FIRMWARE REVISION LEVEL
2.9 EVDT OPERATION
O instrumento de recolha dos dados nesta fase consistiu em um roteiro semiestruturado, dividido em três blocos, que continham questões sobre os elementos sistêmicos das CPS (Bloco 1), as dimensões e temáticas transversais que influenciam o sistema (Bloco 2) e os stakeholders (Bloco 3).
O motivo da escolha deste tipo de instrumento foi principalmente devido a sua flexibilidade e a possibilidade de o investigador aprofundar determinados tópicos, de acordo com as particularidades das organizações pesquisadas. As entrevistas duraram entre 75 e 120 minutos, foram gravadas, com as devidas autorizações dos participantes, e posteriormente transcritas.
O roteiro desenvolvido passou por revisões e foi previamente testado. As revisões foram realizadas por três professores-investigadores com experiência na condução e orientação de pesquisas em nível de mestrado e doutorado, entre os meses de novembro de dezembro de 2016, cujas características e contribuições estão representadas no Quadro 3.3.
Considerando-se a conveniência geográfica, a formação, a atuação profissional e a acessibilidade dos profissionais consultados, pré-testes foram realizados em duas versões do instrumento (Quadro 3.4). Na primeira, quando ainda não estava definida a consecução de grupos focais, houve dois pré-testes com profissionais que detinham conhecimento relacionado ao tema das CPS, realizados em dezembro de 2016.
Em um segundo momento, após melhorias no instrumento inicialmente concebido, houve um último pré-teste, em uma entrevista em grupo com dois profissionais, ocorrido em janeiro de 2017. Os participantes responderam às questões do roteiro e em seguida foram inquiridos acerca de suas impressões sobre o instrumento.
A partir dos comentários dos revisores e dos participantes dos pré-testes, foi possível perceber as dificuldades para o entendimento de algumas questões, a falta de clareza conceitual de alguns termos e perguntas, a existência de questões que poderiam ser retiradas, a ordem de consecução do roteiro, a necessidade de melhoramentos nas definições utilizadas e o longo tempo de aplicação das entrevistas. Dessa forma, o
132 instrumento de recolha dos dados foi aperfeiçoado. A versão final do roteiro está apresentada no Apêndice IV.
Quadro 3.3 – Identificação e principais contribuições dos revisores
Revisor Formação / Atuação Questionamentos e Contribuições
Alba de Oliveira Barbosa Lopes
Doutora em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil (UFRN); Professora e investigadora do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Brasil.
- Melhorar a explicação da dimensão “Pessoas” e da temática transversais “Conhecimento”;
- Deve estar preparado para explicar aos participantes alguns termos teóricos importantes, tais como poder, legitimidade e urgência (Bloco 3).
Jorge da Silva Correia Neto
Doutor em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (UFPE); Professor e investigador da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil (UFRPE).
- Complementar a questão que trata dos processos e ferramentas com uma pergunta do tipo: “em sua organização, há exemplos de reuso, reciclagem ou redução no uso de materiais e serviços?”
- Por que usar escala de 1 a 5 num conjunto de perguntas e no outro usar de 1 a 10? Que nível de acurácia deseja? Isso não poderá confundir os respondentes?
Christiane de Melo Rego Souto
Doutora em Marketing pela Universidad Complutense de Madrid, Espanha; Atualmente é gerente de uma empresa privada no ramo de educação.
- A descrição da “legitimidade” está um pouco confusa; - Na descrição da “urgência”, eliminaria a palavra “rapidamente” no final da frase. Parece-me redundante;
- Fico muito preocupada com o tempo de aplicação do instrumento, pois poderá haver falta de interesse ou dispersão, a partir de determinado tempo de aplicação. Tente simplificar a linguagem e agrupar alguns conceitos.
O Bloco 1 teve por objetivo caracterizar os elementos sistêmicos das CPS nas organizações participantes, principalmente no que tange às principais demandas, aos processos e ferramentas, aos resultados e às formas de avaliação do sistema. O objetivo do Bloco 2 foi entender como as organizações-caso percebiam as dimensões e temáticas estratégicas identificadas na primeira fase do estudo. O Bloco 3 teve a intenção de realizar uma categorização dos stakeholders pelos modelos de Mitchell et al. (1997) e Savage et al. (1991).
133 Quadro 3.4 – Identificação e principais contribuições dos participantes dos pré-testes
Participante do pré-teste
Formação / Atuação Comentários
Jamana
Rodrigues de Azevedo
Mestre em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (UFPE).
Gestora do Banco do Brasil.
- Não senti dificuldades no entendimento dos conceitos, nem no preenchimento das questões fechadas;
- Achei a entrevista um pouco longa e cansativa; - Alguns stakeholders da listagem são pouco importantes para o sistema de compras da minha organização;
- “Legitimidade dos stakeholders” e “legitimidade das ações e demandas dos stakeholders” me pareceram conceitos muito parecidos, bem como a “urgência”.
Marcos Antônio Pereira da Silva Graduação em Administração e especialização em Contabilidade. Técnico em Compras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
- Achei a entrevista um pouco longa;
- Entendi os conceitos de poder, legitimidade e urgência, mas tive dificuldades de concentração e de diferenciar “Legitimidade dos stakeholders” x “legitimidade das ações e demandas dos stakeholders” e “sensibilidade” x “criticidade”.
Clóvis de Lima Barbosa Júnior
Mestre em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (UFPE).
Coordenador Alterno e Analista de Compras e Contratações do Banco Central do Brasil (em Recife).
- Não perguntaria se existe algum tipo de hierarquia entre as dimensões apresentadas, até porque me parece que há uma relação sistêmica, de interdependência entre elas. Poderia alterar e perguntar sobre as relações existentes (não necessariamente sobre a hierarquia entre elas); - Na parte de avaliação dos recursos de poder, legitimidade e urgência, poderias colocar ao lado quem
são os stakeholders governamentais, intra-
organizacionais e outros, de maneira similar como fizestes na apresentação inicial dos intervenientes.
Alexandre José Sobral Baracho
Mestre em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (UFPE).
Coordenador de Compras e Contratações do Banco Central do Brasil (em Recife).
- As dimensões e temáticas precisam ser bem explicadas e diferenciadas entre si, para que não ocorra má interpretação dos conceitos;
- Acho que os recursos de poder divididos entre meios coercitivos, utilitários e simbólicos muito confusos porque há muita semelhança entre esses meios. Além disso, avaliar esses meios para cada um dos
stakeholders foi um pouco cansativo.