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Evolució de les necessitats no cobertes de l’Escala CANFOR

MATERIAL I MÈTODE

Taula 16. Evolució de les necessitats no cobertes de l’Escala CANFOR

Durante o período das observações participantes, alguns gêneros se fizeram presentes naquele contexto da educação infantil, ora proporcionados pela própria escola e professora, ora pelas próprias crianças e suas famílias. Alguns se destacaram, como as histórias de aventura, histórias engraçadas, contos de fada, as fábulas, parlendas, músicas e textos de

Figura 9 – Texto coletivo: “Os caramujos” Fonte: arquivos da pesquisadora

divulgação científica. No quadro anexo ao final desta dissertação (Anexo I), apresento a recorrência dos gêneros e os temas que se evidenciaram na relação das crianças com esses enunciados.

Nos gráficos seguintes, podemos encontrar a recorrência dos gêneros, agrupados por tipologias. Neles, podemos pensar sobre quais gêneros, de quais tipologias, foram privilegiados no contexto estudado.

Na imagem abaixo, a recorrência está organizada de acordo com os meses de observação. É importante destacar que, no mês de dezembro, a recorrência é menor, devido ao número reduzido de dias letivos e às férias, além do fato de que as próprias atividades em sala começam a reduzir e os professores começam a se dedicar mais ao fechamento dos trabalhos da turma, aos relatórios e aos diários.

Figura 10 – Gráfico com a recorrência dos gêneros Fonte: elaborado pela pesquisadora

Já na imagem a seguir, a recorrência é exposta somente pelas tipologias, sem separação pelos meses pesquisados. Podemos ver que os gêneros privilegiados no contexto pesquisado são os da ordem do narrar e do expor (devido ao projeto desenvolvido durante todo o ano).

Figura 11 – Gráfico com a recorrência dos gêneros Fonte: elaborado pela pesquisadora

O objetivo, ao apresentar esses gráficos, não é forçar uma comparação entre as tipologias mais trabalhadas, tampouco dizer que apreende todos os gêneros que circularam no contexto pesquisado. Pois, por mais que tivesse realizado um esforço para isto, meu olhar de pesquisadora não conseguiria identificar toda a variedade de gêneros presentes nas interações. Como o próprio Bakhtin (2011) afirma, não há interação que ocorra sem a utilização de um gênero. Assim, a variedade de gêneros é infinita. Portanto, seria impossível apontar todos eles.

Desse modo, o critério adotado para a identificação de um gênero foi o envolvimento de um texto materializado (oral ou escrito) nas diversas atividades realizadas pelas crianças, seja por iniciativa da professora, com alguma proposta, seja por iniciativa das próprias crianças. Além dos momentos em que era possível identificar o envolvimento de um gênero em determinada situação de interação, sem que os sujeitos (professor ou alunos) tivessem “consciência” dessa presença. É justamente desses momentos sociocomunicativos que surgem os gêneros, segundo Bakhtin (2011).

Não desejamos, também, nos prender às propriedades formais ou linguísticas dos gêneros. Essa organização em tipologias, proposta por Schneuwly e Dolz (2004), leva em conta capacidades de linguagem, domínios sociais da comunicação e aspectos tipológicos, aqui foi adotada para critérios de organização dos diferentes gêneros encontrados no contexto pesquisado, objetivando uma visão mais sintética dos achados. Nesse sentido, temos o

objetivo de enfocar nosso olhar mais para as situações reais de interação que deram origem a tais gêneros.

Além disso, a reflexão que surge ao nos depararmos com esses dados perpassa, no meu entendimento, algumas concepções que temos sobre a criança e a infância, principalmente se pensarmos nas perspectivas que guiaram a educação da infância por um longo período: da criança como um ser em falta. Não seria essa a justificativa, por exemplo, para dizer quais os gêneros mais “adequados” a elas, quais seriam “capazes” de entender ou se identificariam mais, quais produziriam e interagiriam com mais frequência.

Assim, defendendo a criança como cidadã, detentora de direito, que produz cultura e nela é produzida (KRAMER, 2006), essa discussão não poderia deixar de ser apontada. No contexto pesquisado, pude perceber que os gêneros presentes foram determinados mais pela situação interacional vivenciada pela turma (projeto) do que por uma concepção defasada sobre as crianças e suas infâncias.

Para refletir um pouco mais sobre a presença de tais gêneros nesse contexto, é importante esclarecer como os gêneros de cada tipologia eram apresentados às crianças. Os gêneros da ordem do narrar, por exemplo, que dizem respeito aos gêneros da cultura literária ficcional, se caracterizam, de acordo com Schneuwly e Dolz (2004, p. 51), por “[...] mimeses da ação através da criação da intriga no domínio de verossímil”.

Os gêneros dessa ordem apareciam, no contexto pesquisado, sempre acompanhados de seus suportes, em sua maioria livros, na modalidade escrita, e lidos pela professora para as crianças. Eram os mais presentes e proporcionavam momentos de encantamento por parte das crianças, muitas inferências, intertextualizações e o interesse pelo contar e ouvir novamente uma mesma história.

Já os textos da ordem do relatar, que trazem a documentação e memorização das ações humanas e, segundo Schneuwly e Dolz (2004, p. 51) caracterizam-se pela “[...] representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo”, se faziam presentes sempre na modalidade oral, principalmente nos momentos da rodinha, quando a professora dava oportunidade às crianças para falarem dos acontecimentos do cotidiano de suas vidas. Além disso, havia também as situações em que as crianças participavam das anotações do meu diário de campo, e esse gênero se apresentava para elas na modalidade escrita.

Os gêneros da ordem argumentativa, que discutem problemas sociais controversos e, conforme apontam Schneuwly e Dolz (2004, p. 52), trazem “[...] sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição”, foram gêneros menos presentes no contexto pesquisado, aparecendo de forma oral e mais aleatória, em momentos de negociação entre as crianças e

entre a professora e as crianças. Por isso, a dificuldade de apreender a presença desses gêneros. Um trabalho mais específico, com um gênero argumentativo, não consegui observar. Os gêneros da ordem do expor, que tratam da transmissão e construção de saberes, segundo Schneuwly e Dolz (2004, p. 52), trazem “[...] apresentação textual de diferentes formas de saberes”. Tais gêneros se fizeram bastante presentes no decorrer da pesquisa, principalmente devido ao projeto “Toca de gente, casa de bicho”, pois divulgavam conhecimentos científicos sobre os bichos e suas casas. Esses conhecimentos eram apresentados de forma oral, por textos escritos e também por imagens. As crianças apresentavam interesse por tais gêneros e, principalmente, construíam diversos conhecimentos sobre as temáticas trabalhadas.

Gêneros da ordem do instruir, que trazem prescrições e instruções e, como definido por Schneuwly e Dolz (2004, p. 52), a “regulação mútua de comportamentos”, estiveram mais presentes na modalidade oral, principalmente nos combinados sobre comportamento das crianças.

Diante do que foi exposto até aqui, no tópico seguinte, discorro sobre a maneira como esses gêneros entraram nesse contexto de pesquisa.