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Por toda a parte, na vasta zona de altiplanuras, eriçada de montanhas, onde se entalha o Concelho, o clima acusa o predomínio do continente. O mar, contudo, sente-se, rumorejando ao longe, por detrás da cortina de relevo que se levanta a ocidente da Província e culmina no Marão, e a sua interferência marca com sulcos indeléveis o fácies meteorológico regional.

A uma topografia enformada em serranias e vales profundos não pode corresponder a uniformidade climática. O clima da região oferece, por isso, características diversas, por vezes contrastantes, conforme as condições locais de latitude, de altitude e de exposição. No entanto, a análise dos elementos que o compõem evidencia a sua continentalidade.

I — Temperatura

O condicionamento geográfico do Concelho atenua sensivelmente a natural excessividade do clima regional: a norte, a Serra de Nogueira, autêntica barreira térmica, abriga-o dos ventos gelados da Espanha, dominantes nas estações frias; e, pelos flancos, a alastrar sobre as terras, remonta o hálito morno do Sabor e do Tua.

105 A incidência destes factores sobre os elementos clímicos peculiares do planalto altera os seus valores e gera uma fisionomia climática «sui generis», caracterizada pela benignidade e pela diversidade.

A Terra Fria e a Terra Quente, as duas grandes zonas fitoclímicas que compartilham a região, dividem entre si o termo Macedense; e, na falta de dados locais para a determinação das curvas térmicas das fracções que se integram em cada uma daquelas zonas, bem se pode afirmar que as respectivas temperaturas se devem situar nas proximidades das registadas nas estações meteorológicas de Bragança e de Mirandela, que encabeçam áreas climàticamente semelhantes.

Nas serranias e em todo o extenso patamar a norte do paralelo de Macedo Terra Fria a temperatura média anual é de 11,9° e a amplitude térmica atinge um nível superior aos 35°. Os invernos são glaciais, com a neve e a geada a recobrirem os campos e os estios escaldantes e áridos. O termómetro que, em Dezembro, desce, frequentemente, abaixo de zero, ultrapassa os 30°, mesmo os 35°, em Julho e Agosto. As primaveras, álgidas e rudes, mais parecem o prolongamento do Inverno.

«Oito meses de Inverno e quatro de Inferno!».

No Verão, o calor, verdadeiramente africano, sobe, por vezes, a mais de 35° e o índice de aridez baixa para menos de 10. A média térmica anual é de 14,6°.

«Ardem os montes e secam as fontes!».

É a Terra Quente, com o seu clima de feição quase Duriense, mais temperado e mais seco.

II — Ventos

O regime geral dos ventos processa-se em harmonia com as flutuações da eterna luta de influências entre a terra e o oceano.

No Concelho, como em toda a região, a presença do mar é essencialmente traduzida nos ventos de W., S.W. e N.W., que entravessam o País, desencadeados do centro anticiclónico dos Açores, no sentido do centro ciclónico da Islândia. Variando no

106 decorrer das estações, em rumo e intensidade, são estas correntes que abrandam os excessos do clima e, normalmente, provocam as quedas de chuva.

Elementos de raízes ibéricas associam-se a este traço atlântico. Assim, no Inverno, as zonas interiores da Península, enregeladas, são centros de altas pressões de onde partem surtos eólios marcadamente continentais, que se propagam de E. e N.E., no sentido do mar. Inversamente, no Verão, prevalecem as influências oceânicas: o sobreaquecimento das terras interiores transmuda-as em zonas de baixas pressões para onde convergem os ventos marítimos de W. e S.W..

Estas linhas gerais representam apenas uma tendência na típica variabilidade da circulação atmosférica. A intervenção de vários factores, entre os quais a influência continental da Eurásia e os reflexos da passagem, tão frequente, dos ciclones atlânticos sobre a Península, dá lugar a fundas alterações no regime meteorológico regional e explica a violência e a instabilidade dos ventos, no Outono e na Primavera. O próprio relevo impõe, por vezes, mudanças de rumo: em toda a região, as correntes pluviosas sopram frequentemente do Sul e não de W. e S.W., como seria normal.

A incidência de certos ventos na vida rústica levou-os, com nomes próprios, ao glossário regional.

Para o campesino, o E. e o N.E., flagelo dos dias claros e frígidos da Primavera, é o cieiro: o S. e o S.E., que sopram no Estio, violentos e abrasadores, são o Suão; e o N. e N.E., gelado e traiçoeiro «de Espanha nem bom vento nem bom casamento» é o Galego. Vento de Baixo, é, para todos, o do quadrante S., mensageiro das chuvas.

III — Chuvas

São ainda as influências oceânicas que, associadas à altitude e à exposição, condicionam a pluviosidade.

Longe do mar e subtraído ao impacto directo da sua acção por uma cadeia de montanhas que, subindo a mais de l.400 m, corta o passo às massas de ar húmido e funciona como um gigantesco condensador, a região é, naturalmente, seca; mas, com

107 este cunho geral, são as zonas de maior relevo e melhor expostas aos ventos marinhos, que atingem o mais alto nível pluviométrico.

A irregularidade é, por isso, a nota dominante no esquema da distribuição de chuvas ao longo do ano.

No entanto, conclui-se que, no Concelho, as precipitações atingem o seu máximo no Outono e no Inverno, declinam sensivelmente na Primavera, e marcam, no Verão, o seu mínimo.

Dezembro e Janeiro assinalam o nível mais elevado na escala da pluviosidade, com médias que, na Terra Quente, se acercam dos 100 mm e na Terra Fria vão até aos 160 mm. Em Julho e Agosto as quedas de chuva mal atingem os 14 mm. As nuvens pluviosas, empurradas pelos ventos de W., sobrevoam as terras ressequidas sem lograrem o seu ponto de condensação. As nascentes morrem e as ribeiras secam. Só a água escaldante das trovoadas cai em catadupas, de quando em vez, sobre o solo calcinado.

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