Com metade de cada provete resultante do ensaio de resistência à tração por flexão é realizado o ensaio de resistência à compressão com base na norma EN 1015-11 [CEN, 1999b].
De forma semelhante ao ensaio anterior, preparou-se a máquina universal Zwick/Rowell Z050 com a introdução da célula de carga de 50 kN no dispositivo para compressão de prismas com 40 mm de secção. Colocou-se um provete entre os dispositivos preparados, com a face rugosa disposta lateralmente para permitir que a carga atuasse numa fase lisa, sem irregularidades. Posto isto deu-se início ao carrega- mento do provete através do software do equipamento anteriormente referido, com uma velocidade de 0,7 mm/min (Figura 8.18). Foram registados os valores da força aplicada em função do tempo, bem como a força máxima de compressão (Fc) que ocorre antes da rotura.
A resistência à compressão Rc [MPa] é obtida através do quociente entre a força máxima Fc [N] obtida pelo software do equipamento e a secção de aplicação da carga [mm2].
Figura 8.18 – Ensaio de Resistência à compressão (à esq.); Aspeto do provete após o ensaio de resistência à compressão (à dir.)
Resultados
O valor médio e desvio padrão, obtido através da média dos seis provetes resultante do ensaio de resistência à compressão é de 1,070,08 N/mm2.
8.4.6. Absorção de água por capilaridade Procedimento de ensaio
O comportamento face à ascensão capilar não é um requisito geral para argamassas de terra pois estes tipos de argamassas são aplicados como rebocos interiores. No entanto, se a parede onde o reboco foi aplicado apresentar problemas de ascensão capilar a partir do solo, será vantajoso que a argamassa apresente um comportamento eficiente.
Este ensaio foi realizado com base no procedimento da norma EN 1015-18 [CEN, 2002], EN 15801 [CEN, 2009a] e teste n.º II.5 da RILEM [RILEM 1980a], com alguns ajustes para não ocorrerem perdas de massa decorrentes da degradação dos provetes de argamassas de terra, por contacto prolongado com água. A finalidade deste ensaio foi a de determinar o coeficiente de capilaridade (CC), que traduz a veloci- dade de absorção inicial. O ensaio foi realizado na sala condicionada à temperatura de 203ºC e humidade relativa de 655%. Para a realização deste ensaio, os provetes prismáticos que resultaram do ensaio de
resistência à tração por flexão, foram cortados com altura igual ao comprimento e largura, ou seja de forma a resultarem cubos de 40 mm de aresta.
O ensaio foi realizado com três tipos de impermeabilização lateral diferentes: com pelicula aderente de polietileno, com resina epóxi e sem qualquer tipo de impermeabilização.
Antes da realização do ensaio dois dos grupos de provetes foram então impermeabilizados nas quatro faces laterais para garantir que a absorção se efetuasse apenas na base e fosse unidirecional, evitando perdas pelas faces laterais. A face inferior de todos os três grupos de provetes foi coberta com um tecido de algodão preso por um elástico, permitindo a passagem da água e evitando a perda de material durante a fase de absorção (Figura 8.19). Após a preparação os provetes foram pesados numa balança de precisão de 0,001 g e colocados na estufa a 60ºC durante pelo menos 48h, até atingirem condições de massa constante. Depois de retirados da estufa, estes foram colocados num exsicador para que arrefeces- sem de modo a que pudessem ser manuseados mas não fossem alteradas as suas condições de humi- dade. Os provetes foram pesados numa balança de precisão de 0,001 g, registando a massa seca.
Devido ao facto de estes provetes em presença de água serem de difícil manuseamento foram fabricados uns cestos onde os provetes foram colocados e através dos quais os provetes passaram a ser manuseados (Figura 8.19). De seguida foi preparada uma caixa plástica vedada com água no fundo, de modo a garantir um ambiente saturado húmido. No interior da caixa foi colocado um tabuleiro de base rígida nivelado e sobrelevado em relação à base. Colocou-se uma rede plástica dentro do tabuleiro para sobre- levar os provetes mas permitir o contacto praticamente total da base dos provetes com a água. Adicionou- se água no interior do tabuleiro até perfazer uma lâmina de água de 5 mm de altura (tendo em consideração que os cestos tinham 1 mm de espessura na base), tendo esta altura de água sido medida com uma régua e mantida ao longo do ensaio. Os provetes foram colocados dentro dos cestos e de seguida dentro da caixa por ordem; de seguida mediram-se as massas aos 0, 2, 4, 6, 8, 10, 20, 30, 60 e 120 minutos de contacto com a água e assim sucessivamente até a curva de absorção se encontrar num patamar de es- tabilização. Teve-se o cuidado de se deixar pingar a água em excesso absorvida pelo tecido de algodão de modo a não ocorrerem erros na medição das massas nem pingar sobre os outros provetes.
Ao fim de 15 minutos dos provetes com película estarem em contacto com a água já era possível observar que a absorção por capilaridade já se encontrava a metade dos provetes (Figura 8.19 – à es- querda). Após os primeiros sinais de estabilização da curva de capilaridade, os provetes foram retirados da caixa devido ao facto de se estar a iniciar a fase de deterioração dos provetes.
Os provetes sem qualquer tipo de impermeabilização lateral passados 10 minutos já se encontra- vam completamente molhados, enquanto os provetes com impermeabilização lateral com resina epóxi de- moraram cerca de duas horas para começar a dar sinais de presença de água na superfície superior do provete.
A curva de absorção de água por capilaridade foi obtida através de um gráfico que relaciona a quantidade de água absorvida por área da base [kg/m2] com a raiz quadrada do tempo [min1/2].
A quantidade de água absorvida M é dada pela equação 7.8.: 𝑀 =𝑚𝑖−𝑚0
𝑆 [𝑘𝑔/𝑚2] (7.8.)
em que mi– massa do provete no instante i [kg]; m0– massa do provete no instante inicial [kg]; S – secção do provete em contacto com a água (0,04x0,04 m2).
Figura 8.19 – Ascensão capilar a meia altura do provete impermeabilizado com pelicula aderente de polietileno (à esq.); Provete impermeabilizado com resina epóxi (à dir.);
O coeficiente de capilaridade (CC), expresso em [kg/(m2.min0,5)] pode ser obtido através uma re- gressão linear dos pontos da curva inicial, através do declive (m) da reta formada por estes pontos: y=mx+b.
Tal como já foi referido, este ensaio foi realizado através de três tipos de preparações laterais diferentes dos provetes, tendo o procedimento de ensaio sido o mesmo.
Resultados
A curva média obtida no ensaio de capilaridade, resultante da medição em seis provetes, com impermeabilização lateral com pelicula aderente e com resina epóxi encontra-se na Figura 8.20, assim como a curva resultante do ensaio dos provetes sem qualquer tipo de impermeabilização lateral.
Figura 8.20 – Curvas de absorção de água por capilaridade correspondentes a cada tipo de impermeabilização
Verifica-se que a realização do ensaio sem impermeabilização lateral e mesmo com impermeabili- zação por película de polietileno é muito penalizante para a argamassa. Por este motivo recomenda-se que a caracterização deste tipo de argamassas seja realizado recorrendo à resina epóxi ou material similar para a preparação das faces laterais dos provetes.
0 2 4 6 8 10 12 14 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 A bs or çã o de á gu a po r ca pil ar ida de [k g/ m 2] Tempo [min0,5] Resina epóxi Pelicula de polietileno Sem impermeabilização