A Maform é uma empresa de serviços de design, fundada em 2010 em Budapeste (e multi- premiada pelos seus projetos e produtos de design), focada principalmente nas áreas de design industrial, design de produto e UI/UX design (User Interface design e User Experience design: o primeiro trata a interação entre a interface e o seu utilizador, antecipando as suas necessidades e a facilidade de uso; o segundo trata a forma como essas interações trabalharão com o lado emocional do usuário, será a sua experiência com o sistema/software/aplicação). Este estúdio tem como principal princípio de trabalho - como motto - "design through understanding", ou seja, tenta possuir um entendimento profundo da substância das coisas que desenha para que se simplifiquem soluções sem que se perca o seu significado.
Revela-se uma preocupação em termos de compreensão dos processos que rodeiam o sujeito do design, analisando e sintetizando arte e engenharia, simultaneamente mantendo um estudo em elementos como o contexto, usabilidade, forma e função para que se construam soluções/produtos originais e adequados. Esta preocupação pode ser visualizada no website da empresa, onde um co-fundador (Peter Molnar) descreve abertamente os processos de trabalho de design e o fluxo de trabalho da Maform Design Studio.
Este chega mesmo a afirmar que - quando um dos seus clientes lhe perguntou o que acon- teceria caso não gostasse dos resultados - o mesmo não soube o que responder, visto que tal seria uma ocorrência rara. Esta questão levou Peter justificar a forma como tal ocorria: "(...)we
developed our own design process to minimize unnecessary phases and to get rid of development dead-ends. Our experience might be useful to others as well, so here is how we do it." - na tradução
da autora, "(...) desenvolvemos o nosso próprio processo de design para minimizar fases desne-
cessárias e para nos desfazermos de desenvolvimentos sem saída. A nossa experiência poderá da mesma forma ser útil para outros, por isso assim é como o fazemos" (17 de Abril de 2016, case study disponível em: http://www.maformdesign.com/news/2016/3/27/case-study-optimi-
zing-design-project-management): 1. Agree on the strategic goals first; 2. Map the client’s taste;
3. We always use pictures to define visuals and emotional qualities.
De uma forma muito resumida, numa primeira instância (ainda antes de se pensar no design), deve-se alcançar um consenso quanto às metas estratégicas, colocando questões pertinentes para o entendimento do problema e dos objetivos que motivaram a procura do cliente por este serviço, sendo recomendado que se preste atenção a todos os detalhes para que mais tarde seja possível que se respondam a questões que vão surgindo. Este comportamento ajudará a que não se desperdice tempo.
No segundo processo de trabalho, é feito um mapeamento dos gostos do cliente. De forma a capturar preferências gerais do cliente, o mesmo é analisado e procura-se entender aquilo que o mesmo procura para o seu projeto, mantendo a sua visão e expetativas.
Por último, é colocado em prática o conceito de "uma imagem vale mais que mil palavras", sendo que é retirada a abstração de conceitos e palavras, transformando ideias em emoções visuais correspondentes. Este moodboard é apresentado e explicado ao cliente, antes de serem desenhados os primeiros esboços, de forma a garantir que são transmitidas as ideias e sen- timentos por ele pretendidos (algo que permite que haja uma melhor compreensão daquilo que deverá ser feito, minimizando o desperdício de trabalho). Para além destas medidas, são também apresentados modelos de workflow da empresa perante projetos como product design (subdivididos por creative product design e detailed product design) e UI/UX design (subdividi- do por UI/UX creative design e UI/UX detail design).
1.1 Creative product design:
1. Challenge mapping (levantamento de desafios); 2. Research (pesquisa);
3. Moodboard;
Fig. 105 - Modelos de gestão de
projetos de design de produto e UI/UX design, pela empresa Maform (Fonte: da autora, a partir dos conceitos encontra- dos em : http://www.maform- design.com/process/)
5. Mockups and prototypes (modelos e protótipos); 6. Concept sketches (esboços de conceito);
1.2 Detailed product design:
7. Evaluation of concepts (avaliação de conceitos); 8. Parting and material selection (seleção de material); 9. Detail design (design em detalhe);
10. CAD design (design em Autocad);
11. Presentation materials (materiais para apresentação); 12. Proof-of-concept prototype (protótipo validador).
2.1 UI/UX creative design:
1. Challenge mapping (levantamento de desafios); 2. Moodboard;
3. Benchmarking (análise comparativa);
4. User journey mapping (mapeamento da rota do utilizador); 5. Layout and wireframes;
6. Look and feel (ver e sentir);
2.2 UI/UX detail design:
7. Final screen design (design de ecrã final); 8. Assets, icons, colours (bens, ícones, cores); 9. Design guidelines (orientações gerais de design); 10. Documentation (documentação);
11. Final interaction map (mapa de interação final).
Os quatro modelos - que na verdade são dois principais (aplicados a projetos de natureza de design de produto ou de UI/UX design), completados por fases de maior detalhe e orientação para procedimentos finais de projetos - são bem trabalhados e são constituídos por etapas que garantem que estes tipos de projetos possuem um bom fluxo de trabalho, e que consequente- mente são detentores de bons resultados. Cada uma das fases encontra-se estrategicamente colocada no processo de trabalho, assegurando que a transição de uma etapa para a seguinte é fluida e natural.
Da mesma forma, estes modelos mencionam fases que podem e devem ser abordadas em projetos inseridos em campos como o Design de Comunicação, pois contextualizam, analisam, executam e aplicam elementos e técnicas que são cruciais para que nenhum detalhe fique perdido no processo criativo ou de desenvolvimento de projetos de naturezas com diferentes tipos de necessidades.
Tomando como exemplo o primeiro modelo, este começa por aprofundar aspetos que fazem a contextualização do problema, dos objetivos e entendimento das preferências do cliente. Também as fases de pesquisa, de esboços iniciais, modelos e protótipos avaliam todas as informações e transformam ideias iniciais em conceitos visuais e aplicáveis à necessidade ou problema encontrado (sendo por tal, esta fase denominada como criativa). As várias fases de esboços, avaliação e seleção (possíveis de visualizar em ambos os modelos) comprovam a atenção ao detalhe e o cuidado que se deve ter para que cada uma das etapas seja estudada, testada e aprovada para que se dê início a outro processo viável (sem necessidade de voltar atrás por motivos menores - evitáveis - e evitando o desperdicío de recursos).
Em ambos os modelos, é apenas na segunda fase (detailed product design e UI/UI detail
design) que são formalizadas e desenvolvidas com maior rigor as ideias previamente estudadas
- algo que parece refletir na importância da divisão dos modelos em duas partes: uma primeira focada no levantamento e análise de dados e esboço de ideias; e uma segunda parte formaliza- dora da informação recolhida e tratada, transformando ideias mentais em resultados visuais.
É interessante também notar que as fases dos modelos vão passando gradualmente de umas para outras, facilitando o fluxo de trabalho pela sua organização coerente e racional dentro do processo de trabalho.