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1 - L'examen du suspect et ses conséquences 1.1 - L'examinateur

Passamos então à discriminação das notícias, por género.

A reportagem é o tipo de notícia mais adotado pela TVI no Jornal Nacional, para noticiar sobre a campanha eleitoral para as presidenciais de 2011. De facto, cerca de 83% das notícias sobre a campanha foram veiculadas por intermédio de reportagens (Gráfico 7). As entrevistas também são integradas no bloco da campanha, do Jornal Nacional. Contudo, nenhuma delas é realizada a candidatos. O espaço reservado às entrevistas destinou-se a entrevistados convidados, entre eles Constança Cunha e Sá, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes e Manuel Maria Carrilho, que foram entrevistados pelo pivô, tecendo comentários. Em causa estavam aspetos que marcavam a atualidade da campanha eleitoral. As entrevistas constituem cerca de 3% da informação sobre a campanha. Assim, como mencionado, a TVI não inclui durante a campanha eleitoral, no Jornal Nacional, entrevistas com os candidatos ao cargo de Presidente da República, mas sim a terceiros.

Observando ainda a representação gráfica, verifica-se que apenas 1% das notícias são offs, mais concretamente off 2, como se diz na gíria do jornalismo televisivo. Jorge Nuno Oliveira (2007:11) define off 2 como “um género televisivo em que o apresentador de televisão lança imagens enquanto continua a falar sobre elas. Ou seja: o texto que o espectador ouve, enquanto vê as imagens, está a ser dito, em direto, pelo apresentador”. Este 1% diz respeito a um único off 2, que data do dia 21 de janeiro, último dia de campanha. O pivot lê o teleponto que introduz o direto com o candidato Francisco Lopes, contudo, por falhas ditas “técnicas” não conseguiu estabelecer a ligação com o repórter. Tendo assim necessidade de improvisar o “discurso” e adiar a exibição do direto (que entretanto, acaba por ser recuperada mais adiante). Os restantes 7% estão relacionados com duas notícias: uma resumida a um soundbite e outra resumida a seis. A primeira integra um soundbite do candidato apoiado pelo PS e BE, Manuel Alegre, a segunda é uma notícia relativa à reação dos candidatos presidenciais aos resultados avançados pelas sondagens. O primeiro soundbite vai para o ar dia 10 de janeiro e surge a abrir o bloco por ser uma informação fresca, recolhida momentos antes de ser emitida pela TVI. O Soundbite dá conta de um segmento de fala, onde Manuel

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Alegre faz saber que apoia Cavaco Silva, se este decidir interromper a campanha para fazer diligências no estrangeiro:

“Se o Presidente da República, neste momento, até quiser interromper a

campanha para fazer diligências junto de chefes de Estado estrangeiros, junto de entidades na União Europeia, para explicar que o que se está passar, e esta subida de juros da dívida é uma subida artificial que não corresponde à situação do nosso país, é uma injustiça contra o nosso País, se quiser fazer isso, terá o meu apoio”.

(Manuel Alegre, 10 de janeiro de 2010) Com estas palavras, Alegre procura mostrar que, partidos e posições políticas à parte, os portugueses devem-se unir e colocar o interesse nacional acima de outras considerações, pelo que os problemas e responsabilidades do País estão à frente da campanha. Com o mote O país é o mais importante e a soberania nacional está acima de tudo, Alegre procura transparecer uma postura “nobre”, que revela a sua preocupação com Portugal. Com esta atitude o candidato ambicionava, certamente, conquistar alguns votos extra no dia de eleições. De facto, inerente a esta ação está, também, algum jogo e estratégia por parte do político. Esta intenção de apoiar Cavaco surge após uma série de acusações e ataques do candidato da esquerda ao de centro-direita. Focando o contexto político, é possível dizer que esta declaração surge num momento em que se discutia, no País, a possível entrada do FMI em Portugal. De facto, à época, a ideia da chegada do FMI era um dos temas fortes da campanha e o povo português pretendia (e necessitava de) perceber o que o futuro presidente pensava fazer caso o fundo monetário chegasse a terras lusitanas. Alegre apelidou Cavaco de “passivo” e aconselhou-o a tomar uma postura, nem que, para isso, fosse necessário interromper a campanha. No seu discurso, Alegre reforça, imediatamente, a sua rejeição à entrada do FMI, em Portugal, reafirmando mesmo que “não quer o FMI por cá”. Em poucas palavras, o candidato apela a que todas as forças políticas do governo da oposição coloquem o interesse nacional acima de cálculos eleitoralistas, de impaciências ou de outras contas, e conclui a sua posição dizendo: “Nós seremos capazes de resolver os nossos problemas”. Alegre defende, então, a suspensão da candidatura de Cavaco Silva, usando o “fantasma” do FMI como pretexto para o justificar, dado que Cavaco era, na altura, um presidente em exercício de funções. Logo, para Alegre, primeiro estavam as obrigações enquanto Presidente da República e só depois a campanha. Sendo um dos temas que assombrava o país, interessava aos eleitores perceber qual a posição de um dos candidatos a Presidente (o que justifica a abertura do bloco com este Soundbite).

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Os restantes soundbites surgem, no dia 20 de janeiro de 2010, na sequência da projeção da Intercampus para a TVI relativamente ao resultado das eleições para o dia 23 de janeiro. A sondagem apontava Cavaco Silva como o vencedor das eleições Presidenciais de 2011, à primeira volta. A TVI opta por colar seis soundbites numa notícia só. Surge, assim, uma notícia onde aparecem as reações de cada um dos seis candidatos a esta sondagem. Os candidatos dizem não acreditar nas sondagens e que, ainda, é possível uma segunda volta e, inclusive, a derrota de Cavaco Silva. Já Cavaco Silva, à cautela, preferiu não comentar e esperar para ver o que iria acontecer, no domingo. Eis as reações contidas nos seis soundbites em análise:

Cavaco Silva

«Temos de esperar pelo próximo Domingo e aí o povo vai dizer quem é que quer para Presidente da República.»

Defensor Moura

«Nada favoráveis [as sondagens] ao meu objetivo de conseguir que haja uma segunda volta. Porque esse era o meu primeiro objetivo. Mas ainda estamos a 72h das eleições, não pudemos desanimar. Até à última temos de usar todos os argumentos que temos.»

Francisco Lopes

«Ninguém pode substituir o povo português na sua decisão e no seu voto e, por isso, apelo que ninguém se cale no Domingo!»

José Manuel Coelho

«Eu tenho dúvida quanto aos métodos científicos da recolha destes dados, portanto eu não acredito nestas sondagens. Na minha opinião eu vou ganhar a primeira volta.»

Manuel Alegre

«Comento no dia 23 à noite… [Acredita nas sondagens?] Não, não acredito!» Fernando Nobre

«A disparidade das sondagens mostra que não há a mínima credibilidade em nenhuma delas. O voto anónimo… o voto silencioso decidirá as eleições dia 23.»

Retomando a análise dos géneros utilizados pela TVI, verifica-se, por fim, que cerca de 6% das notícias emitidas em torno da campanha eleitoral foram diretos. Contudo, só mais adiante, procederemos a um estudo mais aprofundado em torno deste género.

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Antes de prosseguir com a análise, importa frisar e esclarecer que até aqui incluímos na análise todas as notícias referentes ao tema da campanha, não as discriminando quanto ao género. A partir deste ponto da análise, ao nos referirmos ao termo “peças” estamos apenas a incluir o género “reportagem”. Os diretos serão, posteriormente, analisados à parte. Além disso, da amostra tida como “peças” foram, também, excluídas as entrevistas sobre o tema realizadas durante o Jornal Nacional a comentadores da estação.