J. LE CADRE DE REDRESSEMENT ET DE RÉSOLUTION DES DÉFAILLANCES
II. EXAMEN EN COMMISSION
Ibatiba é a cidade com um dos menores IDH’s do estado do Espírito Santo, onde a população sofre com a baixa qualidade e o pouco investimento nas áreas de saúde, de infraestrutura e de educação. Além disso, não há muita informação sobre esse município e, por isso, tive grandes dificuldades em encontrar dados acerca do rio Pardo, onde nasce, local em que deságua, mapas de hidrografia entre outras informações que facilitariam a pesquisa.
Pensando nisso, o produto educacional desenvolvido foi um "Guia Didático" com sugestões de temas a serem abordados e diferentes maneiras de trabalhá-los com a utilização de aulas de campo, aproveitando espaços de educação não formais, produzindo um circuito educativo, o qual contém pontos importantes ao longo do rio Pardo.
5 ANÁLISES DE DADOS COLETADOS
5.1 ANÁLISES DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS DISCENTES DO CAMPUS IBATIBA QUE PARTICIPAM DA PESQUISA
Com os questionários aplicados aos discentes, pude fazer uma análise prévia de conceitos, opiniões e questionamentos que eles tinham antes de começar esta pesquisa. Na primeira questão, os alunos foram convidados a escrever 4 (quatro) palavras que representavam o meio ambiente para eles. As mais recorrentes nas respostas foram vida, biodiversidade e sustentabilidade.
O termo sustentabilidade tem sido bastante veiculado na televisão, na internet, no jornal e no rádio, além de ser abordado recorrentemente nos cursos técnicos do
Campus Ibatiba, tanto no de Meio Ambiente, quanto no de Florestas.
Sustentabilidade se relaciona à quantidade de consumo que pode continuar indefinidamente sem degradar os estoques de capital total, que é representada pela soma de capital material (manufaturado, feito pelo homem), capital humano e capital natural (MIKHAILOVA, 2004 p. 28).
Deve-se discutir, a partir da sustentabilidade, a sociedade em geral, bem como suas desigualdades, suas relações que se constroem no esgotamento do ambiente natural e na utilização do trabalho com o intuito de acumular bens materiais (LOUREIRO; LIMA 2012).
Nessa linha, Santos (2006, p.10) diz que
Grandes campanhas envolvendo o financiamento de agências internacionais buscam preservar a Amazônia, recuperar o Tietê e a Guanabara, salvar do extermínio as nações indígenas e os micos-leões- dourados. Mas o que fazer diante dos pobres, que continuam a chegar nas grandes cidades e com os menores abandonados?
Em relação a isso, empresas investem justamente na sustentabilidade associada a um discurso dominante, para promover diversas ações, a fim de melhorar suas imagens com os consumidores, obter uma valorização maior em bolsas de valores e adquirir selos de qualidade para possibilitar mais facilmente empréstimos e investimentos, porém, sem realizar uma discussão mais crítica sobre o atual sistema econômico vigente e sobre a sociedade baseada no consumo excessivo, além de
não apresentar novos modelos de desenvolvimento, e colaborar, desta forma, para uma sociedade mais distante dos problemas socioambientais e a manutenção do
status quo.
A segunda e a terceira questão perguntavam aos alunos se eles já haviam participado de aulas de campo e qual a importância dessa metodologia pedagógica. Dos 9 (nove) discentes, 8 (oito) responderam que já haviam participado de uma aula de campo ‘‘Figura 12’’.
Figura 12 - Quantidade de alunos que participaram das aulas de campo
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).
Os 8 (oito) que responderam sim disseram que essa metodologia pedagógica foi de grande valia para a aprendizagem dos conteúdos, pois elas os ajudaram a sair de uma teoria pura, unir isso à prática, possibilitar um contato direto com o que é estudado e assimilar melhor os conceitos vistos em sala de aula, e ampliar, assim, o olhar e o interesse em relação à matéria e ao componente curricular.
A quarta questão perguntou aos discentes o que é Educação Ambiental. As respostas seguiram a linha de que esse conceito é um processo de formação de indivíduos que contribuem para a sensibilização, a preservação e a conservação do meio ambiente, visto que esse é de responsabilidade de todos os cidadãos. As respostas seguiram a linha da Educação Ambiental Conservadora.
Na quinta questão, todos os 9 (nove) discentes que responderam esse questionário afirmaram que a Educação Ambiental é um tema importante para ser abordado nas escolas, pois, segundo eles, esta trabalha a conscientização, a preservação e a
sustentabilidade, com interesse em proporcionar uma mudança na sociedade e melhoria na utilização dos recursos naturais.
Como se pode notar, aparecem nestas respostas questões muito amplas sobre a Educação Ambiental. Nossa hipótese é que isto acontece, tendo em vista uma perspectiva de Educação Ambiental convencional, pouco crítica, abordada com esses discentes durante todo seu processo educacional. Conforme foi citado anteriormente, temos indícios de que as ações ambientais do Campus Ibatiba não caminham com um foco voltado à Educação Ambiental Crítica.
Nessa linha, Loureiro (2004, p. 75) afirma que
[...] a educação ambiental ganhou visibilidade como instrumento de finalidade exclusivamente pragmática (em programas e projetos voltados para a resolução de problemas enquadrados como ambientais) e como mecanismo de adequação comportamental ao que genericamente chamou- se de “ecologicamente correto”. É por isto, inclusive, que o senso comum muitas vezes acaba vendo-a, ainda hoje, como mero meio de apoio em projetos denominados “ambientais”, e não como uma perspectiva paradigmática em educação.
Ao observar os planos de ensinos, os projetos de pesquisas, as propostas de Trabalhos de Conclusão de Curso, os eventos e palestras realizadas no Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Ibatiba, percebe-se que essa visão pouco crítica acontece em todos as etapas do ensino (Técnico integrado ao ensino médio, concomitante/subsequente, Engenharia Ambiental e Pós–Graduação e educação ambiental e sustentabilidade). A discussão sobre as ações do sistema econômico e político em que vivemos e os malefícios que esses trazem para todo o meio socioambiental e os recursos naturais acontecem mais efetivamente nas disciplinas de Geografia e de História.
Outros componentes curriculares, principalmente da área técnica, trabalham maneiras de amenizar os impactos causados por atividades econômicas, como a indústria e a agricultura em grande escala. Porém, não questionam o sistema econômico e modo de produção vigente em nossa sociedade.
Na sexta questão que aborda a Educação Ambiental nas escolas, apenas um aluno destacou a importância da mudança do comportamento social por meio de debates,
como, por exemplo, o consumo consciente, visto que esses debates colaboram para a sociedade repensar todo o contexto social que impera atualmente.
A sétima questão perguntava aos discentes o que o rio Pardo representava ao município de Ibatiba. Em resposta a isso, percebe-se que eles têm consciência da grande importância que esse corpo hídrico possui para a cidade. Observam-se respostas dizendo que ele representa fonte de renda, de vida e de prosperidade, sendo o principal provedor de água do município, tanto para beber, quanto para irrigação das propriedades agrícolas e também para a pecuária.
Porém, pode-se notar na sétima questão respostas que destacam que o rio Pardo representa um problema às pessoas, visto que sua função é apenas servir de valão de esgoto, onde são despejados fezes e lixo. Isso mostra o quanto a população não tem consciência da importância de se preservar esse recurso natural que está sendo tão degradado pela sociedade ibatibense. Essa questão apresenta uma contradição entre as respostas, uma vez que, ao mesmo tempo que alguns discentes acham o rio Pardo importante à cidade de Ibatiba, outros o consideram apenas como um valão, como algo sem relevância à população.
A oitava questão indagava sobre quais os dois agentes responsáveis pelo processo de degradação do rio Pardo. Todos os 9 (nove) discentes responderam que a população urbana é a principal causadora da poluição dele. Isso se deve, em virtude da pressão urbana que o rio sofre, pois canos de esgoto expostos jogam dejetos diretamente no rio, fazem parte do dia a dia desses discentes, sendo algo mais visível para eles tirarem essa conclusão imediata, mesmo antes de qualquer aula de campo realizada por este projeto de pesquisa e qualquer discussão feita sobre os problemas que geram toda a degradação atual do rio Pardo.
Ainda sobre a oitava questão, 4 (quatro) discentes indicaram a população rural como a outra opção de responsável pela poluição do referido corpo hídrico. Esse fato ocorre, tendo em vista que, segundo os alunos, as residências na zona rural de Ibatiba também não possuem tratamento de esgoto, e por isso também poluem o rio. Além disso, 3 (três) alunos assinalaram a agricultura como a outra opção de poluidor, destacando o uso indevido de agrotóxicos e à destruição das margens,
causadas pelo cultivo em áreas impróprias. Por fim, 2 (dois) destacaram como a outra origem da degradação do rio Pardo o poder público, ou ausência dele, já que esse não fiscaliza de maneira adequada e não inibe ações irregulares da população local ‘‘Figura 13’’.
Figura 13 - Agentes responsáveis pelo processo de degradação do rio Pardo
Fonte: Elaborado pelo autor (2017).
Na nona questão, foi perguntado aos discentes de que maneira o Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Ibatiba, pode contribuir para a preservação do rio Pardo. Em resumo, foi respondido que instituto pode contribuir com projetos de preservação e conscientização dos discentes e da população de Ibatiba, promovendo palestras e eventos, abordar mais a Educação Ambiental no currículo dos cursos e também cobrar do poder público iniciativas e fiscalização.
Na penúltima questão, a de número 10 (dez), os alunos foram convidados a responder quais as consequências para a cidade de Ibatiba tendo seu principal rio em processo de degradação. Eles responderam que esse fato provoca um mau odor, a diminuição da qualidade e da quantidade da água destinada ao abastecimento da população e da agricultura, causa doenças, destruição do ecossistema presente e, em época de fortes chuvas, devido ao assoreamento, enchentes.
A décima primeira e última questão do questionário indaga aos discentes como eles podem contribuir na diminuição da degradação do rio Pardo. Em suma, eles responderam que poderiam colaborar com o repasse de informações a respeito da recuperação e cuidados com o rio à população, cobrar medidas do prefeito e dos vereadores, depositar o lixo em locais adequados e exigir também um plano de saneamento básico voltado ao município de Ibatiba.
5.2 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS PONTOS VISITADOS NAS AULAS DE CAMPO Conforme foi citado anteriormente, ocorreram duas aulas de campo. Nelas, foram visitados 7 pontos, identificados aqui como A1, A2, A3, A4, A5, A6 e A7.
No 1º ponto (A1), ocorreu a identificação dos cursos d’água. Os discentes observaram a geomorfologia do local, a bacia hidrográfica, a vegetação, a ação antrópica, a agricultura com o foco na monocultura do café e no plantio do eucalipto. Nesse contexto, foi comentado sobre o que é um rio de cabeceira, de qual bacia hidrográfica o rio Pardo faz parte. Após a observação, foi discutido acerca da importância da proteção das margens, o motivo da falta de políticas públicas e de fiscalização em relação às matas nativas, às matas ciliares e ao plantio em local inadequado, das consequências da ação antrópica e como essa interfere diretamente em toda dinâmica do meio socioambiental.
No ponto A1 ‘‘Figura 14’’, visualizam-se plantações de café nas encostas e, no topo do morro, plantações de eucaliptos. Percebemos também que, na base do morro, há presença de eucalipto misturados com árvores nativas. O plantio do eucalipto ainda não é muito forte no município de Ibatiba, porém, com a presença da Fibria S/A na região, o cultivo dessa espécie vem crescendo aos poucos.
Figura 14 -1º ponto (A1) - Parada às margens da BR 101, a 1007 metros acima do nível do mar
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
No 2º ponto (A2), foi observado o alargamento do fundo do vale no qual o rio Pardo passa, além de ter sido reiterado com os alunos como a falta de políticas públicas e as monoculturas prejudicam todo o ambiente. Houve ainda um momento destinado à reflexão com os discentes em relação ao cultivo do café, monocultura presente em Ibatiba, e às contradições dessa atividade econômica, visto que é a principal fonte de renda da região, mas também, tal qual qualquer monocultura, gera o esgotamento do solo entre outros recursos naturais. Nesse ponto, a vegetação primária era inexistente, além da compactação do solo, devido à criação de gado. Ao analisar o ponto A2 ‘‘Figura 15’’, vemos uma plantação de café com uma pequena plantação de eucalipto, o rio Pardo em um pequeno curso e suas margens totalmente desmatadas com áreas servindo para pasto.
Figura 15 - 2º ponto (A2): Parada às margens da BR 101, a 1007 metros acima do nível do mar. Parada às margens da BR 101. Visão do rio Pardo e de plantações de café
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
No 3º ponto (A3), foram notadas algumas partes das margens do rio erodidas, por causa dos pastos e do pisoteio do gado, principalmente, quando esse vai beber água no referido corpo hídrico ‘‘Figura 16’’. Tais margens provocam, ainda, o assoreamento do rio. Também nesse ponto, foi observado a ausência da mata ciliar, o cultivo do eucalipto e do café sem nenhuma mata nativa da região e uma água barrenta com um baixo volume. Esses três primeiros pontos (A1, A2 e A3) foram às margens da BR 262, a qual liga Vitória a Ibatiba.
Nesse ponto, foi debatido como o descaso com o meio socioambiental pode ser prejudicial a todos, mesmo que seja para aumentar a produtividade da principal atividade econômicas do município.
Figura 16 - 3º ponto (A3): Parada dentro de uma propriedade rural. Visão do rio Pardo assoreado, com as margens com pouca vegetação e erodidas
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
Já no 4º ponto, saímos das adjacências da BR 262 e entramos no centro de Ibatiba, já na parte urbana, no bairro Promorar 2. Esse bairro, assim como os outros da região, não apresenta nenhum planejamento e infraestrutura adequada à moradia. Pode-se visualizar ‘‘Figura 17’’ as matas ciliares originais são inexistentes, a pressão urbana sobre o rio Pardo é muito grande, com construções irregulares praticamente dentro dele com muito lixo e esgoto sem tratamento jogado diretamente no rio, além do seu assoreamento.
Nesse 4° ponto, também foi problematizado com os discentes a importância de se discutir e refletir sempre acerca da situação do meio socioambiental, visto que é por meio desses debates que a sociedade irá ter a possibilidade de construir um ambiente melhor. Desta forma, eles devem refletir sobre o modelo social e econômico do município, o modo de produção, a distribuição de terra, o acesso à moradia, a exclusão social e a degradação do meio socioambiental.
O debate do conceito de exclusão na educação ambiental é fundamental para a compreensão do mundo. A exclusão decorre das mesmas relações sociais alienadas que determinam a destruição ambiental (COSTA; LOUREIRO, 2015 p. 77)
Figura 17 - 4º ponto (A4): Parada já na área urbana de Ibatiba. Visão do rio Pardo assoreado, com esgoto lançado no rio sem tratamento e pressão urbana
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
Ainda nessa linha, Layrargues (2009, p.27) diz que
Fazer Educação Ambiental com compromisso social significa reestruturar a compreensão de Educação Ambiental, para estabelecer a conexão ente justiça ambiental, desigualdade e transformação social, Justiça e desigualdade ambiental com compromisso social, são elementos que permitem ver com clareza a conexão entre as questões sociais e ambientais.
A simples erradicação das atividades agrícolas para a preservação total dos recursos naturais deixariam muitas famílias sem renda, uma vez que esse município não apresenta atividades econômicas variadas, e com isso aumenta os seus problemas sociais. Porém, o plantio em grande escala sem nenhuma fiscalização, falta de estudos prévios em relação aos impactos sobre os recursos naturais e ausência de uma consciência crítica dos produtores trarão um desequilíbrio no meio socioambiental, gerando vários problemas para a região, como, por exemplo, dificuldade no abastecimento de água, degradação, erosão e poluição tanto dos rios, quanto do solo, além de enchentes e de algumas doenças.
Nesse processo de debater a atual conjuntura do contexto em questão, os discentes do Campus Ibatiba devem ser atores, com o intuito de colaborar na mudança do
status quo, pois estão tendo acesso a uma instituição com cursos ligados ao eixo
ambiental, os quais possuem recursos para que possam ter uma visão mais crítica da realidade, e alcançar uma maturidade maior destinada a observar todos os problemas e as contradições que os rodeiam, promovendo a reflexão e a busca de soluções voltadas a resolver os desafios presentes no dia a dia de cada um e do município.
Além disso, houve também uma abordagem na parte geográfica, onde se abordou o relevo e o clima do local, a bacia hidrográfica, as questões demográficas, os problemas em relação ao crescimento urbano desordenado, a vegetação entre outros.
Na 2ª aula de campo, aconteceram três paradas, sendo identificadas como A5, A6 e A7. Nesse 5º ponto (A5), o qual, assim como o ponto A4, estava presente na parte urbana de Ibatiba, no bairro Centro, principal localidade do município, observamos com os discentes a canalização e o desvio do rio Pardo, além de residências à beira dele com esgoto jogado diretamente em suas águas, as quais não tinham nenhum tratamento realizado pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) ‘‘Figura 18’’. Devido às chuvas, notamos o corpo hídrico com uma água barrenta e com um maior volume.
Ocorreu a problematização sobre de que maneira a falta de fiscalização, de planejamento urbano e de desconhecimento da sociedade colaboram para ações que prejudicam todo o equilíbrio do meio socioambiental, e como o Campus Ibatiba, representado pelos seus discentes e servidores (docentes, técnicos administrativos e terceirizados), tem a possibilidade de contribuir junto à sociedade civil, à Cesan e ao poder público para solucionar, por meio do desenvolvimento de projetos, os problemas relacionados às construções irregulares, ao esgoto sem tratamento despejado no rio Pardo e aos lixos jogados em locais impróprios no município de Ibatiba.
Figura 18 - 1º ponto da 2ª aula de campo (A5): Parada já na área urbana de Ibatiba no principal bairro da cidade. Visão do rio Pardo, com esgoto lançado no rio sem tratamento e pressão urbana
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
No 6º ponto (A6), também no bairro Centro, foi observado a canalização e o desvio do referido corpo hídrico, escoras para segurarem os muros das casas construídas às margens dele, uma água escura com um maior volume e com a presença de muitos sedimentos oriundos das chuvas ‘‘Figura 19’’. Com a percepção de um mau cheiro característico de um rio poluído, problematizamos novamente situações, como casas construídas praticamente dentro do rio, esgoto sem tratamento, lixo nas margens e dentro do rio e a remoção da vegetação original, sendo que todos esses são fatores causadores desse odor.
Discutimos, assim como no pré-campo, o modelo atual da nossa sociedade capitalista, no qual o consumo e o ter estão acima de qualquer coisa.Com isso, a grande produção de resíduos, a exploração dos recursos naturais de maneira predatória, simplesmente com a finalidade de obter um lucro maior, e as construções de residências em locais impróprios, somente com o intuito de morar em um lugar melhor localizado, ou por falta de uma política pública de planejamento urbano, caracterizam essa atual sociedade.
Figura 19 - 2º ponto da 2ª aula de campo (A6): Parada na área urbana de Ibatiba. Visão do rio canalizado
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
Por fim, o 7º ponto (A7) fica localizado na saída da área urbana de Ibatiba ‘‘Figura 20’’. Nele, notamos as margens desprotegidas e a evidente pressão urbana sobre o rio. Essa pressão ocorre devido a várias construções iniciadas e concluídas sem a devida fiscalização do poder público e sem nenhum planejamento do morador, no qual isso causa problemas a essas residências, como o mau cheiro da água, poluição do rio causada pela sujeira despejada, insetos e enchentes quando ocorrem fortes chuvas.
Figura 20 - 3º ponto da 2ª aula de campo (A7): Parada na saída da área urbana de Ibatiba. Visão do rio com as margens desprotegidas, sofrendo uma pressão do crescimento da urbanização
Na Figura acima, além de enxergarmos muito barro e sujeira nas ruas, que, devido às chuvas, vão parar dentro do rio Pardo, também observamos o desperdício desse recurso hídrico, já que uma moradora lavava a calçada com a mangueira aberta durante o todo processo.
5.3 A RODA DE CONVERSA COMO METODOLOGIA PARA DISCUSSÃO, PERCEPÇÃO E ANÁLISE DA PESQUISA
Como proposta para o fechamento da ação pedagógica de ensino e de pesquisa, foi feita uma roda de conversa com os discentes participantes do projeto, propondo questionamentos sobre todo o processo de aulas de campo e as entrevistas com a comunidade de Ibatiba e com as Secretarias Municipais de Meio Ambiente e de