• Aucun résultat trouvé

Autres exemples de test :

Chapitre V : Implémentation et résultats expérimentaux

V.5 Autres exemples de test :

É interessante observar a multiplicidade de fatos importantes na década de 50. Esse período de pós-guerra foi decisivo porque os países eram obrigados a escolher que rumo seguir para o desenvolvimento econômico resultante da ação de suas empresas. No Brasil o período de redemocratização visava ao estabelecimento de uma ordem menos independente dos estrangeiros e isso também estava voltado para as empresas jornalísticas.

Como foi visto até aqui, as empresas jornalísticas enfrentavam dificuldades econômicas que acabavam por interferir diretamente na forma como se fazia jornalismo. A imprensa dependia do capital estrangeiro para suas publicações, porém este capital vinha imbuído de uma carga ideológica que defendia os interesses dos EUA e seu American way of life. Dessa forma, o investimento de capital trazia consigo uma falta de liberdade de imprensa nas empresas jornalísticas brasileiras.

A liberdade de imprensa era tolhida. A realidade para os profissionais do jornalismo era triste, pois ao mesmo tempo em que a lei lhes garantia um sistema mais

nacionalista, por meio do artigo 160, o esquema de produção estava completamente amarrado ao capital estrangeiro. Mais ainda, um dos aspectos fundamentais para a difícil situação da imprensa foi a crise do papel que se estendeu por mais de décadas.

Se considerarmos dois decênios, de 1943 a 1963, o aumento do preço do papel importado para a imprensa foi de mais de 5744%. Isso significa que o preço do quilo do papel de imprensa importado em 1943 era de 2,35 cruzeiros e em agosto de 1963 chegou a 135 cruzeiros (SODRÉ, 1999, p. 411-412). O aumento do preço do papel acompanhou a ascensão do preço do dólar para essa importação e os valores de compra de papel ficaram exorbitantes.

Podemos dizer que a falta de liberdade de imprensa não se restringiu ao investimento de capital estrangeiro nas empresas e à utilização dos espaços de jornais e revistas para a publicidade. Este é apenas um lado da questão se analisarmos que a imprensa utilizava o papel impresso como meio de divulgação de seus produtos, mas não tinha suporte para que a matéria-prima de suas publicações estivesse disponível no mercado.

Ora, se para produzir jornais e revistas é necessário papel, então o governo devia oferecer condições materiais para que as empresas tivessem quantidades suficientes de tal material que possibilitassem trabalhar com o pouco de liberdade que lhes restava. De uma certa forma, o governo não tinha condições de oferecer melhores condições para as empresas jornalísticas, e isso passava pela questão do papel, porque dependia de um esquema mais amplo entre o Brasil e os países investidores.

Porém, é necessário considerar que uma política pública que priorizava o produto nacional podia, e devia, objetivar o bom desempenho de suas empresas. A crise do papel atingia as empresas jornalísticas, mas também atingia os mais diversos grupos que direta ou indiretamente estavam associados a ela. Os leitores conseguiam identificar que as taxas cambiais de importação do papel dificultavam o trabalho final dos jornalistas e isso podia ser visto na diminuição do número de páginas dos jornais e revistas.

Os leitores deram conta da diminuição do número de páginas dos jornais, mas o principal foi a percepção de que por trás de uma publicação mais enxuta, estava uma problemática de cunho social. Se em 1954 haviam sido consumidas 126.300 toneladas

métricas de papel e um ano depois a quantidade havia sido reduzida para 82.000 toneladas métricas (SODRÉ, 1999, p. 411) é porque havia uma falha no sistema que disponibilizava determinados bens de consumo.

Foi pensando nessa questão que os governos da época modificaram seu discurso político, de acordo com o que foi descrito acima. Dutra, Vargas e JK foram representantes de uma tentativa de controlar as taxas cambiais, a fim de facilitar o processo de importação, e, principalmente, de ampliar a atuação das indústrias que operavam timidamente, na maior arte dos casos na produção de bens de consumo não duráveis. A lógica, até então, era de exportar matéria-prima e importar produtos manufaturados.

Para exemplificar alguns dos principais acontecimentos que iam ao encontro dessa política, destacamos a inauguração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em 52, no governo Vargas, e que nos anos 80 passa a ser chamado de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O primeiro de muitos financiamentos foi voltado para o setor de energia e o dos transportes, absorvendo 60% dos créditos aprovados. Os outros 40% foram utilizados nos demais ramos da indústria, como papel e metalurgia5.

Algumas das empresas beneficiadas por esses investimentos foram a Suzano e a Klabin, importantes indústrias no ramo do papel. Para entender melhor como essas empresas se desenvolveram com o passar das décadas, é interessante observar o histórico6 desses grupos:

HISTÓRICO DO GRUPO SUZANO

O grupo nasceu em 1923 com a criação da Leon Feffer & Cia, que comercializava papéis nacionais e importados. À revenda seguiram-se uma gráfica e uma pequena fábrica de artefatos de papel. Em 1939 a empresa iniciou a produção de papel e em 1946, sob nova denominação, já operava três máquinas de papel, iniciando-se as pesquisas de celulose com uso da base florestal nativa. Em1951 implantou seu primeiro empreendimento florestal. A Cia. Suzano de Papel e Celulose surgiu em 1956. A planta operava três máquinas de papel e cartão para embalagem e oferecia condições para

desenvolver em escala industrial a tecnologia de celulose de fibra curta. Em 1957 a Suzano começava a produção pioneira de celulose de eucalipto, utilizada para fabricar papel de imprimir e escrever. Nos anos do governo JK a unidade Suzano aumentou sua capacidade produtiva em celulose alvejada e instalou uma quarta máquina, sendo os financiamentos do BNDES importantes para essa expansão.

HISTÓRICO DO GRUPO KLABIN

A Klabin Irmãos e Cia. foi criada em 1899 para atuar nos setores de tipografia e importação de materiais para escritório. Quatro anos depois, inicia a produção de papel para impressos e invólucros pelo arrendamento de uma fábrica de papel. Em 1909 é criada a primeira fábrica do grupo, a Cia. Fabricadora de Papel. Na década de 30, durante a industrialização acelerada, surgem dois empreendimentos. Primeiro, por aquisição, uma fábrica de porcelanas (1931). Três anos depois é fundada a Klabin do Paraná (IKPC), primeira fábrica integrada de papel e celulose do país, e adquirida a Fazenda Monte Alegre, cuja reserva florestal serviu para suprir a IKPC. O início das operações, no entanto, só ocorreria no imediato pós-guerra, em 1946. A produção de embalagens inicia-se seis anos depois, na Fabricadora. Os anos do Plano de Metas da administração JK são de forte expansão para o grupo com a ampliação da produção de celulose e implantação de novas fábricas de papel. Novos investimentos ocorreriam apenas em 1967, com a aquisição de nova fábrica de papel, junto com a constituição da Papelão Ondulado do Nordeste.

O histórico dos grupos Suzano e Klabin serve de exemplo para verificar como a política governamental da década de 50 atuou de forma a beneficiar determinados segmentos de produção. No caso, as indústrias produtoras de papel foram alvo de investimentos que, dentre outras melhoras, facilitaram a capacidade produtiva em celulose. O aumento de produção de celulose foi uma conseqüência direta dos investimentos realizados pelo governo que demonstrou o interesse na modificação da estrutura econômica existente.

A importação do papel gerou uma grave crise nas empresas jornalísticas, mas antes disso, gerava uma crise proveniente da falta de investimentos em indústrias que já atuavam, mas que não tinham condições de ampliar sua participação no mercado

6 O histórico das empresas aqui apresentado foi retirado do texto As estratégias dos grandes grupos

nacional. Participando mais, produzindo mais e disponibilizando mais produtos no mercado, as empresas geravam uma atividade que estimulava outros setores sociais.

Seguramente a ampliação da produção de papel não sanou os problemas econômicos relativos à escassez que dificultavam a atuação das empresas jornalísticas. A imprensa continuou tendo uma liberdade mais ou menos restrita, dependendo do grau de interferência do capital estrangeiro. O mais importante é considerar que esses investimentos do governo na produção de papel foram um primeiro passo em relação à diminuição do grau de dependência dos estrangeiros.

Esse fenômeno de empresas jornalísticas em associação com o capital estrangeiro foi um episódio que nos renderia muitos assuntos a serem tratados neste trabalho. Principalmente nos anos 60, quando o Grupo Time-Life remeteu ao Grupo Globo, liderado pela figura de Roberto Marinho, mais de 2.838.613, 28 dólares (SODRÉ, 1999, p. 439). No entanto, a presente pesquisa se atém às questões específicas da década de 50, período em que ocorreu a introdução da televisão no país.

A questão suscitada pela crise do papel e todo o quadro das empresas jornalísticas nos levam a considerar os fatores do cenário histórico que deram suporte para o surgimento da televisão. Todos os pontos apresentados, a política governamental, o capital estrangeiro, a publicidade, a liberdade de imprensa e a crise do papel foram, em certa medida, fatores importantes que colaboraram no processo de introdução da TV no país.

Além disso, a estrutura, o modo como os fatos foram se desenhando, possibilitou o começo de uma nova era de comunicação que passava a contar com um sistema de transmissão diferenciado. A televisão teve um processo de experimentação muito peculiar, um jogo de erros e acertos, uma espécie de abertura para os meios de comunicação que se viam no epicentro da crise, no caso dos jornais e revistas, ou no apogeu de suas produções, no caso da fase chamada de “era de ouro” do rádio.

Documents relatifs