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Evolution de la population

2.2 Résultats

2.2.1 Evolution de la population

Solà- Morales (2002) apresenta as cinco categorias na seguinte ordem, seguidas de suas sucintas definições: ‘mutações’ – a forma das transformações, ‘fluxos’ – a forma do movimento, ‘habitações’ – a forma da residência, ‘contenedores’ – a forma do intercâmbio e as ‘terras vagas’ – a forma da ausência. Segundo o autor, a categoria ‘mutações’ é a primeira a ser apresentada porque é a categoria mais adequada para entender as atuais dinâmicas de transformações súbitas das cidades. Já a categoria ‘terras vagas’ é a última, pois é o contraponto das mutações, o outro lado da mesma dinâmica metropolitana, concluindo que “sólo la igual atención a los valores de la innovación como a los valores de la memoria y de la ausencia serán capaces de mantener viva la confianza en una vida urbana compleja y plural” (SOLÀ-MORALES, 2002, p. 105). Para o melhor entendimento da proposta de uso das categorias nessa tese, a descrição delas será feita em outra ordem.

A categoria ‘fluxos’ é a mais universal de todas, estando presente nos mais diversos estudos urbanos, desde os feitos por arquitetos urbanistas, como os de Maricato (2011a), Lynch (2011), Koolhaas (2006, 2008), Secchi (2009) e Venturi (2003), como os feitos por geógrafos, como os de Santos (1988) e Soja (2002), por sociólogos, como os de Castells (2008) e Sassen (1994), e antropólogos, como os de Mongin (2009) e Caldeira (2000). Essa diversidade deve-se ao fato de que os fluxos, tanto os visíveis quanto os invisíveis, são hoje a base que fundamenta a formação dos territórios contemporâneos, influenciando tanto a forma, a parte visível, quanto as questões sociais, políticas e econômicas, a parte invisível.

Solà-Morales (2002) explica que a categoria ‘fluxos’ abrange toda a noção de movimento dentro das cidades, desde as redes de transportes até as redes de informações, alertando que é na justaposição desta multiplicidade de fluxos onde se formam os lugares nodais mais poderosos da cidade contemporânea. O autor aponta que o entendimento amplo dos fluxos na arquitetura e no urbanismo começou a ser discutido na década de 50, através da crítica ao urbanismo proposto pelo CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna), que considerava que o fluxo nas cidades era apenas o fluxo visível, a rede de transportes, tratado como um objeto separado na dinâmica urbana e deixado a cargo dos especialistas de transportes. Segundo o autor é neste momento que:

“Redes, mallas, conductos, movimento stacatto, empiezam a ser figuras recurrentes en un modo de proyectar donde, cada vez más, los movimientos de todo tipo formam la sustancia misma del proyecto. Será a partir del momento em que la mócion se conceptualice como flujo cuando se consumará, de forma definitiva, la diferencia entre la moción de espacio-tiempo utilizada por la vanguardia arquitectónica en los años veinte-cuarenta y tomada de la física einsteiniana y la moción de flujo tal como en los años recientes ha comenzado a ocupar un lugar central a la hora de explicar la arquitectura y la ciudad contemporaneas.” (SOLÀ-MORALES, 2002, p. 88)

Na categoria ‘habitações’, o autor debate as transformações das habitações contemporâneas e aponta que essa questão sempre foi a temática central da discussão da

arquitetura e do urbanismo, principalmente nas grandes cidades. Entretanto, se comparada com a investigação e a experimentação modernista sobre a forma e a função da moradia, percebe-se que a importância da habitação na cidade contemporânea é outra e está muito mais relacionada com questões quantitativas do que qualitativas.

Para Solà-Morales (2002), a organização produtiva da habitação segue as dinâmicas dos promotores privados que, reguladas pela premissa da oferta e da procura, ofertam através de mecanismos econômicos - aluguel, compra, financiamento etc. - uma grande gama de localizações, tipologias, níveis de equipamentos e valores simbólicos, ansiados por um grande mercado imobiliário. Entretanto, o que é construído mostra- se destoante desta proposta, visto que a produção da habitação pelo mercado faz surgir repertórios formais genéricos que se convertem em propostas homogêneas e dotadas de uma completa falta de identidade.

[...] la arquitectura culturalmente más atenta parece haberse despreocupado de esta inmensa área de producción edificada. Las referencias al gusto kitsch, al mercantilismo y a la especulación han sido los motivos para dejar todas estas arquitecturas [residenciais] abandonadas a su suerte. (SOLÀ-MORALES, 2002, p. 92)

Apesar desse panorama, Solà-Morales (2002) aponta que a temática da habitação persiste como objeto de estudo fértil para a experimentação e inovação arquitetônica e que estas propostas se distribuem em quatro áreas principais. A primeira são as propostas arquitetonicamente renovadoras que pretendem resolver a habitação coletiva atípica e que, geralmente, são implantadas em áreas urbanas residuais através de investimentos reduzidos e são promovidas pela administração pública para os cidadãos que não possuem muitas possibilidades de escolher outras formas de habitação. São tanto as habitações de cunho social - casas para os imigrantes e pobres - como as habitações com programas diferenciados - casas para um habitante ou para situações transitórias.

A segunda área diz respeito às habitações que possuem grande liberdade de criação arquitetônica, concedidas por um cliente ou promotor atípico. São as casas isoladas unifamiliares que, geralmente, seguem ideais neovanguardistas. Para o autor, esta tipologia segue sendo um campo privilegiado para a experimentação das novas possibilidades e inovações para a arquitetura habitacional. A terceira trata das habitações autoconstruídas pelos mais desfavorecidos e que são caracterizadas pela baixa qualidade do ambiente construído. É a área que melhor representa a produção habitacional das grandes cidades mundiais subdesenvolvidas, cuja principal característica é o enorme crescimento demográfico e urbano. É importante ressaltar que, no panorama brasileiro, essa tipologia não está inserida apenas nas ocupações ilegais – as favelas, mas, também, nas áreas urbanas legais, concebidas por pessoas sem conhecimento técnico adequado.

A quarta área está mais diretamente ligada ao mercado e refere-se à habitação que é concebida através de ‘componentes’, como os mobiliários, os equipamentos eletroeletrônicos e os elementos decorativos. Os componentes aparecem como parte integrante do projeto e definem características importantes, como a distribuição espacial ou o caráter simbólico que, segundo Solà-Morales (2002), é uma resposta aos anseios de

identidade e de gratificação estética. É uma tipologia que dificilmente é implantada em áreas urbanas públicas, ou seja, está associada às tipologias de enclaves fortificados, como os loteamentos e condomínios fechados. No contexto brasileiro, a produção habitacional representada pela segunda área também está relacionada com essas tipologias fechadas.

A categoria ‘contenedores’ aborda os espaços de intercâmbio do capital, os templos de consumo da sociedade contemporânea. Solà-Morales (2002) alerta que não se trata apenas de um mercado que se limita aos produtos supostamente necessários para as necessidades básicas das pessoas, mas sim um equipamento focado no desejo e na gratificação. Espaços onde os limites entre o público e o privado se confundem, especializados em oferecer todos os tipos de consumo, sejam eles materiais ou imateriais. O contenedor mais emblemático é o shopping center, cuja proliferação nas periferias nas grandes cidades do mundo constitui, segundo o autor, um dos fenômenos arquitetônicos e metropolitanos mais poderosos e determinantes dos últimos quarenta anos. Entretanto, é possível encontrar as mesmas características em museus, estádios, teatros, parques temáticos de entretenimento, edifícios históricos e centros turísticos. O autor descreve esses espaços como:

[...] Separácion física que nega la permeabilidad, la transitividad, la transparência. Máxima artificialidad producida por un recinto cerrado, acotado, protegido. Artificialidad del clima, de la organización, del control. Artificialidad del espacio interior, siempre interior aunque este al aire libre, producida por medios arquitectónicos que puden ser múltiples, variables, efímeros, etc., pero que están siempre encerrados por el envoltório rígido del contenedor. (SOLÀ-MORALES, 2002, p. 100)

A categoria ‘terra vaga’, traduzida do francês ‘terrain vague’, trata dos territórios que já tiveram funções importantes no passado, mas que atualmente não possuem mais atividades, ou seja, estão vagos. São lugares residuais da cidade contemporânea que evocam memórias do passado. As grandes cidades apresentam muitas áreas que podem ser classificadas por esta categoria, como as áreas industriais abandonadas, os leitos férreos, as áreas portuárias, as áreas abandonadas por consequência da violência, os espaços residuais das margens dos rios etc. Segundo o autor, devemos tomar cuidado com essas áreas, pois ainda é muito cedo para entender todos os significados simbólicos e todas as memórias engendradas nesses espaços.

As ‘terras vagas’ geralmente estão mais relacionadas com as cidades que possuem longa história urbana. Em cidades cujo crescimento urbano é mais recente, como as cidades brasileiras, é provável encontrar poucos exemplos dessa categoria, podendo ser confundida com o conceito de vazios urbanos que, por outro lado, são espaços que nunca foram urbanizados e, consequentemente, nunca tiveram usos. Os vazios urbanos estão intrinsicamente relacionados com a especulação imobiliária e representam no território as áreas vazias dentro do perímetro urbano. Caracterizam-se como áreas de reserva para a multiplicação do capital e não como áreas verdes e abertas com funções ambientais e de lazer. Nas cidades com crescimento urbano recente, as áreas de vazios urbanos parecem

prevalecer sobre as de terras vagas. Enquanto as terras vagas representam a memória, os vazios urbanos são a moeda de troca dos especuladores urbanos.

A última categoria, e o principal conceito de análise proposto por esta pesquisa, é ‘mutações’ que aborda as transformações urbanas que ocorrem nas cidades contemporâneas. A análise das transformações das cidades é uma das principais temáticas dos estudos urbanos. Nota-se, porém, que essas análises estão mais focadas nas relações das dinâmicas urbanas com as questões sociais, econômicas e políticas, do que nas especificidades da forma física que essas transformações urbanas conformam, restando uma lacuna de estudos. As categorias propostas por Solà-Morales (2002) mostram-se como um possível caminho para entender a expressão física dessas transformações.

Para o autor, desde o movimento renascentista até o organicista, o modelo orgânico-evolucionista tem sido utilizado para entender as relações de transformações urbanas. O conceito é emprestado da área biológica e está embasado nas teorias darwinianas, da evolução lenta e longa e do permanente reajuste entre morfologia e fisiologia. Com o movimento moderno, o modelo orgânico-evolucionista cedeu espaço para a lógica racional, na qual primeiro era feito o planejamento, depois a urbanização e em seguida o edifício, em uma lógica que mantinha a relação permanente da morfologia urbana com a tipologia edificada.

Entretanto, há casos de transformações urbanas que não podem ser explicados por nenhum dos dois modelos, nem o evolutivo nem o racionalista. O autor exemplifica com os casos da reconstrução do centro de Beirute, da expansão urbana de Shangai, das transformações urbanas com a reunificação de Berlim, da renovação do centro de Bucareste, assim como do crescimento urbano da Cidade do México, de Brasília ou de Jedda. A lista de exemplos pode ser facilmente estendida para qualquer outra cidade mundial inserida nas dinâmicas globalizantes do mercado capitalista e da era informacional, como as estudadas pelo projeto ‘Urban Age’: Nova Iorque, Xangai, Londres, Johanesburgo, Berlim, Mumbai, São Paulo, Istambul, Chicago e Hong Kong (BURDETT e SUDJIC, 2008, 2011).

Para explicar esses casos, Solà-Morales (2002) traz o conceito de mutação urbana. É um conceito também emprestado da biologia e que foi fundamentado a partir dos estudos do biólogo holandês Hugo de Vries, quem iniciou a teoria das mutações. O significado do termo ‘mutação’ está associado ao ato da modificação, da transformação, da alteração (AULETE, 2012). Na área biológica o conceito de mutação é entendido como:

Un cambio casual, aleatório, en el material genético de uma célula produce alteraciones de uno o más caracteres hereditários provocando una ruptura en los mecanismos de la herencia: se há producido una mutácion, es decir uma alteración sustancial que afectará tanto a la morfologia como a la fisiologia no sólo de la célula o del órgano, sino, finalmente, de todo el indivíduo. (SOLÀ-MORALES, 2002, p. 84)

Solà-Morales (2002) não explicita uma descrição clara de como seriam as formas das mutações urbanas, entretanto deixa implícito que as mutações representam os resultados formais da ocorrência conjunta das outras categorias. Assim como o próprio

autor já alertava, as categorias propostas não são um sistema fechado e completo de análise urbana, mas sim um sistema fértil e aberto para novas experimentações e aplicações. A busca por relacionar as transformações contemporâneas com as formas e paisagens urbanas, bem como a abertura para o desenvolvimento conceitual e prático dada pelo sistema proposto pelo autor, foram os principais motivadores em iniciar a pesquisa voltada à analise urbana contemporânea a partir das suas categorias.

O autor e o orientador desta tese começaram a trabalhar as categorias propostas por Solà-Morales (2002) em 2009, com a pesquisa de iniciação cientifica nomeada ‘Levantamento e Mapeamento da Evolução dos Condomínios Horizontais Fechados na Cidade de Campinas, de 1988 a 2008’ (TURCZYN, 2009). Foram estudadas as localizações dos condomínios fechados horizontais em Campinas, e um dos resultados alcançados foi que o crescimento e a localização dessas tipologias aconteciam principalmente em torno dos shopping centers, os contenedores, nas margens da rodovia Dom Pedro I (Figura 7).

Essa pesquisa teve continuação na dissertação de mestrado do autor (Turczyn, 2013), cujo foco foi o estudo morfológico das áreas de expansão recentes entorno das margens da rodovia Dom Pedro I, na região norte-nordeste de Campinas (Figura 8). O cerne do trabalho foi buscar a expressão física do que seriam essas mutações, evidenciando as tipologias e os padrões de paisagem que compunham essas áreas. Alguns dos resultados advindos da exploração das categorias de Solà-Morales como ferramenta de analítica da morfologia urbana contemporânea já foram publicados pelo autor e seu orientador: Turczyn e Monteiro (2013a, 2013b, 2018a, 2018b) e Monteiro e Turczyn (2014, 2017).

A utilização do conceito de mutações como uma categoria de análise da urbana ainda é rara na bibliografia sobre cidade, entretanto mostra-se comum para referir-se à ideia de transformação. Alguns exemplos dessa aplicação são os estudos de Koppman (2006, 2008), que abordou o significado para explicar como a urbanização periférica e os atores privados modificaram a região metropolitana de Buenos Aires, assim como o de Maller (1998), que fez uso do significado para discorrer sobre as modificações morfológicas de cidades norte-americanas. Nesses casos o termo mutação é utilizado como um sinônimo de transformação ou modificação e não como um conceito morfológico.

Há outros trabalhos que utilizam o conceito de mutações urbanas apenas de forma referencial e não como objeto de estudo, como os trabalhos de Llanos (2004) e Laursen (2009) discorrem sobre as transformações da cidade da era informacional, assim como o de Maia (2005), que emprega o conceito para discutir as modificações habitacionais da era industrial para a atual, ou como o de Bronstein (2004), que trata da crise do modelo contextualista perante a cidade contemporânea. Já Sousa (2010) aponta que as mutações urbanas provocam o surgimento de espaços urbanos obsoletos, pela perda das funções físicas, funcionais, locacionais, legais ou de imagens, sendo que o principal espaço onde ocorre este processo é o público. Por outro lado, Paiva (2011) trabalha a interseção de duas categorias, as terras vagas com as mutações e coloca que a ideia de mutação, quando aplicada a contextos como o do Brasil, pode também ser compreendida como grandes invasões de terras ou assentamentos, onde uma área vazia ou vaga é rapidamente ocupada por autoconstruções, constituindo, em pouco tempo, conformações de bairros carentes de forma e infraestrutura.

Leite e Awad (2012) dedicam um capítulo inteiro do livro ‘Cidades Sustentáveis Cidades Inteligentes’ para discorrer sobre o conceito de mutação urbana. Utilizam também o termo para conceituar as dinâmicas modificadoras da cidade contemporânea que, segundo os autores, vem se conformando através de territórios fragmentados, desarticulados, periféricos, socialmente divididos, genéricos e dotados de uma completa falta de urbanidade. Apontam que o crescimento fragmentado e a formação de mutações urbanas são os principais promotores do surgimento de terras vagas e de vazios urbanos. Utilizam também o conceito de cidade genérica de Koolhaas para caracterizar os espaços mutantes, assim como a predominância do transporte individual e a proliferação de enclaves fortificados. A cidade que se forma através das mutações, segundo os autores, não consegue ser mapeada mentalmente através da metodologia de Lynch e consideram urgente a retomada da questão da percepção urbana na produção urbana. Apesar dos autores não citarem Solà-Morales quando descrevem o conceito de mutações, fica implícito a sua referência.

Pina e Monteiro (2010) fizeram uma experiência didática com as categorias propostas por Solà-Morales em uma disciplina de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP. Propuseram que os alunos utilizassem as categorias para elaborarem tanto uma visão do presente como uma visão antecipada do futuro de áreas de Campinas. Ou seja, utilizaram os conceitos de Solà-Morales como ferramenta de análise da cidade e da paisagem, o que permitiu evidenciar as formas com as quais as categorias se apropriam do território, assim como fazer prospecções futuras balizadas, tanto positivas como negativas. Os autores concluem que a utilização das categorias de Solà- Morales se mostrou bem mais complexa para a análise e prospecção da paisagem urbana do que, por exemplo, o método de Lynch, com seus cinco elementos. Apontam também que as categorias mais imateriais – ‘terras vagas’ e ‘fluxos’ – foram melhores compreendidas, já as categorias mais materiais – ‘mutações’, ‘habitações’ e ‘contenedores’ – foram utilizadas, ao contrário do que se esperava, de forma mais confusa e com associações errôneas, como por exemplo, ‘mutação’ com áreas urbanas em processo de esvaziamento ou ‘contenedores’ como qualquer edifício institucional ou monumental, o que se deve, principalmente, ao pouco tempo de existência dos conceitos e às raras experiências deles como ferramenta analítica.

Nota-se que a utilização do termo ‘mutação urbana’ para a compreensão da cidade contemporânea está, geralmente, atrelada a características negativas e genéricas de um território que é conformado através de escolhas funcionais, espaciais e estéticas pobres. Solà-Morales (2002) aponta que o resultado decorrente destas escolhas banais e pouco inventivas será, no futuro, causador de graves problemas.

Curiosamente, se argumenta que la urgencia y la celeridade del processo mutacional no deja espacio ni para el análisis ni para la invención, conformándose com la ingênua satisfacción de haber producido unos monstruos fuera de escala que com toda seguridade, sólo tendrán la gloria de quedar recogidos em los archivos de les récords Guinnes. (SOLÀ-MORALES, 2002, p. 86)

Figura 7. Mapa produzido na iniciação científica do autor, representando a localização dos enclaves fortificados residenciais, horizontais, por tamanho, e a relação com as categorias de Solà-Morales

Em contrapartida, o autor aponta um caminho alternativo, onde a mutação urbana poderia ser desenhada e pensada de forma criativa e não de forma genérica. Mostra que esses espaços tenderiam a ser formados por morfologias abertas e interativas, nas quais apenas alguns critérios mínimos seriam utilizados para a organização do rápido processo de transformações urbanas. Para o autor, apenas projetos que tenham mecanismos de autorregulação, de interação e de reajuste durante o processo de realização possuem sentido em situações que são dificilmente comparadas com as de outros momentos históricos.

Turczyn e Monteiro (2013b) trabalharam o conceito de mutações criativas, propondo um processo de mutação nas terras vagas deixadas pelas antigas linhas ferroviárias de Campinas. Nas cidades que tiveram longos períodos de urbanização é possível encontrar diferentes exemplos de mutações urbanas com caráter criativo, ou seja, que propõem novos usos, tipologias e formas urbanas com o intuito de resgatar e fazer uso de áreas que possuem localização privilegiada e grande valor histórico e de memória para a cidade e seus cidadãos. Alguns casos com processos semelhantes são as urbanizações nas áreas portuárias (docklands) das cidades de Amsterdam, Londres e Buenos Aires, ou o High Line de Nova Iorque. Nota-se ainda que a mutação criativa é um processo muito mais difícil de ser desenvolvido do que a mutação genérica, trazendo resultados nem sempre esperados ou positivos, como o processo de gentrificação dessas áreas.

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