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EXISTING PLANT PROGRAMMES RELEVANT FOR LTO

Dans le document SALTO Guidelines | IAEA (Page 32-41)

3. PRACTICAL GUIDANCE FOR CONDUCTING PEER REVIEW

3.4. EXISTING PLANT PROGRAMMES RELEVANT FOR LTO

O feminismo foi crucial para o ativismo das vaginas atual, tendo em vista que o movimento surgiu como um dispositivo através do qual as histórias das mulheres puderam ser contadas por elas mesmas, para que pudessem construir um olhar não violento e não hipersexualizado sobre si mesmas, olhar oposto ao instituído. Almeida (2010, p. 58) afirma que os ―gritos de socorro e as atitudes das mulheres que antecederam‖ o século XX foram determinantes para o ―mundo das artes visuais‖ das décadas seguintes. ―Muitas foram as mulheres que nos séculos XVIII e XIX lutaram, mesmo que de forma parcial, para que, somente a partir da segunda metade do século XX, se começasse a colher os frutos plantados por essas pioneiras‖.

409 Trecho de Luiza (2012).

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O discurso feminista critica ―o privilégio masculino da visão e afirma [essa dentre outras coisas] que a fruição da mulher é mais abrangente‖, buscando ―expor as estruturas profundamente fundamentadas na cultura e especialmente calcadas no controle dos corpos das mulheres‖ (LE BRETON, 2016, p. 83), já que o pensamento social dominante enxerga no corpo ―um lugar prático do controle social‖ (BERNARDES, 2017). Além disso, suas manifestações não tratam de demandas que envolvem apenas o gênero, mas também ―de questões sociais que também buscam emancipação como a política sexual de gays e lésbicas, as lutas raciais de negras e negros, e os debates sobre as classes sociais‖ (HONÓRIO, 2017, p. 37).

Na história do feminismo, a vagina e questões relacionadas à sua estética, cor, tamanho, cheiro e formato, parece não ter figurado como foco central de suas ―ações reivindicativas‖ (SCHERER-WARREN, 2008, p. 505), aparecendo menos do que o direito ao orgasmo, o poder do clitóris, os métodos contraceptivos e os direitos reprodutivos. No entanto, o uso do corpo como instrumento de militância é um ponto em comum com o ativismo da vagina, e que tem ganhado força a partir dos anos 2000, com os usos das mídias digitais e suas particularidades. Na era das tecnologias móveis e da internet 4G, práticas feministas de protestos contra o sistema heteronormativo tem tido um alcance maior, uma penetrabilidade nunca antes vista, uma produção de conteúdo mais dinâmica e heterogênea, além de ter uma participação significativa de jovens cis e trans. Públicos diversos têm acesso a conteúdo feminista e ativista, algumas vezes ignorando sua origem nos movimentos de mulheres.

O ativismo da vagina nasce das reivindicações do que alguns pesquisadores e pesquisadoras chamam de feminismo de ―segunda onda‖ que se inicia na década de 1960, aquele voltado para questões do corpo e da esfera privada, ao qual está associado à bandeira ―o pessoal é político‖. Essa bandeira, apropriada como um slogan pelas gerações seguintes propunha um importante questionamento do conceito de ―político‖ ―rompendo assim com os próprios limites do conceito, até então identificado pela teoria política com o âmbito da esfera pública e das relações sociais que aí acontecem, isto é, do campo da política‖ (COSTA, 2005, p. 10 apud GALETTI, 2014, p. 2202). Afirmar que o que faz parte do âmbito pessoal é político significa, além da ressignificação do conceito de ―político‖ e também da ―própria forma de entender a política‖, é trazer para o centro do debate os dilemas femininos específicos da esfera privada, tais como os vários tipos de violência doméstica, ―quebrando a dicotomia público-privado base de todo o pensamento liberal sobre as especificidades da política e do poder político

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(COSTA, 2005, p.10)‖ (GALETTI, 2014, p. 2202), além de promover uma busca coletiva para as soluções desses problemas.

Outra bandeira de luta associada a essa ―onda feminista‖ é ―o direito ao corpo‖, pauta também muito explorada atualmente, um elemento comum e universal do movimento, o qual insere na ―ordem do dia‖ reflexões sobre a sexualidade feminina, opção sexual, masturbação e orgasmo.

Esse período de significativas mudanças, ocorridas entre as décadas de 1960 e 1970 no ocidente, foi caracterizado principalmente pela emancipação sexual das mulheres e pela afirmação de igualdade entre os sexos. As novas invenções tecnológicas, como o advento da pílula anticoncepcional (no início dos anos de 1950) e a descoberta de antibióticos que tratavam as doenças sexualmente transmissíveis (a partir de 1941) e com a divulgação do preservativo de látex na década de 1930, as mulheres tomaram o controle da função reprodutora do seu corpo e se livraram da submissão masculina neste aspecto. Essa revolução sexual marcou, de certa maneira, o fim do patriarcado, da censura, assim como o progresso na igualdade das mulheres nas legislações nacionais. Toda essa revolução sociocultural, também, acarretou um deslocamento da atenção de muitas artistas, críticas e historiadoras, para o problema da construção social de uma identidade feminina. Na sua maior parte, essas mulheres acreditavam que tanto a teoria como a prática deveriam colaborar para mudar o modo como compreendemos nosso passado e, ao mesmo tempo, como reelaboramos nosso presente (ALMEIDA, 2010, p. 63).

Para o campo das artes, o feminismo ―pareceu o prenúncio de uma nova era‖ porque as mulheres puderam passar de objeto da representação masculina para protagonistas de suas próprias representações, ―tornando-se curadoras, produtoras de arte, organizadoras, diretoras culturais, professoras em universidades etc‖ (ALMEIDA, 2010, p. 68). Surgiram com essa onda revolucionária novas formas de expressões artísticas, linguagens, novos estilos e abordagens no universo das artes visuais, dentre essas mudanças, a performance, a fotografia e a body art, manifestações que utilizam o corpo feminino como suporte e/ou disparo de um discurso político, e este segue ―sendo utilizado como abordagem de muitos artistas plásticos contemporâneos, e a linguagem performática na fotografia tem sido amplamente explorada por artistas que se dizem mulheres e ativistas‖ (SCANDOLARA, 2013, p. 2), que criam e/ou reiteram novos estereótipos femininos.

Utilizando-se dos estereótipos corporais e interferindo na estabilidade que proporciona o conceito de identidade, a arte agora está presente na rua, nos conceitos, nas relações pessoais, na pluralidade da comunicação humana. Este caráter de indefinição se deve ao fato de a arte contemporânea ser algo em processo que, mesmo na qualidade de desdobramento de influentes genealogias, não se limita a reproduzi-las com subserviência. Ao contrário, nega-as expandindo seus limites ou confrontando seus princípios normativos;

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assume caminhos e formas que elas não prescreveram ou que o fizeram como um impedimento (SCANDOLARA, 2013, p. 1).

Honório (2017) menciona alguns nomes de artistas que possuem um papel fundamental nessa desconstrução da representação do feminino, trabalhando em suas obras ―com o papel da mulher na sociedade, questionando o espaço que lhes é dado e a utilização desse pelas mesmas‖, como: Jenny Saville, Hannah Hoch e Hannah Wilke, sendo que esta última é reconhecida pelos ―seus exemplares das ―Vulvas‖ de terracota, que são algumas das primeiras disseminações da imagem de uma vagina explícita em uma obra, no meio artístico‖ (HONÓRIO, 2017, p. 37- 38). Cada uma à sua maneira levantou ―a crítica ao uso da imagem feminina na publicidade de cosméticos e produtos em geral, os quais eram [e ainda hoje o são ainda mais] grandes propagadores dessa ideia de um padrão de beleza, de um corpo "à venda" que o movimento [feminista] pretendia [e pretende] desconstruir‖ (HONÓRIO, 2017, p.36), ―trilhando o caminho da apropriação de discursos e imagens do cotidiano com o intuito de questioná-los‖ (SCANDOLARA, 2013, p. 1). O uso do próprio corpo como instrumento da arte foi, portanto, uma conquista significativa para o campo das artes feministas por ser um contraponto a ―objetificação das mulheres pretendida pelos homens‖.

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