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Chapitre VIII : Définition d’une méthode d’intégration de la prise e n compte des imperfections dans

VIII. B.1 Evolutions dans la phase de préparation de la simulation

A convivência com uma pessoa com doença mental sente que esta interfere com aspetos da vida pessoal, familiar, laboral e social, e conduz, com frequência, a manifestações como revolta, frustração, stress, isolamento social, alterações da autoestima e/ou marginalização.

A abordagem dos enfermeiros deve, por isso, centrar a família como unidade singular, com limites algumas vezes mal definidos e em interação com o meio ambiente. A compreensão da família e a sua abordagem está dependente dos contextos socioculturais, dos problemas de saúde e dos objetivos e expectativas de vida que cada família espera conseguir. O resultado da intervenção do enfermeiro será a resposta à família que revela, nas relações familiares, desadaptação observável a nível afetivo, cognitivo e comportamental. A compreensão das características das famílias, percebendo-a como o centro da atenção, permite ao enfermeiro valorizar a sua singularidade, a forma como percebe a doença e orienta-a para a aceitar ser cuidada.

Se considerarmos os números apresentados pela UE em 2005, que estimam que mais de 27% dos europeus adultos vivem pelo menos uma forma de doença mental durante um determinado ano da sua vida podemos concluir que são muitas as implicações da doença mental (CCE, 2005).

É um imperativo da UE investir na promoção da saúde, e prevenção da doença mental, destacando determinantes individuais, familiares, comunitárias e sociais da saúde mental que reforçam os fatores protetores como o empowerment, as interações pessoais positivas, a participação no meio em que vivem, tenham responsabilidade e tolerância social, tenham apoio social e redes comunitárias quando delas necessitem. Assim, é indispensável estudar-se os contextos da prática para melhor identificar as necessidades da população.

Pelo que observamos, a comunidade não oferece serviços suficientes para responder às necessidades dos doentes mentais, nem aos seus familiares. Também acontece que, quando existem, as famílias não os procuram com assiduidade e quando aparecem normalmente são olhadas como transmissoras de informação sobre comportamento do doente e as alterações que observa no domicílio. São um elemento passivo no processo de intervenção do enfermeiro

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Esperamos que as respostas a encontrar neste percurso possam contribuir para o convite dos participantes da CEAN “JSMBE”, em Bruxelas em Junho de 2008 (OMS, 2008a).

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1 – METODOLOGIA

Os trabalhos de investigação requerem um percurso metodológico determinado pelo fenómeno em estudo e pelos objetivos formulados. É importante, também, conhecer os fatores e processos subjacentes ao objeto em estudo. A metodologia qualitativa é ajustada ao estudo das ciências humanas porque permite que da pesquisa se explicitem e analisem fenómenos, que, por essência, não são passíveis de serem medidos e possuem características específicas de vivências humanas que escapam à programação sistemática das abordagens quantitativas (Holanda, 2006).

Ao percorrermos o caminho na busca de respostas adequadas para a construção de novos saberes, partimos dos discursos das pessoas envolvidas onde nos relatam as experiências, sentimentos, crenças e dificuldades. Os métodos qualitativos permitem-nos compreender o fenómeno em estudo, que envolve as famílias de doentes mentais, e não prever o seu comportamento. São métodos que procuram apreender o fenómeno de uma maneira holística e compreendê-lo dentro do local onde as pessoas vivem (Denzin & Lincoln, 2005).

A literatura diz-nos que a convivência com uma pessoa doente mental reveste-se de grande complexidade mas torna-se necessário aprofundar o conhecimento sobre as ajudas que podem ser oferecidas às famílias que com elas convivem para que possam manter a saúde mental e possam continuar a cuidar do seu doente.

Neste estudo procuramos compreender e identificar as necessidades das famílias que convivem com pessoas doentes mentais e identificar intervenções de enfermagem capazes de dar resposta a essas necessidades.

Como já tivemos oportunidade de mencionar, a convivência com pessoas com doença mental pode provocar desequilíbrios nas dinâmicas familiares, acabando por comprometer a saúde de toda a família, o desempenho e o cumprimento dos compromissos sociais, profissionais e familiares. Por isso, estudar as famílias com algum dos seus elementos com doença mental é de relevância social devido aos problemas sociais e humanos que afetam estas pessoas. São as famílias que estão em melhores condições de expressarem as suas dificuldades e de que forma podem ser minoradas.

Aderimos, assim, a um percurso metodológico assente no paradigma construtivista- interpretativo através da perspetiva teórica do interacionismo simbólico. O interacionismo simbólico encontra-se inserido no paradigma interpretativo e tem como objetivo entender o mundo das experiências vividas através do ponto de vista daqueles que nele vivem.

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A nossa opção teve em conta as questões previamente colocadas e também porque ao trabalhar com as famílias procurávamos compreender os fenómenos presentes. A realidade por elas expressa é uma entidade construída de um modo específico e contextual face às questões por nós colocadas. Esta metodologia permite-nos uma aproximação à realidade das famílias em estudo e viabiliza a preservação de um quadro de referência para uma orientação concertada na confrontação com os dados a investigar porque “o que o investigador vê e ouve depende do seu quadro de referência interpretativo, da sua biografia e interesses, em articulação com o contexto da pesquisa, relação com os participantes, experiências concretas em campo e modos de gerar e registar os dados empíricos” (Veiga, 2007:88).

O interacionismo simbólico encontra-se inserido no paradigma interpretativo, que tem como objetivo entender o mundo das experiências vividas através do ponto de vista daqueles que nele vivem. Para Blumer (1986) o interacionismo simbólico assenta em três premissas: o ser humano orienta os seus atos em função do significado que atribui às coisas ou às ações desenvolvidas; os significados surgem como consequência da interação social; o significado decorre do processo interpretativo desenvolvido pela pessoa no ato da interação. Assim, no interacionismo simbólico os significados que as coisas têm para os seres humanos são um elemento central na relação que mantêm com o meio. O significado não é intrínseco ao objeto, evento ou situação da experiência humana mas é-lhe conferido em função da interpretação do indivíduo. O indivíduo interpreta os factos e age perante os outros indivíduos ou coisas de acordo com o significado que ele atribui, seja aos indivíduos seja às coisas e o significado é o resultado construído a partir de processos de interação social. Os significados não são imutáveis na medida em que sofrem mudanças ao longo do tempo (Blumer, 1986). No processo de interação simbólica Watzlawick (1989) considera a comunicação como o princípio fundamental do interacionismo simbólico.

Seguindo os prossupostos apresentados realizamos o estudo com o objetivo de compreender o processo sobre o ponto de vista dos intervenientes e como vivenciam e interpretam as suas experiências bem como as estruturam no seu dia-a-dia. Isto é, como interpretam a doença, como a percebem, como lidam com a situação em contexto social em função do seu sentir e como utilizam a interpretação da vivência para melhor se inserirem no meio envolvente, num primeiro momento. Seguimos o percurso procurando as formas de responder a dificuldades que possam surgir em todo o processo descrito. Parece-nos, por isso, que o estudo se enquadrado no entendimento da teoria atendendo às implicações sobre o comportamento humano. Acresce que esta circunstância está associada aos objetivos da

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pesquisa na medida em que envolve experiências e comportamentos humanos e é focado em processos interpretativos como defendem os autores. Similarmente as situações de interação humana são construções fenomenológicas que existem enquanto as pessoas agem em relação a elas e são situadas num continuum espaço temporal para a experiência ocorrer no aqui e agora (Denzin & Lincoln, 2005).

Assim, o nosso posicionamento face à metodologia adotada prende-se com o facto de o nosso estudo envolver pessoas que, por esse facto, não são passivas na forma como vêm o mundo, mas interpretam-no com base na sua experiência de vida. Além da interpretação ser o foco da análise e estar presente a subjetividade do investigador, esta metodologia permite uma conduta flexível. Esta flexibilidade depende, essencialmente, na capacidade do investigador manter uma posição de abertura face aos dados. Sendo, também, a flexibilidade um dos principais critérios da pesquisa qualitativa, deve considerar-se as questões relacionadas à coerência e consistência do estudo para a construção dos critérios de confiabilidade e de validade. Isto porque na pesquisa qualitativa os critérios de validade e de confiabilidade assumem aspetos particulares pelo cariz interpretativo da pesquisa permitindo que a subjetividade do investigador esteja presente em todas as fases da pesquisa. A validade refere- se à capacidade que os métodos utilizados ajudam na obtenção fidedigna dos objetivos propostos. A confiabilidade refere-se à garantia de que outro pesquisador poderá realizar uma pesquisa semelhante e chegará a resultados aproximados.

Os procedimentos abertos ou exploratórios são aqueles que não apresentam categorias elaboradas à priori mas têm um carácter puramente exploratório e os resultados são devidos unicamente à metodologia de análise, estando isenta de qualquer referência a um quadro teórico pré-estabelecido.