando a relação ser humano - natureza é interessante à referência entre alguns japoneses estabelecidos em Santa Catarina, sobre o clima do Sul do Brasil como sendo semelhante ao do Japão. Inclusive, segundo os próprios imigrantes, o fator climático chegou a ser um dos mecanismos de

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atração que levaram alguns a imigrarem para o espaço catarinense. Contudo, é também o clima subtropical (temperado) de temperaturas baixas e sensações gélidas, que possivelmente afastou imigrantes, mesmo após terem estabelecidos em Santa Catarina, como o caso de Kaneharu Kuroiwa, que solicitou ao IRASC115em setembro de 1981 a possibilidade de vender sua propriedade ao senhor Hirotaka Onaka. O solicitador Kuroiwa, residente do lote número 51 do núcleo Celso Ramos, argumentava problemas de saúde e “por recomendação médica, ter que mudar para um região em que o clima seja mais quente”116. Kaneharu Kuroiwa que havia assinado o contrato para sua instalação no núcleo japonês de Curitibanos, em 27 de outubro de 1971, solicitava a liberação da cláusula que proibia a venda da sua terra, sendo autorizado pelo órgão da Secretaria da Agricultura de Santa Catarina a vender, arrendar ou transmitir seu imóvel a outrem da melhor forma que lhe fosse conveniente.

A instalação de japoneses próximos e juntos dos agricultores do núcleo Tritícola, significava segundo discurso da época, a introdução de novos saberes, técnicas e possibilidades de plantio e colheita, haja vista que a produção aumentava na direção ao relevo mais plano no oeste do Estado, enquanto as ondulações do Núcleo Tritícola diminuía a produção na região117. Segundo Glauco Olinger, “o elemento humano em Curitibanos não foi receptível a triticultura na época. Ao passo que os pequenos agricultores do oeste, principalmente do Vale do Rio do Peixe, naquela época, se dedicaram à triticultura”118. Além dessa concepção dos habitantes que estavam mais aptos ao trabalho com o trigo, o que estava ocorrendo de fato, era o deslocamento dessa produção em direção a terras que permitiam à introdução de mecanização na lavoura, assim, a topografia favorável à moto – mecanização se deu em direção ao extremo-oeste catarinense. O relevo mais plano permitia a mecanização mais intensa, seguida de maiores produtividades e lucratividades, inclusive, a estação experimental e de pesquisa do governo do Estado, fora criada em Caçador, com o objetivo estratégico de auxiliar e dinamizar a produção de trigo nos municípios próximos: Capinzal, Joaçaba, Videira, Tangará, Herval do’Oeste e outros. “Naquela época, década de 1940-1950, a Capital do

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O IRASC foi extinto no governo Jorge Bornhausen, como veremos em outro capítulo, nessa época o chamado Colecate foi o responsável pela documentação do IRASC.

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Kaneharu Kuroiwa, correspondência a Coordenadoria de legitimação e Cadastramento de Terras Devolutas, Colecate. Documento pesquisado e disponível no Arquivo Público do Estado de Santa Catarina.

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“Ali em Curitibanos, antes do núcleo japonês, tinha o núcleo tritícola de Curitibanos. Esse núcleo era da divisão de Terras e colonização do Ministério da Agricultura”, segundo Glauco Olinger.

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Glauco Olinger, entrevista gravada a André Souza Martinello em 30/05/2006 na Biblioteca da EPAGRI em Florianópolis.

Trigo era Joaçaba, tudo produzido em pequenas propriedades. Hoje a capital do Trigo é Campos Novos, devido sua topografia favorável a moto-mecanização”119.

Takashi Chonan, um dos camponeses nipônicos que se instalou no Núcleo Tritícola, afirmou que os japoneses residentes em Lages, ficaram sabendo na época da criação do Núcleo Tritícola e dos incentivos para a produção, vindos do Governo Federal. Segundo o japonês Chonan, aproximadamente ao ano de 1948, o Governo havia encontrado em Bagé (RS), e em Curitibanos (SC) duas localidades geo-climáticas favoráveis ao cultivo do trigo. Contudo, bastou poucos anos para entenderem que a topografia dificilmente seria superada em Curitibanos: “o relevo muito acidentado para se jogar a semente e arar com boi, como se fazia, e o trigo começava a ser plantado nas regiões de Campos Novos (SC) e Passo Fundo (RS)”120. “É aí que entra a proposta de Colonização Japonesa, feita pelo IRASC”121, nas mediações do núcleo Tritícola de Curitibanos.

Os japoneses seriam aqueles que por dominarem a técnica, um conhecimento especializado e trabalharem a terra de forma satisfatória, ensinariam aos que próximos a eles estivessem, para que “num entrelaçamento com o nosso colonos, se formasse em Curitibanos um núcleo destinado a explorar em primeiro plano a fruticultura”122. Ou como sintetiza Chonan: “o pensamento era colocar 10% de japoneses para mudar a cultura do trigo”. Em algumas terras “devolutas” do núcleo Tritícola, que o IRASC buscou legalizar e em algumas áreas de uma fazenda de um ex-secretário da Saúde do Estado de Santa Catarina123, recordam-se dois imigrantes japoneses, Fumio Honda e Takashi Chonan, se realizou a Reforma Agrária. “Naquele tempo, foi feita uma Reforma Agrária Moderna”, lembra-se o senhor Fumio Honda, referindo-se talvez, a tecnologia que “os modernos” e entendidos japoneses dominavam e implantavam na agricultura. A instalação, formalização e realização dessa primeira comunidade japonesa, através de uma reforma agrária fora “divulgada” pelo IRASC, como resultado de uma política sua bem-sucedida, junto de outras ações do Governo na época, e aparecia constantemente nos jornais, inclusive como um exemplo de Reforma Agrária a ser seguida.

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Glauco Olinger, entrevista gravada a André Souza Martinello em 30/05/2006 na Biblioteca da EPAGRI em Florianópolis.

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Takashi Chonan entrevista gravada a André Souza Martinello em 29/04/2006 em Curitibanos. 121

Takashi Chonan entrevista gravada a André Souza Martinello em 29/04/2006 em Curitibanos. 122

Governo do Estado de Santa Catarina – Mensagem anual apresentada à Assembléia Legislativa do Estado. 3º mensagem do Governador Ivo Silveira. Florianópolis: 01 de março de 1968, p.182.

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Segundo informou Fumio Honda, em entrevista informal a André Souza Martinello, quando realizado trabalho de campo em Frei Rogério, 30/04/2006 (Núcleo Celso Ramos).

A constituição do Núcleo Colonial ‘Governador Celso Ramos’, na cidade de Curitibanos, é meta que dá tônica mais expressiva da orientação agrária do órgão do atual Governo. A fixação do homem à gleba cultivável tem sido uma constante do órgão que interpreta e conduz a política agrária atual. Nos termos da legislação vigente Santa Catarina dá exemplo admirável, no esforço de propiciar o maior acesso à terra. Com o núcleo de Curitibanos, o IRASC conceitua em definitivo as linhas mestras da sua orientação124.

Na Mensagem do Governo em 1964, o IRASC informava ter tomado para si, todos os serviços da instalação do Núcleo Celso Ramos e no ano anterior, 1963, havia iniciado a desapropriação de terras, concluído o serviço topográfico, subdividido 60 lotes de 250.000 metros quadrados em média, “onde se instalarão 45 famílias de imigrantes japoneses e 15 famílias agricultores nacionais”, além de ter adiantado a construção de um Centro Cívico administrativo com escola, residência do professor, galpões e outros. Segundo essa Mensagem, o IRASC investiu no ano de 1963, mais de catorze milhões de cruzeiros nessa colônia. A JAMIC parecia começar a distanciar-se e a não atuar explicitamente na construção dessa Colônia, pelo menos financeiramente. A Mensagem de 1964 terminava esperando o IRASC “inaugurar, oficialmente o Núcleo em abril deste ano”.

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