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Chapitre 8 : Evolution des somites : Formation du
Embora a lista de definições de preconceito seja muito vasta, a definição clássica assume que este compreende uma atitude pró ou contra alguém ou algu- ma coisa (Allport, 1954). Apesar desta definição ainda ser utilizada na atualidade (Martínez, 1996), a idéia mais comum é que o preconceito é estritamente uma atitude negativa de um grupo majoritário frente a grupos minoritários ou domina- dos. Esta concepção começou com as primeiras pesquisas sobre preconceito, que enfatizavam as diferenças e antipatias raciais (Duckitt, 1992). Entretanto, atual- mente não é possível conceber o racismo de uma maneira exclusivamente tradicio- nal. O racismo antiquado ou dominante, que é expresso abertamente contra víti- mas (alvos), está decrescendo (Biernat, Vescio, Theno & Crandall, 1996; McConahay, Hardee & Batts, 1981; Williams & cols., 1999). Em muitos países, incluindo o Bra- sil, a discriminação contra pessoas por motivo de raça, gênero ou religião é severa-
mente punida de acordo com leis formais, mas isso não significa que o preconceito deixou de existir. Ele simplesmente assumiu uma nova forma, definida como sim- bólica (Sears, 1986), moderna (McConahay, 1983), aversiva (Dovidio & Gaertner, 1986), laissez-faire, etc. (Martínez, 1996; Williams & cols., 1999).
Estas duas formas de preconceito (tradicional vs. moderno) são positivamente correlacionadas entre si (Pedersen & Walker, 1997), mas não são exatamente a mes- ma coisa. Por exemplo, Williams e cols. (1999) comentam que as formas antigas de preconceito enfocavam a inferioridade biológica ou inata de grupos minoritários (negros) em relação ao grupo dominante (brancos), enquanto as novas formas sugerem sentimentos negativos, culturas patológicas, comportamentos mal-adap- tados e orientações atitudinais deficientes dos exogrupos minoritários (por exem- plo, negros, homossexuais).
Independentemente da forma do preconceito racial / étnico, um problema emi- nente é sua mensuração. Além do problema da desejabilidade social das medidas de preconceito, incluindo aquelas que se propõem a medir o novo racismo (Pettigrew & Meertens, 1995), deve-se reconhecer que o preconceito racial é um fenômeno comple- xo e multi-dimensional. Expressa-se de formas diferentes e inclui múltiplos indicado- res (por exemplo, evitação do contato social, rejeição do exogrupo, atitudes negativas) (ver Allport, 1954; Brewer, 1999; Williams & cols., 1999). Portanto, o estudo do precon- ceito demanda que sejam levadas em consideração múltiplas medidas ou atributos.
Como pode ser compreendido do anteriormente comentado, o objeto de pre- conceito é geralmente uma categoria, um grupo social do qual o sujeito não faz parte, isto é, o preconceito tem origem na diferenciação endogrupo vs. exogrupo (Brewer, 1999). Esta diferenciação é classicamente considerada a partir da perspectiva da Teo- ria da Identidade Social (TIS). Apesar de não ser a única abordagem existente sobre o preconceito (ver Duckitt, 1992; Martínez, 1996), esta será a considerada aqui.
De acordo com Brewer (2001), a TIS apresenta duas premissas principais que são interrelacionadas: (1) categorização, que tem o efeito de minimizar dife- renças percebidas no interior das categorias e de acentuar diferenças entre categori- as; e (2) diferenciação grupal, que indica que os indivíduos são membros de algu- mas categorias sociais (endogrupo) e não de outras (exogrupo). Ela comenta que estas premissas fornecem um esquema inter-grupal, originando três princípios bási- cos: (a) acentuação inter-grupal: estabelece que os membros do endogrupo são per- cebidos como mais semelhantes à própria pessoa do que aqueles do exogrupo; (b) favoritismo endogrupal: indica que o afeto e a atitude positiva são expressos com relação aos membros do endogrupo, mas não com membros de exogrupos; e (c) competição social: sugere que uma comparação social inter-grupal é associada a uma interdependência negativa percebida entre o endogrupo e o exogrupo.
Para Brown (2000) a TIS é essencialmente uma teoria de diferenciação grupal: como os membros do grupo podem torná-lo distinto de e, sempre que possível, melhor do que o exogrupo (p. 757). Assim, uma das suposições centrais da TIS é que a identidade social deriva da pertença grupal. As pessoas procuram manter uma identidade social positiva, e tal identidade deriva primariamente da comparação favorável que se realiza entre o endogrupo e os exogrupos relevantes. Isto implica em um favoritismo endogrupal (viés), com as pessoas tendendo a dis- criminar em favor de seu grupo de pertença (Brown & cols., 1992; Feather, 1994; Rustemli, Mertan & Ciftci, 2000).
Estas proposições gerais da TIS têm sido amplamente aceitas na literatura. Por exemplo, a maioria dos pesquisadores dedicados ao estudo das relações inter- grupais e do preconceito aceita, pelo menos implicitamente, a idéia de que o favo- ritismo endogrupal e o negativismo exogrupal são relacionados entre si. Neste sen- tido, o viés endogrupal e o preconceito exogrupal são estudados de modo intercambiável, como se o favoritismo do endogrupo e a discriminação contra os exogrupos fossem dois lados da mesma moeda (Brewer, 1999; ver também Brown, 2000). No entanto, para Brewer (1999, 2001) isso nem sempre é válido. A TIS é uma teoria muito mais de adoração endogrupal do que de ódio exogrupal. Ela comenta que a construção da identificação endogrupal e exogrupal surge indepen- dentemente das atitudes frente aos exogrupos. Portanto, a identificação endogrupal não é explicação suficiente para a hostilidade exogrupal e o conflito entre os grupos (Rustemli, Mertan & Ciftci, 2000).
Recentemente, tem sido considerado que os processos psicológicos colocados pela TIS não são aplicáveis a todos os grupos ou a todas as pessoas no mesmo contexto inter-grupal (Brown, 2000; Duckitt, 1992). Por exemplo, Brown e cols. (1992) obser- varam que a identificação e o favoritismo endogrupal se correlacionaram diretamente entre si para coletivistas com orientações relacionais (r médio = 0,51; p < 0,01); entre individualistas com orientações autônomas, tais correlações foram próximas a zero. Feather (1994) apóia parcialmente estes achados. Seus resultados indicaram que a correlação entre a identificação e o favoritismo endogrupal foi mais forte para sujeitos que deram maior importância a valores coletivistas (conformidade e segurança) e para aqueles que atribuíram maior importância ao valor individualista de hedonismo. Além disso, Struch e Schwartz (1989) observaram que medidas de intenção de comporta- mentos agressivos de Israelenses (endogrupo) frente aos Judeus ortodoxos (exogrupo) não se correlacionaram com uma medida de viés endogrupal.
Em síntese, a teoria da identidade social sugere uma explicação para o pre- conceito frente a exogrupos minoritários, baseada na tendência do favoritismo endogrupal. Apesar desta tendência ser um aspecto importante na diferenciação de
orientações coletivistas e individualistas, raramente estes últimos construtos têm sido levados em consideração (Brown & cols., 1992; Lee & Ward, 1998; Verkuyten & Kwa, 1996). Para Han e Park (1995) um número de hipóteses interessantes pode- ria ser proposto com a teoria da identidade social através da incorporação da pers- pectiva teórica do coletivismo [e individualismo] (p. 310). A concepção assumida destes construtos é descrita abaixo.