A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e compreende o atendimento das crianças de zero a cinco anos de idade. Essa etapa foi escolhida para a realização dessa pesquisa, pois o bom desenvolvimento da criança é imprescindível para sua formação, seja no âmbito cognitivo, motor, afetivo, sociocultural ou físico. A criança é um sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva. Ela brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade (BRASIL, 2010).
As práticas pedagógicas do professor são essenciais desde os primeiros anos de escolarização da Educação Básica, já na Educação Infantil e, sobretudo, com os alunos PAEE. Sabe-se que esses alunos, também devem frequentar, preferencialmente, a escola regular e se apropriar das aprendizagens que ela tem a oferecer, como garantido por lei. O professor da Educação Infantil deve proporcionar atividades que estimulem o desenvolvimento da criança e quanto mais práticas pedagógicas eficazes, desde os primeiros anos desse aluno na escola, mais condições de acompanhar o currículo dos seus coetâneos ele terá.
Segundo Moyles (2002, p.143) a escola é o lugar onde a criança encontra um ambiente seguro, além de ter outros alunos, recursos e materiais lúdicos para brincar. Ela encontra um ambiente totalmente diferente de sua casa e, às vezes, nesse ambiente escolar “(...) surgem algumas crianças com necessidades diferentes das outras e é nesse momento que se deve refletir e ver quais as dificuldades dessas crianças (...)”. Ainda, de acordo com Moyles (2002) a prática pedagógica do professor em relação à essa criança pode ou não ajudar no seu desenvolvimento e, sendo assim, o professor precisa rever constantemente suas impressões sobre os alunos para não deixar que o aluno tenha dificuldades para aprender.
Vygotsky (1998) defende que a escola possibilita o desenvolvimento das suas funções psicológicas superiores e conhecimento através da relação histórico-cultural construídos por ela. É através das interações e no espaço das relações sociais que a criança vai adquirir aprendizagens significativas e construir sua trajetória histórica, social e cultural, e o ambiente escolar é propício para oferecer aos alunos PAEE ou aos demais alunos assimilações para o seu desenvolvimento integral. A educação escolar tem a obrigação de auxiliar por meio de mediações docentes. Segundo Saviani (2005) os alunos para que eles tenham uma qualidade educacional no intuito de realizar uma possível transformação para que, futuramente, eles transformem essas aprendizagens em práticas sociais.
De acordo com Paniagua e Palácios (2007), uma das grandes premissas da Educação Infantil é contribuir para que as crianças desenvolvam suas potencialidades. Por isso, a importância da escola desde nos primeiros anos da criança, contudo, faz-se necessário uma escola que ofereça condições de inclusão à criança PAEE e, que as práticas pedagógicas do professor contribuem no processo de inclusão desse aluno. Jesus (2008, p. 77) diz que os professores através de suas “(...) contradições, dúvidas, avanços, medos, disponibilidades,
ansiedades, acolhimentos e possibilidades, assumem os alunos em suas salas de aulas. São as práticas pedagógicas aí desenvolvidas que poderão contribuir, ou não, no sentido de aquisição do conhecimento (...)”.
A LDB (BRASIL, 1996, art. 29), já ressaltava que a Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade, assim como o Estatuto da Criança e Adolescente (BRASIL, 1990, art. 54), reafirma o compromisso de assegurar a educação promovendo pleno desenvolvimento e preparo para a cidadania, qualificação para o trabalho e igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. E segundo as Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil (BRASIL, 2010) cita que o conjunto de práticas pedagógicas forma o currículo e que assim buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental e cientifico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral dos alunos da Educação Infantil. Assim, pode-se perceber que a Legislação Brasileira ressalta, tanto a finalidade da Educação Infantil como a sua importância para o desenvolvimento humano, bem como que esse desenvolvimento aconteça através das práticas do professor.
No entanto, Araújo e Del–Masso (2008) acreditam que, existam muitas dificuldades de acessibilidade escolar desses alunos e que elas decorrem do fato de o sistema educacional não estar preparado para recebê-los, pois faltam lhes adaptações necessárias que modifiquem barreiras sociais e arquitetônicas, instrumentos não próprios ou pela falta de professores adequados para trabalhar com aluno com deficiência. Para Paniagua e Palácios (2007) é preciso pensar em respostas educativas abertas e flexíveis que deem atenção ao aluno em função de sua necessidade e também que os critérios de avaliação respondem à diversidade.
A proposta dessa pesquisa é bem pertinente, pois Mendes (2008) ressalta que considerando a partir das políticas públicas de inclusão no país é relevante ter como objeto de estudo as práticas da escola, principalmente as práticas de sala de aula das escolas comuns com crianças incluídas. E reforçando essa ideia, Jesus (2008) diz que é imprescindível promover uma discussão quanto à inclusão escolar, pois essa discussão levará a uma reflexão mais profunda acerca do papel da instituição escolar na sociedade e que a política de inclusão é um passo
importante no reconhecimento da educação para todos e nas potencialidades dos alunos com deficiência.
A escola tem o dever de oferecer aos alunos oportunidades iguais, os alunos PAEE têm que ter condições de equidade de oportunidades e ter respostas educativas eficientes para suas aprendizagens. De acordo com Carvalho (2005) se não tivermos a coragem de enfrentar discussões “(...) assumindo atitudes mais críticas, poderemos ter, como resultado das propostas de inclusão educacional escolar, nada mais do que inserção física, com interações baseadas na solidariedade mecânica (...)” (CARVALHO,2005, p. 55).
Jesus (2008) diz que precisamos ir além de críticas, porém sem elas não se tem novas caminhos para debater a inclusão escolar e que, somente o acesso à escola não significa inclusão do aluno. A inclusão dos alunos PAEE na escola comum vem acontecendo gradualmente e é um processo que, para ser bem sucedido, depende muito de como a escola recebe esse aluno e oferece condições, principalmente de recursos humanos para ajudá-lo no seu desenvolvimento. O trabalho oferecido pelo professor deve abranger às necessidades desse aluno, senão ele fica à mercê de um sistema educacional empobrecido que não consegue nem oferecer profissionais qualificados.
Diante da necessidade evidente de se ter uma escola inclusiva e da necessidade do professor fazer um bom trabalho que atenda todas os alunos incluídos na escola comum e consiga alcançar os objetivos essa pesquisa visa discutir a importância de uma educação inclusiva desde a Educação infantil, bem como o papel primordial das práticas pedagógicas do professor para esse processo ocorrer.
O professor sendo indispensável na aprendizagem de qualquer criança e, é fator fundamental na aprendizagem das crianças PAEE, principalmente, para as crianças com deficiência e depende dele desenvolver determinadas práticas pedagógicas que ajudem seus alunos no seu processo de desenvolvimento e, por isso, é importante pesquisar como acontecem as práticas pedagógicas do professor da Educação Infantil que possuem em sua sala de aula comum alunos PAEE e como é essa escolarização perante a perspectiva da educação inclusiva.