2. Formation du SAC et stabilité sous gaz purs
2.3. Evolution du SAC sous oxygène et hydrogène : modélisation DFT
Para apalpar as intimidades do mundo é pre- ciso saber: Que um rio que flui entre dois ja- cintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos…
(Manoel de Barros).
Estudar sobre a performance da dança bate-barriga produzida na comunidade de Helvécia torna obrigatório dispensar tempo para entender o que é a monocultura do euca- lipto na visão de quem reside sob as suas sombras, ouvir o que eles dizem sobre esta rela- ção, se há relação e se há reciprocidade social, territorial, ouvir o que essa gente ouve e sente ao sentir-se sombreada. Ao explicar as culturas produzidas em Helvécia hoje, não
podemos prescindir da presença da monocultura do eucalipto, as ações que dela depreen- dem e dos interesses diante das realidades, interesses, sentimentos e relações com o pas- sado, com a história e, sobretudo com a terra que os produtores de culturas têm. Portanto, dispensar tempo não por admiração à paisagem uniforme, extensa, asfixiante e desértica, muito menos para caminhar por dentro dela rememorando os jogos e as brincadeiras in- fantis em que riscávamos no chão a materialização de uma ideia de labirinto.
Dispensamos espaço e tempo analítico ao plantio por se tratar de uma ação de- sempenhada por empresas que se dedicam à implementação da monocultura, como mode- lo e técnica de plantio na região do extremo sul e que têm interferido, dentre outras ques- tões na região de Helvécia, nas práticas de culturas e na vida cultural das comunidades, certificadas por serem remanescentes das comunidades dos quilombos, de maneira que é possível dizer que a interferência se dá por meio de uma inimizade atraente, o inimigo atraente, aquele das ditaduras militares, como bem o descrevem Clóvis Levi e Tânia Pa- checo em seu célebre texto: Se chovesse vocês estragavam todos de 1977. É uma interfe- rência “sutil" "que destrói a cultura com o discurso de quem traz o progresso” (Gilsineth Joaquim, in Santos, 2007). Para sentir as interferências é preciso apalpá-las nas suas inti- midades, no sentimento mais íntimo de quem está cotidianamente sentindo os resultados de suas ações e refletindo sobre as consequências que delas advêm. Para então perceber entre os rios, qual é o que produz mais ternura, qual está ali entre comunas para construir historicamente o patrimônio a deixar para as gerações. Interferência como a que apresen- tamos registrada na imagem a seguir:
Com ares de sedução para a transformação da região em nome do progresso, as empresas de eucalipto, como monocultura na região, cumprem um papel de continuidade colonizadora e imperialista na medida em que as histórias e as culturas locais são em sua maioria dizimadas por suas ações. Desconhecer a importância das culturas produzidas por grupos sociais afrobrasileiros para a formação de uma sociedade pluriétnica é contribuir com a ideia de unidade cultural e branqueamento defendidos no País no século passado.
Assim como demonstra desconhecimento das leis nacionais e internacionais em vigência no País sobre o Patrimônio Cultural, a professora Gilsineth, ao afirmar que as ações das empresas destroem a cultura com o discurso do progresso. E ainda sobre o que essas empresas provocam na região, disse: “Desfazem pontos de encontro das famílias e das suas manifestações. Helvécia se encontra sufocada por quilômetros e mais quilôme- tros de pés de eucaliptos, que ao invés de trazer progresso trouxe devastação e não consi- derou a história dos moradores” (Gilsineth Joaquim. In Santos, 2007: 37).
A professora nos deu esta informação quando do estudo de Mestrado, o qual cons- ta de uma análise sobre a situação das práticas culturais da comunidade de Helvécia, com ênfase para a dança bate-barriga, sobre o efeito da monocultura do eucalipto.
Temendo o fim da comunidade e de suas manifestações, nos organizamos por meio de uma associação através da qual pedimos o reconhecimento de Helvécia como remanescente de Quilombos, devido ao sufocamento de nossas vidas, de nossa cultura e do nosso espaço a que estamos submetidos (Santos, 2007: 93), uma vez que as ações que emanam das empresas interferem, segundo os moradores, no modo de viver da comuni- dade. Esta interferência se dá não só nos campos material e físico compreendido pela imensidão de árvores sobre as pequenas áreas de terras dos pequenos produtores da regi- ão, do plantio desordenado e desrespeitoso ao redor das comunidades e sobre áreas públi- cas de Helvécia, a exemplo do eucalipto plantado nos dois cemitérios existentes – antigo cemitério em que estão enterrados colonos, seus familiares e alguns ex-trabalhadores em regime de escravidão do empreendimento Colônia Leopoldina, também sobre o cemitério atual.
A plantação não só invade os espaços e áreas que pertencem a comunidade como agride o patrimônio histórico, cultural e atinge a memória dos moradores, pois “muitos dos valores culturais desta localidade foram sufocados ao ceder espaços para este empre- endimento que visa ao lucro sem analisar a vida daqueles que são obrigados a conviver com esta monocultura tão devastadora” (Roseli Constantino, in Santos, 2007: 93).
É oportuno lembrar que o município de Nova Viçosa não possui um trabalho edu- cativo e cultural desenvolvido por suas Secretarias de Educação e Cultura, de Turismo, voltado para o cuidado, a divulgação e a preservação do Patrimônio Cultural.
Como nos disse o chefe do Departamento de Turismo ao ser indagado se Existe
um trabalho da Secretaria de Turismo voltado para a formação das crianças da Educa- ção Básica, no que se refere ao conhecimento sobre a formação do Patrimônio Cultural do Município de Nova Viçosa? Exemplifique. "Não existe” e encaminho o calendário das
festas de janeiro em anexo neste trabalho (Questionário respondido em 30 de janeiro de 2016).
A falta de um trabalho voltado para a área de Patrimônio Cultural no município de Nova Viçosa dá margem ao que as empresas fazem com os bens culturais que constituem o patrimônio de Helvécia-Nova Viçosa. Sobre esta mesma questão, a professora Maria Aparecida dos Santos (Tidinha) respondeu: “Não existe” (Questionário respondido em 16 de fevereiro de 2016).
Na sequência, ao serem perguntados, diante da realidade que vivem as comunida- des, se a Secretaria Municipal de Turismo desenvolve projetos junto ao distrito de Helvé- cia para lhe garantir a permanência das práticas de culturas, as quais atenderam aos crité- rios que lhe atribuiu o direito à Certidão de Auto-reconhecimento? Jacob, o chefe de De- partamento de Turismo disse “Nenhum”. A professora Maria Aparecida dos Santos res- pondeu “Nenhum” e acrescenta dizendo que “a Escola João Martins apresentou à Secre- taria de Educação uma proposta para a criação de um fórum regional em Helvécia para serem discutidas essas questões e não houve resposta”.
É importante lembrar que as palavras da professora Maria Aparecida nos chegam a partir de uma experiência de mais de 5 anos como diretora da referida escola. Sua res- posta nos ajuda a entender a falta de resposta da Secretaria de Educação e Cultura aos nossos e-mails, convidando-a para participar como informante voluntário desta investiga- ção. Analisando historicamente, fizemos contato telefônico com a Secretaria, na pessoa da secretária, a qual nos disponibilizou o seu endereço eletrônico para o envio da docu- mentação – questionário e termo de consentimento.
Contudo, não obtivemos respostas – questionários e termos de consentimento as- sinados, mesmo com outras sinalizações, via telefone de que o material nos seria enviado no dia seguinte, não nos foi possível obter a opinião da Secretaria Municipal de Educação e Cultura do município de Nova Viçosa, acerca da situação das culturas produzidas em Helvécia e Rio do Sul, Patrimônio Cultural dessas comunidades. A professora Sidineia nos deu a seguinte resposta: “Até o momento, nenhum” (Questionário respondido em 27 de janeiro de 2016). Questionados se em função de Helvécia e Rio do Sul serem comuni- dades certificadas e por isso, provocarem interesses a estudiosos, pesquisadores nacionais e internacionais, se o município através da Secretaria de Turismo desenvolve projetos de visitas turísticas com vistas à formação e valorização do turismo cultural? O chefe de Departamento respondeu: “Nenhum” e a professora Maria Aparecida disse, “Nenhum”.
As respostas a essas questões nos forneceram elementos para melhor entender a realidade por que passa a comunidade de Helvécia com relação ao domínio que os foliões e moradores têm sobre a ocorrência de suas culturas. A comunidade foi marcada por um processo de abandono e isolamento no início de sua formação, por se tratar de um grupo de ex-trabalhadores em regime de escravidão, à época, e hoje observamos que mesmo tendo sido certificada como guardiã de memórias de seus antepassados e de seus ances-
trais, mesmo assim, o poder público municipal não lhe dispensa espaços efetivos em suas pautas de debates institucionais.
As questões analisadas demonstram vazios, trabalhos isolados, e uma certa des- preocupação com a temática como relevante na sustentação, representação e identificação do município por meio de suas culturas. Haja vista que no calendário municipal da Secre- taria Municipal de Educação e Cultura e no da Secretaria de Turismo as culturas produzi- das em Helvécia e Rio do Sul não aparecem em seus indicativos de conteúdos, localida- des históricas e turísticas. Estamos nos referindo a currículo escolar, calendários de cultu- ra e atrações turísticas como espaços primordiais para a salvaguarda dos bens culturais do Patrimônio Cultural sugeridos pela UNESCO ao afirmar:
entende-se por ‘salvaguarda’ as medidas que visem assegurar a viabilidade do Patrimônio Cultural imaterial, incluindo a identificação, documentação, pes- quisa, preservação, proteção, promoção, valorização, transmissão, essencial- mente através da educação formal e não formal, bem como a revitalização dos diferentes aspectos desse patrimônio (UNESCO, 2003).
No Guia Turístico Virtual de Nova Viçosa-Helvécia, em que o município apresen- ta o calendário das festas de 2016 e sinaliza as atrações turísticas indicadas pelo municí- pio. O documento está situado no site oficial da Prefeitura Municipal, e no item Distritos e Povoados apresenta um breve histórico dos distritos, entre os quais aparece Helvécia acompanhada de um texto que se pretende histórico, o qual o transcrevemos na íntegra para que seja melhor compreendido.
Há, portanto, algumas diferenças entre o conteúdo que remete o referido a Helvé- cia como um local e endereço histórico – bem cultural e patrimônio, com relação à práti- ca desenvolvida sobre os bens. Decidimos por manter a cor de fundo original no docu- mento virtual da Prefeitura municipal no intuito de evidenciar o apelo discursivo e visual, apesar de não coincidir com a prática administrativa - cultural, educativa e turística da referida municipalidade:
Orgulho da história de Nova Viçosa, esse distrito mereceu atenção especial da Secretaria de Turismo, que realizou um importante trabalho de resgate históri- co-cultural.Ao perceberem a situação de abandono em que se encontrava o po- voado e que nenhuma ameaça pesava mais sobre as suas cabeças, os remanes- centes do período escravo foram, aos poucos, retornando e tomando posse das casas, do comércio e de tudo enfim, transformando o povoado em uma Colônia Nagô, inclusive com dialeto próprio.Hoje Helvécia conta com uma população negra, de beleza singular, em torno de 2.000 habitantes. O abandono e o desca- so imperaram por lá até bem pouco tempo, quando algumas pessoas de visão e que não temem desafios, empenharam-se no resgate da história, da cultura e da beleza do seu povo, que se orgulha da ascendência dos verdadeiros colonizado- res deste pedaço peculiar de Brasil: os negros.O trabalho desenvolvido pela Se- cretaria de Turismo objetiva não somente o resgate da memória cultural de Helvécia, bem como despertar o interesse daquela comunidade por esta ativi- dade. http://www.novavicosa.com.br/?pg=novavicosa/distritos_povoados O texto de apresentação chamou-nos a atenção para alguns pontos abordados que diferem do que a maioria dos informantes da pesquisa responderam sobre o lugar que as culturas produzidas pelos afrobrasileiros ocupam em documentos e na vida cultural e
educacional do município. Os mesmos pontos diferem da nossa observação na comuni- dade durante o processo de levantamento de dados – março a agosto de 2015.
O resgate histórico de que fala o documento, sobre este não aparece no calendário de atrações turísticas nenhum indicativo ou sinalização para que os turistas, em manifes- tando interesse, possam apreciar, conhecer; salvo no item “pontos turísticos” que aparece uma descrição que nos sugere ser do antigo prédio da Estação Ferroviária do distrito de Helvécia, mas que não tem a referência da descrição, ou seja, havendo interesse não há como ir até o local caracterizado.
Sobre o dialeto próprio citado, como o texto foge a algumas regras de construção, que não vêm ao caso nesta análise, não nos fornece dados temporais para que entendamos em que tempo-histórico o distrito teve a propriedade de tal dialeto. Neste sentido, sugeri- mos leitura em O Português Afro-Brasileiro (2009), de Baxter, Lucchesi & Ribeiro, e em
A Linguagem Escravizada (2003), de Florenci Carboni e Mário Maestri.
Figura nº 13 – Ruínas do Cemitério de São Pedro em Helvécia. Fotografia: Valdir Nunes
Em igual caminho, o orgulho e "resgate" da história, da cultura, da beleza e da memória do mesmo modo não aparecem resultados do que os órgãos envolvidos com a elaboração dos calendários de cultura, turismo e documentos educacionais – projetos e currículos escolares, chamam e entendem por resgate, a exemplo da situação em que se encontra este cemitério, visualizado na figura nº 13.
Em síntese, o texto apresentado no site oficial das secretarias difere de respostas dadas pelos informantes – professores, gestores de cultura e de educação. Reiterando, no intento de melhor aclarar a falta de lugar dos bens culturais que constituem o Patrimônio Cultural das comunidades. Sobre o cemitério antigo em que estão enterrados colonos e alguns escravos, apresentamos a situação por meio de alguns textos que nos parecem mostrar de maneira mais delimitada, apesar de densa e de maior detalhamento em seu conjunto, um guia, um manancial de possibilidades que as imagens nos apontam e ao mesmo tempo no provocam a pensar, sobre.
Um bem cultural, histórico e natural da comunidade, um patrimônio cultural, des- truído pelas ações da monocultura do eucalipto. As respostas às perguntas que trataram de saber se existem projetos voltados para o conhecimento e a formação sobre o patrimô- nio, projetos para garantir a permanência da prática de culturas nas comunidades e proje- tos de visitas turísticas voltadas para a população local e turistas para as comunidades certificadas? Para todas elas as respostas dos informantes em sua totalidade disseram:
não, não existe, desconheço, nenhum, não é do meu conhecimento, desconheço qualquer trabalho… As respostas vão ao desencontro do que dizem não só os poucos textos que
existem sobre Helvécia, como sustentam os vazios existentes nos projetos implementados pelas Secretarias de Educação e Cultura; e Turismo. A relação entre o cemitério e a cultu- ra é muito forte, uma vez que os grupos de culturas realizam todos os anos o ofício das almas, que é dedicado aos mortos, como nos disse Faustina Zacarias ao explicar o que são os ofícios, tipos, objetivos, finalidades e obrigações:
o ofício... Tem ofício das alma, tem ofício, o povo fala da Mãe de Deus, e ofí- cio pra um falecido. Cada um tem seu ritmo. De Nossa Senhora, que é a Mãe de Deus, tem o ritmo de cantá, e das alma, qual nós cantamos, tem o ritmo. Es- se das alma é cantado lá dento do cemitério, no dia de finado. Eu vô fala só um pedacinho que é começado assim: Abrirei meus lábios em tristes assuntos para
sufocá os fiéis defuntos. Sede em meu favor Salvadô do mundo, queda as alma santa do lago profundo, para que por vós, Jesus somos bem. Ela já descansa para sempre, amém (Entrevista realizada 19 de julho, Helvécia, 2015).
Faustina enfatiza: Esse é ofício das alma que todo ano nós cantamo dento do ce-
mitério.
Como dissemos, o cemitério é um espaço do patrimonial em que os moradores da comunidade estabelecem uma outra relação além da que é de costume em todas as socie- dades. O cemitério é espaço de cultura, faz parte da rotina de obediências que o modo de vida e de culturas lhes outorga, lhes exige. Uma exigência que se materializa por meio da memória, das lembranças de seus antepassados; são essas lembranças que sustentam a memória de que os ofícios das almas devem ser realizados, pois “a memória é um fenô- meno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história, uma representação do passado” (Nora, 1993: 9).
Memórias, pessoas e patrimônio, um conjunto indissociável - memória, práticas culturais e os moradores da comunidade de Helvécia convivem às sombras dos eucaliptos invasores. O professor Benedito Quintiliano diz que “após a chegada das empresas, mui- tas manifestações culturais se perderam” (Helvécia, 2015). A relação com o patrimônio nas comunidades de Helvécia encontrou alguns impedimentos pelo caminho com a che- gada da monocultura do eucalipto. Diante da conjuntura socioeconômica, um projeto de reflorestamento como fora divulgado, o que na realidade não é reflorestamento, não pare- ce aos olhos e ouvidos da população algo tão assustador, uma vez que o Estado, a mídia e políticos representantes do poder público autorizam.Um rastro de memória, uma parte da realidade e dos comportamentos dos moradores da comunidade que ao longo dos perío- dos históricos foi se transformando em cultura, em arte - patrimônio cultural:
Figura nº 14 – Ruínas do Cemitério de São Pedro. Fotografia: Valdir Nunes
Porém, observando o caso mais de perto, ouvindo os moradores e estudando sobre o processo de produção de culturas nas comunidades, foi possível perceber a sutileza co- mo as ações dessas empresas alteraram a vida das comunidades certificadas como rema- nescentes das comunidades dos quilombos, como disse acima Benedito, sobre as interfe- rências das empresas sobre as práticas de culturas. Há uma distância grandiosa entre as práticas de culturas do Patrimônio Cultural e o imponente projeto de plantio de eucaliptos que, como todo grande projeto econômico, tende a esmagar as micro e pequenas ativida- des, e muito mais esmagadoras são as suas ações, quando o seu oponente, na visão das empresas, se trata de culturas, de imaterialidades, de sentimentos de sujeitos e grupos sociais subalternos, subalternizados.
Como já dito, trata-se de um patrimônio sombreado pela monocultura do eucalip- to. Cria-se um impedimento permanente que gera um trabalho incompleto e inconcluso por falta de condições de produção, o ser humano em especial. A arte que não chega a ser arte, o artesanato que não chega a ser artesanato, e as danças, sambas e brincadeiras que ficam no meio do caminho por falta das pessoas que historicamente participavam. Em função da obediência cultural e ritualística que muitos moradores ainda preservam é que insistem na realização dessas práticas nas condições que se apresentam, a todo custo.
Nesse sentido, os elementos exigidos pela produção ficam sempre em segundo plano, falta a pele de um dos tambores, faltam condições para se reunirem e mesmo assim acontecem sem maiores dramas entre eles, pois no dia de realização não há cobranças porque em geral é uma oferenda para um santo, é um agradecimento para outro e não há critérios que lhes exijam fazer diferente.
Figura nº 15 - Cemitério de São Pedro. Fotografia: Valdir Nunes
O que não deixa de ser patrimônio daquele grupo social, não deixa de representá- los porque se trata de suas identificações, frágeis, quebradas, mas em contínuo processo. Como continua Faustina Zacarias nos informando sobre os ofícios:
desna desse tempo lá que ês vêm rezano, que a festa pra eles era terminada cum ofício. Não existia padre. Com um bom tempo que cumeçô tê padre, porque pra ler, pra sê padre precisa de muito estudo, e ante num existia, quase, nem escola. Escola dos cativêro era roça: enxada, foice, facão... Num existia. Então esse o- fício, hoje eu canto o ofício olhano pelo catecismo, e antes meu pai num sabia fazê um “o”. Aprendeu cantar todinho sem saber lê. E maioria deles que era do meu finado, meu avó Zacarias, ele cantava o ofício, ele nunca sabia que que era uma letra. Então aprendeu todo na memória, né? Então aí vem, o ofício é desde esse tempo lá. Qua a festa que existia antigamente era samba, batuque mesmo,