1. Introduction
1.3 Mon expérience personnelle en tant que médecin du SUMPPS
Como se pôde verificar no item acima, para a norma do MEC, a competência é formada por atitudes, habilidades e conhecimentos, direcionamento este semelhante ao utilizado por muitos autores que trabalham este conceito e que também partem para a definição destes componentes da competência. Neste momento serão abordados estes elementos.
Para Durand (1997) o conhecimento consiste de um conjunto de informações que uma pessoa apreende e sistematiza, de forma a lhe fornecer um ferramental para sua interpretação de mundo; deste modo o conhecimento é todo o saber acumulado na existência do indivíduo. Vê-se nesta definição que o conhecimento alicerça-se em um banco de dados (informações), um sistema de leitura destes dados (no qual a pessoa apreende) e em uma estrutura para sistematização (para que a pessoa sistematize estes dados). Com esta reflexão pode-se perceber que conhecimentos não são apenas dados, mas dados capazes de serem utilizados em alguma situação. Gagné et al. (1988) acrescentam ainda a necessidade de um dispositivo de armazenamento destes dados que é a memória do indivíduo. Como exemplo pode-se utilizar o conhecimento de um método pedagógico adequado e adaptado ao contexto
que atua que é um dos atributos do educador musical abordados nesta tese. Ora: Como banco de dados pode-se ter cada um dos diversos métodos pedagógicos existentes na atualidade; como sistema de leitura destes dados pode-se imaginar os diversos dispositivos de aprendizagem disponíveis tais como: palestras, leituras, aulas e atividades práticas. Como
estrutura para sistematização tem-se a capacidade de síntese e análise do profissional que, por fim, utiliza sua memória para armazenar todo este processo.
Sobre os conhecimentos pode-se ainda acrescentar que em relação às atitudes e às habilidades, o entendimento geral é que eles são mais facilmente manipuláveis. Isto significa que os dispositivos para sua avaliação e capacitação dos conhecimentos são mais objetivos. No exemplo do parágrafo anterior, este conhecimento poderia ser avaliado por meio de provas escritas ou práticas e poderia ser provido ou aprimorado com atividades de capacitação como aulas expositivas, leituras de textos, apreciações práticas e exercícios.
Outra vez utilizando-se as idéias de Gagné et al. (1988), a habilidade relaciona- se com o “saber como fazer algo”, isto é, poder utilizar corriqueiramente um conhecimento em uma atividade produtiva. É como se fosse um conhecimento capaz de ser aplicado, e não estanque. Esta atividade produtiva a que se referiu não exclui as capacidades mentais de organização e articulações de idéias. Um exemplo de habilidade poderia ser a habilidade de
elaborar e desenvolver propostas de ensino musical no contexto escolar. É uma habilidade, pois indica que o indivíduo sabe como fazer algo, ou seja, elaborar e desenvolver propostas
de ensino musical no contexto escolar. E para isto, é necessário ao profissional o domínio de diversos conhecimentos e articulá-los de maneira produtiva. Poderiam ser necessários conhecimentos de elaboração de projetos, estrutura escolar, metodologia de ensino da educação musical etc.
Os processos de avaliação e de capacitação das habilidades, geralmente, são mais complexos que os com conhecimentos. As avaliações tendem a ser mais subjetivas, complexas e demoradas, inclusive, porque uma habilidade pode envolver diversos conhecimentos. Na capacitação de pessoal podem ser necessárias diversas estratégias coadjuvantes como o ensino de conteúdos variados e a experimentação prática exaustiva. No exemplo, pode-se pensar, no caso da avaliação, em relatórios de atividades, apresentação de
trabalhos e acompanhamento da participação nas atividades de elaboração de projetos para este fim. E para a capacitação do profissional pode ser pensado em um conjunto de temas a serem abordados em aulas e a aplicação extensa de atividades práticas de visitas às escolas, elaboração de projetos e aplicação de projetos em escolas.
O terceiro componente da competência é a atitude. Para Gagné et al. (1988) ela é um estado complexo interior ao indivíduo, que altera suas ações e envolve suas relações com o seu contato exterior, isto é, outros indivíduos, entidades e acontecimentos. Assim, a atitude está relacionada, inclusive, à vontade do indivíduo e não só à sua capacidade. Na prática, possuir ou não uma atitude determinada pode representar a possibilidade ou a impossibilidade de execução de uma atividade do dia-a-dia profissional. Exemplificando: um profissional, com a atitude de considerar o contexto sócio-educacional, ao analisar que tipo de repertório deverá ser utilizado em um projeto musical numa escola em um local determinado, opta por escolher um estilo musical que acolha e integre a cultura local. E isto ele o faz por vontade e não propriamente por habilidade ou conhecimento. É uma questão de foro íntimo que altera as condições de atuação profissional.
A atitude é o componente da competência mais difícil de ser avaliado e aprimorado devido a sua alta subjetividade. Como saber se um profissional tem o desejo de fazer algo? Como avaliar os elementos que formaram sua decisão para uma ação específica? Como ensinar alguém a ter vontade de fazer algo? Como capacitar o indivíduo para algo, se ele não acredita nesse fator? Como fazer alguém amar algo? Todas estas questões fazem parte da dificuldade no trato das atitudes, porém, nem por isso, elas não devam ser tratadas. Em muitos momentos, talvez na maioria, o que mais conta para a sucesso do profissional são suas atitudes, já que sem as atitudes ajustadas ao seu trabalho de nada adianta o domínio de habilidades e conhecimentos, pois estes não serão utilizados. De qualquer maneira as atitudes podem ser tratadas indiretamente por meio de habilidades e conhecimentos que lhe são
integrados e por meio do exemplo e da convivência com profissionais com a conduta ajustada às necessidades da profissão. A atitude de considerar o contexto sócio-educacional, desta forma, pode ser desenvolvida por meio do fomento à posturas profissionais em textos, aulas, palestras, oficinas, atividades de auto-desenvolvimento pessoal e troca de experiências.
Mundim (2004) também aborda os desdobramentos do conceito de competência como sendo conhecimentos, habilidades e atitudes. Para a autora os conhecimentos são um “conjunto de informações para aplicações”; as habilidades relacionam- se com a “capacidade de agir com talento, colocar em prática e demonstrar”; e as atitudes são um “conjunto de valores, crenças e princípios”.
É como se fosse o trabalho em uma oficina de artesanato, na qual o artífice, para o seu trabalho (“atitude”), necessita de ferramentas (“habilidades”) para alterar a matéria primas (“conhecimentos”). O quadro 2.2 esquematiza esta ilustração.
Quadro 2.2 – Ilustração para o desdobramento do conceito de competência
Desdobramento do conceito de competência
Oficina Competência
Trabalho do artesão Atitudes – Conjunto de valores, crenças e
princípios. Ferramentas (serrote, martelo, furadeira,
pincel Habilidades – Capacidade de agir com talento, colocar em prática, demonstrar. Materiais (madeira, papel, cola, tinta,
pregos) Conhecimentos – Conjuntos de informações para aplicações.
Mundim (2004) mostra como se daria o desdobramento do conceito de competência em um exemplo prático como a competência de comunicar, conforme pode ser visto no quadro 2.3.
Quadro 2.3 – Exemplo de desdobramento do conceito de competência, baseado em Mundim (2004).
Exemplo de desdobramento do conceito de competência
Competência: Comunicar – capacidade de expressar-se de forma clara, precisa e objetiva, bem como habilidade para ouvir e compreender o conceito da mensagem.
Conhecimentos:
• Processos de comunicação Habilidades:
• Conseguir prender a atenção das pessoas
• Utilizar recursos auxiliares: humor, exemplos, ilustrações etc. • Não ser prolixo
Atitudes:
• Ser verdadeiro e leal para com os interlocutores na exposição de seus pontos de vista
• Manter o grupo atualizado
• Esclarecer seus pontos de vista quando os outros necessitam
Apenas como ilustração pode-se tentar repetir a idéia de exemplo da autora em termos de competências do educador musical. O quadro 2.4 esboça esta tentativa. É importante esclarecer que esta sistematização não foi encontrada em nenhum dos textos sobre educação musical utilizados neste trabalho. É apenas um exemplo ilustrativo.
Quadro 2.4 – Exemplo de desdobramento do conceito de competência na educação musical.
Exemplo de desdobramento do conceito de competência na educação musical Competência: Ensinar uma criança a cantar.
Conhecimentos:
• Fisiologia da voz humana. • Técnica e teoria musical.
• Metodologias de ensino de canto.
• Teoria da aprendizagem musical para crianças. Habilidades:
• Cantar afinado.
• Capacidade de perceber sua relação com o aluno com respeito ao aprendizado. • Saber ensinar canto.
Atitudes:
• Gostar de ensinar canto.
• Intervir quanto o aluno estiver “forçando” a voz.