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Exemples d’évolution d’espèces invasives des zones humides avec le

Para discutirmos o trabalho, é essencial retomarmos primeiramente nosso olhar sobre a mercadoria e o valor, aspectos primordiais para o entendimento do modus operandi do sistema capitalista de produção. No Livro I de O Capital [1867] 2013, a mercadoria é apresentada como toda criação ou objeto externo que satisfaz necessidades humanas e é produzido para o mercado, ou seja, para ser comercializada. O acúmulo dessas mercadorias é o que gera riqueza na sociedade burguesa.

Toda mercadoria possui duplo fator, o valor de uso e o valor de troca. A utilidade da mercadoria determina a ela o valor de uso: a função da caneta é escrever, do casaco é esquentar e da tesoura, cortar. O valor de troca surge quando estas mercadorias demandam um “modo de expressão” em relação a um conteúdo diferente de si e, nesse sentido, não existe valor de troca intrínseco a uma mercadoria – ele é sempre determinado na relação quantitativa entre produtos

diferentes. De forma a exemplificar, quando um sujeito oferece duas de suas canetas em troca de uma tesoura, o valor de uso das canetas aqui foi suprimido e o destaque está para o potencial de seu valor de troca, já que o interesse maior está na aquisição da tesoura e não na utilidade das canetas para a escrita.

Nesse sentido, quando a mercadoria é desenvolvida especialmente com a finalidade da venda (sua forma relativa), fica ainda mais claro que o valor de uso não está para o produtor, apenas para o comprador. O produtor fica apenas com seu valor de troca.

Marx introduz esta discussão para mostrar que, no modo de produção capitalista, a sociabilidade das pessoas põe em ação a sociabilidade das ‘coisas’, pois todas as relações passam a ser mediadas por mercadorias. No sistema mercantil, as trocas eram habituais, contudo é na era industrial que este modelo ganha escala e introduz um novo fator determinante para a expansão do capital: a utilização do dinheiro como equivalente geral de trocas e a apropriação do trabalho como mercadoria.

As mercadorias não se tornam comensuráveis por meio do dinheiro. Ao contrário, é pelo fato de todas as mercadorias, como valores, serem trabalho humano objetivado e, assim, serem, por si mesmas, comensuráveis entre si, que elas podem medir conjuntamente seus valores na mesma mercadoria específica e, desse modo, convertê-la em sua medida conjunta de valor, isto é, em dinheiro. O dinheiro, como medida de valor, é a forma necessária de medida imanente de valor das mercadorias: o tempo de trabalho.69

O capitalismo, portanto, se diferencia de seu antecessor, pois não mais baseia sua estrutura na troca de mercadorias que contém valores de usos para seus proprietários, mas na expansão de um modelo econômico que produz “quaisquer coisas” em larga escala com o único intuito de produzir mais valor com a comercialização destas mercadorias em troca de um único bem, o dinheiro.

Vale destacar que as mercadorias são produto resultante da força de trabalho humano, que correlatamente também é mercadoria. Este é um ponto essencial para entendermos o trabalho na visão de Marx. Para o autor, há apenas uma mercadoria capaz de produzir valor de uso e, conseguintemente, valor de troca: a força de trabalho. Mas como é possível a força de trabalho ser entendida como uma mercadoria? Quando se tira toda a propriedade de produção de um indivíduo, o que lhe resta é sua potência de ação no mundo.

69 MARX, K. O Capital. Crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo:

O trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e a natureza, processo este em que o homem, por sua própria ação, medeia, regula e controla seu metabolismo com a natureza. Ele se confronta com a matéria natural como com uma potência natural. A fim de se apropriar da matéria natural de uma forma útil para sua própria vida, ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua corporeidade: seus braços e pernas, cabeça e mãos. Agindo sobre a natureza externa e modificando-a por meio desse movimento, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza.70

Quando um sujeito não é detentor de propriedade ele submete-se a uma relação de troca com quem detém – no caso os meios para produzir outras mercadorias, pois quando se tira toda a propriedade de produção do indivíduo, resta apenas o seu corpo, energia física e mental para oferecer. Assim, o indivíduo torna-se um trabalhador que oferece sua força de trabalho ao capitalista, que tem dinheiro para prover em troca. Porém, novamente questionamos, porque este proprietário dos meios de produção tem a mercadoria dinheiro para oferecer?

Para Marx, este é o problema-chave para entender a transformação do dinheiro em capital. É na compra da única mercadoria que produz mais mercadorias – a força de trabalho – que o capital se multiplica, porém o valor de troca pago ao vendedor, ou seja, o trabalhador, não é equivalente ao valor de sua força de trabalho. Em exemplos práticos, o empregador proprietário de uma fábrica oferece um valor (o salário) de equivalente x ao sujeito em troca de sua atividade de trabalho que resultará na produção de mercadorias que serão comercializadas ao valor equivalente de x+y. No final deste processo, o capitalista repassa ao trabalhador o valor acordado x e acumula o valor restante y, produzindo assim mais-valia a partir da exploração desta mão de obra.

A partir desta regra simples surgem diversas outras formas de o modelo capitalista se expandir. Ele é um sistema de infraestrutura baseada na valorização, e ela é apenas possível devido às diversas manifestações possíveis desta relação de exploração da força de trabalho.

Esta conta se apresenta na forma da taxa de lucro que, segundo Marx, se constituí na relação entre a mais-valia e o capital constante (infraestrutura) mais o capital variável (mão de obra). Quanto maior o investimento em máquinas e funcionários, menores são os ganhos, no entanto, o investimento em melhorias tecnológicas é essencial do ponto de vista concorrencial. Ao perceber isso, o capitalista encontra alternativas para manter seu lucro e continuar investindo no capital constante, como a demissão de funcionários, a exigência da realização de horas-extra, o aumento da carga horária etc.

70 MARX, K. O Capital. Crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo:

Em síntese, o resultado da apropriação do trabalho humano pelo capital resulta em alienação que, para o autor, acontece quando o sujeito perde o controle sob os seus próprios meios de trabalho. Como afirmamos anteriormente, a atividade de trabalho resulta do movimento do homem em ação na natureza, no entanto, ao vender sua força de trabalho, o indivíduo se desconecta de sua produção. A alienação do trabalho acaba por estimular a própria expansão do modo de produção capitalista, ao passo em que toda a força de trabalho é investida na criação de mercadorias para terceiros, sendo o proprietário privado o único beneficiado neste ciclo.

Optamos por introduzir essa breve explicação para mostrarmos como se constituí a ponte entre o ideário de trabalho antes e após a intervenção capitalista, e para situarmos o objeto de pesquisa dentro deste cenário onde trabalho é hoje mercadoria do capital.