• Aucun résultat trouvé

Examples of Computer-Based Pedagogical

Inicia-se este subtópico com a seguinte questão elaborada por Gagnon (2000, p. 105): “La insertion professionnelle est-elle um jeu de stratégie ou de hasard?” – ou seja, a inserção profissional é um jogo de estratégias ou de oportunidades? Concorda-se com ao autor de que, sem dúvida, a inserção é um jogo de estratégias. Pode até acontecer de ser fruto de sorte ou de uma oportunidade porque o indivíduo estava em um bom lugar, no momento certo. Porém, não se pode afirmar que o emprego será de longa duração e capaz de satisfazer a pessoa. Os

trabalhadores de hoje terão que mudar de emprego numerosas vezes, ao longo da vida e, por isso, faz-se crucial que saibam traçar um conjunto de estratégias que lhes permitam a entrada e também a permanência no sistema produtivo.

Sobre o que é estratégia, Carvalho e Laurindo (2007, p. 3) destacam que se trata de uma palavra que vem do grego stratego, que exprime general. Na “classifica divisão dos aspectos da guerra entre operacional, tático e estratégico, o aspecto estratégico está ligado ao planejamento”. O termo estratégia, na sua origem, esteve precisamente ligado à “arte de fazer guerra de um líder militar, como um general”,26 porém, a partir dos anos de 1950, mais especificamente entre os anos de 1960 e 1980, passou a ser utilizado e questionado em diversas áreas, como a economia, a psicologia e a sociologia, o que, consequentemente, contribuiu para que se tornasse um termo polissêmico na literatura. Entretanto, de uma forma geral, é consenso de que estratégia é “um curso de ação com vistas a garantir” o alcance de objetivos (CERTO; PETER, 1993, p. 17).

Preocupado não apenas em definir, mas também em discutir como se dá a construção das estratégias, Pierre Bourdieu (2004) traz algumas reflexões importantes. O autor questiona a concepção apresentada pelo estruturalista Lévi-Strauss de que estratégia é “sinônimo de escolha, escolha consciente e individual, guiada pelo cálculo racional ou por motivações éticas e afetivas”, e destaca que a noção de estratégia deve ser uma ferramenta que rompe com o ponto de vista objetivista e também com a ideia de ação sem agente que o estruturalismo defende, ao utilizar, por exemplo, a “noção de inconsciente” (BOURDIEU, 2004, p. 81).

Assim, para Bourdieu (2004, p. 81), a estratégia “é produto do senso prático como sentido do jogo, de um jogo social particular, historicamente definido, que se adquire desde a infância, participando das atividades sociais”. Um bom jogador cumpre as regras do jogo, faz a todo momento o que for exigido; o que implica uma capacidade criativa contínua de ajustamento a diversas situações, jamais semelhantes. Porém, ele não precisa obedecer de forma mecânica as regras; a vitória no jogo não é fruto da obediência, mas da arte de jogar, das escolhas feitas, “dos trunfos e cartas” que se tenha em mão. Para isso, um “sistema de esquemas de percepção, de pensamento, de apropriação e de ação” – o habitus (BOURDIEU; PASSERON, 2008, p. 57), “como social inscrito no corpo, no indivíduo biológico”, produzirá numerosos atos de jogo, tendo em vista o estado de possibilidades e exigências do jogo (BOURDIEU, 2004, p. 81).

Em outras palavras, Bourdieu mostra que é o habitus, capital adquirido e incorporado pelo indivíduo através das experiências sociais, que ordena, orienta e permite a criação de estratégias. Nessa perspectiva, o desenvolvimento das estratégias não acontece de maneira mecânica (de fora para dentro). Mas também não é um processo regido de forma livre pelos indivíduos; são disposições estruturadas, ou seja, apresentam propriedades particulares da posição social de quem as exerce, uma vez que os gostos, as aspirações, as formas de perceber estão antecipadamente estruturados (NOGUEIRA; NOGUEIRA, 2009); Assim, a capacidade de saber quais ações serão mais eficazes para alcançar determinados objetivos está pautada nas experiências vividas; e essas experiências estão ligadas aos grupos sociais a que o indivíduo pertence, ao perfil de sua família, ao lugar que ocupa na sociedade e aos seus cursos de vida (SILVA, 2011).

Tendo em vista o que foi apresentado, falar em estratégias de inserção profissional dos diplomados do ensino superior é falar de um curso de ações, construídas com base nas experiências sociais do indivíduo, com vistas à obtenção de objetivos de inserção. Vale destacar que tanto as estratégias quanto os objetivos de inserção fazem parte de uma atividade maior que é a elaboração de um projeto profissional.

De acordo com Dutra (2002), as etapas para a construção de um projeto profissional podem ser desempenhadas de diversas formas. Para o autor, um modelo que traz uma boa síntese do que diferentes autores propõem é o de London e Stumpf (1982). De acordo com esses autores, a elaboração do projeto depende de três atividades que são de total responsabilidade do indivíduo, a saber:

•Auto-avaliação: analisar suas qualidades, identificar seus interesses e o que gosta de fazer.

•Estabelecimento dos objetivos: identificar os objetivos profissionais; elaborar um plano de ações ou ainda estratégias realistas que sejam fundamentadas na autoavaliação e na avaliação das oportunidades.

•Implementação do plano: adquirir as formações e/ou capacitações, bem como as experiências profissionais que são imprescindíveis para competir pelas oportunidades e alcançar os objetivos.

Para London e Stumpf (1982 apud DUTRA, 2002), o indivíduo deve iniciar seu planejamento a partir da autoavaliação, logo após o desenvolvimento dos objetivos e a

esquematização das ações com fins de alcançá-las. Vale destacar que as etapas são interativas, havendo influências entre elas.

Figura 5 – Etapas de elaboração do projeto profissional

Fonte: London e Stumpf (1982 apud DUTRA, 2002).

Fundamentando-se nos trabalhos de Oliveira (1998, p. 76),27 no processo de delineamento das estratégias, os “recursos” empregados podem ser de duas ordens: “recursos internos” e “recursos externos”. No caso dos primeiros, originam-se do potencial individual de cada pessoa. Já a utilização dos “recursos externos” “corresponde às ações que tenham, como força motriz, a origem ‘exterior’ ao indivíduo”, o que significa que a pessoa interrompe ou reduz a utilização de suas competências individuais e passa a confiar mais nas ações originárias de outras fontes. Entre os exemplos de recursos explorados na literatura, destacam- se:

1. “Recurso interno”: “o aprendizado contínuo” ou a formação continuada (pós- graduação, lato e stricto sensu); investimento em cursos de línguas; treinamento específico no emprego; realizar atividades, como trabalho voluntário, para adquirir experiência; preparar-se para concurso público; divulgar currículo nos jornais e agências de emprego e ficar atento a propostas divulgadas nas redes de notícias, além de investir no próprio negócio (OLIVEIRA, 1998; ANECA, 2009; VASQUEZ; BARCELONA, 2000; FERREIRA, 2007).

27

O trabalho apresenta os resultados de um estudo desenvolvido com os funcionários do Banco do Brasil, cujo objetivo foi identificar elementos que podem interferir na elaboração das estratégias de carreira.

2.“Recurso externo”: contatos pessoais (redes de amigos, família) (OLIVEIRA, 1998; ANECA, 2009; VASQUEZ; FERREIRA, 2007).

Oliveira e Bastos (2000) destacam que as duas fontes de estratégia não são opostas, ao contrário, são complementares, sendo que algumas apresentam aspectos tanto de “recurso interno” quanto de “recurso externo”. Dessa forma, em uma investigação de estratégias, o que pode ser verificado é se o indivíduo utiliza em maior quantidade uma dessas fontes de estratégia. Outro aspecto28 importante a ser observado é a postura da pessoa: se é “pró-ativa” (de planejamento, de iniciativa) ou “passiva” (não há planejamento, o indivíduo prefere esperar as oportunidades aparecerem).

Figura 6 – Modelo explicativo de estratégias

Fonte: Oliveira (1998), adaptado pela autora.

Tendo como base a revisão de literatura realizada (TRINDADE, 2012; TARTUCE, 2007; OLIVEIRA, 2011), é possível observar que grande parte dos diplomados tem apresentado uma postura cada vez mais pró-ativa para superar as dificuldades e os entraves da inserção profissional. Entre as estratégias mais priorizadas, tanto para entrar ou se manter no mercado de trabalho, está o investimento em qualificação.

Dessa forma, são muitos os diplomados que têm estendido seus períodos de permanência nos espaços das universidades para fazer cursos de pós-graduação (lato sensu e

stricto sensu), na tentativa de aumentar as suas possibilidades de absorção pelo mercado. Para

28

Apesar do trabalho ter sido realizado em uma organização específica, e com pessoas já em exercício profissional, é totalmente possível utilizá-lo no contexto da presente pesquisa.

ESTRATÉGIAS RECURSOS UTILIZADOS COMO ESTRATÉGIA GRAU DE AUTONOMIA Recursos Internos Recursos Externos Postura Pró-ativa Postura Passiva

alguns, a qualificação é quase que uma estratégia obrigatória, tendo em vista as oportunidades que a área de formação oferece; para outros, mesmo não sendo tão urgente, é preferível dar continuidade aos estudos para que os alcances de inserção sejam mais satisfatórios.