A temática dos Estilos de Aprendizagem foi adotada nesta pesquisa com o objetivo de compreender se o estilo de aprendizagem predominante dos alunos de Pedagogia associado ao conhecimento pedagógico e inclusão digital nos aspectos técnicos e cognitivos, auxilia na construção e criação do planejamento de aula individual no Espaço da aula do portal do professor do MEC.
Com a identificação do estilo de aprendizagem predominante do aluno, pretendemos compreender se este interferiu ou não e de que forma, na criação da aula e na usabilidade do Espaço de Aula do Portal do professor do MEC. Então, será que o Espaço de Aula do Portal favorece um estilo em detrimento dos outros? Isto é, será que quem tem determinado estilo consegue usar o Espaço da aula tranquilamente? Qual (is) estilo (s) precisa (m) ser considerados para que o uso da ferramenta Espaço de Aula seja efetivo pelos professores, neste caso, alunos de Pedagogia?
Diversos autores tratam sobre a temática dos estilos de aprendizagem, Riechmann e Gasha (1974), David Kolb (1976), Riechmann (1979), Gregore (1979), Buther (1982), Smith (1998), Cazau (2004), Alonso e Gallego (2002), Garcia Cué (2007), entre outros.
Dentre eles, destacaremos os trabalhos de Kolb (1993) e de Alonso, Gallego e Honey (2002). Kolb começou seus estudos sobre estilos de aprendizagem em 1971 e desenvolveu uma linha de investigação que percebe sua população-alvo, estudantes universitários, como dependente do êxito permanente num mundo em constantes mudanças, em que são exigidas capacidades para examinar novas oportunidades e aprender com os êxitos e fracassos.
O trabalho de Kolb (1971) direciona-se ao conhecimento do como se apreende e se assimila a informação, de como se solucionam problemas e se tomam decisões. Ele elaborou um modelo denominado experiencial, buscando conhecer o processo de aprendizagem baseada na experiência. A teoria da aprendizagem experiencial descreve quatro dimensões de desenvolvimento:
estrutura afetiva; estrutura perceptual; estrutura simbólica e estrutura comportamental.
A partir da teoria da aprendizagem experiencial, Kolb (1984) define estilo de aprendizagem como sendo: “um estado duradouro e estável que deriva de configurações consistentes das transações entre indivíduo e o seu meio ambiente” (p. 24). Kolb concebe o aprendizado como o processo pelo qual ocorre o desenvolvimento do indivíduo.
A relação entre aprendizado e desenvolvimento difere de algumas concepções tradicionais, nas quais os dois processos são colocados como relativamente independentes, sugerindo que o aprendizado seja um processo subordinado, mas não envolvido ativamente no desenvolvimento do indivíduo.
Neste sentido Kolb (1984) afirma que, para aprender o indivíduo utiliza-se das conquistas que o seu desenvolvimento proporcionou, mas este aprendizado não muda de curso do desenvolvimento em si. O modo como é modelado o curso do desenvolvimento pode ser descrito pelo nível de estrutura integrativa nos quatro modos de aprendizagem:
• Estrutura Afetiva: Resulta na experiência concreta em vivência de sentimentos mais importantes;
• Estrutura Perceptual: Resulta em observações reflexivas mais aguçadas;
• Estrutura Simbólica: Compreende a conceituação abstrata e resulta na criação de conceitos mais apurados;
• Estrutura Comportamental: Resulta na experimentação ativa do indivíduo no processo de aprendizagem em atos maiores e mais complexos.
A partir destes quatro modos de aprendizagem, Kolb (1984) propõe um modelo de aprendizagem, baseado em um processo cíclico de quatro etapas:
1. Experiência Concreta (EC): aprender através dos sentimentos e do uso dos sentidos;
3. Conceituação Abstrata (CA): aprender pensando. A aprendizagem, nessa etapa, compreende o uso da lógica e das ideias;
4. Experimentação Ativa (EA): aprender fazendo. A aprendizagem toma uma forma ativa.
Considerando este modelo de aprendizagem, Kolb define os Estilos de Aprendizagem, a saber: Acomodador, Divergente, Convergente e Assimilador. O estilo Acomodador [EA-EC] tem suas preferências de aprendizagem baseadas na experimentação ativa e na experiência concreta. Adaptam-se bem às circunstâncias imediatas, aprendem fazendo coisas, aceitando desafios, tendendo a atuar mais pelo que sentem do que por uma análise do tipo lógica. Encontram-se acodomodadores em bancários, administradores, políticos, gerentes, especialistas em relações públicas, vendedores, etc.
No estilo Assimilador [OR-CA] os indivíduos aprendem basicamente por observação reflexiva e conceituação abstrata. Destacam-se por seu raciocínio indutivo e por uma habilidade para criar modelos abstratos e teóricos. Preocupam-se menos com o uso práticos das teorias. Encontram-se assimiladores entre os professores, escritores, advogados, bibliotecários, matemáticos, biólogos, etc.
No estilo Convergente [CA-EA] o ponto forte dos indivíduos convergentes é a conceituação abstrata e a experimentação ativa. Atuam melhor nas situações em que existe uma única solução correta. A aplicação prática das ideias é outro ponto forte desses indivíduos, que também utilizam o raciocínio hipotético dedutivo, definem bem os problemas e tomas decisões. Encontram-se adeptos do estilo convergente os profissionais tecnológicos, economistas, engenheiros, médicos, físicos, informatas, etc.
O estilo Divergente [EC-OR] se opõe ao convergente. Preferem aprender pela experiência concreta e observação reflexiva. Os indivíduos deste estilo se destacam por suas habilidades para contemplar as situações de diversos pontos de vista e organizar muitas relações em um todo significativo. São criativos, geradores de alternativas, reconhecem os problemas e compreendem as pessoas. Possuem campo de trabalho neste estilo, planejadores, orientadores, terapeutas, assistentes sociais, enfermeiras, artistas, músicos e atores.
A capacidade de aprender é uma das habilidades mais importantes que se pode adquirir e desenvolver. Neste sentido, o professor-estudante no processo de aprendizagem sobre as tecnologias no uso prático docente, defronta-se como novas experiências ou situações de aprendizagem na vida, na carreira, no estudo ou no trabalho. Deste modo, para um estudante ser mais eficaz, ele deve mudar sua atitude conforme a necessidade, estar envolvido (Experiência Concreta), escutar (Observação Reflexiva), criar ideias (Conceituação Abstrata) e tomar decisões (Experimentação Ativa). Isto significa que o estudante pode aprender interagindo com os diversos estilos, na medida em que necessite de cada um deles.
Na concepção de Alonso, Gallego e Honey (2002), adotada nesta pesquisa, existem quatro estilos definidos: o Ativo, o Reflexivo, o Teórico e o Pragmático. Admitem, ainda, que em cada pessoa é possível identificar características dos vários estilos de aprendizagem, embora geralmente, cada pessoa possua um estilo dominante, a saber:
• Estilo Ativo: Os sujeitos pertencentes deste estilo gostam de novas experiências, têm uma mente aberta, entusiasmam-se por tarefas novas, são sociáveis e envolvem-se constantemente com os outros, procuram ser o centro de todas as atividades, manifestam forte implicação na ação. Suas características são: animador, improvisador, descobridor, destemido e espontâneo. Possuem características secundárias de: criativo, aventureiro, inventor, conversador, líder, voluntarioso, divertido, participativo, competitivo, desejoso de aprender e de resolver problemas.
• Estilo Reflexivo: Os indivíduos desse estilo gostam de considerar todas as alternativas possíveis antes de realizar algo. Observam as experiências de diversas perspectivas, centram-se na reflexão e na construção de significados, reúnem dados tanto da sua experiência como da experiência dos outros. Gostam de observar a atuação dos demais e criam, ao seu redor, um ar ligeiramente distante e condescendente. Suas principais características são: ponderado, consciente, receptivo, paciente, cuidadoso, detalhista, elaborador de argumentos, previsor de alternativas, assimilador, estudioso de comportamentos, investigador, prudente e questionador.
• Estilo Teórico: Os sujeitos deste estilo tendem a estabelecer relações, deduzir, integram o que fazem em teorias coerentes. Tendem a ser perfeccionistas, gostam de analisar e sintetizar. A sua abordagem aos problemas é consistente e lógica. São profundos em seu sistema de pensamento e na hora de estabelecer princípios, teorias e modelos. Buscam a racionalidade e objetividade, sentem-se desconfortáveis com conclusões subjetivas, pensamentos laterais ou qualquer aspecto superficial. As outras características secundárias são: metódico, lógico, objetivo, crítico e estruturado, disciplinado, sintético, sistemático, generalizador, explorador, investigador de teorias, modelos e conceitos.
• Estilo Pragmático: Os pragmáticos são aprendizes que gostam de experimentar ideias, teorias e técnicas para ver se funcionam na prática. Gostam de atuar de uma forma confiante e rápida sobre as ideias e os projetos que os atraem. Tendem a evitar a reflexão e ficam impacientes com discussões sem fim. Partem do princípio de que “sempre se pode fazer melhor” e se “funciona, significa que é bom”. Essencialmente são pessoas práticas que gostam de resolver problemas se maneira prática. Suas principais características são: experimentador, prático, direto, eficaz e realista, técnico, rápido, decidido, concreto, objetivo, seguro de si, organizado e solucionador de problemas.
Os estilos de aprendizagem, de acordo com Alonso, Gallego e Honey (2002), são traços, cognitivos, afetivos e fisiológicos, que servem como indicadores relativamente estáveis de como os alunos percebem, interagem e respondem a seus ambientes de aprendizagem. Esta teoria tem por objetivo identificar o estilo de maior predominância na forma de cada um aprender e, a partir disso, elaborar o que é necessário desenvolver em relação aos outros estilos não predominantes. Deste modo, o trabalho educativo deve possibilitar que os outros estilos também sejam presentes na formação do aluno.
Para identificarmos o estilo de aprendizagem predominante dos nossos sujeitos (alunos de Pedagogia), usamos o questionário CHAEA (ver Anexo A) de Alonso, Gallego e Honey (2002). Este questionário foi traduzido e adaptado por
Evelise Maria Labatut Portilho possuindo oitenta questões. Para cada estilo: ativo, reflexivo, teórico e pragmático há vinte questões distribuídas aleatoriamente.
Assim, cada sujeito poderá marcar quantas questões quiser e não há perguntas certas ou erradas, na verdade, o sujeito deve marcar a questão que está mais de acordo com seu estilo de aprendizagem. Ao final, para identificar o estilo de aprendizagem predominante, usa-se uma tabela criada por Okada e Barros (2010) para conferir as questões marcadas e conhecer seu estilo de aprendizagem predominante (ver Anexo B).
Em nosso estudo buscamos analisar o estilo de aprendizagem dos sujeitos e relacioná-lo ao desempenho na produção dos planos de aula no eixo “Criar Aula” do Espaço da Aula do Portal do Professor do MEC.