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1.4 Les méthodes d’évaluation du TIC

1.4.1 Evaluation de la qualité du colostrum

Quanto ao enamoramento Costa (1998), afirma que para ter o amor como ideal no casamento é preciso ocultar o que nele existe de incongruente, complexo, difícil e humanamente imperfeito. Esse imaginário aparece no enamoramento, como foi visto.

Bauman (2004), afirma que o amor é ambivalente, incerto e inevitavelmente traz sofrimento. No entanto, querer escapar dessas incertezas significa fuga. A instabilidade do amor não é ocasional. Por natureza ele é “sem descanso” e deve sempre transcender e transgredir o que foi alcançado.

Deve sempre abastecer-se de novos suprimentos de energia para manter- se vivo [...] e, uma vez acumulado, o capital é devorado rapidamente se não for diariamente preenchido. O amor é assim, insegurança encarnada (BAUMAN, 2004, p. 99).

Para Badinter (1986), assim como para Bauman, os infortúnios do amor na relação conjugal dependem da disponibilidade dos sujeitos em aceitar os sacrifícios que sua realização impõe.

Para Bauman (2004), pouco importa as disposições psicológicas do sujeito. A emoção amorosa no casamento é, nela mesma, incerta, ambivalente, e a excelência dos cônjuges consiste em conciliar paixão com a responsabilidade para com o outro. No discurso de Badinter (1986), não suportamos mais os sofrimentos do amor porque nossa economia desejante se tornou narcísica; no de Bauman (2004), nada que se faça resolve de uma vez por todas uma situação incontornavelmente instável e ameaçadora.

Enquanto para Badinter (1986), o amor é algo bom, o homem e a mulher é que se relacionam de forma incorreta, para Bauman (2004), o amor é o que é, e cabe ao homem e a mulher estarem conscientes do que assumem quando decidem se amar.

O foco da interpretação se desloca radicalmente em vez de sujeição ao Ideal do amor no casamento, é ressaltado a capacidade humana de fazer escolhas e responder pelo ônus das decisões tomadas.

A relevância social do casamento, conforme revelado no discurso das pessoas participantes, bem como em suas representações diárias indica que o fenômeno pesquisado é de fato objeto de representações sociais.

A presente pesquisa através dos dados coletos demonstrou a convergência de um pensamento social no que se refere a temas relacionados às representações sociais do casamento no contexto específico em que foi realizado, com as características do Brasil, no tempo cronológico, político, sócio, econômico, histórico e cultural.

A pesquisa revelou uma homogeneidade que parecia no início que casais com diferentes idades e diferentes níveis sócioeconômicos fossem apresentar características específicas e diferentes entre si. Entretanto, os dados apresentados foram semelhantes entre si. A semelhança entre as respostas concebidas pelos distintos casais participantes, indicou uma identidade social no casamento, independente de idade, sexo, renda e tempo de relação conjugal.

A base para a escolha do parceiro, foi de fato a atração romântica como sendo a base para a escolha amorosa. Apesar, de alguns estudos discordarem do amor romântico opondo-o ao amor conjugal ou ao companheirismo amoroso, como se tratasse de um substituto contrário. A pesquisa demonstrou que o amor romântico e a reciprocidade entre os casais são conteúdos significativos nas representações sociais dos casais participantes dessa pesquisa.

O desejo foi decisivo na escolha do parceiro assim como o sentimento de que o outro preenche muitas de suas necessidades afetivas pela identificação na atribuição de significados mútuos das representações do casamento. Supõe-se que a vivência sexual, embora não permanentemente satisfeita, está sendo deixada de lado por questões familiares de dedicação aos filhos ou nos projetos a dois.

A ternura, os conflitos, os cuidados da casa, problemas de educação com os filhos e relacionamento de ambos, fizeram e fazem parte do cenário da rotina da vida desses casais, constituindo assim, elementos de Representações Sociais do Casamento.

O casamento sofreu influências das mudanças sociais mais gerais e, principalmente, do movimento feminista, e nas últimas três décadas do século

passado, observa-se no que se refere ao casamento uma tendência para o debate/embate de questões como: relações de gênero, redefinição de papéis, comportamento sexual, da constituição da mulher como indivíduo e construção da individualidade pessoal. Neste contexto entende-se que as questões cruciais do casamento contemporâneo dizem respeito á dimensão da intimidade e as próprias questões advindas do papel social da mulher.

Diante das transformações existentes na sociedade nem sempre a família tem seu início em um casamento. Muitos casais iniciam a união pelo fato de estarem dispostos a constituírem uma vida em comum, seja pelo amor existente entre ambos, ou de um sentimento forte que os une, como também em decorrência da própria história que cada um traz que passa a ser ancorada nos valores inerentes ao contexto cultural que define o casamento como um destino que todos os indivíduos devem ter a partir de uma determinada idade.

O casamento é um ato validado no meio cultural. Sua complexidade reside no fato de duas pessoas, com histórias diferentes, de diferentes famílias e com diferentes sistemas de valores, definirem um projeto comum que através do casamento as imagens e os discursos são transmitidos pelas regras sociais e familiares dos cônjuges.

Os interesses econômicos e sociais definem as representações sociais do casamento ao longo do tempo. O modelo teórico de Moscovici (2011), através do conceito de objetivação e ancoragem por ele elaborado trata de fazer com que o homem e a mulher transformem a relação através de um sistema de valores, ancorando-os no contexto cultural que o casal vive. A representação social do casamento é encarnada na realidade social do casal, passando então a fazer parte do cotidiano.

Na pesquisa, a experiência pessoal dos participantes definiram suas representações sociais do casamento. Cada um ao fazer a escolha do parceiro para o casamento, objetivou a forma que dariam a tal vivência, ancorando-a em expectativas e experiências sociais e familiares originárias do contexto cultural em que vivem. Tais conteúdos foram elaborados cognitivamente em imagens e ideias e transformadas em atitudes adaptadas a realidade do casal.

A pesquisa apresentou dados quanto a diversidade de formas como os casais constroem suas representações sociais do casamento.

As questões subjetivas surgiram na ocasião da marcação das entrevistas em que a pesquisadora encontrou dificuldades na disponibilidade de horário em uma primeira lista de casais para marcar o encontro com os cônjuges separadamente. Foi necessário cancelar o primeiro grupo e arrumar uma nova forma de abordagem em que foi enfatizado o critério sigiloso da pesquisa, reforçando verbalmente a privacidade dos dados.

As maiores dificuldades estiveram relacionadas à abertura para falar de temas que estão associados à intimidade do casal e a forma como expõem tal imagem no meio social. Tal fato serviu para o questionamento profissional da pesquisadora, pois enquanto terapeuta, tais temas seriam considerados de pouca relevância quanto a intimidade de um casal.

O que nos leva a considerar que a escolha sobre compartilhar intimidade conjugal no consultório está associado à busca do casal na resolução de seus conflitos, enquanto no contexto de pesquisa pode significar exposição da intimidade do casal.

Outra consideração a ser ressaltada, diz respeito ao quanto a conjugalidade prevalece sobre a individualidade. Os casais evidenciam suas individualidades na vida profissional e conservam a conjugalidade no casamento e na vida familiar.

Quanto ao sexo, ele é objetivado no casamento como sendo uma atribuição de valor importante no casamento enquanto prática. Os casais ancoram o sexo baseado em valores subjetivos associados as crenças que possuem acerca dos significados de cada um individualmente e como casal.

De maneira geral, há uma redução da atividade sexual, com exceção do casal 3 que procurou manter a atividade sexual quando os filhos eram pequenos.

As perguntas para um posterior estudo são: se as responsabilidades do casamento permeiam a intimidade conjugal, se as mudanças socioeconômicas e culturais definiram papéis sociais quanto ao gênero e em que medida estão influenciando as relações conjugais na administração do dinheiro e na divisão de tarefas.

Segundo González Rey (2005), as zonas de sentido podem ser entendidas como espaços de inteligibilidade que se produzem na pesquisa. Elementos simbólicos perpassam as zonas de sentido que são as representações sociais e o mundo do inconsciente.

Conforme González Rey (2005, p. 141),

A subjetividade individual indica processos e formas de organização da subjetividade que ocorrem nas histórias diferenciais dos sujeitos individuais. Portanto, ela delimita um espaço de subjetivação que contradiz e de forma permanente se confronta com os espaços sociais.

Já a subjetividade social, apresenta-se nas representações sociais, nos mitos, nas crenças, na moral, na sexualidade, nos diferentes espaços em que vivemos e está atravessada pelos discursos e produções de sentido que configuram sua organização subjetiva (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 24). As seis zonas de sentido emergentes da pesquisa articulam essa relação entre produção de sentido individual e a ancoragem na sociedade, nas imagens da família tradicional, na divisão do trabalho, na divisão de gênero como por exemplo, o trabalho profissional é uma constante de todos os casais participantes. As mulheres apesar da responsabilidade profissional, nesses casais são também as responsáveis pela execução das tarefas domésticas. Cabe aos homens serem os responsáveis financeiros do provimento e da administração das contas a pagar. Todos os casais participantes têm sua renda salarial própria proveniente do trabalho profissional de cada um. As diferenças salariais não foram relevantes entre o homem e a mulher com exceção do casal 1, em que o marido além de receber um salário inferior paga sua faculdade. O dinheiro de cada um é administrado de forma diversificada a partir de acordos feitos entre os dois, em que despesas comuns são divididas e gastos pessoais administrados individualmente. Dentre os casais, o homem têm o papel de ser o responsável na administração das contas apesar das despesas serem divididas. Os casais ancoram a administração do dinheiro a partir de um modelo convencional em que cabe ao homem tarefas que exijam raciocínio mental.

Enfim, há um ideal de convivência conjugal que não só estrutura a visão dominante do casal, mas tem configurações práticas na vida do mesmo, como assinala Jodelet (2011 apud ALMEIDA; SANTOS; TRINDADE, 2011), de que as representações sociais são cultura e prática.

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APÊNDICE A – ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA

1- OS MOTIVOS QUE DESPERTARAM O INTERESSE DE UM PELO OUTRO 2- A MANEIRA COMO A FAMÍLIA RECEBEU O PARCEIRO

3- A VIDA SEXUAL APÓS O NASCIMENTO DOS FILHOS 4- A VIDA SOCIAL E FAMILIAR DO CASAL

5- O TRABALHO E COMO O CASAL DIVIDE AS TAREFAS DOMÉSTICAS 6- O DINHEIRO E COMO O CASAL ADMINISTRA AS DESPESAS

APÊNDICE B - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado (a) a participar da pesquisa “REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO CASAMENTO”. A pesquisa será realizada no âmbito do DF e pretende coletar informações, valores e representações sociais sobre o casamento, visando compreender os motivos que fizeram com que o casal se enamorasse, como passou a ser a vida do casal e as razões que fazem com que permaneçam casados.Suas falas e respostas serão registradas, mas seu nome será mantido em sigilo. Em qualquer momento você pode solicitar às informações que desejar e decidir não mais participar da pesquisa, sem prejuízo algum. Na divulgação da pesquisa não haverá nenhuma identificação pessoal.

Eu, , identidade ,declaro que fui informado (a) e devidamente esclarecida do projeto de pesquisa intitulado : “REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO CASAMENTO” , coordenado pelo Professor Vicente de Paula Faleiros da Pós graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília - UCB.

Declaro, que após ser esclarecida a respeito da pesquisa, consinto voluntariamente em participar desta pesquisa. Brasília, de de 2013. Nome: RG: Data de nascimento: Sexo: Endereço:

Bairro: Cidade: Brasília CEP Tel: (61)

APÊNDICE C - DECLARAÇÃO DO PESQUISADOR

Declaro, para fins da realização da pesquisa, que cumprirei todas as exigências acima, na qual obtive de forma apropriada e voluntária, o consentimento livre e esclarecido da (o) declarante acima, qualificada (o) para a realização da pesquisa REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO CASAMENTO.

Brasília, de de 2013.

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